Valores de referênciaValores de referência

Tireoide / cervical — Valores de referência

Tireoide / cervical — Valores de referência: Lobo direito/esquerdo — comprimento, Lobo direito/esquerdo — largura, Lobo direito/esquerdo — espessura ântero-posterior.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Lobo direito/esquerdo — comprimento4–6 cmadulto; medir cada lobo separadamenteFonte: PMC Thyroid ultrasound / Endotext
Lobo direito/esquerdo — largura1–2 cmFonte: PMC Thyroid ultrasound / Intedia
Lobo direito/esquerdo — espessura ântero-posterior1,3–1,8 cmaté ~2,0 cm pode ser aceito por algumas referênciasFonte: PMC Thyroid ultrasound / ATA teaching material
Volume tireoidiano total — mulher10–15 mLfaixa usual; limite superior clássico para bócio: >18 mLFonte: PMC Thyroid ultrasound / EJE 2025
Volume tireoidiano total — homem12–18 mL25 mL é melhor tratado como limite superior clássico, não como alvo de normalidadeFonte: PMC Thyroid ultrasound / EJE 2025
Cálculo do volume de cada loboC × L × E × 0,479comprimento, largura e espessura em cm; somar os dois lobosFonte: WHO/ICCIDD ultrasound volume formula
Istmo — espessura≤ 3–4 mmaplicada automaticamente no laudoFonte: Intedia / Endotext
Parênquima tireoidiano — Doppler coloridoescasso a moderado e simétricoHiperfluxo difuso acentuado é anormal e deve ser correlacionado com TSH, T4 livre e anticorpos.Fonte: Ralls AJR 1988 / QJM 2025
Artérias tireoidianas — velocidade sistólica de picover faixas cm/sNão há corte universal: valores entre 30 e 70 cm/s são zona de sobreposição entre estudos; acima de ~70 cm/s favorece hiperfluxo de Graves quando o padrão é difuso.Verde — sem hiperfluxo relevante: <30 cm/sAmarelo — zona de sobreposição: 30–69 cm/sVermelho — hiperfluxo acentuado: ≥70 cm/sFonte: Frontiers Endocrinol 2024 meta-analysis / Arch Endocrinol Metab 2019

Classificações e calculadoras

Calculadora — EU-TIRADS (alternativa europeia)

CategoriaRiscoPunção a partir de
EU-TIRADS 2~0% (anecoico/espongiforme)
EU-TIRADS 32–4% (baixo risco)≥20 mm
EU-TIRADS 46–17% (risco intermediário)≥15 mm
EU-TIRADS 526–87% (alto risco)≥10 mm

Sinais de alto risco (EU-TIRADS 5): muito hipoecoico, contorno irregular, mais alto que largo, microcalcificações. Comparar sempre com o ACR TI-RADS.

Fonte: EU-TIRADS — Russ, Eur Thyroid J 2017 (ETA)

Calculadora — Bethesda (citologia da tireoide)

CategoriaRisco de malignidadeConduta usual
I5–20% (não diagnóstica)Repetir PAAF guiada por US.
II0–3% (benigna)Seguimento por risco ecográfico.
III6–18% (AUS)Repetir PAAF, teste molecular ou lobectomia.
IV10–40% (neoplasia folicular)Teste molecular ou lobectomia diagnóstica.
V45–60% (suspeita)Cirurgia conforme extensão.
VI94–99% (maligna)Cirurgia + estadiamento.

Bethesda é citológico (PAAF); o US (ACR/EU-TIRADS) decide QUEM puncionar. Riscos assumem sem NIFTP; testes moleculares refinam III e IV.

Fonte: The Bethesda System, 3rd ed. 2023

ACR TI-RADS 2017 — pontuação por características

CaracterísticaAchadoPontosNota prática
ComposiçãoCístico ou quase completamente cístico0Não pontua suspeição pelo ACR.
ComposiçãoEsponjiforme0Múltiplos microcistos ocupando mais de 50% do nódulo.
ComposiçãoMisto cístico e sólido1Pontuar pela composição predominante descrita.
ComposiçãoSólido ou quase completamente sólido2Característica que aumenta a pontuação, mas não define sozinha o nível.
EcogenicidadeAnecoico0Aplicável a nódulo cístico.
EcogenicidadeIsoecoico ou hiperecoico1Comparar com o parênquima tireoidiano adjacente.
EcogenicidadeHipoecoico2Mais escuro que a tireoide, porém não mais escuro que músculo.
EcogenicidadeMuito hipoecoico3Mais escuro que a musculatura cervical anterior.
EcogenicidadeNão determinável1ACR orienta 1 ponto quando a ecogenicidade não puder ser definida.
FormaMais largo que alto0Avaliar no plano transversal.
FormaMais alto que largo3Sinal de maior suspeição no ACR TI-RADS.
MargemLisa0Margem regular.
MargemMal definida0Não é o mesmo que irregular; não pontua no ACR.
MargemLobulada ou irregular2Pontua como margem suspeita.
MargemExtensão extratireoidiana3Invasão franca além da cápsula tireoidiana.
MargemNão determinável0Use quando a margem não puder ser avaliada com segurança.
Focos ecogênicosNenhum ou artefato em cauda de cometa grande0Artefato de coloide grande é benigno no sistema.
Focos ecogênicosMacrocalcificações1Foco calcificado maior com sombra posterior.
Focos ecogênicosCalcificações periféricas em anel2Pontuar se presente; pode coexistir com outros focos.
Focos ecogênicosFocos ecogênicos puntiformes3Podem representar microcalcificações; somam com outros focos presentes.

Escolha uma opção em composição, ecogenicidade, forma e margem. Em focos ecogênicos, some todos os achados presentes; se não houver, use 0 ponto.

Fonte: ACR TI-RADS white paper 2017 / ACR TI-RADS Atlas

ACR TI-RADS 2017 — nódulo tireoidiano

NívelPontosRiscoPunção aspirativa a partir deSeguimento por imagem
TR100,3%
TR21–21,5%
TR334,8%≥ 2,5 cm≥ 1,5 cm: 1, 3 e 5 anos
TR44–69,1%≥ 1,5 cm≥ 1,0 cm: 1, 2, 3 e 5 anos
TR5≥ 735%≥ 1,0 cm≥ 0,5 cm: anual por 5 anos

Somar composição, ecogenicidade, forma, margem e focos ecogênicos. Conduta usa a maior dimensão do nódulo.

Fonte: ACR TI-RADS — JACR 2017

Doppler tireoidiano — leitura rápida

CategoriaFaixa / padrãoInterpretação
ParênquimaVascularização simétrica escassa a moderadaPadrão esperado quando não há hiperemia difusa.
ParênquimaAumento discreto/moderado, focal ou assimétricoAchado de sobreposição: correlacionar com modo B, dor, TSH, T4 livre e anticorpos.
ParênquimaHiperfluxo difuso acentuado (“inferno tireoidiano”)Anormal; em tireoide difusamente aumentada favorece Graves quando os exames laboratoriais concordam.
Velocidade sistólica de pico<30 cm/sFaixa verde por concordar com valores de repouso em várias séries.
Velocidade sistólica de pico30–69 cm/sZona limítrofe: há estudos usando 30 ou 40 cm/s, mas meta-análise recente aponta corte maior.
Velocidade sistólica de pico≥70 cm/sHiperfluxo acentuado; fortalece hipótese de Graves se o aumento for difuso.

O Doppler não substitui exames laboratoriais nem cintilografia quando necessária. Use esta leitura para orientar a descrição e a correlação clínica.

Fonte: Frontiers Endocrinol 2024 meta-analysis / Arch Endocrinol Metab 2019 / QJM 2025

Chammas — vascularização do nódulo (Doppler)

PadrãoDescriçãoCorNota prática
IAusência de fluxoVerdeMenor suspeição Doppler; ainda aplicar ACR TI-RADS pelo modo B.
IIApenas periférico/perinodularVerdePadrão de menor suspeição relativa.
IIIPeriférico igual ou maior que centralAmareloAchado intermediário; não muda sozinho a conduta.
IVCentral maior que periféricoVermelhoMaior especificidade para citologia maligna, porém baixa sensibilidade.
VExclusivamente centralVermelhoMaior suspeição Doppler adjunta; não substitui citologia.

Doppler vascular de nódulo é complementar: estudo europeu mostrou que vascularização não melhora a estratificação global do ACR TI-RADS. Padrões IV/V de Chammas são específicos, mas pouco sensíveis.

Fonte: Chammas et al. / AEM-SBEM 2009 / Eur Thyroid J 2021

Linfonodo cervical — sinais de suspeita

SinalAchado suspeito
FormaArredondado: eixo longo menor que o dobro do eixo curto
HiloAusente
VascularizaçãoPeriférica/caótica
EcotexturaMicrocalcificações, cístico, hiperecogênico

Fonte: Critérios sonográficos consagrados

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