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Referências e medidas em ultrassonografia

A compilação mais completa e referenciada da internet: valores normais, faixas coloridas (normal / limítrofe / alterado), classificações e calculadoras embutidas — com fontes citadas em cada bloco. Assistivo; confirme com a literatura e o seu julgamento clínico.

Vias urinárias / Rins

Brasil: o CBR define rins e bexiga como escopo do exame; ureteres/adrenais são descritos quando houver achado, e o resíduo pós-miccional entra por indicação clínica ou pedido. EUA/Europa: usar PVR com cautela porque os cortes variam entre diretrizes.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Rim adulto — comprimento bipolar9–12 cmvaria com altura, sexo, idade e biotiponormal consensual: 9–12 cmlimítrofe/contexto: 8–9 ou 12–13 cmanormal provável: <8 ou >13 cm
Diferença de comprimento entre os rins≤ 1,5 cmdiferença maior sugere doença unilateral ou variação anatômica a correlacionarnormal: ≤1,5 cmanormal: >1,5 cm
Parênquima renal — espessura1,3–2,5 cmmenos de 1,0 cm é compatível com afinamento relevantepreservado: ≥1,3 cmlimítrofe: 1,0–1,2 cmafinado: <1,0 cm
Córtex renal — espessura7–15 mmhá variação por técnica; interpretar com ecogenicidade e tamanho renalpreservado: ≥10 mmzona técnica/idade: 7–9 mmafinamento importante: <7 mm
Parede vesical — bexiga cheia≤ 3 mm3–5 mm depende da repleção; >5 mm com bexiga cheia é suspeitonormal cheia: ≤3 mmlimítrofe/repleção: 3–5 mmespessada: >5 mm
Volume vesical para avaliação200–300 mLbexiga parcialmente cheia melhora avaliação de parede e lesões
Cálculo do volume vesicalcomprimento × largura × profundidade × 0,52alguns protocolos usam coeficientes diferentes conforme o formato vesical
Resíduo pós-miccional<30 local; <50–100 consenso mLprotocolo local marca >30 mL como alterado; não há consenso único; medir logo após urinarnormal local: <30 mLalterado no protocolo local: 30–49 mLnormal por algumas fontes: 50–99 mLaceitável/limítrofe: 100–200 mLinadequado/retenção: >200 mL

Classificações e calculadoras

Resíduo pós-miccional — leitura por consenso

FaixaLeituraComentário
< 30 mLNormal local estritoCorte usado no protocolo local do serviço; acima disso pode ser descrito como resíduo aumentado/alterado no padrão do médico.
30–49 mLAlterado no protocolo localFaixa acima do corte local de 30 mL; ainda fica abaixo do corte <50 mL usado por fontes brasileiras para incontinência urinária não neurogênica.
50–99 mLDivergenteNormal em algumas referências internacionais, mas acima dos cortes conservadores local e brasileiro.
100–200 mLAceitável em contextoPode ocorrer em idosos ou sintomas específicos; correlacionar.
> 200 mLEsvaziamento inadequadoSugere disfunção miccional ou obstrução, conforme contexto.
> 300 mLSugere retençãoAUA usa >300 mL persistente como definição volumétrica de retenção crônica.
> 400 mLRetenção urináriaGeralmente tratado como retenção urinária.

Use a calculadora acima com o volume pós-miccional medido em mL. O volume pré-miccional é opcional e calcula o percentual residual.

Fonte: Protocolo local / Ministério da Saúde BR 2020 / ICS teaching module / StatPearls PVR / AUA white paper

Hidronefrose — graduação ultrassonográfica

GrauAchadoInterpretação
AusenteSistema coletor não dilatadoNormal quando não há contexto obstrutivo.
LeveDilatação inicial de cálices/pelve, papilas preservadasAchado real, mas pode depender de hidratação, bexiga cheia ou variante.
ModeradaCálices arredondados e papilas apagadasMaior suspeita de obstrução; correlacionar com dor, ureter e jato ureteral.
GraveCálices confluentes e córtex afinado (<1 cm)Consenso de anormalidade importante; procurar causa obstrutiva.

A graduação é parcialmente subjetiva; diferenciar de pelve extrarrenal e cistos parapélvicos.

Fonte: StatPearls Urinary Tract Ultrasound / SFU concepts

Bosniak 2019 — cistos renais

ClasseDescriçãoRisco malig.Observação
ICisto simples: anecoico, parede fina e reforço posterior~0%Sem seguimento quando típico.
IIPoucos septos finos ou calcificação fina, sem componente sólido<1%Benigno em regra.
IIFMais septos ou discreto espessamento: precisa seguimento~5–10%Zona cinzenta; TC/RM ou contraste melhoram caracterização.
IIIParede/septos espessos ou irregulares com realce~50%Indeterminado/suspeito.
IVComponente sólido realçante~90–100%Alta suspeição.

Bosniak nasceu para TC/RM com contraste. No ultrassom sem contraste, use como triagem descritiva e recomende método contrastado se houver complexidade.

Fonte: Bosniak v2019 (Radiology/RSNA) / StatPearls Urinary Tract Ultrasound

Abdome total / superior

Brasil: pela normatização do CBR, abdome total inclui fígado, vias biliares, vesícula biliar, baço, pâncreas, rins, bexiga, aorta abdominal, veia cava inferior e retroperitônio em modo B; órgãos pélvicos e próstata não entram. Abdome superior concentra fígado, vesícula, vias biliares, pâncreas, baço e grandes vasos. EUA/Europa: usar limites com contexto clínico, técnica, idade e diretrizes SRU/EFSUMB/ACC-AHA.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Fígado — comprimento crânio-caudal na linha hemiclavicular≤ 15 cm15–16 cm é zona técnica/biotipo; medir no maior eixo reprodutívelconsenso normal: ≤15 cmlimítrofe: >15–16 cmhepatomegalia provável: >16 cm
Baço — maior eixo longitudinal adulto≤ 12 cm12–13 cm varia por altura, sexo e técnica; acima de 13 cm costuma ser anormalnormal consensual: ≤12 cmlimítrofe/biotipo: >12–13 cmesplenomegalia provável: >13 cm
Colédoco com vesícula presente≤ 6–7 mmidade acima de 60 anos e opioides podem explicar dilatação leve sem obstruçãonormal estrito: ≤6 mmlimítrofe/contexto: >6–7 mm ou idoso ≤8 mmdilatado provável: >7 mm sem contexto benigno
Colédoco após colecistectomia≤ 8–10 mmpode aumentar com o tempo após cirurgia; sintomas e bilirrubinas mudam a condutanormal pós-cirúrgico: ≤8 mmaceito por algumas fontes: >8–10 mmdilatação relevante: >10 mm
Vias biliares intra-hepáticasnão visíveis / ≤ 1 mmalgumas referências usam >2 mm como dilatação intra-hepáticanormal: não visíveis ou ≤1 mmzona técnica: 1–2 mmdilatação: >2 mm
Vesícula biliar — parede em jejum≤ 3 mmpseudoespessamento ocorre se a vesícula estiver contraída ou sem jejumnormal: ≤3 mmlimítrofe/contexto: >3–4 mmespessada: >4 mm
Pólipo vesicular incidental< 6 baixo risco; ≥10–15 alto risco mmSRU é menos intervencionista; diretrizes europeias tratam ≥10 mm com mais cautelabaixo risco: <6 mmseguimento/risco: 6–9 mm ou 10–14 mm baixo risco SRUavaliar cirurgia: ≥10 mm com risco ou ≥15 mm
Veia porta — calibre em repouso6–13 mminspiração profunda pode chegar a 16 mm; interpretar com baço, colaterais e direção do fluxonormal: 6–13 mmlimítrofe/contexto: >13–16 mmdilatação sugestiva: >16 mm
Veia porta — velocidade média16–40 cm/sdeve ser hepatopetal; fluxo hepatofugal é anormal independentemente do númeronormal: 16–40 cm/slento limítrofe: 12–16 cm/sanormal provável: <12, >40 ou hepatofugal
Ducto pancreático principalcabeça 3 / corpo 2 / cauda 1–1,5 mmaumenta discretamente com idade; medir no corpo próximo à cabeça quando possívelnormal no corpo: ≤2 mmalto-normal/contexto: >2–3 mmdilatação provável: >3 mm
Pâncreas — espessura aproximadacabeça ~2; corpo/cauda 1–2 cmmedida isolada é pouco robusta; valorizar ducto, contorno e lesões focais
Aorta abdominal — calibre máximo< 3 cm3,0 cm define aneurisma; limiar de reparo usual: ≥5,5 cm homem e ≥5,0 cm mulhercalibre usual: <2,5 cmectasia: 2,5–2,9 cmaneurisma: ≥3,0 cm
Veia cava inferior — calibre e colapso inspiratório< 2,1 cm + colapso >50%critérios estimam pressão atrial direita, não volemia isoladapressão baixa/normal: <2,1 cm + >50%indeterminado: achados discordantespressão elevada provável: >2,1 cm + <50%
Doppler abdominal — técnica mínimajejum 4–6 h quando possível; Doppler colorido e pulsado; ângulo até 60 graus; direção, velocidade e forma de onda documentadasA direção do fluxo e a patência vascular têm o mesmo peso que o número da velocidade. Ajuste ganho, escala e filtro para não simular trombose por fluxo lento.adequado: direção + espectro + ângulo documentadoslimitado: janela ruim, sem ângulo confiável ou sem jejumincompleto: suspeita vascular sem Doppler pulsado ou sem direção do fluxo
Artéria hepática — índice de resistência0,50–0,70Fora do transplante, interpretar com contexto; no transplante e no pós-operatório, valores extremos, ausência de fluxo ou padrão tardus-parvus são relevantes.usual: 0,50–0,70limítrofe/contextual: 0,70–0,80 ou 0,45–0,50alerta: >0,80, <0,45, ausência de fluxo ou tardus-parvus
Veias hepáticas — padrão espectraltrifásico ou fásico com ciclo cardíacoPerda de fasicidade pode ocorrer por cirrose, congestão, técnica ou respiração; ausência de fluxo, trombo ou obstrução sugere doença venosa hepática.fásico: trifásico ou bifásico fisiológicomonofásico contextual: cirrose, técnica ou congestão sem tromboobstrutivo: sem fluxo, trombo, estenose ou colaterais venosas
Derivação portossistêmica intra-hepática transjugular — velocidade90–190 cm/sUsar apenas quando houver derivação. Velocidade fora da faixa, gradiente focal ou turbulência sugerem disfunção conforme protocolo local.usual: 90–190 cm/szona de atenção: 50–90 ou 190–250 cm/sdisfunção provável: <50 ou >250 cm/s, oclusão ou gradiente focal

Classificações e calculadoras

Calculadora — LI-RADS US (rastreamento de CHC)

CategoriaSignificadoConduta
US-1NegativoRastreamento US semestral (± alfafetoproteína).
US-2Subthreshold (nódulo <10 mm)Repetir US em 3–6 meses.
US-3Positivo (nódulo ≥10 mm ou trombo novo)TC/RM multifásica ou CEUS LI-RADS.

Score de visualização A/B/C mede a limitação do exame (esteatose, ascite, biotipo). Visualização C grave pode indicar imagem alternativa. Aplicar só em paciente de risco (cirrose, hepatite B).

Fonte: ACR LI-RADS US Surveillance v2024 / AASLD

Calculadora — colecistite aguda (Tokyo TG18)

Critério/grauDefinição
A — inflamação localMurphy ecográfico; parede >4 mm, distensão ou cálculo impactado.
B — inflamação sistêmicaFebre, PCR ou leucócitos elevados.
DiagnósticoA + B = colecistite aguda definitiva.
Gravidade I/II/IIIIII = disfunção orgânica; II = leucócitos >18k, massa, >72 h ou inflamação local marcada; I = leve.

A gravidade orienta o momento da colecistectomia e a necessidade de drenagem/suporte.

Fonte: Tokyo Guidelines TG18 (J Hepatobiliary Pancreat Sci 2018)

CEUS hepático — realce das lesões focais

PadrãoFasesSugere
Realce periférico nodular descontínuo + preenchimento centrípetoArterial→tardiaHemangioma
Realce homogêneo com cicatriz centralArterialHiperplasia nodular focal
Hiperrealce arterial + washout tardioArterial→tardiaCHC (usar CEUS LI-RADS)
Washout precoce e acentuadoPortal precoceMetástase/colangiocarcinoma

CEUS avalia realce em tempo real sem radiação; o washout precoce/tardio ajuda a diferenciar benigno de maligno. Contraste de microbolhas é intravascular puro.

Fonte: CEUS LI-RADS v2017 / EFSUMB CEUS guidelines 2020

Calculadora rápida — abdome superior

CorFaixa práticaComo usar
VerdeFígado ≤15 cm; baço ≤12 cm; colédoco ≤6 mm; parede vesicular ≤3 mm; aorta <2,5 cm; veia porta 6–13 mm e 16–40 cm/s; ducto pancreático no corpo ≤2 mm.Valores em que as referências tendem a concordar como usuais.
AmareloFígado >15–16; baço >12–13; colédoco >6–7 ou idoso; pós-colecistectomia 8–10; parede >3–4; aorta 2,5–2,9; veia porta 13–16 ou 12–16 cm/s; ducto 2–3.Zona de divergência ou dependente de idade, jejum, biotipo, inspiração e sintomas.
VermelhoColédoco >7 mm sem contexto benigno ou >10 mm pós-colecistectomia; vias intra-hepáticas >2 mm; parede vesicular >4 mm; baço >13 cm; aorta ≥3 cm; ducto pancreático >3 mm.Faixas em que as fontes convergem para anormalidade ou investigação conforme clínica.

A calculadora classifica medidas isoladas; não substitui laudo, comparação, exames laboratoriais ou sinais associados.

Fonte: CBR / EFSUMB / SRU / USPSTF / ACC-AHA / ASE

Vias biliares — colédoco e ductos intra-hepáticos

CategoriaMedidaInterpretação
Normal consensualColédoco ≤6 mm com vesícula; ductos intra-hepáticos não visíveis ou ≤1 mm.Sem outros sinais, geralmente normal.
Zona de contextoColédoco >6–7 mm; até 8 mm em idoso; 8–10 mm após colecistectomia; ductos intra-hepáticos 1–2 mm.Correlacionar com idade, opioides, cirurgia, dor, febre e bilirrubinas.
Dilatação provávelColédoco >7 mm com vesícula e sem causa benigna; >10 mm pós-colecistectomia; ductos intra-hepáticos >2 mm.Procurar obstrução, cálculo distal, massa ou estenose conforme quadro.

Medir parede interna a parede interna e seguir o ducto até a cabeça pancreática quando possível.

Fonte: EFSUMB hepatobiliary chapter / Cleveland Clinic J Med 2022

Vesícula biliar — parede e pólipos

AchadoFaixaConduta de referência
Parede em jejum≤3 mmNormal quando a vesícula está bem distendida.
Parede em jejum>3–4 mmLimítrofe; checar jejum, contração, ascite, hepatopatia e dor.
Parede em jejum>4 mmEspessamento relevante, sobretudo com cálculo, líquido perivesicular ou Murphy ultrassonográfico.
Pólipo baixo risco<6 mmBaixo risco na maioria das diretrizes.
Pólipo intermediário6–9 mm ou 10–14 mm baixo risco SRUDivergência SRU versus Europa; considerar morfologia, crescimento e fatores de risco.
Pólipo alto risco≥10 mm com fatores de risco ou ≥15 mmAvaliar cirurgia/encaminhamento conforme diretriz e contexto clínico.

SRU 2022 usa categorias morfológicas e tende a reduzir seguimento; diretrizes europeias são mais cautelosas em ≥10 mm.

Fonte: SRU Radiology 2022 / ESGAR-EAES-EFISDS-ESGE 2022

Aorta abdominal — rastreio de aneurisma

FaixaClassificaçãoObservação
<2,5 cmCalibre usualAbaixo de ectasia.
2,5–2,9 cmEctasiaNão atinge critério clássico de aneurisma, mas merece registro.
≥3,0 cmAneurisma de aorta abdominalCritério usado em programas de rastreio por ultrassom.
≥5,0 cm mulher / ≥5,5 cm homemLimiar usual de reparoDepende de sintomas, crescimento, anatomia e risco cirúrgico.

Fonte: USPSTF / ACC-AHA 2022 / Society for Vascular Surgery

Veia porta — calibre, velocidade e direção

CorCritérioLeitura
Verde6–13 mm, velocidade 16–40 cm/s, fluxo hepatopetalFaixa usual.
Amarelo13–16 mm em inspiração profunda ou pós-prandial; velocidade 12–16 cm/sCorrelacionar com baço, ascite, colaterais e superfície hepática.
Vermelho>16 mm, velocidade <12 cm/s, fluxo hepatofugal ou tromboseSugere hipertensão portal ou doença vascular conforme contexto.

Fonte: Polish Ultrasound Society portal system standards / StatPearls

Pâncreas e veia cava inferior — limites úteis

EstruturaNormalAlerta
Ducto pancreático principal no corpo≤2 mmFaixa usual no corpo pancreático.
Ducto pancreático principal>2–3 mmAlto-normal/limítrofe, especialmente em idosos ou na cabeça.
Ducto pancreático principal>3 mmDilatação provável; considerar imagem seccional conforme sintomas e achados.
Veia cava inferior<2,1 cm + colapso >50%Compatível com pressão atrial direita baixa/normal.
Veia cava inferiorachados discordantesIndeterminado; usar índices secundários e contexto.
Veia cava inferior>2,1 cm + colapso <50%Sugere pressão atrial direita elevada.

Fonte: EFSUMB pancreas / Pancreatic ultrasound update 2024 / ASE chamber quantification

Assistente rápido — abdome com Doppler

SaídaCorInterpretação
Doppler preservadoVerdeVeia porta pérvia com fluxo em direção ao fígado, velocidade usual, artéria hepática com índice de resistência usual e veias hepáticas fásicas.
Achado contextual ou limitadoAmareloFluxo portal lento, artéria hepática limítrofe, veia hepática monofásica sem trombo, ascite/esplenomegalia isoladas ou limitação técnica.
Achado vascular anormalVermelhoFluxo portal hepatofugal, ausência de fluxo, trombose, cavernomatose, colaterais portossistêmicas, obstrução de veia hepática/cava ou disfunção de derivação.

Não use a velocidade isolada como conclusão. Combine direção, patência, forma de onda, calibre, baço, ascite, colaterais, técnica e indicação clínica.

Fonte: StatPearls Liver Doppler / Radiographics liver Doppler / portal hypertension reviews

Protocolo técnico — Doppler hepatoportal

ItemRegistrarPor que importa
Veia porta principal e ramosPatência, direção em direção ao fígado ou para longe do fígado, velocidade e calibre.Base para hipertensão portal, trombose e fluxo colateral.
Artéria hepáticaÍndice de resistência, velocidade sistólica e ascensão sistólica quando indicado.Ajuda em transplante, trombose portal, estenose e compensação arterial.
Veias hepáticas e veia cava inferiorFasicidade, patência, trombo, compressão ou dilatação.Avalia congestão, Budd-Chiari, doença cardíaca direita e obstrução venosa.
Veia esplênica e confluência portalPatência, direção, trombo e colaterais.Importante em trombose portal/esplênica e hipertensão portal segmentar.
TécnicaJejum, janela acústica, ângulo até 60 graus, escala/filtro e limitações.Evita falso diagnóstico de trombose por fluxo lento.

Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU abdomen parameter / StatPearls Liver Doppler

Hipertensão portal e trombose — sinais no Doppler

CorSinalComentário
VerdeVeia porta pérvia, fluxo em direção ao fígado, 16–40 cm/s, sem colaterais.Compatível com hemodinâmica usual quando o modo B concorda.
AmareloVelocidade 12–16 cm/s, calibre 13–16 mm, baço aumentado ou ascite isolada.Zona de contexto; procurar combinação de sinais.
VermelhoFluxo para longe do fígado, ausência de fluxo, trombo, cavernomatose, veia umbilical recanalizada ou colaterais.Achados fortes para hipertensão portal avançada ou trombose.

Fonte: StatPearls Liver Doppler / Doppler flow patterns in cirrhosis reviews

Artéria hepática, veias hepáticas e veia cava — leitura prática

EstruturaVerdeAmareloVermelho
Artéria hepáticaÍndice de resistência 0,50–0,70 e diástole presente.0,70–0,80 ou 0,45–0,50 sem outro alerta.>0,80, <0,45, ausência de fluxo ou tardus-parvus.
Veias hepáticasTrifásicas/fásicas.Monofásicas com cirrose, técnica ou congestão provável.Trombo, ausência de fluxo, estenose ou colaterais venosas.
Veia cava inferiorPérvia, compressível/fásica conforme respiração e coração.Dilatada com colapso reduzido em congestão.Trombo, compressão tumoral ou extensão de trombo.
Derivação portossistêmica intra-hepática transjugular90–190 cm/s sem gradiente focal.50–90 ou 190–250 cm/s.<50, >250 cm/s, oclusão ou turbulência/gradiente focal.

Esses limites são mais úteis no contexto certo. Transplante e derivação têm protocolos próprios e comparação seriada é essencial.

Fonte: StatPearls Liver Doppler / institutional TIPS protocols / AJR liver Doppler

Doppler hepático / transplante hepático

Aplicável a fígado nativo, pós-operatório e transplante hepático. Os critérios arteriais, portais e venosos são usados internacionalmente, mas o peso final depende do tempo pós-operatório, técnica cirúrgica, comparação seriada e protocolo institucional. No Brasil, manter descrição anatômica clara e comunicar achados críticos; em EUA/Europa, alinhar com prática ACR-AIUM, RSNA/Radiographics e protocolos de transplante locais.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Artéria hepática do transplante — índice de resistência0,55–0,80Valores altos podem ser transitórios nas primeiras 48–72 h; baixo índice com tardus-parvus favorece estenose.usual: 0,55–0,80limítrofe ou transitório: 0,50–0,55 ou >0,80 nas primeiras 72 h sem outro alertaalto risco: <0,50 com tardus-parvus, ausência de fluxo ou piora clínica
Artéria hepática — tempo de aceleração sistólica< 80 msAcima de 80 ms é usado com baixo índice de resistência e onda tardus-parvus para suspeitar estenose.ascensão rápida: <80 mszona técnica: 80–100 ms sem baixo índice de resistênciasuspeita de estenose: >80 ms + índice baixo/tardus-parvus
Artéria hepática — velocidade sistólica de pico focal< 200 cm/sVelocidade ≥200 cm/s no jato/anastomose, especialmente com aliasing e alteração distal, favorece estenose.sem elevação focal: <150 cm/satenção: 150–199 cm/ssuspeita forte: ≥200 cm/s com gradiente/turbulência
Artéria hepática — ausência de fluxoanormal crítico se confirmadoConfirmar com ganho baixo/alto, escala lenta, Doppler de amplitude e busca intra/extra-hepática.comunicar: trombose arterial até prova em contrário no transplante
Veia porta — direção do fluxoem direção ao fígadoFluxo para longe do fígado ou sem fluxo é anormal no enxerto, salvo derivação planejada.esperado: em direção ao fígadolimítrofe: muito lento ou vai-e-vemanormal: para longe do fígado, trombo ou sem fluxo
Veia porta transplantada — velocidade anastomótica< 125 cm/sAlguns protocolos aceitam velocidades altas no pós-operatório imediato; razão e turbulência aumentam especificidade.usual: <100 cm/s sem turbulênciaobservar: 100–124 cm/s ou edema precocesuspeita de estenose: ≥125 cm/s com aliasing ou razão elevada
Veia porta — razão anastomose/referência< 3:1Razão ≥3:1 é critério forte quando há estreitamento focal, turbulência ou mudança seriada.sem gradiente: <2:1limítrofe: 2–2,9:1significativo: ≥3:1
Veias hepáticas e veia cava — forma de ondafásica/trifásicaMonofásica isolada pode ser inespecífica; sem fluxo, jato focal e razão elevada sugerem obstrução de saída.tranquilizador: fásica ou trifásicacontextual: monofásica sem jato/sem congestãoobstrução provável: sem fluxo, trombo, jato focal ou razão ≥3:1
Derivação portossistêmica intra-hepática transjugular — velocidade90–190 cm/sIncluída para diferenciação; não confundir derivação com anastomose portal do transplante.usual: 90–190 cm/szona de atenção: 50–90 ou 190–250 cm/sdisfunção provável: <50, >250, oclusão ou gradiente focal

Classificações e calculadoras

Assistente interativo — Doppler hepático e transplante

SaídaCorInterpretação
Padrão preservadoVerdeArtéria hepática pérvia, índice de resistência usual, ascensão rápida, veia porta em direção ao fígado e veias hepáticas fásicas.
Zona limítrofe/contextualAmareloÍndice alto no pós-operatório imediato, velocidade intermediária, monofasicidade isolada ou limitação técnica.
Alerta vascularVermelhoAusência de fluxo arterial, tardus-parvus com índice baixo, velocidade arterial ≥200 cm/s, trombo portal, razão portal/venosa ≥3:1 ou obstrução venosa.

O assistente calcula razões e classifica por cor. Em transplante, comparação com o Doppler basal pode ser mais importante que um número isolado.

Fonte: Radiographics/RSNA / Clinical Imaging / AJR / UW and UT Southwestern transplant Doppler protocols

Protocolo técnico mínimo — fígado nativo e transplante

Vaso/etapaRegistrarPor que importa
Artéria hepática principal e ramos intra-hepáticosPatência, índice de resistência, velocidade sistólica, ascensão sistólica e local da amostra.Principal rastreio de trombose ou estenose arterial pós-transplante.
Veia porta principal, anastomose e ramosDireção, velocidade no jato e velocidade de referência antes/depois.Diferencia hiperfluxo transitório de estenose anastomótica.
Veias hepáticas e veia cava inferiorFasicidade, jato focal, velocidade na anastomose, razão e fluxo residual.Pesquisa obstrução de saída e congestão do enxerto.
Contexto cirúrgicoData do transplante, tipo de enxerto, técnica caval, stent, angioplastia e exame basal.Muda limiares e evita falso positivo no pós-operatório imediato.
Técnica DopplerÂngulo até 60 graus, escala baixa para fluxo lento, ganho ajustado, Doppler de amplitude quando necessário.Evita simular trombose por fluxo lento ou janela ruim.

Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU abdomen parameter / UW Liver TX Doppler / UTSW transplant protocol

Artéria hepática pós-transplante — leitura por cor

CorCritérioLeitura prática
VerdeFluxo presente, índice 0,55–0,80, tempo de aceleração <80 ms, sem jato focal.Compatível com perviedade arterial quando o traçado é confiável.
AmareloÍndice >0,80 nas primeiras 72 h, velocidade 150–199 cm/s ou traçado tecnicamente limitado.Repetir/seguir, comparar com basal e correlacionar com laboratório.
VermelhoSem fluxo, índice <0,50 com tardus-parvus, tempo >80 ms com baixo índice, velocidade focal ≥200 cm/s.Comunicação prioritária; considerar método complementar ou intervenção conforme protocolo.

Índice alto isolado no pós-operatório imediato é uma armadilha conhecida; o mesmo achado tardio ou com disfunção do enxerto pesa mais.

Fonte: Radiographics/RSNA liver transplant Doppler / Clinical Imaging 2014

Veia porta transplantada — estenose, trombose e hiperfluxo

CorAchadoInterpretação
VerdeFluxo em direção ao fígado, sem trombo, velocidade <100 cm/s e razão <2:1.Padrão usual quando não há aliasing focal.
AmareloVelocidade 100–124 cm/s, razão 2–2,9:1 ou velocidade alta no pós-operatório imediato sem estreitamento.Zona dependente de edema, calibre e comparação.
VermelhoVelocidade ≥125 cm/s com aliasing, razão ≥3:1, trombo ou ausência de fluxo.Sugere estenose portal, trombose ou fluxo crítico.

Fonte: Radiographics/RSNA / Doppler ultrasound in liver transplant complications

Drenagem venosa do enxerto — veias hepáticas e veia cava

CorAchadoLeitura
VerdeVeias hepáticas fásicas/trifásicas e veia cava pérvia.Contra obstrução de saída importante quando o restante concorda.
AmareloMonofásica isolada, leve redução da fasicidade ou exame respiratório/técnico ruim.Inespecífico; repetir e correlacionar com ascite, derrame pleural e congestão.
VermelhoSem fluxo, trombo, jato focal, aliasing importante ou razão ≥3:1.Sugere estenose/oclusão da drenagem venosa.

Fonte: UW Liver TX Doppler / RSNA transplant imaging reviews

Fígado nativo — Doppler hepático fora do transplante

EstruturaNormal consensualAlerta
Veia portaFluxo em direção ao fígado, calibre 6–13 mm, velocidade média 16–40 cm/s.Fluxo para longe do fígado, trombo, cavernomatose, colaterais ou fluxo muito lento.
Artéria hepáticaÍndice de resistência 0,50–0,70 fora do transplante, com diástole presente.Ausência de fluxo, índice extremo ou tardus-parvus no contexto certo.
Veias hepáticasTraçado fásico/trifásico.Sem fluxo, trombo, compressão ou padrão obstrutivo.

No fígado nativo, números isolados raramente fecham diagnóstico; direção do fluxo, trombo, colaterais e clínica dominam.

Fonte: StatPearls Liver Doppler / Radiographics liver Doppler

Armadilhas e quando escalar

SituaçãoRisco de erroComo reduzir
Primeiras 72 horasÍndice arterial alto pode ser edema, espasmo ou aumento de resistência transitória.Comparar em série e pesar função do enxerto.
Fluxo lentoEscala alta ou filtro alto podem simular trombose.Baixar escala, ajustar ganho e usar Doppler de amplitude.
Sem fluxo arterial no transplantePode representar trombose arterial, evento tempo-sensível.Confirmar tecnicamente e comunicar imediatamente conforme rotina local.
Estenose arterial tardiaPode causar isquemia biliar, abscessos ou disfunção progressiva.Integrar Doppler com vias biliares, coleções e laboratório.

Fonte: Radiographics/RSNA / Clinical Imaging review / transplant protocols

Checklist de laudo — Doppler hepático/transplante

BlocoTexto que não deve faltarCor se ausente
IdentificaçãoTempo pós-transplante, tipo de enxerto/anastomose se conhecido, comparação anterior.Amarelo
Artéria hepáticaPatência, índice de resistência, velocidade, tempo de aceleração e presença/ausência de tardus-parvus.Vermelho se transplante
Veia portaDireção, velocidade anastomótica, razão se suspeita, trombo e ramos.Vermelho se suspeita vascular
Drenagem venosaVeias hepáticas, veia cava, fasicidade, jato focal e razão quando houver estenose suspeita.Amarelo/vermelho conforme achado
Achados associadosVias biliares, coleções, ascite, derrame pleural e limitação técnica.Amarelo

Fonte: CBR reporting principles / ACR-AIUM practice parameter / transplant Doppler literature

Tireoide / cervical

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Lobo direito/esquerdo — comprimento4–6 cmadulto; medir cada lobo separadamente
Lobo direito/esquerdo — largura1–2 cm
Lobo direito/esquerdo — espessura ântero-posterior1,3–1,8 cmaté ~2,0 cm pode ser aceito por algumas referências
Volume tireoidiano total — mulher10–15 mLfaixa usual; limite superior clássico para bócio: >18 mL
Volume tireoidiano total — homem12–18 mL25 mL é melhor tratado como limite superior clássico, não como alvo de normalidade
Cálculo do volume de cada loboC × L × E × 0,479comprimento, largura e espessura em cm; somar os dois lobos
Istmo — espessura≤ 3–4 mm
Parênquima tireoidiano — Doppler coloridoescasso a moderado e simétricoHiperfluxo difuso acentuado é anormal e deve ser correlacionado com TSH, T4 livre e anticorpos.
Artérias tireoidianas — velocidade sistólica de picover faixas cm/sNão há corte universal: valores entre 30 e 70 cm/s são zona de sobreposição entre estudos; acima de ~70 cm/s favorece hiperfluxo de Graves quando o padrão é difuso.Verde — sem hiperfluxo relevante: <30 cm/sAmarelo — zona de sobreposição: 30–69 cm/sVermelho — hiperfluxo acentuado: ≥70 cm/s

Classificações e calculadoras

Calculadora — EU-TIRADS (alternativa europeia)

CategoriaRiscoPunção a partir de
EU-TIRADS 2~0% (anecoico/espongiforme)
EU-TIRADS 32–4% (baixo risco)≥20 mm
EU-TIRADS 46–17% (risco intermediário)≥15 mm
EU-TIRADS 526–87% (alto risco)≥10 mm

Sinais de alto risco (EU-TIRADS 5): muito hipoecoico, contorno irregular, mais alto que largo, microcalcificações. Comparar sempre com o ACR TI-RADS.

Fonte: EU-TIRADS — Russ, Eur Thyroid J 2017 (ETA)

Calculadora — Bethesda (citologia da tireoide)

CategoriaRisco de malignidadeConduta usual
I5–20% (não diagnóstica)Repetir PAAF guiada por US.
II0–3% (benigna)Seguimento por risco ecográfico.
III6–18% (AUS)Repetir PAAF, teste molecular ou lobectomia.
IV10–40% (neoplasia folicular)Teste molecular ou lobectomia diagnóstica.
V45–60% (suspeita)Cirurgia conforme extensão.
VI94–99% (maligna)Cirurgia + estadiamento.

Bethesda é citológico (PAAF); o US (ACR/EU-TIRADS) decide QUEM puncionar. Riscos assumem sem NIFTP; testes moleculares refinam III e IV.

Fonte: The Bethesda System, 3rd ed. 2023

ACR TI-RADS 2017 — pontuação por características

CaracterísticaAchadoPontosNota prática
ComposiçãoCístico ou quase completamente cístico0Não pontua suspeição pelo ACR.
ComposiçãoEsponjiforme0Múltiplos microcistos ocupando mais de 50% do nódulo.
ComposiçãoMisto cístico e sólido1Pontuar pela composição predominante descrita.
ComposiçãoSólido ou quase completamente sólido2Característica que aumenta a pontuação, mas não define sozinha o nível.
EcogenicidadeAnecoico0Aplicável a nódulo cístico.
EcogenicidadeIsoecoico ou hiperecoico1Comparar com o parênquima tireoidiano adjacente.
EcogenicidadeHipoecoico2Mais escuro que a tireoide, porém não mais escuro que músculo.
EcogenicidadeMuito hipoecoico3Mais escuro que a musculatura cervical anterior.
EcogenicidadeNão determinável1ACR orienta 1 ponto quando a ecogenicidade não puder ser definida.
FormaMais largo que alto0Avaliar no plano transversal.
FormaMais alto que largo3Sinal de maior suspeição no ACR TI-RADS.
MargemLisa0Margem regular.
MargemMal definida0Não é o mesmo que irregular; não pontua no ACR.
MargemLobulada ou irregular2Pontua como margem suspeita.
MargemExtensão extratireoidiana3Invasão franca além da cápsula tireoidiana.
MargemNão determinável0Use quando a margem não puder ser avaliada com segurança.
Focos ecogênicosNenhum ou artefato em cauda de cometa grande0Artefato de coloide grande é benigno no sistema.
Focos ecogênicosMacrocalcificações1Foco calcificado maior com sombra posterior.
Focos ecogênicosCalcificações periféricas em anel2Pontuar se presente; pode coexistir com outros focos.
Focos ecogênicosFocos ecogênicos puntiformes3Podem representar microcalcificações; somam com outros focos presentes.

Escolha uma opção em composição, ecogenicidade, forma e margem. Em focos ecogênicos, some todos os achados presentes; se não houver, use 0 ponto.

Fonte: ACR TI-RADS white paper 2017 / ACR TI-RADS Atlas

ACR TI-RADS 2017 — nódulo tireoidiano

NívelPontosRiscoPunção aspirativa a partir deSeguimento por imagem
TR100,3%
TR21–21,5%
TR334,8%≥ 2,5 cm≥ 1,5 cm: 1, 3 e 5 anos
TR44–69,1%≥ 1,5 cm≥ 1,0 cm: 1, 2, 3 e 5 anos
TR5≥ 735%≥ 1,0 cm≥ 0,5 cm: anual por 5 anos

Somar composição, ecogenicidade, forma, margem e focos ecogênicos. Conduta usa a maior dimensão do nódulo.

Fonte: ACR TI-RADS — JACR 2017

Doppler tireoidiano — leitura rápida

CategoriaFaixa / padrãoInterpretação
ParênquimaVascularização simétrica escassa a moderadaPadrão esperado quando não há hiperemia difusa.
ParênquimaAumento discreto/moderado, focal ou assimétricoAchado de sobreposição: correlacionar com modo B, dor, TSH, T4 livre e anticorpos.
ParênquimaHiperfluxo difuso acentuado (“inferno tireoidiano”)Anormal; em tireoide difusamente aumentada favorece Graves quando os exames laboratoriais concordam.
Velocidade sistólica de pico<30 cm/sFaixa verde por concordar com valores de repouso em várias séries.
Velocidade sistólica de pico30–69 cm/sZona limítrofe: há estudos usando 30 ou 40 cm/s, mas meta-análise recente aponta corte maior.
Velocidade sistólica de pico≥70 cm/sHiperfluxo acentuado; fortalece hipótese de Graves se o aumento for difuso.

O Doppler não substitui exames laboratoriais nem cintilografia quando necessária. Use esta leitura para orientar a descrição e a correlação clínica.

Fonte: Frontiers Endocrinol 2024 meta-analysis / Arch Endocrinol Metab 2019 / QJM 2025

Chammas — vascularização do nódulo (Doppler)

PadrãoDescriçãoCorNota prática
IAusência de fluxoVerdeMenor suspeição Doppler; ainda aplicar ACR TI-RADS pelo modo B.
IIApenas periférico/perinodularVerdePadrão de menor suspeição relativa.
IIIPeriférico igual ou maior que centralAmareloAchado intermediário; não muda sozinho a conduta.
IVCentral maior que periféricoVermelhoMaior especificidade para citologia maligna, porém baixa sensibilidade.
VExclusivamente centralVermelhoMaior suspeição Doppler adjunta; não substitui citologia.

Doppler vascular de nódulo é complementar: estudo europeu mostrou que vascularização não melhora a estratificação global do ACR TI-RADS. Padrões IV/V de Chammas são específicos, mas pouco sensíveis.

Fonte: Chammas et al. / AEM-SBEM 2009 / Eur Thyroid J 2021

Linfonodo cervical — sinais de suspeita

SinalAchado suspeito
FormaArredondado: eixo longo menor que o dobro do eixo curto
HiloAusente
VascularizaçãoPeriférica/caótica
EcotexturaMicrocalcificações, cístico, hiperecogênico

Fonte: Critérios sonográficos consagrados

Doppler e mapeamento venoso — membros, jugulares e subclávias

Integra pesquisa de trombose venosa profunda e superficial, mapeamento de refluxo/varizes, planejamento pré-procedimento, mapeamento de safena para enxerto, veias jugulares/subclávias e sinais indiretos de obstrução venosa central. Verde indica exame tecnicamente completo e achados consensualmente normais; amarelo indica limitação, pós-trombótico, refluxo limítrofe, anatomia variável ou divergência entre referências; vermelho indica trombose, obstrução, refluxo patológico consensual ou sinal de urgência.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Membros inferiores — pesquisa de trombosecompressão sequencialDocumentar veia femoral comum, junção safenofemoral, veia femoral proximal/média/distal, veia poplítea, veias tibiais posteriores e fibulares; acrescentar gastrocnêmias, soleares e veias superficiais quando sintomáticas.normal consensual: compressível, pérvia, fásica e sem material intraluminalincompleto ou indeterminado: segmento não visto, panturrilha limitada ou alteração pós-trombóticaanormal consensual: veia não compressível, trombo ou ausência de fluxo após ajuste técnico
Mapeamento venoso para varizes — técnicaortostase + manobras padronizadasPesquisar refluxo preferencialmente em pé. Usar Valsalva na veia femoral comum e na junção safenofemoral; usar compressão/descompressão distal para os demais segmentos. Registrar posição, manobra e tempo de refluxo no Doppler espectral.técnica adequada: em pé ou posição dependente, manobra documentadalimitação técnica: não ficou em pé, dor, curativo, obesidade ou manobra ruimnão interpretar como mapeamento completo: refluxo pesquisado só em decúbito sem justificativa
Veia safena magna — pontos mínimos do mapajunção + coxa + pernaDocumentar junção safenofemoral, calibre anteroposterior da safena magna na coxa e na perna, extensão do refluxo, origem, drenagem, tributárias, safenas acessórias e eventual trajeto subdérmico ou hipoplásico.mapa completo: calibres + refluxo + origem/drenagem por segmentomapa incompleto: sem calibres, sem origem/drenagem ou sem descrição de acessóriasachado crítico associado: trombose, coto ascendente até junção profunda ou suspeita de extensão profunda
Veia safena parva — pontos mínimos do mapajunção + distância ao joelho + pernaA junção safenopoplítea é variável; registrar a distância até a interlinha/prega do joelho, calibre da safena parva por segmento, extensão cranial, veia de Giacomini e drenagem do refluxo.descrição útil: junção, distância ao joelho, calibre e extensão cranial descritosanatomia variável: sem junção típica, extensão cranial/Giacomini ou drenagem complexacomplicação: trombose superficial próxima da junção profunda ou extensão para sistema profundo
Mapeamento de safena para enxertocalibre + continuidade + compressibilidadeDescrever por segmento: diâmetro, compressibilidade, continuidade, varicosidades, trombose, bifurcações, trajetos superficiais e comprimento aproveitável. O calibre aceitável varia por serviço; por segurança didática, menor que 2 mm fica vermelho, 2–2,9 mm amarelo e 3 mm ou mais verde se a parede e o trajeto forem adequados.favorável: ≥3 mm, compressível, contínua e sem varizes/tromboselimítrofe: 2–2,9 mm ou trecho útil curtodesfavorável: <2 mm, trombosada, varicosa importante ou descontínua
Refluxo superficial — safenas, acessórias e tributárias> 0,5 sPesquisa preferencialmente em ortostase ou posição dependente, com manobra padronizada e tempo de refluxo medido no Doppler espectral.normal: até 0,5 slimítrofe/técnico: 0,45–0,50 s ou manobra/posição inadequadarefluxo patológico: maior que 0,5 s
Refluxo profundo — segmento femoropoplíteo> 1,0 sPara veias femoral comum, femoral e poplítea, muitos consensos usam corte maior que 1,0 s; outros segmentos profundos usam maior que 0,5 s.normal: até 1,0 s no femoropoplíteozona cinzenta: 0,8–1,0 s ou técnica inconsistenterefluxo profundo: maior que 1,0 s no femoropoplíteo
Veias perfurantes> 0,35–0,50 sHá divergência entre 0,35 s e 0,50 s. Consenso brasileiro aceita maior que 0,35 s; critérios terapêuticos internacionais frequentemente exigem maior que 0,5 s e diâmetro maior que 3,5 mm, especialmente sob úlcera ou pele alterada.normal consensual: menor que 0,35 sdivergência entre referências: 0,35–0,50 s ou sem diâmetro/contextopatológico mais aceito: maior que 0,50 s com diâmetro maior que 3,5 mm ou pele/úlcera relacionada
Membros superiores, jugulares e subcláviascompressão quando possível + DopplerVeia jugular interna, axilar, braquial, basílica e cefálica devem ser comprimidas quando possível; a subclávia é parcialmente limitada pela clavícula e depende mais de cor, espectro, fasicidade e comparação contralateral.normal: compressível onde possível, fluxo espontâneo, fásico e simétricolimitação anatômica: subclávia não totalmente compressível, mas com Doppler normalobstrução/trombose: não compressível, sem preenchimento, colaterais ou onda contínua assimétrica
Trombose venosa superficialnão compressibilidade + tromboDescrever extensão, distância da junção profunda, veia envolvida e sinais inflamatórios. Proximidade com junção safenofemoral/safenopoplítea ou extensão para sistema profundo aumenta a gravidade.ausente: veia superficial compressível e pérviasuperficial localizada: trombo superficial afastado do sistema profundoalto risco: próximo de junção profunda, extenso, ascendente ou com trombose profunda associada

Classificações e calculadoras

Assistente interativo — trombose, refluxo e obstrução venosa

SaídaCorUso prático
Pérvio/normalVerdeCompressibilidade preservada, fluxo fásico/simétrico e refluxo abaixo dos cortes aceitos.
Indeterminado, limitado ou pós-trombóticoAmareloUse quando há limitação técnica, subclávia não compressível anatomicamente, refluxo limítrofe ou cicatriz pós-trombótica.
Trombose, obstrução ou refluxo patológicoVermelhoVeia não compressível, trombo, ausência de fluxo, colaterais centrais, onda contínua assimétrica ou refluxo claramente acima dos cortes.

A calculadora não substitui probabilidade clínica, dímero D, seguimento seriado ou venografia/tomografia/ressonância quando a suspeita central permanece alta.

Fonte: SRU 2018 / ACR-AIUM-SPR-SRU / IAC / AVF 2026

Mapeamento venoso de varizes — checklist técnico

EtapaO que documentarCor didática
Sistema profundo primeiroCompressibilidade, perviedade, fasicidade e refluxo profundo quando o exame é de insuficiência venosa.Verde se completo e normal
Safena magnaJunção safenofemoral, calibre na coxa e perna, refluxo terminal/pré-terminal/segmentar, origem e drenagem.Verde se sem refluxo e bem documentada
Safena parvaJunção safenopoplítea, distância ao joelho, calibre, extensão cranial, veia de Giacomini e drenagem.Amarelo quando anatomia é variável
Tributárias e acessóriasTopografar fonte e drenagem do refluxo; não chamar tudo de safena sem identificar o tronco envolvido.Amarelo se falta topografia
PerfurantesLocal, distância ao joelho ou planta do pé, diâmetro, refluxo e relação com pele/úlcera.Amarelo/vermelho conforme refluxo e diâmetro
Trombose ou extensão profundaVeia não compressível, trombo em safena próximo da junção profunda, extensão para sistema profundo ou flegmasia.Vermelho

O mapa deve ser anatômico e funcional: onde nasce o refluxo, por onde passa, para onde drena e quais segmentos são tratáveis.

Fonte: CBR-SBACV-SP 2020 / SVS-AVF-AVLS 2023 / ESVS 2022

Safenas — padrões de refluxo para escrever no laudo

PadrãoComo reconhecerComo reportar
Refluxo terminalVálvula terminal/junção incompetente com refluxo entrando no tronco safeno.Dizer junção, extensão crânio-caudal e drenagem para tributárias/perfurantes.
Refluxo pré-terminalVálvula terminal competente, mas refluxo abaixo da junção por tributária, acessória ou perfurante.Diferenciar de insuficiência da junção para evitar tratamento excessivo.
Refluxo segmentarTrecho limitado da safena com refluxo e segmentos normais acima/abaixo.Descrever início, término e conexões.
Refluxo por tributária ou acessóriaTronco safeno pode estar competente, mas há refluxo em acessória anterior/posterior ou tributária.Nomear a veia e sua relação com o compartimento safeno.
Veia de Giacomini ou extensão cranial da parvaComunicação da safena parva com veias da coxa/safena magna.Registrar trajeto e direção de drenagem.
Pós-cirúrgico ou recidivaCoto, neovascularização, safena remanescente, acessória insuficiente ou perfurante insuficiente.Relatar fonte da recidiva em vez de apenas “varizes”.

Fonte: CBR-SBACV-SP 2020 / Caggiati nomenclature / local report corpus

Perfurantes — leitura por cor

CorCritérioInterpretação
VerdeSem refluxo ou refluxo menor que 0,35 s.Não chamar de perfurante insuficiente apenas pelo diâmetro.
AmareloRefluxo 0,35–0,50 s, diâmetro isolado maior que 3,5 mm ou topografia incompleta.Zona de divergência: documentar e correlacionar com pele, úlcera e varizes.
VermelhoRefluxo maior que 0,50 s com diâmetro maior que 3,5 mm, principalmente sob pele alterada ou úlcera.Critério mais aceito para perfurante patológica/tratável.

No consenso brasileiro, maior que 0,35 s já define refluxo de perfurante; em critérios terapêuticos internacionais, o conjunto refluxo maior que 0,5 s + diâmetro maior que 3,5 mm é mais usado.

Fonte: CBR-SBACV-SP 2020 / SVS-AVF-AVLS 2023 / ESVS 2022 / CMS LCD

Mapeamento de safena para enxerto — tabela prática

CorAchadoConduta no laudo
VerdeSafena contínua, compressível, sem trombose/varizes importantes e diâmetro em geral igual ou maior que 3 mm.Informar extensão útil e calibres por segmento.
AmareloCalibre 2–2,9 mm, bifurcações, segmento curto, trajeto superficial ou parede irregular.Descrever limitações sem reprovar universalmente; decisão é cirúrgica.
VermelhoCalibre menor que 2 mm, trombose, varicosidade importante, descontinuidade ou pós-ablação.Destacar como desfavorável e procurar alternativa se solicitado.

Fonte: vascular lab vein mapping protocols / CBR-SBACV-SP 2020

Pesquisa de trombose venosa — leitura por cores

CorAchadoInterpretação
VerdeVeia compressível, sem material intraluminal, fluxo colorido e onda fásica.Normal no segmento avaliado, se o exame foi completo.
AmareloCompressão parcial duvidosa, segmento não visto, panturrilha limitada ou alteração crônica aderida à parede.Relatar limitação e considerar controle seriado ou método complementar conforme risco clínico.
VermelhoVeia não compressível, material intraluminal, ausência de preenchimento, trombo flutuante ou extensão proximal.Compatível com trombose/oclusão até prova em contrário; comunicar conforme protocolo local.

Fonte: SRU 2018 / ACR-AIUM-SPR-SRU / IAC

Refluxo venoso — limites didáticos por segmento

SegmentoVerdeAmareloVermelho
Safenas, acessórias e tributáriasaté 0,5 s0,45–0,50 s ou técnica ruimmaior que 0,5 s
Femoral comum, femoral e poplíteaaté 1,0 s0,8–1,0 s ou manobra inadequadamaior que 1,0 s
Perfurantesmenor que 0,35 s0,35–0,50 s ou sem contexto clínicomaior que 0,50 s, especialmente se diâmetro maior que 3,5 mm
Veias profundas abaixo do joelhoaté 0,5 s em muitas referênciastécnica dependentemaior que 0,5 s quando reprodutível

Sempre registrar posição do paciente, manobra usada e origem/drenagem do refluxo. Fluxo invertido por obstrução proximal não deve ser chamado de refluxo valvar.

Fonte: CBR-SBACV-SP 2020 / SVS-AVF / ESVS 2022 / CMS LCD

Jugulares, subclávias e suspeita de obstrução central

LocalAvaliação práticaSinal de alerta
Veia jugular internaCompressão direta, cor e espectro.Não compressibilidade ou trombo.
Veia subcláviaCompressão limitada pela clavícula; usar preenchimento colorido, fasicidade, pulsatilidade e comparação com o lado oposto.Onda contínua/monofásica assimétrica, pouca variação respiratória ou colaterais.
Veias braquiocefálicas e cava superiorGeralmente avaliação indireta; considerar tomografia, ressonância ou venografia se alta suspeita.Edema de face/braço, colaterais torácicas, cateter ou marcapasso com onda central anormal.

Fonte: ACR Appropriateness Criteria 2020 / SVU 2019 / AVF 2026

Classificação clínica CEAP — doença venosa crônica

ClasseAchado clínicoCor didática
C0Sem sinais visíveis ou palpáveisVerde
C1Telangiectasias ou veias reticularesAmarelo se sintomático
C2VarizesAmarelo
C3Edema venosoAmarelo
C4Alterações de pele por doença venosaVermelho
C5Úlcera venosa cicatrizadaVermelho
C6Úlcera venosa ativaVermelho

CEAP é classificação clínica; a cor aqui é didática e não substitui a categoria clínica completa com etiologia, anatomia e fisiopatologia.

Fonte: AVF CEAP 2020 / ESVS 2022

Diferenciais úteis quando não é trombose

CenárioPossibilidadesPista ultrassonográfica
Dor e edema em panturrilhaCisto poplíteo roto, lesão muscular, hematoma, celulite, linfedema.Veias compressíveis e achado extravascular explicativo.
Edema bilateralInsuficiência cardíaca, renal, hepática, medicamentosa ou linfática.Fluxo venoso pérvio; procurar simetria e contexto sistêmico.
Edema de braço, face ou colaterais torácicasObstrução venosa central por cateter, marcapasso, massa ou trombose central.Onda contínua assimétrica, perda de fasicidade ou colaterais.
Dor intensa com membro muito edemaciadoTrombose extensa, flegmasia, síndrome compartimental ou infecção grave.Comunicação urgente mesmo antes de completar mapeamento amplo.

Fonte: SRU 2018 / ACR-AIUM-SPR-SRU / CBR-SBACV-SP

Aorta e ilíacas — artérias e veias

Categoria dedicada ao eixo aortoilíaco: rastreio/seguimento de aneurisma de aorta abdominal, aneurisma/ectasia de artérias ilíacas, estenose arterial aortoilíaca, obstrução venosa iliocaval e controle pós-reparo. Verde = consenso de normalidade; amarelo = zona limítrofe, técnica limitada ou divergência entre referências; vermelho = aneurisma, estenose/oclusão, obstrução venosa significativa, crescimento, sintomas ou complicação.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Aorta abdominal — diâmetro máximo externo a externo< 3,0 cmMedir perpendicular ao eixo do vaso, no maior diâmetro. Aneurisma começa em 3,0 cm; ectasia 2,5–2,9 cm é zona amarela.normal consensual: <2,5 cmectasia: 2,5–2,9 cmaneurisma: ≥3,0 cm
Aneurisma de aorta abdominal — limiar de reparo habitualhomem ≥5,5; mulher ≥5,0 cmTambém considerar avaliação vascular se sintomático, sacular/pseudoaneurisma, sinais de ruptura ou crescimento rápido.seguimento: 3,0–4,9 cmperto do limiar: 5,0–5,4 cmlimiar de reparo: ≥5,5 cm homem; ≥5,0 cm mulher
Artéria ilíaca comum — diâmetro< 1,5–1,7 cmHá divergência: ectasia pode ser definida a partir de 1,5 cm em mulheres ou 1,7 cm em homens; muitos serviços tratam ≥2,0 cm como aneurisma pequeno e ≥3,5 cm como limiar forte de reparo.normal mais consensual: <1,5 cmectasia/divergente: 1,5–1,9 cmaneurisma ilíaco: ≥2,0–2,5 cmdiscutir reparo: ≥3,5 cm
Estenose arterial aortoilíaca — razão de velocidades≥ 2,0Razão entre velocidade no jato e segmento proximal normal; usar ângulo menor que 60 graus e correlacionar com aliasing, estreitamento e onda distal.sem estenose hemodinâmica: <1,5leve/zona técnica: 1,5–1,99estenose ≥50%: ≥2,0grave: >4,0
Obstrução venosa ilíaca/cava — razão de velocidades> 2,5Critério útil, mas não absoluto: integrar com perda de fasicidade na veia femoral comum, colaterais, compressão extrínseca, trombo, stent e sintomas.normal provável: <2,0 + onda fásicasuspeito/limítrofe: 2,0–2,5 ou onda pouco fásicaobstrução significativa: >2,5 ou colaterais/no flow
Pós-endoprótese de aorta — saco aneurismáticoestável ou reduzindoCrescimento do saco, vazamento periprotético, migração, torção, trombose de ramo ou ausência de fluxo em ramo ilíaco são alertas.estável: saco estável/reduzindo, sem vazamentovazamento tipo II sem crescimento: acompanhar conforme serviçocomplicação: tipo I/III, crescimento ≥5 mm, trombose/oclusão

Classificações e calculadoras

Assistente interativo — aorta, ilíacas arteriais e veias ilíacas/cava

SaídaCorInterpretação
Normal/perviedade preservadaVerdeAorta <2,5 cm, ilíacas sem ectasia relevante, razão arterial <1,5, onda arterial multifásica e onda venosa fásica/simétrica.
Limítrofe, técnico ou divergenteAmareloAorta 2,5–2,9 cm, ilíaca 1,5–1,9 cm, janela ruim, razão venosa 2,0–2,5, onda venosa pouco fásica ou pós-reparo estável com achado menor.
Aneurisma, estenose, oclusão ou obstruçãoVermelhoAorta ≥3,0 cm, ilíaca ≥2,0–2,5 cm, razão arterial ≥2,0, sem fluxo, razão venosa >2,5, colaterais, sintomas ou complicação de endoprótese.

O assistente classifica risco ultrassonográfico e qualidade da documentação; conduta final depende de sintomas, sexo, crescimento, anatomia, risco cirúrgico e protocolo vascular local.

Fonte: ACC/AHA 2022 / SVS / ESVS 2024 / SVU / IAC / JVS Venous

Aorta abdominal — rastreio e seguimento

Diâmetro máximoCorLeitura prática
<2,5 cmVerdeNormal na maioria dos adultos; se o pedido era rastreio, registrar medida máxima e segmento visualizado.
2,5–2,9 cmAmareloEctasia: abaixo do critério clássico de aneurisma, mas deve ser descrita; SVS sugere reavaliação tardia quando rastreio inicial >2,5 e <3,0 cm.
3,0–3,9 cmVermelhoAneurisma pequeno; seguimento de imagem costuma ser em intervalo longo, por exemplo 3 anos na SVS.
4,0–4,9 cmVermelhoAneurisma moderado; seguimento mais próximo, frequentemente anual.
5,0–5,4 cmVermelhoAneurisma grande ou perto do limiar; geralmente seguimento semestral e avaliação vascular.
≥5,5 cm homem ou ≥5,0 cm mulherVermelhoLimiar habitual de reparo em diretrizes atuais, se anatomia e risco permitirem.

Fonte: SVS / ACC-AHA 2022 / USPSTF / ESVS 2024

Artérias ilíacas — diâmetro e aneurisma

Diâmetro da ilíaca comumCorComentário
<1,5 cmVerdeNormalidade mais consensual para leitura didática.
1,5–1,9 cmAmareloEctasia ou zona divergente: alguns cortes variam por sexo e biotipo.
2,0–2,4 cmAmareloMuitos estudos chamam de aneurisma pequeno; risco de ruptura baixo, mas merece documentação e comparação.
2,5–3,4 cmVermelhoAneurisma ilíaco estabelecido em referências radiológicas/vasculares; avaliar crescimento, bilateralidade e aorta associada.
≥3,5 cmVermelhoLimiar forte para discussão de reparo em ACC/AHA e ESVS, especialmente se concomitante a aneurisma de aorta.

Fonte: ACC/AHA 2022 / ESVS 2024 / JVS / Radiopaedia

Estenose arterial aortoilíaca — Doppler

AchadoCorInterpretação
Razão de velocidades <1,5 e onda multifásicaVerdeSem estenose hemodinamicamente relevante no segmento avaliado.
Razão 1,5–1,99 ou jato isolado sem boa referênciaAmareloZona leve/técnica: conferir ângulo, tortuosidade, calcificação e segmento proximal normal.
Razão ≥2,0, aliasing focal ou onda distal amortecidaVermelhoCompatível com estenose hemodinamicamente significativa, frequentemente ≥50%.
Razão >4,0 ou sem fluxoVermelhoEstenose grave/oclusão; documentar extensão, reconstituição distal e colaterais.

Fonte: ACR-AIUM-SRU arterial Doppler / Society for Vascular Medicine / SVU

Veias ilíacas e veia cava inferior — obstrução

AchadoCorInterpretação
Onda fásica/simétrica na veia femoral comum e cava/ilíacas pérviasVerdeNormalidade provável quando a janela é adequada e não há colaterais.
Fasicidade reduzida, razão 2,0–2,5 ou segmento não visualizadoAmareloSuspeita/limitação: ultrassom pode ser indireto; integrar com edema unilateral, CEAP avançado e história de trombose.
Razão venosa >2,5, colaterais, trombo, ausência de fluxo ou stent ocluídoVermelhoSugere obstrução iliocaval significativa; considerar angiotomografia, venografia por ressonância, venografia ou ultrassom intravascular conforme cenário.

Síndrome de May-Thurner/compressão da ilíaca comum esquerda pode ser subestimada no ultrassom transabdominal; não excluir se a suspeita clínica for alta.

Fonte: JVS Venous 2016 / ESVS 2022 / ACR venous guidance / Labropoulos

Pós-reparo de aorta/ilíacas — pontos críticos

CenárioCorO que documentar
Saco estável ou reduzindo, sem vazamentoVerdeDiâmetro máximo do saco, perviedade de ramos ilíacos e velocidades sem jato focal.
Vazamento tipo II sem crescimento do sacoAmareloLocalização provável, fluxo no saco e comparação com exames prévios; seguir protocolo local.
Vazamento tipo I/III, crescimento ≥5 mm, ramo sem fluxo ou migraçãoVermelhoComunicar como complicação potencialmente relevante e sugerir correlação com angiotomografia/serviço vascular.

Fonte: SVU aortoiliac duplex / ACC-AHA 2022 / SVS

Doppler vascular

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Refluxo venoso — duração patológica> 0,5 ssuperficial e profundo (joelho/coxa podem usar > 1 s no femoropoplíteo)
TVP — critério principalveia NÃO compressível (+ ausência de fluxo/preenchimento)

Classificações e calculadoras

Estenose de carótida interna — SRU 2003

GrauPSV (cm/s)EDV (cm/s)Razão ACI/ACC
Normal< 125< 40< 2,0
< 50%< 125< 40< 2,0
50–69%125–23040–1002,0–4,0
≥ 70%> 230> 100> 4,0
Quase oclusãovariável
Oclusãosem fluxo

Atualização IAC 2023 elevou o limiar de 50% para PSV > 180 cm/s e criou categoria Normal distinta — verifique o padrão adotado no seu serviço.

Fonte: SRU Consensus 2003 (Radiology) / Radiopaedia

CEAP — classificação clínica (venoso)

ClasseAchado clínico
C0Sem sinais visíveis/palpáveis
C1Telangiectasias / veias reticulares
C2Varizes
C3Edema
C4Alterações de pele (pigmentação, eczema, lipodermatosclerose)
C5Úlcera cicatrizada
C6Úlcera ativa

Fonte: CEAP (StatPearls)

Mama

A categoria BI-RADS deve permanecer padronizada internacionalmente. O caminho de rastreamento, convocação, biópsia e seguimento deve seguir a política local: ACR/Estados Unidos, CBR/SBM/FEBRASGO no Brasil, EUSOBI/ESR na Europa e diretrizes nacionais equivalentes. Em achado palpável ou discordância clínica, a conduta não deve ser reduzida apenas pela imagem negativa.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Cobertura mínima do examemamas e axilas quando indicadasNo Brasil, CBR/SBM/FEBRASGO recomendam extensão axilar quando há nódulo ou lesão suspeita; a cobrança/código pode ser separado.completo: mamas documentadas e axila avaliada quando indicadafocal aceitável: pedido focal com área clínica claramente documentadaincompleto: lateralidade, área sintomática ou axila indicada não documentada
Localização de achado focallateralidade + posição no relógio + distância da papilaPara leigos/aprendizes, prefira texto completo: mama direita, 10 horas, 35 mm da papila.bem localizado: lateralidade, relógio e distânciaaceitável em rastreamento: quadrante/região quando não há lesão focalambíguo: sem lateralidade ou sem relação com área palpável
Medidas de nódulo3 dimensões em 2 planos ortogonaisRegistrar o maior eixo e o plano usado; usar milímetros favorece consistência em relatório estruturado.ideal: três medidas e dois planosparcial: duas medidas quando a terceira não é obtidainsuficiente: sem medida ou sem plano/localização
Ecotextura de fundogordurosa, fibroglandular ou heterogêneaAfeta a conspicuidade de lesões e deve ser informada em ultrassom de rastreamento/suplementar.descrita: composição/ecotextura documentadacontextual: omitida em exame focal simpleslimita interpretação: rastreamento suplementar sem ecotextura

Classificações e calculadoras

Assistente rápido — BI-RADS ultrassonográfico

SaídaCorInterpretação
BI-RADS 1–2VerdeConsenso de normalidade/benignidade quando não há discordância clínica.
BI-RADS 0 ou 3AmareloAvaliação incompleta, provável benignidade ou zona em que diretrizes podem variar.
BI-RADS 4A–4C, 5 ou 6VermelhoSuspeito, altamente suspeito ou malignidade comprovada; geralmente exige diagnóstico tecidual ou fluxo oncológico.

Use o assistente como checklist de descritores. A categoria final deve refletir o achado de maior suspeição e a concordância entre clínica e imagem.

Fonte: ACR BI-RADS v2025 / RANZCR SBIR 2023 / StatPearls

ACR BI-RADS — categorias detalhadas para ultrassom

CategoriaCorSignificado / condutaRisco
0AmareloIncompleto: precisa de imagem adicional, comparação ou avaliação diagnóstica.
1VerdeNegativo: rotina conforme idade, risco e política local.sem achado suspeito
2VerdeBenigno: cisto simples, linfonodo intramamário típico, achado pós-operatório estável ou equivalente.essencialmente benigno
3AmareloProvavelmente benigno: seguimento de curto intervalo, frequentemente 6 meses, se clínica e imagem concordam.< 2%
4AVermelhoBaixa suspeição: diagnóstico tecidual geralmente indicado.> 2–10%
4BVermelhoSuspeição moderada: diagnóstico tecidual indicado.> 10–50%
4CVermelhoAlta suspeição, mas ainda não clássica para categoria 5.> 50–< 95%
5VermelhoAltamente sugestivo de malignidade: biópsia e planejamento oncológico.> 95%
6VermelhoMalignidade comprovada por biópsia antes do tratamento definitivo.confirmado

Categoria 3 não deve ser usada para “dúvida”. Se houver incerteza diagnóstica relevante, discordância clínica ou achado suspeito, considerar categoria 0 ou 4 conforme o cenário.

Fonte: ACR BI-RADS v2025 / RANZCR SBIR 2023 / StatPearls

Léxico BI-RADS de ultrassom — descritores do nódulo

DescritorVerdeAmareloVermelho
Formaoval ou redonda, se demais achados benignosredonda isolada ou contexto incompletoirregular
Orientaçãoparalela à pelenão descrita ou difícil de avaliarnão paralela, mais alto que largo
Margemcircunscritaindistinta em contexto benigno possívelangular, microlobulada ou espiculada
Padrão de ecoanecoico típico de cisto simpleshipoecoico ou heterogêneo isoladocomplexo cístico-sólido ou sólido suspeito
Achado posteriorreforço posterior em cisto simplessombra isolada pode ocorrer em benignossombra com margem/forma suspeita
Focos ecogênicos e calcificaçõesmacrocalcificação claramente benignamelhor correlacionar com mamografiafocos dentro do nódulo ou calcificações suspeitas correlatas
Achados associadosausentesalterações pós-operatórias/inflamatórias explicáveisdistorção, retração de pele/papila, edema ou linfonodo axilar anormal
Elasticidademacia como achado adjuntointermediária ou heterogênearígida como achado adjunto; não substitui modo B

A cor da linha reflete o pior achado listado; combinar descritores, comparação com exames prévios e motivo do exame.

Fonte: ACR BI-RADS v2025 ultrasound lexicon / Radiology Assistant summary / RANZCR SBIR

Protocolo técnico — mama e axila

SituaçãoO que documentarCor
Rastreamento ou exame bilateral completoQuadrantes, região retroareolar, composição/ecotextura e axilas quando indicadas.Verde se completo
Exame focalDocumentar exatamente a queixa, lateralidade, posição e relação com o achado palpável.Amarelo se justificável
Achado focalDuas projeções ortogonais, três medidas, lateralidade, posição no relógio, distância da papila e orientação do transdutor.Vermelho se incompleto em lesão suspeita
Massa palpável com imagem negativaAplicar concordância clínica: a falta de achado de imagem não exclui biópsia se a clínica for suspeita.Amarelo/vermelho conforme clínica
Linfonodo axilar anormalTratar como lesão significativa: lado, nível/região, morfologia, córtex, hilo, vascularização e se há lesão mamária associada.Vermelho se suspeito

Fonte: ACR whole-breast ultrasound parameter / CBR-SBM-FEBRASGO / RANZCR SBIR

Padrões internacionais e regionais

RegiãoPadrão práticoAplicação no app
Global / ACRBI-RADS v2025 padroniza terminologia, estrutura, categorias e recomendações para mamografia, ultrassom, ressonância e mamografia contrastada.Usar BI-RADS como núcleo comum.
BrasilUltrassom é complementar à mamografia após 40 anos quando indicado; antes dos 30 anos é exame inicial comum para alteração clínica. Axilas podem exigir solicitação/código separado.Mostrar nota regional e evitar omitir axila indicada.
Europa / EUSOBI-ESRUsa BI-RADS como linguagem comum; rastreamento pode ser ajustado por densidade e risco, com recomendações específicas para mamas extremamente densas.Separar categoria BI-RADS da política de rastreamento local.
Austrália e Nova Zelândia / RANZCRRelatório sinótico baseado em BI-RADS, com lesão por lesão, correlação clínica e recomendação de manejo.Reforçar lateralidade, distância da papila, três medidas e concordância clínica.
Demais países representadosQuando a política nacional divergir, manter categoria BI-RADS padronizada e adaptar apenas rastreamento, recall, biópsia e intervalo de seguimento.Não inventar consenso onde houver divergência.

Fonte: ACR BI-RADS v2025 / CBR-SBM-FEBRASGO / EUSOBI-ESR / RANZCR SBIR / ACR Appropriateness Criteria

Resumo BI-RADS — ultrassom mamário

CategoriaSignificado / condutaRisco malig.
0Inconclusivo — complementar com mamografia, ressonância magnética, comparação ou nova avaliação
1Negativo — rastreio de rotina0%
2Achado benigno0%
3Provavelmente benigno — controle em 6 meses< 2%
4Suspeito — biópsia (4A 2–10% · 4B 10–50% · 4C 50–95%)2–95%
5Altamente suspeito — biópsia> 95%
6Malignidade comprovada (biópsia)

Fonte: ACR BI-RADS / StatPearls

Resumo didático — sinais de suspeita no nódulo mamário

AspectoAchado suspeito
OrientaçãoNão paralelo (mais alto que largo)
MargensEspiculadas, anguladas, microlobuladas
FormaIrregular
Acústica posteriorSombra acústica
Ecogenicidade/focosHipoecoico marcado; microcalcificações

Fonte: ACR BI-RADS US léxico

Axilas

A axila deve ser interpretada pelo contexto: nódulo palpável, achado mamário suspeito, estadiamento oncológico, pós-operatório, vacinação recente, infecção cutânea ou massa de partes moles. ACR considera ultrassom da axila usualmente apropriado para nódulo axilar palpável e para muitos cenários de câncer de mama; EUSOBI orienta tratar adenopatia pós-vacinal como contextual quando ipsilateral, recente e sem achado mamário suspeito.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Protocolo mínimo da axilatransdutor linear de alta frequência; lado, área palpável, pele, subcutâneo, tecido mamário acessório, linfonodos e vasos quando relevantesEm contexto mamário/oncológico, documente o nível axilar quando possível: lateral ao peitoral menor, posterior ao peitoral menor ou medial ao peitoral menor.completo: lado, topografia, morfologia e Doppler quando indicadofocal aceitável: apenas área sintomática, com limitação claramente descritaincompleto: nódulo palpável ou contexto oncológico sem avaliação do linfonodo/mama correlata
Linfonodo axilar típico normaloval ou levemente lobulado, córtex fino e homogêneo, hilo gorduroso preservadoCórtex menor que 3 mm com hilo central ecogênico é o padrão mais usado para normalidade; tamanho isolado é menos confiável que morfologia.normal consensual: córtex <3 mm, hilo preservado, formato ovallimítrofe: córtex 3–5 mm, difuso e com hilo preservadoanormal consensual: hilo ausente/substituído, córtex focal excêntrico ou formato arredondado suspeito
Córtex do linfonodo<3 normal; 3–5 zona cinzenta; >5 suspeito se não houver explicação reacional clara mmAlguns estudos usam cortes de 2,3–3 mm para sensibilidade, mas isso aumenta falso positivo. Por isso a tabela usa amarelo para espessamento isolado com hilo preservado.normal: <3 mmzona cinzenta: 3–5 mmsuspeito: >5 mm ou espessamento excêntrico
Forma do linfonodorelação eixo longo/eixo curto ≥2 favorece benignidade; <2 sugere arredondamentoNão use abreviações no laudo para aprendizes: escreva eixo longo e eixo curto. A forma arredondada pesa mais quando associada a perda do hilo ou córtex excêntrico.oval: relação ≥2indeterminado: relação próxima de 2 com hilo preservadoarredondado: relação <2 com achados suspeitos associados
Doppler do linfonodofluxo hilar/central é mais tranquilizador; fluxo periférico, misto ou caótico aumenta suspeitaDoppler é adjunto: ausência de fluxo não exclui doença, e hiperemia pode ser reacional em vacina, infecção ou hidradenite.hilar ou ausente: compatível se morfologia benignaaumentado reacional: central/hilar em contexto inflamatórioperiférico/desorganizado: especialmente com hilo perdido ou massa mamária suspeita
Tecido mamário acessório axilarecotextura semelhante à mama, podendo conter cistos, fibroadenoma ou neoplasia como o tecido mamário habitualSe houver lesão focal verdadeira no tecido mamário acessório, descreva com léxico mamário e categoria BI-RADS conforme o contexto local.tecido acessório típico: sem nódulo focalachado benigno provável: cisto simples ou fibroadenoma típicolesão suspeita: nódulo irregular, não paralelo, calcificações suspeitas ou pele retraída
Hidradenite, abscesso e pele axilarespessamento dérmico, trajetos/túneis, coleções, debris e hiperemia periféricaUltrassom ajuda a separar linfonodo, abscesso drenável, fístula cutânea, cisto epidérmico e celulite. Gás, coleção profunda ou sinais sistêmicos elevam urgência.pele normal: sem coleção ou trajetoinflamatório: espessamento, hiperemia ou trajeto superficialcomplicado: abscesso drenável, gás, coleção profunda ou imunossupressão

Classificações e calculadoras

Assistente rápido — linfonodo axilar

SaídaCorInterpretação
Normal típicoVerdeOval, hilo gorduroso preservado, córtex <3 mm e fluxo hilar/ausente.
Reacional/indeterminadoAmareloCórtex 3–5 mm, espessamento difuso com hilo preservado, vacinação/infecção recente ou contexto incompleto.
SuspeitoVermelhoHilo ausente/substituído, córtex focal excêntrico, formato arredondado, fluxo periférico/caótico ou achado mamário/oncológico associado.

A saída é uma triagem didática, não substitui BI-RADS, protocolo oncológico local nem decisão de biópsia.

Fonte: ACR Imaging of the Axilla / Bedi AJR 2008 / EUSOBI 2023

Classificação morfológica tipo Bedi — didática

TipoCorMorfologiaLeitura prática
1VerdeSem córtex visível ou córtex extremamente finoBenigno típico se contexto concorda.
2VerdeCórtex fino até 3 mm, hilo preservadoNormal consensual.
3AmareloCórtex difusamente espessado, geralmente >3 mm, hilo preservadoPode ser reacional; comparar lado, vacina, pele e mama.
4AmareloEspessamento cortical lobulado ou focal com hilo ainda identificávelMais preocupante que o tipo 3; depende de contexto e acesso a biópsia.
5VermelhoCórtex focal proeminente ou substituição parcial importante do hiloSuspeito, especialmente em câncer de mama ou melanoma.
6VermelhoHilo ausente/substituído, linfonodo arredondado ou massa nodalConsenso de anormalidade morfológica.

Publicações variam: algumas agrupam tipos 1–4 como benignos e 5–6 como suspeitos; neste acervo o tipo 4 fica amarelo porque é zona de decisão.

Fonte: Bedi et al. AJR 2008 / axillary node reviews

Contexto clínico — quando subir a cor

CenárioCor sugeridaComo usar no laudo
Sem achado mamário, sem câncer prévio, linfonodos típicosVerdeDescrever como linfonodos de aspecto habitual se a queixa foi coberta.
Vacina recente ou infecção cutânea ipsilateral, sem achado mamário suspeitoAmareloRelatar como provável reacional quando morfologia não é francamente suspeita; seguir política local.
Pós-operatório, linfedema ou radioterapiaAmareloComparar com exames prévios e registrar alteração cicatricial/seroma/linfonodo sentinela se aplicável.
Achado mamário suspeito ou câncer de mama conhecidoVermelhoDescrever lado, nível axilar, córtex, hilo, forma, Doppler e considerar amostragem conforme protocolo.
Melanoma, linfoma, metástase conhecida ou massa sólida não nodalVermelhoNão encerrar como reacional sem correlação; pode exigir biópsia, ressonância ou tomografia conforme hipótese.

Fonte: ACR Appropriateness Criteria / EUSOBI vaccination guidance / oncologic axilla reviews

Diferenciais de massa axilar

Padrão no ultrassomPossibilidadesAlerta
Tecido com ecotextura mamária, sem nódulo focalTecido mamário acessórioVerde apenas se não houver lesão focal.
Coleção superficial com debris ou hiperemia periféricaAbscesso, hidradenite, cisto epidérmico inflamadoVermelho se gás, coleção profunda, febre ou imunossupressão.
Lesão gordurosa compressível e superficialLipoma, gordura acessória, hérnia raraAmarelo se profunda, dolorosa, crescente ou não totalmente vista.
Massa sólida não lipomatosa ou margem infiltrativaMetástase, linfoma, tumor de bainha nervosa, sarcoma, lesão cutânea avançadaExige correlação e imagem/amostragem planejada.
Lesão vascular, pulsátil ou compressível com fluxoVariz, malformação vascular, pseudoaneurisma, fístulaDoppler colorido e espectral antes de punção.

Fonte: ACR Imaging of the Axilla / soft-tissue ultrasound reviews

Checklist de laudo — axilas

ItemEscrever de forma clara
Lado e topografiaAxila direita/esquerda; área palpável; nível axilar quando relevante; relação com cicatriz ou pele.
LinfonodoEixo longo, eixo curto, espessura do córtex, hilo gorduroso, forma, margens e Doppler.
Contexto mamárioSe há lesão mamária suspeita, cirurgia prévia, radioterapia, linfedema, vacina recente ou infecção cutânea.
Massa não nodalCamada anatômica, conteúdo, vascularização, relação com pele/fáscia/vasos e se foi vista por inteiro.
ConclusãoUse linguagem sem siglas: normal típico, provavelmente reacional, indeterminado ou suspeito; indique próximo passo local.

Fonte: ACR / BI-RADS reporting principles / EUSOBI

Pélvico / transvaginal

Pelve feminina reúne protocolo adulto, transvaginal, avaliação de dispositivo intrauterino, miomas e acompanhamento puberal. Em adulta, documente via usada, bexiga cheia ou vazia, limitações, consentimento local, endométrio, miométrio, colo, ovários, anexos e fundo de saco. Quando houver dispositivo intrauterino ou mioma, descreva a relação com fundo uterino, cavidade endometrial, miométrio e serosa.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Útero pré-puberal — comprimento e espessura<4,0–4,5 cmespessura geralmente <1 cm; comprimento ≤3,2 cm reduz a probabilidade de puberdade precoce em meninas encaminhadaspré-puberal robusto: ≤3,2 cm e espessura ≤1 cmzona cinzenta: >3,2–4,5 cm ou espessura 1–1,5 cmanormal no contexto: >4,5 cm ou espessura >1,5 cm em menor de 8 anos
Útero puberal — configuração5–8 cmfundo uterino passa a predominar sobre a cérvix; a relação fundo/cérvix isolada tem sobreposiçãotubular: fundo/cérvix ≤1transição: 1–1,45puberal precoce se <8 anos: >1,45 ou 2:1–3:1
Ovário — volume no acompanhamento puberal<1–3,5 pré-puberal; >3,5–4 sugere estímulo cm³há sobreposição relevante; interpretar com útero, simetria e estágio clínicobaixo: ≤1 cm³divergente: >1–3,5 cm³puberal se <8 anos: >3,5–4 cm³investigar massa/cisto: >20 cm³
Folículos e cistos ovarianos<4 microcistos; 4–9 folículos; >9 macrocístico mmfolículos pequenos podem ser fisiológicos; cisto dominante unilateral muda a leiturausual infância: <4 mmtransição puberal: 4–9 mmmacrocístico contextual: >9–20 mmdominante/patológico: >20 mm
Endométrio e Doppler das artérias uterinaspré-puberal: endométrio não visível e sem diástoleDoppler é complementar e tem cortes de índice de pulsatilidade muito variáveispré-puberal: sem endométrio e sem fluxo diastólicotransição: linha fina ou diástole intermitenteestrogenização se <8 anos: endométrio cíclico ou diástole contínua
Pelve adulta — preparo e via de exameabdome com bexiga cheia se necessário; transvaginal com bexiga preferencialmente vaziamais de uma via pode ser necessária; via transretal ou transperineal é alternativa quando a transvaginal não é apropriadadocumentação completa: via, bexiga, útero, endométrio, ovários, anexos e fundo de sacolimitação técnica: endométrio ou ovário não visto adequadamenteachado que muda conduta: massa sólida, torção, infecção, sangramento pós-menopausa ou dispositivo extrauterino
Útero adulto — medidas orientativascomprimento 6–10; espessura 3–5; largura 4–6 cmvaria com idade, paridade, ciclo, miomas, adenomiose e técnica; descreva forma, orientação e volume quando útilhabitual em adulta: sem massa ou distorção cavitáriaaumentado/contextual: paridade, miomas ou adenomiose podem explicaralerta: crescimento pós-menopausa, massa atípica ou necrose
Endométrio — menacmemenstrual fino; proliferativo 4–8; secretor 7–14(16) mmnão usar um único corte sem fase do ciclo, hormônios e padrão focal; medir a maior espessura, excluindo líquido intracavitárioconcordante com fase: espessura e ecotextura esperadaslimítrofe: fase desconhecida, terapia hormonal, heterogeneidade discretaanormal focal: pólipo/massa, vascularização focal, sangramento persistente
Endométrio — pós-menopausa≤4 se sangramento único, baixo risco e eco totalmente visto; sangramento recorrente ou risco alto exige avaliação mmACOG 2026 recomenda ultrassom transvaginal associado a amostragem endometrial na maioria dos sangramentos pós-menopausa; espessura incidental sem sangramento não tem o mesmo pesobaixo risco selecionado: ≤4 mm, eco bem visto, episódio únicozona cinzenta: incidental sem sangramento, terapia hormonal, tamoxifeno ou eco incompletoinvestigar: >4 mm com sangramento, sangramento recorrente ou fatores de risco
Ovários adultos — medidas e folículosmedir em 3 diâmetros; folículos até 25 mm podem ser fisiológicos na menacmeapós a menopausa os ovários podem não ser identificados; massa sólida, papilas, septos espessos, ascite ou vascularização suspeita mudam a leiturafisiológico: folículo simples compatível com cicloseguimento/contexto: cisto simples maior ou ovário não visto no contexto corretosuspeito: componente sólido, papilas, ascite, torção ou pós-menopausa com massa
Dispositivo intrauterino — posição idealhaste central, braços abertos, topo junto ao fundo/cavidade; 3D ajuda a ver braços e orientaçãonão há definição universal para baixo; alguns estudos usam >3–4 mm, >5 mm ou >20 mm do fundo, por isso a cor depende de localização, sintomas e tipo de dispositivoadequado: fundal, central, braços abertosbaixo supracervical: acima do orifício interno, especialmente sem sintomasmalposicionado: cervical/parcialmente expulso, embutido, perfurado, extrauterino, braço não aberto
Miomas — documentação mínimanúmero, topografia, relação com cavidade, maior lesão em ≥2 dimensões e FIGO 0–8 quando possível3D, sonohisterografia ou ressonância podem ajudar a diferenciar FIGO 2 de FIGO 3 e mapear miomas híbridossem mioma: miométrio sem nódulo focalintramural/subseroso: FIGO 3–8 conforme sintomas e tamanhocavidade ou suspeita: FIGO 0–2, distorção cavitária, crescimento pós-menopausa ou morfologia atípica

Classificações e calculadoras

Calculadora — O-RADS US v2022 (massa anexial)

CategoriaRisco de malignidadeConduta usual
O-RADS 1n/a (ovário normal)Sem seguimento.
O-RADS 2<1%Quase certamente benigno; seguimento só conforme tipo/tamanho.
O-RADS 31–<10%Baixo risco; US especializado ou seguimento.
O-RADS 410–<50%Intermediário; RM ou avaliação oncoginecológica.
O-RADS 5≥50%Alto risco; encaminhamento oncoginecológico.

Requer exame padronizado (via transvaginal, momento do ciclo). Lesões benignas clássicas (hemorrágico, endometrioma, dermoide) têm regras próprias. O color score (fluxo 1–4) sobe a categoria em lesões multiloculadas e sólidas.

Fonte: ACR O-RADS US v2022 (Radiology 2022)

Calculadora — IOTA Simple Rules

RegraInterpretação
Só características BBenigno.
Só características MMaligno.
B e M, ou nenhumaInconclusivo (~20%): usar examinador experiente ou modelo ADNEX.

B: uniloculado; sólido <7 mm; sombra acústica; multiloculado liso <10 cm; sem fluxo. M: sólido irregular; ascite; ≥4 papilas; multiloculado-sólido irregular ≥10 cm; fluxo intenso.

Fonte: IOTA Simple Rules — Timmerman, Ultrasound Obstet Gynecol 2008/2016

Calculadora interativa — miomas FIGO 0–8

EntradaComo usarLimitação
Sem mioma focalUse quando o miométrio não tem nódulo leiomiomatoso definido.Não exclui adenomiose difusa ou alteração miometrial sutil.
FIGO 0–2Submucoso ou intracavitário: maior impacto sobre sangramento, fertilidade e planejamento histeroscópico.Diferenciar FIGO 2 de FIGO 3 pode exigir 3D, sonohisterografia ou histeroscopia.
FIGO 3–8Mapeia contato com endométrio, miométrio e serosa; cor depende de sintomas, tamanho, crescimento e morfologia.A classificação é anatômica: não substitui descrição de tamanho, número e vascularização.

A tabela interativa abaixo é didática e assistiva. A categoria final deve ser conferida pelo médico, principalmente em miomas múltiplos, híbridos, distorção cavitária ou suspeita de adenomiose.

Fonte: FIGO 2018 PALM-COEIN / Merck Manual / AIUM / MUSA

Pelve feminina adulta e transvaginal — protocolo mínimo

EtapaO que documentarCor
Via e preparoTransabdominal com bexiga cheia quando ajuda a janela acústica; transvaginal com bexiga preferencialmente vazia.Verde se documentado
Útero e coloTamanho, forma, orientação, miométrio, colo, endométrio e massas em pelo menos duas dimensões quando relevantes.Verde se completo
Endométrio incompletoSe não estiver totalmente visto ou estiver mal definido, registrar limitação e evitar medida falsamente precisa.Amarelo
Ovários e anexosTentar identificar ovários primeiro, medir em três dimensões quando necessário e descrever massas por composição, septos, papilas, vascularização e relação com útero/ovário.Verde se completo
Achado críticoTorção, massa sólida suspeita, abscesso, dispositivo perfurado/extrauterino ou sangramento pós-menopausa de risco.Vermelho

Fonte: AIUM female pelvis parameter / ACR-ACOG-AIUM-SPR-SRU 2024

Dispositivo intrauterino — localização ao ultrassom

AchadoInterpretaçãoConduta descritiva
Fundal e centralHaste no eixo da cavidade, braços abertos e topo junto ao fundo/cavidade.Descrever tipo se conhecido e se 3D confirmou os braços.
Baixo, mas acima do coloZona divergente: não há distância universal; alguns estudos usam 3–4 mm, 5 mm ou 20 mm.Informar distância ao fundo, sintomas, tipo de dispositivo e relação com miomas/cavidade.
Cervical ou parcialmente expulsoMaior risco de expulsão completa e falha contraceptiva.Descrever componente no canal cervical e sugerir avaliação ginecológica.
Embutido, perfurado ou extrauterinoBraço ou haste no miométrio, atravessando serosa ou fora da cavidade.3D, radiografia/tomografia ou histeroscopia podem ser necessários conforme o caso.

Fonte: AIUM / Connolly-Fox JUM 2021 / JSIM 2024 / Exxcellence 2025

Endométrio adulto — leitura por contexto

ContextoVerdeAmareloVermelho
MenacmeEspessura e ecotextura compatíveis com a fase do ciclo.Fase desconhecida, terapia hormonal ou endométrio heterogêneo sem massa definida.Lesão focal, vascularização focal ou sangramento persistente.
Pós-menopausa sem sangramentoEndométrio fino, regular e bem visto.Espessura incidental maior que 4 mm não equivale automaticamente a sangramento pós-menopausa.Massa focal, fluido suspeito ou fatores de risco importantes.
Sangramento pós-menopausa≤4 mm somente em paciente selecionada, baixo risco, episódio único e eco totalmente visto.Eco incompleto, terapia hormonal, tamoxifeno ou barreira a seguimento rápido.>4 mm, sangramento recorrente ou alto risco; ACOG 2026 favorece amostragem na maioria.

Fonte: AIUM / ACOG Committee Opinion 2018 / ACOG Clinical Practice Update 2026

Miomas — classificação FIGO 0–8

TipoRelação anatômicaLeitura prática
Sem miomaMiométrio sem nódulo leiomiomatoso definido.Verde: consenso de normalidade para mioma focal.
FIGO 0Pediculado intracavitário.Vermelho: submucoso, geralmente relevante para sangramento e histeroscopia.
FIGO 1Submucoso com menos de 50% intramural.Vermelho: distorce cavidade; medir base e componente intramural.
FIGO 2Submucoso com 50% ou mais intramural.Vermelho: planejamento depende da extensão miometrial.
FIGO 3100% intramural, em contato com o endométrio.Amarelo: diferenciar de FIGO 2 pode exigir 3D ou sonohisterografia.
FIGO 4Intramural puro.Amarelo: impacto depende de tamanho, sintomas e distorção.
FIGO 5Subseroso com 50% ou mais intramural.Amarelo: mapear serosa, parede e efeito de massa.
FIGO 6Subseroso com menos de 50% intramural.Amarelo: confirmar origem uterina.
FIGO 7Subseroso pediculado.Amarelo: Doppler do pedículo ajuda a diferenciar de massa anexial.
FIGO 8Outro: cervical, parasitário, ligamentar ou localização especial.Amarelo: especificar a localização.
HíbridoDois números separados por hífen; primeiro endométrio, segundo serosa.Exemplo 2-5: submucoso e subseroso com componentes mensuráveis.

FIGO é anatômica e não inclui sozinha tamanho, número, degeneração, vascularização ou suspeita de sarcoma. Esses elementos devem aparecer no laudo quando relevantes.

Fonte: FIGO PALM-COEIN 2018 / Merck Manual / AIUM / MUSA

Calculadora — maturação puberal pela pelve feminina

EntradaComo o app interpretaLimitação
Medidas uterinasComprimento, espessura, largura e relação fundo/cérvix estimam estrogenização.Não definem puberdade precoce sozinhas.
Volumes ovarianosAjudam quando combinados com útero, folículos e simetria.Há sobreposição entre pré-puberal e início puberal.
Endométrio e DopplerEndométrio visível e fluxo diastólico contínuo sugerem estrogenização.São marcadores complementares, não critérios únicos.

Use como apoio didático. A conclusão deve integrar estágio de Tanner, curva de crescimento, idade óssea, hormônios e avaliação endocrinológica.

Fonte: Frontiers Endocrinol 2021 / Pediatric Radiology 2024 / ACR-AIUM-SPR-SRU female pelvis parameter

Maturação puberal — sinais ultrassonográficos

MarcadorVerdeAmareloVermelho
Comprimento uterino≤3,2 cm>3,2–4,5 cm>4,5 cm em menor de 8 anos
Configuração uterinatubular; fundo/cérvix ≤1fundo/cérvix 1–1,45fundo dominante, 2:1–3:1 em contexto precoce
Volume ovariano≤1 cm³>1–3,5 cm³>3,5–4 cm³ em menor de 8 anos; >20 cm³ investigar
Folículos/cistos<4 mm4–20 mm>20 mm ou lesão unilateral dominante
Endométrionão visívellinha finacíclico/espessado em menor de 8 anos
Doppler uterinosem diástolediástole intermitentediástole contínua em menor de 8 anos

Fonte: StatPearls 2025 / Radiologia Brasileira / Pediatric Radiology 2024

Puberdade precoce versus telarca ou pubarca precoce — leitura prática

SituaçãoLeituraPróximo passo
Sinais puberais antes de 8 anosAmarelo: contexto clínico de alerta.Correlacionar com Tanner, velocidade de crescimento, idade óssea e hormônios.
Útero >3,2 cmAumenta a probabilidade em meninas encaminhadas, mas não fecha diagnóstico.Comparar com volume/configuração uterina e laboratório.
Útero >4,5 cm ou formato puberal em menor de 8 anosVermelho: forte evidência de estrogenização precoce.Encaminhar/alinhar com endocrinologia pediátrica.
Ovários aumentados bilateralmente com folículosAmarelo/vermelho conforme idade e útero.Pensar em estímulo gonadotrófico se útero também estiver puberal.
Cisto unilateral dominante ou massa adrenal/ovarianaVermelho: pode sugerir causa periférica ou patologia.Avaliar anexos/adrenais e indicar investigação dirigida.
Útero pequeno e ovários pequenos com telarca isoladaVerde/amarelo: pode apoiar telarca precoce isolada.Seguimento clínico se a evolução for lenta e exames concordarem.

Fonte: Frontiers Endocrinol 2021 / Radiologia Brasileira / Pediatric Radiology 2024

Protocolo técnico — pelve feminina pediátrica e puberal

EtapaO que documentar
Via de exameTransabdominal com bexiga cheia como padrão; via endocavitária só quando clinicamente apropriada, consentida e compatível com idade/contexto local.
Contexto clínicoIdade, menarca, desenvolvimento mamário, pelos pubianos, sangramento e velocidade de crescimento quando informados.
ÚteroComprimento, espessura, largura, volume, relação fundo/cérvix, formato e endométrio.
OváriosTrês diâmetros ou volume de cada ovário, maior folículo/cisto, simetria e lesões focais.
DopplerFluxo uterino diastólico se avaliado; não usar como critério isolado.

Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU practice parameter / StatPearls 2025

Padrões internacionais e regionais — por que usar faixas coloridas

Fonte/regiãoMensagem prática
ACR, AIUM, SPR e SRUPadronizam documentação da pelve feminina, anexos e técnica, mas não impõem um único corte puberal universal.
Radiologia pediátrica internacionalCortes publicados para comprimento/volume uterino e volume ovariano variam bastante.
Radiologia BrasileiraSugere limites práticos pré-puberais: útero <4,5 cm, espessura <1 cm e ovário <3 cm³.
EndocrinologiaUltrassom é complemento; diagnóstico final depende de clínica, idade óssea e exames hormonais.

Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU / Radiologia Brasileira / Frontiers Endocrinol 2021 / Pediatric Radiology 2024

Próstata

Brasil: a próstata via abdominal/pelve masculina inclui bexiga, próstata, vesículas seminais e resíduo pós-miccional pelo CBR. A via transretal avalia melhor a próstata e estruturas periprostáticas, mas não inclui rotineiramente bexiga/resíduo.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Volume prostático usual em adulto15–30 mLaumenta com idade; >30 mL sugere aumento benigno em muitas diretrizesusual: 15–30 mLaumento leve/contextual: >30–40 mLaumentada: >40 mLgrande: >80 mL
Cálculo do volume prostáticolargura × espessura × comprimento × 0,52fórmula elipsoide; g e mL são usados de forma quase intercambiável no planejamento
Densidade de PSAPSA ÷ volume ng/mL/cm³interpretação depende de idade, toque, história familiar e ressonânciabaixo risco forte: <0,10baixo por corte clássico: 0,10–0,15suspeito/limítrofe: 0,15–0,20elevado: ≥0,20
Protrusão prostática intravesical<5 mmmedir da base vesical até a ponta da protrusão no lúmen da bexigagrau I: 0–4,9 mmgrau II: 5–10 mmgrau III: >10 mm
Vesículas seminais — diâmetro ântero-posterior<15 mmprincipalmente em avaliação transretal/infertilidade; >15 mm sugere dilataçãohabitual: <15 mmlimítrofe: 15–20 mmdilatada: >20 mm

Classificações e calculadoras

Calculadora — volume prostático, densidade de PSA e protrusão intravesical

EntradaCálculoComo interpretar
Volumelargura × espessura × comprimento × 0,5215–30 mL costuma ser faixa usual adulta.
Densidade de PSAPSA ÷ volume0,10–0,20 é zona dependente de ressonância, idade, toque e história familiar.
Protrusão intravesicaldistância em mm no lúmen vesical>10 mm é grau III pela ICS e sugere maior chance de obstrução.

A calculadora é assistiva: não substitui PSA seriado, toque retal, ressonância, sintomas urinários e avaliação urológica.

Fonte: AIUM / AUA benign prostate enlargement / EAU prostate cancer / ICS

Tamanho prostático — planejamento de hiperplasia

FaixaLeituraUso prático
<30 mLPequena / usualAbaixo do ponto de corte clássico de aumento benigno.
30–40 mLAumento leveAcima de 30 mL, mas progressão depende de sintomas, PSA e resíduo.
>40–80 mLAumentadaEAU usa >40 mL como exemplo de maior risco de progressão para considerar 5-alfa-redutase.
>80–150 mLGrandeCategoria importante para escolha de técnica cirúrgica.
>150 mLMuito grandeCategoria AUA para planejamento de tratamento.

Fonte: AUA benign prostate enlargement guideline / EAU male urinary symptoms

Protrusão prostática intravesical — ICS

GrauMedidaInterpretação
I0–4,9 mmPequena protrusão.
II5–10 mmIntermediária; correlacionar com jato urinário e resíduo.
III>10 mmAssociada a maior chance de obstrução infravesical.

Fonte: International Continence Society glossary

Escroto / testículo com Doppler

A avaliação escrotal deve sempre responder três perguntas: há emergência vascular/infecciosa, há massa intra ou extratesticular, e há varicocele/refluxo com impacto em volume ou fertilidade. Em dor aguda, o Doppler intratesticular comparativo e a procura do cordão torcido são parte central do exame.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Protocolo mínimobilateral + comparativo + Doppler quando indicadoMedir os dois testículos em três eixos, avaliar epidídimos, túnicas, líquido, parede escrotal, cordão espermático e canal inguinal se dor, massa, hérnia ou varicocele forem hipóteses.
Transdutor e Dopplerlinear ≥12 MHz; Doppler otimizado para baixo fluxoAjustar escala, filtro de parede e ganho para detectar fluxo intratesticular lento; comparar sempre com o lado contralateral em dor aguda.
Testículo — volume adulto por elipsoidecomprimento × largura × altura × 0,52 mLFaixas variam por população. Use verde para 15–25 mL, amarelo para 10–14,9 mL ou >25 mL contextual, vermelho para <10 mL em adulto/pós-puberal quando a técnica é confiável.faixa adulta usual: 15–25 mLbaixo-normal / limítrofe: 10–14,9 mLreduzido: <10 mL
Volume em varicocele — fórmula Lambertcomprimento × largura × altura × 0,71 mLESUR-SPIWG prefere Lambert para avaliação de varicocele e recomenda relatar qual fórmula foi usada.
Assimetria testicular<20 %Diferença ≥20% é zona amarela importante em adolescente/varicocele; associada a seguimento e decisão clínica.
Epidídimo — cabeça≤12 mmCabeça maior, hipoecoica e hipervascular favorece epididimite quando há dor; aumento isolado pode ser cisto/espermatocele.
Varicocele — maior veia em pé com Valsalva≥3 mmESUR considera 3 mm ou mais diagnóstico quando medido em pé durante Valsalva, especialmente se houver refluxo Doppler.usual: <2 mmlimítrofe: 2–2,9 mmvaricocele: ≥3 mm + refluxo
Varicocele — duração do refluxo>2 sO parâmetro essencial é a duração do refluxo ao Doppler espectral; ESUR sugere >2 s em pé durante Valsalva.sem refluxo patológico: <1 szona cinzenta: 1–2 spatológico: >2 s
Microlitíase testicular isoladasem seguimento de rotinaNa ausência de massa sólida e fatores de risco, AUA/ESUR não recomendam investigação ou ultrassom seriado de rotina.

Classificações e calculadoras

Assistente interativo — bolsa escrotal, testículos e Doppler

EntradaComo interpretarLimitação
Normalidade funcionalVolumes em faixa usual, fluxo intratesticular simétrico, sem massa, sem refluxo patológico e sem sinais de complicação.Sempre depende da indicação clínica e da comparação bilateral.
Zona cinzentaVolume 10–14,9 mL, assimetria ≥20%, veia 2–2,9 mm, refluxo 1–2 s, epididimite sem complicação, lesão extratesticular típica ou microlitíase com risco.Exige contexto, posição, Valsalva e seguimento seletivo.
Anormal ou urgenteFluxo reduzido/ausente, sinal do redemoinho, massa sólida intratesticular, abscesso/piocele, ruptura, hérnia complicada ou varicocele direita isolada recente.Comunicação clínica rápida pode ser necessária.

Use como triagem didática. Torção pode ter algum fluxo residual; massa sólida intratesticular deve ser tratada como maligna até prova em contrário.

Fonte: AIUM-ACR-SPR-SRU 2025 / ACR acute scrotum / AUA testicular cancer / ESUR-SPIWG

Varicocele — documentação ESUR-SPIWG

ItemRegistrarCor
Sem varicoceleVeias <2 mm, sem refluxo patológico e sem assimetria relevante.Verde
Limítrofe/subclínicaVeia 2–2,9 mm, refluxo curto ou apenas achado em uma posição.Amarelo
Varicocele por ultrassomMaior veia ≥3 mm em pé com Valsalva e refluxo >2 s ao Doppler espectral.Vermelho: anormal consensual.
Adolescente ou infertilidadeMedir volume dos dois testículos e assimetria; relatar fórmula usada.Amarelo se sem atrofia; vermelho se atrofia importante.
Direita isolada ou início recenteConsiderar extensão abdominal/renal, especialmente se não reduz em decúbito.Vermelho pela necessidade de não perder causa secundária.

Relate posição, local da veia, diâmetro, Valsalva, duração do refluxo e se foi avaliado em pé e deitado.

Fonte: ESUR-SPIWG / Royal College of Radiologists audit template / EAU Paediatric Urology

Escroto agudo — Doppler e sinais críticos

AchadoInterpretaçãoConduta de laudo
Fluxo intratesticular ausente ou reduzidoTorção ou isquemia até prova em contrário.Comunicação urgente.
Sinal do redemoinho no cordãoSinal direto de torção, inclusive parcial/intermitente.Descrever local do nó e fluxo residual.
Hiperemia do epidídimo/testículoFavorece epididimite, orquite ou epididimo-orquite.Procurar abscesso, piocele e infarto.
Abscesso, piocele, necrose ou infartoComplicação infecciosa/vascular relevante.Comunicar e sugerir correlação urológica.
Trauma com ruptura da túnicaRisco de perda testicular se atraso.Descrever descontinuidade, hematoma e viabilidade Doppler.

Fonte: ACR acute scrotum / AIUM-ACR-SPR-SRU 2025 / BMUS acute epididymo-orchitis complications

Massas, cistos e microlitíase

PadrãoInterpretaçãoComentário
Cisto simples intratesticular ou da túnicaAnecoico, parede fina, reforço posterior, sem componente sólido e sem fluxo.Verde se todos os critérios típicos presentes.
Massa sólida intratesticularManejar como neoplasia maligna até prova em contrário.AUA: marcadores tumorais antes de tratamento; Doppler ajuda, mas ausência de fluxo não exclui tumor.
Lesão extratesticular típicaCisto epididimário, espermatocele, apêndice testicular, lipoma ou adenomatoide podem ser benignos.Descrever origem e relação com epidídimo, cordão e túnicas.
Massa sólida extratesticularMais frequentemente benigna que intratesticular, mas não é automaticamente benigna.Considerar ressonância/encaminhamento se indeterminada.
Microlitíase isoladaSem massa e sem fatores de risco: não exige seguimento de rotina.Orientação AUA/ESUR.
Microlitíase com fator de riscoCriptorquidia/orquidopexia, história pessoal/familiar de tumor germinativo, atrofia ou infertilidade.Seguimento individualizado.

Fonte: AUA testicular cancer guideline / ESUR microlithiasis guideline / ACR palpable scrotal abnormality

Diferenciais principais

QuadroAchados úteisArmadilha
Torção testicularFluxo reduzido/ausente, redemoinho do cordão, testículo alto ou horizontal, edema reativo.Pode haver fluxo residual em torção parcial.
Torção de apêndice testicularPequeno nódulo avascular junto ao polo superior, hiperemia reacional periférica.Pode imitar epididimite.
Epididimite/orquiteEpidídimo aumentado, hiperemia, hidrocele reativa e espessamento cutâneo.Infarto/abscesso torna vermelho.
Tumor testicularMassa intratesticular sólida, geralmente hipoecoica e vascularizada; calcificação/cicatriz pode indicar tumor “burned-out”.Não biopsiar por via escrotal como rotina.
Hidrocele, hematocele ou pioceleLíquido simples, ecos internos, septos, debris, coágulos ou gás conforme etiologia.Piocele/hematocele complexa com clínica muda urgência.
Hérnia inguinoescrotalConteúdo gorduroso ou alça, peristalse, Valsalva e reducibilidade.Alça não redutível ou isquemia é urgente.

Fonte: AIUM-ACR-SPR-SRU / ACR acute scrotum / AUA / ESUR

Pênis / Doppler peniano

O ultrassom de pênis não tem um único sistema universal como TI-RADS ou BI-RADS. A segurança vem de separar a pergunta clínica: trauma, placa/fibrose, priapismo, trombose venosa superficial, massa/infecção ou disfunção erétil vascular. No Doppler dinâmico, os cortes variam: a diretriz europeia aceita velocidade sistólica de pico maior que 30 cm/s como normal, enquanto revisões radiológicas usam maior que 35 cm/s para excluir estenose significativa. Por isso, 30–35 cm/s fica amarelo, não verde absoluto.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Protocolo anatômico mínimotransdutor linear de alta frequência; planos transversal e longitudinalAvaliar corpos cavernosos, corpo esponjoso, glande, uretra peniana quando relevante, túnica albugínea, fáscia profunda, artérias cavernosas, artérias dorsais e veia dorsal superficial/profunda conforme a hipótese.
Anatomia normal em modo Bdois corpos cavernosos dorsolaterais + corpo esponjoso ventralA túnica albugínea aparece como linha ecogênica fina ao redor dos corpos eréteis; a artéria cavernosa costuma ser vista no centro de cada corpo cavernoso.
Fratura penianadescontinuidade da túnica albugínea + hematomaEstalo, dor súbita, perda de ereção e equimose tornam o diagnóstico clínico provável; o ultrassom localiza a rotura e mede hematoma. Hematúria, retenção urinária ou ar nos corpos eréteis sugerem lesão uretral e mudam a urgência.túnica contínua: sem hematoma profundohematoma com túnica íntegra: diferencial de falso trauma/fraturafratura provável: defeito da túnica
Doença de Peyronie — placaespessamento focal da túnica, fibrose ou calcificaçãoDescrever local, lado, comprimento, espessura, calcificação/sombra acústica, relação com septo e feixe neurovascular, curvatura durante ereção induzida quando realizada e fluxo Doppler ao redor da placa se houver suspeita de fase ativa.placa não calcificada: pode ser fase ativacalcificação: impacta planejamento terapêuticomassa ou erosão atípica: não assumir Peyronie
Priapismo isquêmicofluxo cavernoso muito reduzido ou ausenteÉ emergência urológica, especialmente se ereção dolorosa persistente por mais de 4 horas. O Doppler deve ser feito antes da aspiração quando possível, pois a intervenção pode gerar hiperemia reativa e confundir a leitura.emergência: dor + rigidez + pouco/nenhum fluxoindeterminado: correlacionar com gasometria cavernosa
Priapismo não isquêmico / alto fluxofluxo alto/turbulento, fístula ou pseudoaneurismaCostuma ocorrer após trauma perineal/peniano e é menos doloroso. Não é a mesma urgência do priapismo isquêmico, mas é anormal e o Doppler localiza a fístula para compressão guiada, seguimento ou embolização.
Trombose da veia dorsal superficialveia não compressível + trombo ecogênico + ausência de fluxoTambém chamada doença de Mondor peniana. É geralmente benigna/autolimitada, mas o Doppler ajuda a diferenciar de Peyronie, linfangite esclerosante, massa e hematoma.anormal geralmente autolimitado: confirmar compressibilidade e fluxosinais sistêmicos ou massa: procurar outra causa
Doppler dinâmico — técnicamedir artérias cavernosas na base, a cada 5 min até 20–30 minRegistrar fármaco e dose, lado da injeção, tempo, grau de rigidez, velocidade sistólica de pico, velocidade diastólica final, índice de resistência e diferença entre os lados. O ângulo Doppler deve ficar abaixo de 60 graus.
Velocidade sistólica de pico após estímuloverde forte >35; divergente 30–35; anormal <25 cm/sA diretriz europeia considera maior que 30 cm/s geralmente normal; revisões radiológicas usam maior que 35 cm/s para excluir estenose significativa. Entre 25 e 35 cm/s, interpretar como zona cinzenta com rigidez, dose, ansiedade e tempo.normalidade forte: >35 cm/snormal por algumas fontes: 30–35 cm/sindeterminado: 25–29 cm/sinsuficiência arterial provável: <25 cm/s
Velocidade diastólica final<3 pela diretriz europeia; >5 sugere escape venoso se entrada arterial for adequada cm/sA leitura veno-oclusiva só é confiável quando houve resposta arterial suficiente e rigidez adequada; ansiedade e dose baixa podem simular escape venoso.normal estrito: <3 cm/szona cinzenta: 3–5 cm/sescape venoso provável: >5 cm/s com boa resposta arterial
Índice de resistência>0,8 geralmente normalMenor que 0,8 junto de velocidade diastólica final elevada sugere falha veno-oclusiva; usar com cautela se a resposta arterial foi ruim.normal: >0,8limítrofe: 0,75–0,80suspeito: <0,75 ou <0,8 com diástole elevada

Classificações e calculadoras

Assistente interativo — pênis e Doppler peniano

VerdeVelocidade sistólica de pico maior que 35 cm/s nos dois lados, diástole final baixa, índice de resistência maior que 0,8, rigidez adequada e sem achados anatômicos críticos.
AmareloVelocidade sistólica de pico 25–35 cm/s, diástole 3–5 cm/s, rigidez incompleta, técnica sem injeção vasoativa, placa/calcificação, trombose dorsal superficial ou priapismo não isquêmico.
VermelhoVelocidade sistólica de pico menor que 25 cm/s, diástole maior que 5 cm/s com boa entrada arterial, índice de resistência baixo, priapismo isquêmico, fístula de alto fluxo, fratura, massa suspeita, abscesso, gás ou sinal uretral.

A ferramenta é didática: não substitui avaliação urológica, gasometria cavernosa no priapismo, nem decisão terapêutica. Em priapismo doloroso prolongado ou fratura peniana, a comunicação deve ser imediata.

Fonte: EAU / AUA-SMSNA / RadioGraphics / Radiologia Brasileira

Doppler dinâmico — leitura hemodinâmica

ParâmetroVerdeAmareloVermelho
Velocidade sistólica de pico>35 cm/s25–35 cm/s<25 cm/s
Diferença entre artérias cavernosas<10 cm/s>10 cm/s com velocidades preservadas>10 cm/s com lado menor <25 cm/s
Velocidade diastólica final<3 cm/s3–5 cm/s>5 cm/s persistente se entrada arterial adequada
Índice de resistência>0,80,75–0,8<0,75 ou <0,8 com diástole elevada
Rigidezrigidez completa ou suficientetumescência ou rigidez parcialsem resposta apesar de técnica adequada

Fonte: EAU Erectile Dysfunction / RadioGraphics 2024 / EPOS ECR 2024

Emergências e diferenciais

QuadroAchados no ultrassomMensagem prática
Fratura penianaDefeito focal da túnica albugínea, hematoma adjacente, às vezes uretra/corpo esponjoso envolvidos.Emergência cirúrgica na maioria dos casos; localizar rotura.
Priapismo isquêmicoFluxo cavernoso ausente ou de alta resistência, corpos cavernosos rígidos e dolorosos.Emergência; não atrasar tratamento.
Priapismo não isquêmico de alto fluxoFístula arteriocavernosa, pseudoaneurisma, turbulência e fluxo de baixa resistência.Não costuma ser isquêmico, mas é anormal e pode precisar embolização.
Doença de Mondor penianaVeia dorsal superficial não compressível com trombo e sem fluxo.Geralmente autolimitada; diferenciar de placa, massa e linfangite.
Doença de PeyroniePlaca da túnica albugínea, espessamento, fibrose, calcificação ou sombra acústica.Medir e mapear; Doppler ajuda se também há disfunção erétil.
Infecção profunda ou abscessoColeção, hiperemia, gás, espessamento cutâneo/fascial ou extensão perineal.Pode ser emergência, especialmente se houver gás ou suspeita de Fournier.
Massa suspeitaLesão sólida irregular, glande/prepúcio, invasão local, vascularização ou linfonodos suspeitos.Não rotular como placa; encaminhar investigação.

Fonte: Radiologia Brasileira / RadioGraphics / AUA / EAU

Checklist de laudo estruturado

BlocoO que registrarPor que importa
TécnicaTransdutor, planos, via ventral/dorsal, Doppler colorido/espectral e ângulo Doppler.Evita medidas erradas por ângulo ou amostragem.
Doppler dinâmicoFármaco, dose, lado da injeção, tempo das medidas e grau de rigidez.Sem isso, velocidade e escape venoso podem ser falsos.
Placas/fibroseLocalização por face/terço, tamanho, calcificação, sombra e relação com septo.Ajuda urologia a planejar tratamento.
TraumaIntegridade da túnica, hematoma, corpo esponjoso, uretra e vascularidade cavernosal.Define urgência e mapa cirúrgico.
PriapismoIsquêmico versus não isquêmico, fluxo cavernoso, fístula/pseudoaneurisma e se foi antes de aspiração.Muda completamente a conduta.

Fonte: EAU / AUA-SMSNA / RadioGraphics

Obstétrico — 1º trimestre

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Saco gestacional visível (TV)≈ 5,0 semSG de 2–3 mm
Vesícula vitelina visívelDMSG ≤ 10 mm≈ 5,5–6 sem
Embrião com BCF≈ 6 semem geral até DMSG 25 mm
FCF embrionária — mau prognóstico< 90 bpmem embrião < 8 sem

Classificações e calculadoras

Calculadora — translucência nucal (11–13+6 sem)

NTLeitura
< 3,0 mm (CCN 45–84 mm)Dentro do esperado; integrar ao risco combinado.
3,0–3,4 mmAcima do p95 na maioria dos CCN; valorizar no risco.
≥ 3,5 mmRisco aumentado (aneuploidia, cardiopatia, síndromes): aconselhamento + teste diagnóstico + eco fetal.

Só medir na janela CCN 45–84 mm, plano sagital mediano, feto neutro, ampliação adequada. Marcadores secundários: osso nasal ausente, regurgitação tricúspide, ducto venoso com onda a reversa.

Fonte: Fetal Medicine Foundation (FMF) / ISUOG guidelines

Critérios de gestação INVIÁVEL (consenso 2012)

AchadoConclusão
CCN ≥ 7 mm SEM batimentosInviável
DMSG ≥ 25 mm SEM embriãoInviável
Sem embrião c/ BCF ≥ 2 sem após SG sem vesícula vitelinaInviável
Sem embrião c/ BCF ≥ 11 dias após SG com vesícula vitelinaInviável

Critérios diagnósticos (definitivos) do consenso SRU 2012. Achados "suspeitos" exigem repetir o exame.

Fonte: SRU Consensus 2012 (Doubilet et al.)

Carótidas — Doppler / placa

Brasil: a referência principal adotada aqui é a atualização DIC/SBC + Colégio Brasileiro de Radiologia + Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular 2023, com graduação NASCET. EUA: o IAC 2023 recomenda elevar o corte de velocidade sistólica da carótida interna para 180 cm/s para estenose de 50%. Quando houver divergência entre padrões, a interface marca como amarelo e explicita a fonte.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Velocidade de pico sistólico — carótida interna<140 no padrão brasileiro para <50% cm/sO IAC 2023 usa <180 cm/s para normal ou <50%; 140–179 cm/s vira zona amarela se os demais parâmetros não confirmarem estenose.Verde — sem placa e baixa velocidade: <125–140 cm/sAmarelo — divergência SRU/BR/IAC: 125–179 cm/sVermelho — estenose hemodinâmica provável: ≥180 cm/s com placa/razão elevada; >230 cm/s alto grau
Velocidade diastólica final — carótida interna<40 cm/sAjuda a confirmar a faixa de estenose quando a velocidade sistólica é pouco representativa.Verde: <40 cm/sVermelho — 50% ou mais: ≥40 cm/sVermelho — alto grau: >100 cm/s; >140 cm/s sugere 80–89% no padrão brasileiro
Razão sistólica carótida interna / carótida comum<2,0Usar a maior velocidade sistólica da carótida interna no ponto da estenose e velocidade sistólica da carótida comum em segmento representativo, longe da placa.Verde: <2,0Vermelho — 50–69%: 2,0–4,0Vermelho — 70% ou mais: >4,0
Complexo médio-intimal≤0,9 mmCorte operacional; a recomendação brasileira prefere percentis por idade, sexo e etnia quando disponíveis e não recomenda medir rotineiramente em população geral.Verde — usual: ≤0,9 mmAmarelo — espessado: >0,9 mmVermelho — placa por espessura: >1,5 mm se focal
Placa carotídea — definiçãoprotrusão ≥0,5 mm ou >50% da parede adjacente ou >1,5 mmBasta um dos critérios; placa não deve ser chamada apenas de espessamento médio-intimal.Verde: sem protrusão focalAmarelo: placa lisa/calcificada sem estenose relevanteVermelho: placa ulcerada, ecolucente predominante ou com estenose ≥50%
Ângulo Doppler para velocidades≤60 grausO ângulo deve ser corrigido e menor ou igual a 60 graus sempre que houver medida de velocidade.

Classificações e calculadoras

Calculadora rápida — estenose carotídea por Doppler

CorResultadoComo interpretar
VerdeSem estenose hemodinamicamente significativaVelocidades baixas, razão interna/comum <2,0 e ausência de placa relevante.
AmareloZona limítrofe ou divergentePlaca sem estenose relevante, espessamento médio-intimal, ou velocidade 125–179 cm/s sem confirmação por razão/placa.
VermelhoEstenose anormal ou alto riscoEstenose de 50% ou mais, suboclusão, oclusão, placa ulcerada ou placa ecolucente predominante.

A calculadora cruza DIC/SBC-CBR-SBACV 2023, IAC 2023 e SRU 2003. Resultado final deve considerar técnica, ângulo Doppler, arritmia, estenoses em série, oclusão contralateral e correlação clínica.

Fonte: DIC/SBC-CBR-SBACV 2023 / IAC 2023 / SRU 2003

Plaque-RADS — classificação morfológica da placa carotídea

CategoriaCritério principalSubtipo / detalheLeitura por cor
1Sem placa aterosclerótica.Parede sem placa detectável.Verde — consenso de normalidade morfológica.
2Placa presente com espessura máxima da parede <3 mm.Sem hemorragia intraplaca, ruptura da cápsula ou trombo intraluminal.Amarelo — placa de baixo risco, mas não é parede normal.
3aEspessura máxima da parede ou placa ≥3 mm.Cápsula fibrosa espessa/intacta; sem característica complicada.Amarelo — risco intermediário.
3bEspessura máxima ≥3 mm com cápsula fibrosa fina suspeita.Ultrassom pode sugerir; ressonância avalia melhor cápsula fina.Amarelo — vulnerabilidade possível, confirmar no contexto.
3cPlaca ulcerada.Cavidade/superfície ulcerada comunicando com o lúmen.Vermelho — morfologia anormal de risco.
4aHemorragia intraplaca.Característica complicada; ultrassom pode ter limitação.Vermelho — placa complicada.
4bRuptura da cápsula fibrosa.Característica complicada.Vermelho — placa complicada.
4cTrombo intraluminal.Característica complicada.Vermelho — placa complicada.

Plaque-RADS complementa, mas não substitui, o percentual de estenose. Quando houver múltiplas placas, registrar a categoria mais alta e descrever a placa dominante.

Fonte: Saba et al., JACC Cardiovascular Imaging 2024 / QIMS 2026 ultrasound validation

Estenose da carótida interna — Brasil 2023 (NASCET)

EstenoseVelocidade sistólica internaVelocidade diastólica internaRazão sistólica interna/comumComentário
<50%<140<40<2,0Não hemodinamicamente significativa; se há placa, descrever morfologia.
50–59%140–23040–692,0–3,1Faixa em que há divergência com IAC 2023 quando a velocidade sistólica fica abaixo de 180 cm/s.
60–69%sem corte próprio70–1003,2–4,0Usar diastólica e razão como confirmação.
70–79%>230>100>4,0Estenose alta; diferenciar de suboclusão.
80–89%sem corte próprio>140sem corte próprioDiastólica muito elevada reforça alto grau.
>90%>400sem corte próprio>5,0Pode haver queda paradoxal de velocidade se suboclusão.
Suboclusãovariável — fluxo filiformevariávelvariávelDiagnóstico é morfológico/colorido; não depende de corte fixo.
Oclusãoausência de fluxoausência de fluxonão se aplicaSem lúmen pérvio detectável.

Use o método NASCET no percentual reportado. Velocidade sistólica é critério primário; diastólica e razões confirmam quando a velocidade é afetada por fatores hemodinâmicos.

Fonte: DIC/SBC + CBR + SBACV 2023

IAC 2023 — critérios modificados para carótida interna

CategoriaVelocidade sistólica internaPlaca estimadaRazão sistólica interna/comumVelocidade diastólica interna
Normal<180nenhuma<2,0<40
<50%<180<50%<2,0<40
50–69%180–230>50%2,0–4,040–100
>70% até antes de suboclusão>230>50%>4,0>100
Suboclusãoalta, baixa ou indetectávelvisívelvariávelvariável
Oclusão totalindetectávelvisível, sem lúmen detectávelnão se aplicanão se aplica

O IAC reconhece que 125–180 cm/s com razão ≥2,0, placa significativa e turbulência pós-estenótica também pode ser 50–69%.

Fonte: IAC Vascular Testing Communication 2023

SRU 2003 — critério clássico ainda encontrado em serviços

CategoriaVelocidade sistólica internaVelocidade diastólica internaRazão sistólica interna/comum
Normal<125<40<2,0
<50%<125<40<2,0
50–69%125–23040–1002,0–4,0
70% ou mais até suboclusão>230>100>4,0
Suboclusãovariávelvariávelvariável
Oclusãosem fluxosem fluxonão se aplica

Mantida para comparação histórica; quando usada, declarar o padrão adotado no serviço.

Fonte: SRU Consensus Conference 2003

Morfologia e superfície da placa

ItemAchadoLeitura por cor
Sem placaSem protrusão focal nem espessamento focal >1,5 mm.Verde se velocidades normais.
Placa ecogênica ou calcificadaTipo III–V; calcificação pode gerar sombra e limitar a medida.Amarelo se sem estenose ≥50%; vermelho se limita avaliação ou acompanha estenose.
Placa ecolucente predominanteTipo I–II; associada a maior vulnerabilidade em várias classificações.Vermelho para risco morfológico.
Superfície irregularIrregularidade de 0,4 a 2,0 mm de profundidade.Amarelo; descrever no laudo.
UlceraçãoConcavidade/extensão >2,0 mm pelo critério de Bray.Vermelho; risco morfológico alto.

Plaque-RADS 2024 reforça que morfologia/composição da placa complementa o percentual de estenose, mas ainda não substitui a graduação hemodinâmica.

Fonte: DIC/SBC-CBR-SBACV 2023 / Plaque-RADS 2024

Checklist técnico — carótidas e vertebrais

EtapaRegistrarMotivo
Modo B longitudinalComplexo médio-intimal quando indicado e placa no bulbo/bifurcação.Define placa e limitações anatômicas.
Doppler colorido ou de amplitudeBulbo, bifurcação, carótida interna e externa.Localiza turbulência, suboclusão e fluxo residual.
Doppler espectralVelocidade sistólica da carótida comum; velocidades sistólica e diastólica da carótida interna.Permite razão e graduação NASCET.
Ângulo DopplerCorrigir e manter até 60 graus.Acima disso a velocidade perde confiabilidade.
Artérias vertebraisDireção do fluxo, padrão espectral e assimetria; sem cortes numéricos universais no documento brasileiro.Avaliação é qualitativa e contextual.

Evite abreviações no texto didático: escreva carótida interna, carótida comum, velocidade sistólica, velocidade diastólica e razão interna/comum.

Fonte: CBR technical ultrasound guideline / ACR-AIUM-SPR-SRU extracranial cerebrovascular parameter

Musculoesquelético / partes moles

Partes moles deve funcionar como triagem segura: confirmar se há lesão, localizar camada anatômica, medir em três planos, avaliar relação com fáscia, músculo, tendão, articulação, vasos e nervos, e separar achados benignos típicos de massas indeterminadas ou suspeitas. Não prometa benignidade quando houver dúvida.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Massa de partes moles — documentação mínimatrês medidas, camada, fáscia, margens, composição e Dopplerincluir história, crescimento, dor, trauma, anticoagulação, punctum/descarga, reducibilidade e comparação quando útilcompleto: duas projeções, três planos e Dopplerincompleto: sem camada, sem fáscia ou sem Dopplerperigoso: chamar de benigno sem critérios típicos
Tamanho da massa<5 versus ≥5 cm5 cm é gatilho clássico para ressonância/avaliação especializada, mas massas menores também podem ser malignas se profundas, crescentes ou atípicaspequena típica: <5 cm e benignidade típicanão decisivo: <5 cm mas sólida/indeterminadaalerta: ≥5 cm
Relação com fáscia e profundidadesuperficial, toca fáscia, cruza fáscia ou intramuscular/profundaabaixo da fáscia superficial, intramuscular ou não completamente acessível por ultrassom favorece ressonânciasuperficial típico: inteiramente subcutâneo e bem vistocontato com fáscia: base ampla ou limite profundo difícilprofundo: cruza fáscia, intramuscular ou não visto inteiro
Cisto, gânglio ou bursa típicaanecoico, parede fina, reforço posterior, sem componente sólido e sem vascularização internase houver ecos internos, parede espessa, nodularidade ou vascularização, vira indeterminadotípico: cístico puro avascularcomplexo: debris, septos finos ou contexto inflamatóriosólido/nodular: componente vascularizado
Lipoma superficial típicooval/elíptico, bem definido, compressível, paralelo à pele, ecogênico ou estriado, sem vascularização relevantelipoma profundo, grande, heterogêneo, doloroso ou crescente não deve ser tratado como simplestípico: superficial e estávelatípico: heterogêneo ou sintomáticonão simples: profundo, ≥5 cm ou crescimento rápido
Coleção, hematoma ou abscessocontexto + compressibilidade + ecos internos + Doppler periféricohematoma deve reduzir no seguimento; abscesso costuma ter dor, rubor, febre ou hiperemia periféricatrauma claro: hematoma em regressãocoleção complexa: seguimento ou drenagem conforme clínicainfecção/expansão: febre, gás, dor intensa ou crescimento
Nervo mediano — área seccional no punho<9–10 mm²≥10 mm² sugere túnel do carpo; interpretar com sintomas e comparação proximal/distalusual: <9–10 mm²limítrofe: 10–12 mm²aumentado: >12 mm²
Tendão de Aquiles — espessura4–6 mm>7 mm sugere tendinopatia quando associado a perda do padrão fibrilar, dor ou hiperemia

Classificações e calculadoras

Assistente interativo — partes moles, diferencial e próximos passos

EntradaComo o app interpretaLimitação
Benigno típicoCisto simples/gânglio, lipoma superficial típico, corpo estranho com história compatível ou hérnia dinâmica clara.Só usar se todos os critérios típicos estiverem presentes.
IndeterminadoSólido não lipomatoso, coleção complexa, massa pequena mas atípica, vascularização ou relação anatômica não conclusiva.Ultrassom não deve fechar diagnóstico quando há sobreposição.
Suspeito ou urgenteProfundo, maior que 5 cm, crescendo, fixo, margens invasivas, vascularização desorganizada, recorrência pós-excisão ou sinais infecciosos graves.Ressonância/encaminhamento especializado conforme protocolo local.

Use como triagem didática. O resultado lista possibilidades, não diagnóstico definitivo.

Fonte: SRU Radiology 2022 / BMUS 2024 / ESSR 2015 / ACR 2022

Diferencial por padrão ultrassonográfico

PadrãoPossibilidades comunsSinal que muda a conduta
Cístico puro avascularCisto simples, gânglio, bursa distendida, cisto sinovial.Componente sólido, nódulo mural ou vascularização interna.
Gorduroso superficial típicoLipoma superficial.Profundo, ≥5 cm, heterogêneo, doloroso ou em crescimento.
Sólido não lipomatosoFibroma, tumor de bainha nervosa, tumor de células gigantes da bainha tendínea, linfonodo, endometriose de cicatriz, fibromatose.Margens infiltrativas, crescimento ou vascularização desorganizada.
Coleção complexaHematoma, seroma, abscesso, Morel-Lavallée, bursite complicada.Febre, rubor, gás, dor intensa, expansão ou ausência de regressão.
Vascular ou compressívelMalformação venosa/linfática, variz, pseudoaneurisma, hemangioma.Fluxo arterial pulsátil, fístula, trombo ou alto fluxo.
Dinâmico com ValsalvaHérnia, herniação muscular, variz expansível.Aprisionamento, dor importante, não redutível ou alça intestinal comprometida.
Ecogênico com sombra ou corpo estranhoCorpo estranho, granuloma, calcificação, miosite ossificante, tofo.Calcificação intramuscular ou massa associada: radiografia/ressonância conforme contexto.
Massa profunda ou invasivaSarcoma e outros tumores agressivos entram no diferencial até prova em contrário.Ressonância e via de referência oncológica/sarcoma.

Fonte: SRU 2022 / BMUS 2024 / ESSR 2015

Sinais de alerta — quando não encerrar como benigno

SinalPor que importaCor
Maior que 5 cmGatilho clássico para investigação adicional, sobretudo se sólido.Vermelho
Profundo, intramuscular ou cruza fásciaUltrassom pode não ver toda a extensão; ressonância é preferida.Vermelho
Crescimento rápido ou recorrência pós-excisãoAumenta suspeita e muda o caminho de biópsia/encaminhamento.Vermelho
Margens invasivas ou vascularização desorganizadaSinal morfológico de agressividade, embora não seja específico isoladamente.Vermelho
Dor isoladaPode ser inflamatória/traumática, mas também é sinal clínico de alerta se associada a massa sólida.Amarelo
CalcificaçãoOcorre em benignos e malignos; se em extremidade ou dentro do músculo, radiografia ajuda.Amarelo

Fonte: ESSR 2015 / BMUS 2024 / ACR 2022

Checklist técnico — ultrassom de partes moles

EtapaRegistrar no laudoMotivo
História dirigidaTempo, crescimento, dor, trauma, anticoagulação, febre/rubor, punctum/descarga, reducibilidade e cirurgia/câncer prévios.Muda o diferencial.
Localização anatômicaLado, ponto exato, camada: pele, subcutâneo, fáscia, músculo, tendão, articulação, vaso ou nervo.Evita laudo genérico.
Imagens e medidasDuas projeções ortogonais, três medidas, profundidade, imagem do limite profundo e comparação contralateral se útil.Permite seguimento.
Modo B e DopplerComposição, ecogenicidade, margens, reforço/sombra, calcificação, compressibilidade, fluxo periférico/interno.Separa cístico, sólido, inflamatório e vascular.
Manobras dinâmicasCompressão, movimento de tendão/músculo, Valsalva, ortostatismo quando hérnia/variz for hipótese.Mostra relação funcional.
Conclusão seguraBenigno típico, indeterminado ou suspeito; se indeterminado, dizer claramente que precisa de correlação/imagem adicional.Protege o paciente e o médico.

Fonte: BMUS 2024 / ESSR 2015 / SRU 2022

Punho / mão (sem e com Doppler)

O exame de punho deve separar técnica anatômica, avaliação tendínea, nervos periféricos e inflamação articular. Doppler não é “extra”: em suspeita de sinovite, tenossinovite, artrite reumatoide, infecção ou massa vascular, ele muda a interpretação.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Protocolo mínimo sem Dopplerdorsal + volar + dinâmicoAvaliar tendões em eixo curto e longo, retináculos, articulações radiocárpica/intercárpica, túnel do carpo, canal de Guyon e ponto doloroso.
Protocolo com Dopplerbaixa escala e ganho alto sem artefatoUsar para sinovite, tenossinovite, artrite inflamatória, hiperemia peritendínea, massa vascular e infecção; evitar compressão excessiva.
Nervo mediano — área seccional no túnel do carpo<10 mm²Cortes fixos variam; 10–12 mm² é zona cinzenta e >12 mm² é mais consistente com neuropatia compressiva quando sintomas concordam.usual: <10 mm²limítrofe: 10–12 mm²aumentado: >12 mm²
Nervo mediano — razão punho/antebraço<1,4Razão ≥1,4 aumenta suspeita e reduz variação por biotipo; use área no punho dividida pela área no antebraço proximal.usual: <1,4suspeito: ≥1,4
Nervo mediano — limite por circunferência do punho0,88 × circunferência − 4 mm²Alternativa descrita para ajustar o limite superior normal pela circunferência do punho em centímetros.
Nervo ulnar no canal de Guyonsem corte universalComparar calibre, fascículos, compressão, massa/cisto, artéria ulnar, bifurcação em ramo superficial sensitivo e ramo profundo motor.
Sinovite — escala OMERACT/EULAR0–3 modo B e DopplerModo B mede hipertrofia sinovial; Doppler mede vascularização ativa. Interpretar separadamente e junto ao contexto clínico.

Classificações e calculadoras

Assistente interativo — punho, nervos e sinovite

EntradaComo interpretarLimitação
Sem sinovite e nervo mediano usualÁrea do nervo <10 mm², sem Doppler sinovial, sem tenossinovite e sem erosão.Correlacionar com sintomas; ultrassom não exclui todas as neuropatias.
Zona cinzentaNervo 10–12 mm², razão ≥1,4 isolada, sinovite grau 1, Doppler discreto ou tenossinovite sem sinais agressivos.Requer clínica, comparação contralateral e, às vezes, eletroneuromiografia ou reumatologia.
Anormal relevanteNervo >12 mm² com razão alta/sintomas, Doppler grau 2–3, sinovite modo B grau 2–3, erosão, ruptura tendínea ou déficit motor.Não encerrar como achado incidental.

Use como triagem didática. A conclusão final deve integrar queixa, exame físico, distribuição dos sintomas e hipótese clínica.

Fonte: ESSR / AIUM / EULAR-OMERACT / Frontiers Neurology

Compartimentos extensores do punho — mapa anatômico

CompartimentoTendõesDicas e patologias comuns
1Abdutor longo do polegar + extensor curto do polegar.Tenossinovite de De Quervain; procurar septo vertical e tendões acessórios.
2Extensor radial longo do carpo + extensor radial curto do carpo.Ponto de cruzamento com o primeiro compartimento no antebraço distal: síndrome de interseção.
3Extensor longo do polegar.Usar tubérculo de Lister como marco; risco de ruptura em artrite reumatoide ou atrito.
4Extensor dos dedos + extensor próprio do indicador.Tenossinovite inflamatória é comum; manobra dinâmica separa tendões.
5Extensor próprio do dedo mínimo.Pequeno e ulnar; avaliar tenossinovite e ruptura em artrite inflamatória.
6Extensor ulnar do carpo.Avaliar subluxação dinâmica, tendinopatia, tenossinovite e gota/depósito cristalino.

Fonte: ESSR wrist technical guideline / Radiopaedia anatomy

Face volar — túnel do carpo e canal de Guyon

EstruturaConteúdo / marcoO que procurar
Túnel do carpo proximalEscafoide radial e pisiforme ulnar; nervo mediano superficial aos tendões flexores.Área do nervo mediano, edema fascicular, retináculo, artéria mediana persistente e nervo bífido.
Túnel do carpo distalTrapézio radial e hâmulo do hamato ulnar.Achatamento, arqueamento do retináculo, cistos, tenossinovite flexora e massas.
Tendões flexores dentro do túnelQuatro flexores superficiais dos dedos, quatro flexores profundos dos dedos e flexor longo do polegar.Tenossinovite flexora, aderência, ruptura parcial e gatilho inflamatório.
Canal de GuyonArtéria ulnar radial ao nervo ulnar; dividir em ramo superficial sensitivo e ramo profundo motor.Cisto/gânglio, trombose/aneurisma da artéria ulnar, compressão no hâmulo e lesão do ramo motor.
Tendão flexor radial do carpoRadial, sobre o escafoide/trapézio, fora do túnel do carpo principal.Tenossinovite, tendinopatia e dor radial volar.
Tendão flexor ulnar do carpoInsere no pisiforme; referência para canal de Guyon.Entesopatia, calcificação, depósito cristalino e dor ulnar.

Fonte: ESSR wrist technical guideline / AIUM MSK parameter

Sinovite e artrite reumatoide — escala didática OMERACT/EULAR

GrauModo B: hipertrofia sinovialDoppler: vascularização
0Ausente: sem hipertrofia sinovial.Ausente: sem sinal Doppler.
1Mínima: espessamento discreto sem grande abaulamento.Mínimo: até poucos pontos/sinais isolados.
2Moderada: hipertrofia abaula além da linha óssea com superfície plana ou côncava.Moderado: sinais vasculares em menos de metade da área sinovial.
3Grave: hipertrofia importante com superfície convexa.Grave: sinais vasculares em metade ou mais da área sinovial.

Em artrite reumatoide, relatar articulações avaliadas, grau em modo B, grau Doppler, erosões, tenossinovite e ruptura tendínea. Doppler persistente pode indicar atividade mesmo quando a clínica parece controlada.

Fonte: EULAR-OMERACT / SONAR recommendations / AIUM

Principais diferenciais no punho

QuadroAchados úteis no ultrassomComentário
Síndrome do túnel do carpoNervo mediano aumentado, razão punho/antebraço alta, edema fascicular, achatamento distal, arqueamento do retináculo, hipervascularização intraneural.Correlacionar com território sensitivo e eletroneuromiografia quando necessário.
Tenossinovite de De QuervainEspessamento da bainha no primeiro compartimento, líquido, hiperemia e dor à compressão dinâmica.Procurar septo entre abdutor longo do polegar e extensor curto do polegar.
Síndrome de interseçãoAtrito/tenossinovite onde tendões do primeiro compartimento cruzam os extensores radiais no antebraço distal.Dor costuma ser mais proximal que De Quervain.
Gânglio/cisto sinovialLesão cística com reforço posterior, pedículo articular às vezes visível, sem fluxo interno.Se complexo, vascularizado ou sólido, reclassificar como indeterminado.
Artrite inflamatória / artrite reumatoideSinovite modo B, Doppler sinovial, erosões marginais, tenossinovite flexora/extensora e possíveis rupturas.Doppler e erosão tornam a suspeita mais relevante; integrar com sorologia e reumatologia.
Gota ou doença por cristaisTofos heterogêneos, sombra, erosões, duplo contorno em cartilagem quando visível, tenossinovite por cristais.Pode imitar infecção ou artrite inflamatória.
InfecçãoColeção, hiperemia intensa, tenossinovite purulenta suspeita, gás, celulite e dor importante.Urgência clínica; ultrassom ajuda a localizar coleção e guiar aspiração.
Lesão ligamentar/complexo fibrocartilaginoso triangularUltrassom avalia parcialmente ligamento escafolunar dorsal e complexo triangular ulnar; usar manobras e comparar.Ressonância/artroressonância pode ser necessária.

Fonte: ESSR / AIUM / EULAR-OMERACT / MSK reviews

Tornozelo e pé

Categoria direcionada para dor, trauma, tendões, ligamentos, fáscia plantar, antepé e Doppler inflamatório. Não existe um único sistema universal para todos os achados do tornozelo e pé; por isso a leitura usa verde para medidas e padrão claramente usuais, amarelo para faixas limítrofes ou dependentes da dor/dinâmica, e vermelho para ruptura, instabilidade, infecção, compressão neurovascular, pé diabético complicado ou achado estrutural consensualmente anormal.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Protocolo por regiõesanterior + medial + lateral + posterior + plantar + antepéUsar transdutor linear de alta frequência; avaliar eixo longo e curto, ponto doloroso, manobras dinâmicas, comparação contralateral e Doppler quando houver dor inflamatória, massa, tenossinovite ou infecção.
Tendão de Aquiles — espessura ântero-posterioraté cerca de 6 mmO limite varia por sexo, idade, carga esportiva e local da medida. Espessura isolada não fecha tendinopatia; valor acima de 6 mm, hipoecogenicidade, perda fibrilar, Doppler ou dor focal aumentam a suspeita.usual se ecoestrutura normal: ≤6 mmlimítrofe/contextual: >6–8 mmanormal provável se sintomático: >8 mm ou defeito
Fáscia plantar — espessura na origem calcânea<4 mmMenor que 4 mm favorece normalidade. Muitos estudos usam 4 mm como ponto de corte sensível; outros acham maior especificidade com 4,5 a 5 mm. Por segurança, 4 a 4,9 mm fica amarelo e 5 mm ou mais fica vermelho quando há dor típica.normalidade forte: <4 mmlimítrofe: 4–4,9 mmespessada se dor concorda: ≥5 mm
Neuroma interdigital de Morton — maior eixotamanho não decide sozinho mmLesões maiores que 5 mm têm maior chance de relevância clínica, mas há neuromas pequenos sintomáticos e lesões assintomáticas. Dor, clique de Mulder, compressão dinâmica e relação com a bursa intermetatarsal importam mais que o número isolado.menos específico se isolado: <4 mmcorrelacionar com dor: 4–5 mmprovavelmente relevante se sintomático: >5 mm
Sinovite e tenossinovite — Doppler0–3 modo B e DopplerUsar baixa escala, ganho alto sem artefato e mínima compressão. Grau 1 pode ser contextual; graus 2–3 em Doppler ou hipertrofia sinovial são anormais em contexto inflamatório.ausente: 0discreto/contextual: 1ativo/anormal: 2–3
Quando o ultrassom não bastador óssea focal, incapacidade de apoiar peso, fratura oculta, osteomielite ou planejamento cirúrgicoRadiografia, tomografia ou ressonância podem ser necessárias conforme trauma, pé diabético, suspeita óssea, placa plantar cirúrgica ou ruptura complexa.

Classificações e calculadoras

Assistente interativo — tornozelo e pé

EntradaComo usarLimitação
VerdeAquiles até 6 mm, fáscia plantar <4 mm, sem defeito, sem Doppler sinovial e sem sinal de alerta.Só vale se a técnica e a clínica forem concordantes.
AmareloAquiles >6–8 mm, fáscia 4–4,9 mm, neuroma 4–5 mm, entorse parcial, tenossinovite ou sinovite grau 1.Comparar, testar dinamicamente e correlacionar com o ponto doloroso.
VermelhoRuptura tendínea, instabilidade dinâmica, fáscia ≥5 mm com dor típica, neuroma >5 mm sintomático, sinovite/Doppler grau 2–3, infecção, pé diabético complicado ou compressão neurovascular.Não encerrar como variação; descrever extensão e orientar correlação/encaminhamento.

A calculadora é didática. Ela ajuda a organizar achados, mas a conclusão final depende da pergunta clínica, exame físico, técnica e comparação contralateral.

Fonte: AIUM / ESSR / ACR Appropriateness Criteria / EULAR-OMERACT

Mapa anatômico por compartimentos

RegiãoEstruturas principaisO que não esquecer
AnteriorTibial anterior, extensor longo do hálux, extensor longo dos dedos, nervo fibular profundo e artéria dorsal do pé.Retináculos, tenossinovite, gânglio dorsal e impacto anterior.
MedialTibial posterior, flexor longo dos dedos, vasos tibiais posteriores, nervo tibial e flexor longo do hálux.Túnel do tarso, tendinopatia do tibial posterior, tenossinovite e ligamento deltoide.
LateralLigamento talofibular anterior, ligamento calcaneofibular, tendões fibulares curto e longo.Entorse, ruptura, instabilidade dinâmica, subluxação dos fibulares e lesão do retináculo.
PosteriorTendão de Aquiles, paratendão, bursa retrocalcânea, bursa subcutânea e inserção calcânea.Tendinopatia insercional/não insercional, ruptura parcial/completa, bursite e entesopatia.
PlantarFáscia plantar, coxim gorduroso, aponeurose, músculos plantares e corpo estranho superficial.Medir na origem calcânea; procurar fibroma, ruptura, edema perifascial e esporão sem supervalorizar isoladamente.
Antepé e espaços intermetatarsaisPlacas plantares, bursas, neuroma interdigital, tendões flexores/extensores e articulações metatarsofalângicas.Compressão dinâmica, sinal de Mulder, placa plantar e sinovite são essenciais.

Fonte: ESSR ankle and foot technical guideline / AIUM MSK parameter

Lesão tendínea e ligamentar — leitura por cores

AchadoInterpretaçãoConduta no laudo
Fibras contínuas, ecoestrutura preservada e sem dor dinâmicaPadrão usual.Descrever estruturas avaliadas e limitação se houver.
Espessamento ou hipoecogenicidade sem defeitoTendinopatia/entorse; depende de dor, esporte e comparação.Localizar, medir e citar Doppler se presente.
TenossinoviteLíquido e/ou espessamento sinovial da bainha; Doppler pesa para atividade.Dizer qual tendão e extensão da bainha acometida.
Defeito parcialRuptura parcial ou fissura; fibras residuais ainda presentes.Medir comprimento, espessura, porcentagem estimada e função dinâmica.
Descontinuidade completa ou gapRuptura completa até prova em contrário.Medir gap/retração e comunicar se agudo ou funcionalmente relevante.
Subluxação dinâmica dos tendões fibularesSugere lesão do retináculo superior ou instabilidade lateral.Registrar posição, manobra e tendões envolvidos.

Fonte: AIUM MSK parameter / ESSR ankle-foot guideline / foot and ankle ultrasound reviews

Dor no calcanhar e antepé — diferenciais úteis

QuadroAchados no ultrassomAtenção
Fáscia plantar normalEspessura <4 mm, padrão fibrilar preservado, sem edema perifascial importante.Verde se dor e técnica concordam.
Fasciopatia plantar inicial4–4,9 mm, hipoecogenicidade discreta, dor focal ou edema perifascial.Comparar com o lado oposto.
Fasciopatia plantar típica ou ruptura≥5 mm na origem com dor típica, ou defeito focal/hematoma/retração.Medir e descrever extensão.
Neuroma interdigital de MortonNódulo hipoecoico fusiforme no espaço intermetatarsal, desloca com compressão e pode reproduzir dor/clique.Tamanho isolado não basta.
Ruptura da placa plantarDefeito hipoecoico, instabilidade dinâmica, subluxação da falange ou líquido articular.Ressonância pode ajudar se houver planejamento cirúrgico.
Pé diabético ou corpo estranho infectadoColeção, gás, trajeto fistuloso, corpo estranho, tenossinovite infecciosa ou contato com osso.Comunicação prioritária.

Fonte: Plantar fasciitis ultrasound reviews / AIUM / ACR foot trauma

Checklist de laudo — tornozelo e pé

ItemComo registrarPor que importa
Pergunta clínicaDor focal, trauma, instabilidade, massa, metatarsalgia, fasciopatia, tendão ou artrite.Define protocolo e manobra dinâmica.
Topografia precisaLado, região, estrutura, distância de marco anatômico e relação com articulação/tendão/nervo/vaso.Evita laudo genérico.
Medidas e comparaçãoMedir espessura, maior eixo, gap, retração, coleção e comparar com lado oposto quando útil.Permite seguimento e decisão terapêutica.
DinâmicaDorsiflexão, flexão plantar, eversão, inversão, compressão interdigital, carga ou manobra dirigida conforme hipótese.Mostra instabilidade e reproduz dor.
DopplerEscala baixa, ganho alto sem artefato, pouca compressão e registro da hiperemia quando presente.Muda leitura de sinovite, tenossinovite e infecção.
Limitações e encaminhamentoDizer quando osso, fratura oculta, osteomielite, lesão complexa ou planejamento cirúrgico exigem outro método.Protege paciente e médico.

Fonte: AIUM / ESSR / ACR Appropriateness Criteria

Pediátrico

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Piloro — espessura muscular (HPS)> 3 mmlactentes pequenos podem ter HPS com valores menores
Piloro — comprimento do canal (HPS)≥ 14–16 mm
Piloro — diâmetro (HPS)> 12 mm
Apêndice — diâmetro externo≤ 6 mm≥ 6 mm e não compressível = apendicite (peds ~≥ 6,5 mm)

Classificações e calculadoras

Calculadora — estenose hipertrófica do piloro

MedidaCorteLeitura
Espessura muscular≥ 3 mmCritério principal (≥2,5 mm em prematuros/<3 semanas).
Comprimento do canal≥ 15–17 mmReforça o diagnóstico.
Diâmetro pilórico≥ 13 mmAchado de apoio.
FuncionalNão relaxaObservar 10–20 min em tempo real.

Correlacionar com vômitos em jato não biliosos e alcalose hipoclorêmica. Medidas no limite → reavaliar em tempo real e repetir.

Fonte: Hernanz-Schulman (Radiology) / ACR-SPR practice parameter

Calculadora — invaginação intestinal

AchadoLeitura
Alvo <20 mmProvável íleo-ileal transitória; observar.
Alvo 20–25 mmIndeterminado — reavaliar.
Alvo ≥25 mm (ileocólica)Geralmente requer redução por enema.
Sem fluxo / líquido aprisionado / ponto-guiaIsquemia ou menor sucesso na redução; cuidado.

Redução (enema hidrostático/pneumático) se criança estável e sem perfuração/peritonite; senão, cirurgia. Ponto-guia patológico exige investigar causa.

Fonte: ACR-SPR / Applegate (RadioGraphics)

Graf — displasia do quadril (lactente)

TipoÂngulo αInterpretação
I≥ 60°Normal/maduro
IIa50–59°Imaturo fisiológico (< 3 meses)
IIb50–59°Ossificação retardada (> 3 meses)
IIc43–49°Displásico
III–IV< 43°Excêntrico / luxado

Avaliar também o ângulo β e a cobertura da cabeça femoral.

Fonte: Graf method / Radiology Assistant

Quadril infantil

A ultrassonografia do quadril infantil depende muito da idade, da técnica e do programa local de rastreamento. Nos Estados Unidos predomina rastreamento seletivo por risco ou exame físico alterado; em alguns países europeus há rastreamento universal. Para segurança internacional, a leitura usa cores: verde para quadril maduro e estável, amarelo para imaturidade fisiológica ou divergência entre cortes, e vermelho para displasia, descentração, luxação, instabilidade persistente ou exame tecnicamente inadequado para concluir.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Idade ideal e escolha do método6 semanas a 4 meses costuma ser a janela mais útilAntes de 6 semanas há frouxidão fisiológica e maior risco de falso positivo, salvo exame físico alterado. Quando a cabeça femoral ossifica e a relação com a cartilagem trirradiada não é bem vista, a radiografia da pelve passa a ser preferida.
Indicações principaisExame físico anormal ou duvidoso, apresentação pélvica, história familiar, condição neuromuscular ou seguimento em tratamentoOligodrâmnio, restrição postural intrauterina, assimetria de pregas e diferença de comprimento dos membros são indicações relativas.
Plano padrão coronalLinha ilíaca reta + labrum + transição ílio/cartilagem trirradiadaO plano só é confiável quando mostra o ílio reto, a ponta do labrum e a transição do osso ilíaco para a cartilagem trirradiada; o acetábulo deve ser visto no seu ponto mais profundo.
Ângulo alfa — teto ósseoNormal: ≥ 60°É o ângulo entre a linha de base do ílio e a linha do teto ósseo acetabular. Mede a profundidade/ossificação do teto ósseo e é o principal ângulo para a classificação de Graf.maduro: ≥60°imaturo/idade-dependente: 50–59° antes de 13 semanasdisplásico: <50° ou 50–59° após 13 semanas
Ângulo beta — teto cartilaginoso/labrumAjuda a separar Ia/Ib e IIc/DÉ o ângulo entre a linha de base do ílio e a linha do teto cartilaginoso, traçada do rebordo ósseo acetabular até o labrum. Beta maior que 77° com alfa entre 43° e 49° sugere quadril em descentração tipo D.Ia quando alfa normal: <55°Ib se alfa normal: ≥55°tipo D se alfa 43–49°: >77°
Cobertura da cabeça femoralConsenso prático: ≥ 50% bem cobertaAlguns critérios de manejo consideram normal a partir de 45%; por isso 45–49% fica amarelo. Menos de 35% é displásico em critérios de uso apropriado.normal consensual: ≥50%normal por algumas fontes / limítrofe: 35–49%displásico: <35%
Estabilidade dinâmicaCabeça femoral centrada em repouso e com estresse suaveNo plano transverso com quadril flexionado, avaliar Barlow/Ortolani ultrassonográficos. Mais de 50% da cabeça deve permanecer coberta; abaixo de 45% sugere instabilidade.

Classificações e calculadoras

Calculadora didática — quadril infantil

VerdeAlfa ≥60°, cabeça centrada, cobertura ≥50%, estável e plano padrão adequado.
AmareloAlfa 50–59° antes de 13 semanas, cobertura 35–49%, beta limítrofe, instabilidade neonatal transitória ou técnica incompleta.
VermelhoAlfa <50°, alfa 50–59° após 13 semanas, cobertura <35%, descentração/luxação, instabilidade persistente ou plano inadequado para concluir.

Fonte: Graf method / ACR-AIUM-SPR-SRU / AAOS AUC / IHDI

Classificação de Graf — leitura completa

TipoCritérioLeitura prática
IAlfa ≥60°. Ia se beta <55°; Ib se beta ≥55°.Quadril maduro; sem seguimento por imagem se exame clínico e contexto estiverem concordantes.
IIaAlfa 50–59° antes de 13 semanas.Imaturidade fisiológica. Seguir protocolo local; IIa− ou piora exige atenção.
IIbAlfa 50–59° com 13 semanas ou mais.Displasia por atraso de maturação; alinhar com ortopedia pediátrica conforme protocolo.
IIcAlfa 43–49° e beta ≤77°, cabeça ainda centrada.Displasia crítica mesmo se centrada; não tratar como imaturidade simples.
DAlfa 43–49° e beta >77° ou sinais de descentração.Quadril em descentração; alerta para tratamento/encaminhamento.
III–IVAlfa <43° com cabeça excêntrica ou luxada; labrum deslocado ou interposto.Luxação/subluxação grave. Comunicação prioritária.

Fonte: Graf / Radiology Assistant / ACR Appropriateness Criteria

Como desenhar os ângulos

ElementoComo traçarErro comum
Linha de base do ílioReta tangenciando a cortical lateral do ílio no plano coronal padrão.Usar imagem oblíqua ou ílio curvo; isso distorce alfa e beta.
Linha do teto ósseoLinha do rebordo ósseo acetabular ao ponto inferior do teto ósseo, formando o ângulo alfa com a linha ilíaca.Escolher rebordo arredondado errado ou medir fora do acetábulo mais profundo.
Linha do teto cartilaginosoLinha do rebordo ósseo acetabular ao centro/ponta funcional do labrum, formando o ângulo beta.Traçar a partir do teto ósseo em vez do rebordo ósseo; beta fica artificial.
Plano inadequadoSe labrum, ílio reto ou cartilagem trirradiada não aparecem, a classificação deve ser suspensa.Classificar mesmo sem plano padrão; isso gera falso normal ou falso displásico.

Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU Practice Parameter / Graf method

Cobertura e estabilidade dinâmica

AchadoCorInterpretação
Cobertura ≥50%VerdeBem coberto pela regra prática internacional.
Cobertura 45–49%AmareloNormal em alguns critérios de manejo, mas abaixo do corte clássico de 50%.
Cobertura 35–44%AmareloFaixa borderline em critérios de uso apropriado; integrar com alfa e estabilidade.
Cobertura <35%VermelhoDisplásico nos critérios AAOS de uso apropriado.
Subluxável, luxável ou luxadoVermelhoEstabilidade pesa tanto quanto a morfologia; comunicar e correlacionar com exame físico.

Fonte: IHDI / AAOS AUC / ACR-AIUM-SPR-SRU

Protocolo técnico mínimo

EtapaO que registrarCor se ausente
Ambos os quadrisDireito e esquerdo, mesmo quando a queixa é unilateral.Vermelho se só um lado foi avaliado sem justificativa.
Coronal padrão em neutroMorfologia, posição da cabeça femoral e ângulo alfa.Vermelho: não classificar Graf.
Transverso com quadril flexionadoCabeça femoral sobre o ísquio, posição em repouso e com estresse suave.Amarelo/vermelho conforme suspeita clínica.
Manobra dinâmicaBarlow ultrassonográfico; Ortolani se cabeça subluxada/luxada para avaliar redutibilidade.Amarelo se omitida; aceitável omitir em Pavlik/splint.
DocumentaçãoLado, orientação, idade, estresse aplicado ou não, alfa, beta/cobertura quando usados, estabilidade e limitações.Amarelo se incompleta.

Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU Practice Parameter 2023

Armadilhas didáticas

SituaçãoRiscoConduta prática
Menos de 6 semanasFrouxidão fisiológica pode simular instabilidade.Se exame físico for normal, seguir política local de rastreamento; se alterado, examinar e descrever contexto.
Graf IIa estávelMuitos amadurecem espontaneamente, mas alguns são IIa− ou têm cobertura baixa.Não chamar de normal pleno; recomendar seguimento conforme idade/protocolo.
Alfa normal com instabilidadeMorfologia madura não exclui subluxabilidade dinâmica.Relatar instabilidade e correlacionar com ortopedia/exame físico.
Plano não padrãoPode mudar vários graus do alfa e do beta.Repetir aquisição; se persistir limitada, laudar como limitado.
Em uso de Pavlik ou splintEstresse não deve ser aplicado rotineiramente.Documentar posição da cabeça femoral no dispositivo e omitir estresse.

Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU / Radiology Assistant / Children’s Colorado

Quadril adulto

Ultrassonografia do quadril adulto é exame direcionado por regiões. Ela é muito útil para derrame anterior, sinóvia, bursa iliopsoas, tendões glúteos, bursas peritrocantéricas, ressalto dinâmico, coleções, massas superficiais e procedimentos guiados. Ela não exclui bem labrum, cartilagem profunda, impacto femoroacetabular e osso profundo; nesses cenários a radiografia e a ressonância magnética continuam importantes. As cores separam normalidade consensual, zona cinzenta/divergente e achado anormal ou de alto risco.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Protocolo mínimo do quadril adultoanterior, lateral, medial, posterior e dinâmico quando indicadoNa região anterior, alinhar o transdutor ao colo femoral para recesso anterior e iliopsoas. Na lateral, avaliar trocânter maior, glúteo médio, glúteo mínimo, fáscia lata e bursas. Na medial, avaliar adutores/iliopsoas distal. Na posterior, avaliar isquiotibiais proximais e nervo ciático.
Transdutor e profundidademaior frequência que penetre adequadamenteQuadril profundo, obesidade e prótese podem exigir transdutor convexo ou menor frequência. Use Doppler com escala baixa e pouca compressão quando a pergunta for sinovite, infecção ou coleção.
Derrame coxofemoral — distância cápsula anterior/colo femoral5–7 mmHá divergência: protocolos práticos usam mais de 5 mm ou diferença de 2 mm; literatura musculoesquelética clássica usa 7 mm ou mais, e alguns estudos de artrose usam 8 mm. Medir no eixo do colo femoral e comparar com o lado oposto quando possível.Verde: <5 mm e sem assimetria relevanteAmarelo: 5–6,9 mm ou diferença de 1–1,9 mmVermelho: ≥7 mm ou diferença ≥2 mm; urgência depende de febre, trauma, prótese ou líquido complexo
Bursa iliopsoasnormalmente colabada/não visívelQuando visível, procurar comunicação com a articulação, extensão para a pelve, relação com vasos femorais e compressão do nervo femoral.Verde: não visívelAmarelo: distensão simples ou tendinopatia associadaVermelho: complexa, volumosa, infectada, hemorrágica ou com compressão neural/vascular
Bursas peritrocantéricasnormalmente não visíveisDor lateral do quadril raramente é apenas bursite; a síndrome dolorosa trocantérica costuma envolver tendinopatia do glúteo médio ou mínimo, com ou sem bursa.Verde: bursa não visível e tendões preservadosAmarelo: bursa simples, tendinopatia ou calcificaçõesVermelho: rotura completa, retração, coleção complexa ou infecção possível
Tendões glúteos médio e mínimofibrilar e contínuoAvaliar no trocânter maior em eixos longo e curto. Descrever qual tendão/faceta está acometido, espessamento, hipoecogenicidade, calcificação, fissura, gap, retração e Doppler.
Ressalto do quadril — manobra dinâmicareproduzir movimento que causa o estaloRessalto interno costuma envolver iliopsoas sobre a eminência iliopectínea/femoral; ressalto externo envolve fáscia lata ou glúteo máximo sobre o trocânter. Se a suspeita for labral/intra-articular, ultrassom é limitado.
Osteoartrose — sinais acessíveis ao ultrassomosteófitos, deformidade superficial e derrame/sinoviteUltrassom pode ver osteófitos e deformidade anterior, mas não substitui radiografia para classificação de artrose nem ressonância quando cartilagem/labrum forem a pergunta.
Prótese de quadril dolorosaderrame, coleção, massa, pseudotumor e tendõesUltrassom ajuda a detectar coleções e guiar aspiração quando há suspeita de infecção periprotética, mas achado isolado não substitui correlação laboratorial, radiográfica e ortopédica.

Classificações e calculadoras

Assistente interativo — ultrassonografia do quadril adulto

EntradaSaídaComo usar
Medidas normais, bursas não visíveis, tendões contínuos e sem alertaVerdeUsar quando a pergunta é partes moles/derrame e o protocolo regional foi documentado.
5–6,9 mm no recesso, pequena assimetria, tendinopatia, bursite simples ou ressalto reproduzidoAmareloDescrever como contextual, comparar com lado oposto e orientar método complementar se a pergunta for profunda.
≥7 mm, diferença ≥2 mm, líquido complexo, prótese com coleção, rotura completa, fratura, massa profunda ou infecção possívelVermelhoComunicar achado relevante e direcionar para aspiração guiada, radiografia, tomografia, ressonância ou avaliação especializada conforme contexto.

Preencha medidas, qualidade do líquido, Doppler, iliopsoas, tendões laterais, bursa, osso visível, posterior, prótese e alertas para gerar uma leitura por cores.

Fonte: AIUM-ACR-SPR-SRU / ESSR / Ann Rheum Dis / AJR / GTPS review

Roteiro anatômico por região

RegiãoO que avaliarArmadilhas
AnteriorRecesso coxofemoral, cápsula, labrum anterior visível, iliopsoas, bursa iliopsoas, vasos femorais e nervo femoral quando indicado.Não chamar espessura capsular de sinovite sem ver líquido/sinóvia; comparar lados.
LateralTrocânter maior, glúteo médio, glúteo mínimo, fáscia lata, glúteo máximo e bursas.Dor lateral costuma ser tendinopatia glútea com ou sem bursa, não apenas “bursite”.
MedialAdutores, pubis, iliopsoas distal, pectíneo e estruturas da virilha quando a queixa permitir.Hérnia e pubalgia podem competir com dor coxofemoral.
PosteriorIsquiotibiais proximais, tuberosidade isquiática, glúteo máximo, nervo ciático e massas profundas.Janela profunda pode ser limitada; não excluir compressão neural só pelo exame incompleto.
DinâmicoReproduzir o movimento que causa ressalto/dor: flexão, extensão, rotação, abdução ou adução conforme queixa.Se o estalo for intra-articular, labrum e corpos livres são melhor avaliados por ressonância.

Fonte: AIUM-ACR-SPR-SRU / ESSR hip technical guideline

Derrame e sinovite do quadril — leitura por cores

AchadoVerdeAmareloVermelho
Distância cápsula/colo femoral<5 mm5–6,9 mm≥7 mm; alguns estudos usam 8 mm
Comparação contralateral<1 mm de diferença1–1,9 mm≥2 mm em protocolo prático; ≥1 mm em alguns estudos
Qualidade do líquidosem líquido ou traço simplesderrame simplesdebris, septos, gás, pus, sangue ou pós-operatório suspeito
Doppler sinovialsem fluxodiscreto/moderadointenso com febre, prótese, ferida ou dor incapacitante

Em adultos, a ultrassonografia detecta distensão e guia punção, mas derrame pequeno pode ser difícil e a etiologia não é definida pelo ultrassom isolado.

Fonte: Ann Rheum Dis 2000 / AJR 2003 / Emory Emergency Ultrasound

Dor lateral do quadril — síndrome dolorosa trocantérica

EstruturaNormal/baixo riscoAtençãoAlto risco
Glúteo médio/mínimofibrilar e contínuoespessamento, hipoecogenicidade, calcificação ou fissura parcialrotura completa, retração ou atrofia importante
Bursa trocantéricanão visívelpequena distensão simplescomplexa, hiperêmica ou infectada possível
Fáscia lata/glúteo máximodeslizamento suaveressalto externo reproduzidodor incapacitante, rotura associada ou massa

A revisão clínica reforça que dor lateral trocantérica não deve ser reduzida a “bursite”; tendinopatia glútea é frequente.

Fonte: Br J Gen Pract 2017 / ESSR / AIUM

Dor anterior, iliopsoas e ressalto

PadrãoPista ultrassonográficaLeitura prática
Iliopsoas normalmúsculo estriado, tendão ecogênico e bursa não visívelVerde se a dor não é reproduzida e não há coleção.
Tendinopatia do iliopsoasespessamento, hipoecogenicidade, dor focal ou DopplerDescrever no trajeto e relação com bursa.
Ressalto internotendão do iliopsoas salta dinamicamente durante a manobraRegistrar movimento usado e se reproduziu dor.
Bursa complexa/volumosacoleção profunda entre iliopsoas e cápsula, podendo estender à pelveAvaliar infecção, sangramento, comunicação articular e compressão femoral.

Fonte: ESSR / IJSPT iliopsoas review / AJR dynamic snapping hip

Prótese dolorosa e achados que mudam prioridade

CenárioAchado no ultrassomAção didática
Infecção possívelderrame/coleção, líquido complexo, hiperemia, ferida ou febreComunicar e considerar aspiração guiada conforme protocolo local.
Massa ou pseudotumormassa periprotética, extensão profunda ou relação neurovascularMedir, mapear extensão e sugerir método complementar.
Trauma ou fraturadegrau cortical, avulsão, hematoma profundo ou incapacidade de apoiarRadiografia/tomografia ou avaliação ortopédica conforme cenário.
Limitação por próteseartefato, sombra, profundidade ou dor impedem avaliação completaNão excluir complicação profunda; registrar limitação.

Fonte: AIUM-ACR-SPR-SRU / AJR prosthetic hip infection sonography

Diagnósticos diferenciais úteis no quadril adulto

QueixaPossibilidades no ultrassomQuando lembrar outro método
Dor anterior/virilhaderrame, sinovite, iliopsoas, bursa, adutores, hérnia ou linfonodoLabrum, cartilagem, impacto e necrose avascular exigem ressonância/radiografia.
Dor lateraltendinopatia glútea, bursa, ressalto externo, calcificação ou massaDor lombar/radicular pode simular dor trocantérica.
Dor posteriorisquiotibiais proximais, nervo ciático, hematoma ou massa profundaDéficit neurológico, massa profunda ou avulsão pedem método complementar.
Febre ou incapacidade de apoiarderrame, sinovite, coleção, abscesso ou prótese complicadaNão atrasar aspiração/avaliação urgente quando a clínica for forte.

Fonte: AIUM / ESSR / Ann Rheum Dis / GTPS review

Checklist do laudo de quadril adulto

ItemPergunta que o laudo deve responder
TécnicaLado, transdutor, região avaliada, posição, comparação contralateral e manobra dinâmica quando indicada foram descritos?
MedidasRecesso anterior, assimetria, bursa, coleção, massa ou gap tendíneo foram medidos quando presentes?
LimitaçõesO laudo declara que labrum, cartilagem profunda, impacto e osso profundo não são bem excluídos pelo ultrassom?
AlertaHá comunicação para infecção possível, prótese com coleção, rotura completa, fratura, massa profunda ou compressão neural?

Fonte: Best-practice synthesis from AIUM / ESSR / AJR / clinical reviews

Doppler arterial — membros e fístula arteriovenosa

Categoria integrada para Doppler arterial de membros inferiores, membros superiores, mapeamento pré-confecção de fístula arteriovenosa e avaliação de fístula arteriovenosa em uso. Os cortes de estenose por razão de velocidades são práticos e amplamente usados, mas podem variar por laboratório, segmento, enxerto, stent, ângulo Doppler e circulação colateral.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Aorta abdominal — calibre< 3 cm≥ 3 cm = aneurisma
Artéria ilíaca comum — calibre≈ 8–10 mm
Artéria femoral comum — calibre≈ 5–9 mm
Protocolo dos membros inferioresaorta, ilíacas, femorais, poplíteas, tibiais e pediosaDocumentar velocidade sistólica de pico, onda espectral, cor/aliasing e comparação com segmento proximal normal. Quando houver jato focal, calcular a razão de velocidades.
Protocolo dos membros superioressubclávia, axilar, braquial, radial, ulnar e arco palmar quando indicadoNo preparo para fístula arteriovenosa, avaliar dominância, perviedade, calcificação, diâmetro, hiperemia reativa e comunicação radial-ulnar/palmar conforme o protocolo local.
Mapeamento pré-fístula — artéria doadora> 2,0 mmDiâmetro arterial maior que 2,0 mm é alvo comum para fístula arteriovenosa nativa; abaixo disso a decisão depende de pulso, calcificação, hiperemia reativa e estratégia cirúrgica.bom candidato: > 2,0 mm e sem calcificação limitantezona cinzenta: 1,5–2,0 mmalto risco técnico: < 1,5 mm, oclusão ou calcificação importante
Mapeamento pré-fístula — veia superficial> 2,5 mmVeia maior que 2,5 mm é alvo comum para fístula arteriovenosa; para enxerto, muitos protocolos usam veia maior que 4,0 mm. Compressibilidade, continuidade e profundidade são tão importantes quanto calibre.favorável para fístula: > 2,5 mm, compressível e contínualimítrofe: 2,0–2,5 mm ou profundidade > 6 mmdesfavorável: < 2,0 mm, trombose ou não compressível
Fístula arteriovenosa em uso — vazãointerpretar com tendência e clínica mL/minRegra prática antiga usa 600 mL/min como alvo de maturação, mas diretrizes modernas enfatizam exame físico, funcionamento na diálise, tendência de fluxo e achado focal de estenose.

Classificações e calculadoras

Assistente interativo — estenose, onda e fístula arteriovenosa

EntradaSaídaComo usar
Razão de velocidades < 1,5 e onda multifásicaVerdeFavorece ausência de estenose hemodinamicamente relevante no segmento analisado.
Razão 1,5–1,99 ou onda bifásica/monofásica isoladaAmareloZona limítrofe: confirmar ângulo, amostra no jato, segmento proximal de referência e comparação contralateral.
Razão ≥ 2, onda tardus-parvus distal, ausência de fluxo ou tromboseVermelhoTratar como anormal até prova em contrário; documentar topografia, maior velocidade, razão e onda distal.

Preencha as células abaixo para obter razão de velocidades, grau provável de estenose, leitura da onda, suspeita de tardus-parvus e triagem para fístula arteriovenosa.

Fonte: StatPearls/NCBI / Society for Vascular Medicine / SVU-SVM / KDOQI

Estenose arterial periférica por razão de velocidades

InterpretaçãoRazão de velocidadesObservação
Sem estenose relevante< 1,5Onda multifásica e sem aliasing focal favorecem normalidade no segmento.
Estenose leve provável1,5–1,99Frequentemente estimada em 30–49%; confirmar técnica e não supervalorizar isoladamente.
Estenose hemodinamicamente significativa2,0–4,0Compatível com estenose de pelo menos 50% em muitos protocolos; procurar jato focal, turbulência e alteração distal.
Estenose grave> 4,0Sugere estenose maior que 75–80% quando a amostra está correta e há concordância morfológica.
Oclusãosem fluxo demonstrávelConfirmar ganho, escala, ângulo e colaterais antes de concluir; onda distal pode ser reconstituída por colaterais.

Razão = velocidade sistólica de pico no jato ou ponto suspeito dividida pela velocidade sistólica de pico no segmento proximal normal. Segmentos específicos, stents e enxertos podem exigir critérios próprios.

Fonte: StatPearls/NCBI Bookshelf / Society for Vascular Medicine / IAC

Padrões de onda arterial periférica

PadrãoCorSignificado prático
Multifásica com subida sistólica rápidaVerdePadrão esperado em artérias periféricas saudáveis, especialmente em repouso.
Bifásica com amplitude preservadaAmareloPode ser aceitável em alguns idosos ou após vasodilatação, mas merece comparação e contexto.
Monofásica de baixa resistência com subida ainda rápidaAmareloPode ocorrer distalmente após exercício, inflamação, hiperemia ou fístula; não é sempre estenose proximal.
Monofásica amortecida ou tardus-parvusVermelhoSubida lenta, pico arredondado e baixa amplitude sugerem doença de influxo ou estenose proximal.
Ausência de fluxo onde deveria haver fluxoVermelhoPensar em oclusão, trombose, espasmo grave ou erro técnico; confirmar em cor, power Doppler e espectral.

Fonte: SVU-SVM peripheral arterial waveform consensus / IAC

Fístula arteriovenosa — pré-confecção e seguimento

CenárioVerdeAmareloVermelho
Artéria doadora> 2,0 mm, pérvia, pulso adequado e sem calcificação limitante1,5–2,0 mm ou hiperemia reativa fraca< 1,5 mm, oclusão, calcificação severa ou roubo arterial relevante
Veia superficial candidata> 2,5 mm, compressível, contínua e profundidade favorável2,0–2,5 mm, profundidade > 6 mm ou segmento curto< 2,0 mm, trombose, esclerose ou não compressível
Fístula em uso — vazãoFuncional, tendência estável e geralmente > 600 mL/min400–600 mL/min, queda progressiva ou fluxo muito alto sem sintomas< 400–500 mL/min com disfunção, trombose, não maturação ou fluxo muito alto com repercussão cardíaca
Estenose da fístulaSem jato focal, sem turbulência crítica e exame físico favorávelJato focal com razão 2–3 ou achado isolado sem queda de fluxoRazão > 3, jato marcado, pós-estenose, trombo, aneurisma/pseudoaneurisma ou alteração clínica

A decisão de intervenção em acesso para hemodiálise não deve depender de uma única velocidade: integrar exame físico, dificuldade de punção, pressão venosa na diálise, queda de fluxo, edema do braço e histórico do acesso.

Fonte: KDOQI 2019 / AIUM postoperative hemodialysis access / ACR-AIUM-SRU

Glândulas salivares

Brasil e demais regiões: parótidas, submandibulares e sublinguais devem ser avaliadas como exame próprio quando solicitadas. O ultrassom é forte para parênquima superficial, cálculo, ducto dilatado, coleção, linfonodos e punção guiada; é limitado para lobo profundo da parótida, extensão perineural, base do crânio e estadiamento profundo, quando tomografia ou ressonância podem ser necessárias.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Protocolo mínimotransdutor linear de alta frequência; planos transversal, longitudinal e anteroposterior; comparação bilateral; Doppler colorido/power nas lesõesAvaliar parênquima, ecogenicidade, ductos, cálculo, coleção, massa, linfonodos cervicais e relação com pele, masseter, mandíbula, assoalho da boca e vasos. Toda lesão focal deve ser medida em três eixos.
Parótida — área aproximada em corte≈ 3–4 cm²Valor didático, não universal. Comparação com o lado oposto, atrofia, pós-tratamento, inflamação e biotipo importam mais que um corte isolado.faixa didática: 3–4 cm²contextual: fora da faixa ou assimetria
Submandibular — área aproximada em corte≈ 1–2 cm²Valor didático. Glandula pequena/atrófica pode ocorrer por idade, obstrução crônica, Sjögren, radioiodo ou radioterapia; aumento pode ser inflamatório/obstrutivo.faixa didática: 1–2 cm²contextual: fora da faixa ou assimetria
Ducto salivar principalnormalmente não visívelDucto visível, dilatado ou com ponto de transição sugere obstrução/estenose quando associado a dor alimentar, cálculo, edema glandular ou secreção purulenta.habitual: ducto não visível e sem sintomas obstrutivoszona cinzenta: ducto visível isolado ou estenose suspeita sem cálculoanormal: ducto dilatado com cálculo, dor alimentar, pus ou coleção
Sialolitíasefoco ecogênico intraductal com sombra/twinkle + dilatação proximalA sensibilidade do ultrassom varia conforme tamanho/local do cálculo e dilatação ductal; cálculo pequeno sem ducto dilatado pode ser falso negativo. Calcificação fora do ducto pode ser linfonodo calcificado, flebólito ou calcificação vascular.suspeito: calcificação sem continuidade ductal claraanormal consensual: cálculo intraductal com sombra/twinkle e ducto dilatado
Lesão focal salivarmedir três eixos + Doppler + linfonodosTamanho isolado não define benignidade. Irregularidade, infiltração, extensão extraglandular, paralisia facial, linfonodos suspeitos, crescimento rápido ou dor progressiva elevam risco.indeterminado: massa sólida/cística sem sinais agressivosalto risco: margens infiltrativas, extensão, nervo facial ou linfonodos suspeitos

Classificações e calculadoras

Assistente interativo — glândulas salivares

Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU Head and Neck / Iowa / OMERACT / AJR

Sjögren — OMERACT 0–3 por glândula

GrauAchadoCor didática
0Parênquima normal/homogêneoVerde
1Heterogeneidade leve sem áreas hipoecoicas/aneicoicas definidasAmarelo
2Alteração moderada com áreas hipoecoicas/aneicoicas focais rodeadas por parênquima preservadoAmarelo/Vermelho conforme contexto
3Alteração grave: hipo/aneicoicas difusas ocupando a glândula, fibrose ou substituição gordurosaVermelho quando concorda com clínica/sorologia

OMERACT é escala estrutural por glândula. Estudos recentes exploram soma 0–12 e escore ordinal 0–6; limiares altos têm especificidade maior, mas o ultrassom não substitui critérios clínicos, sorologia, sialometria ou biópsia quando necessária.

Fonte: OMERACT / RMD Open 2021 / Arthritis Res Ther 2026

Obstrução salivar — leitura por cores

AchadoVerdeAmareloVermelho
Ductonão visívelvisível isolado ou estimulação salivar altera o calibredilatado com ponto de transição, cálculo, pus ou coleção
Cálculoausentecalcificação sem continuidade ductal clarafoco intraductal com sombra/twinkle e dilatação proximal
Infecçãosem hiperemia/coleçãoglândula dolorosa/hipervascular sem coleçãoabscesso, gás, celulite, febre ou secreção purulenta

A ausência de cálculo ao ultrassom não exclui estenose ductal tratável; ducto dilatado tem alto valor preditivo para estenose em séries de sialendoscopia.

Fonte: Iowa Head and Neck Protocols / AJR 2013

Massa salivar — diferencial e sinais de risco

PadrãoDiferenciais úteisO que muda a prioridade
Sólida bem delimitadaadenoma pleomórfico, tumor de Warthin, linfonodo intraparotídeo, oncocitomamedir 3 eixos, Doppler e linfonodos; punção conforme protocolo local
Císticarânula, sialocele, cisto linfoepitelial, linfonodo cístico, abscesso, tumor císticoconteúdo complexo, hiperemia, gás ou febre elevam urgência
Infiltrativa/agressivaneoplasia maligna primária, metástase, linfoma, carcinoma ex-adenoma pleomórficomargens irregulares, extensão extraglandular, paralisia facial, crescimento rápido ou linfonodos suspeitos
Bilateral/multifocalWarthin, Sjögren, HIV, doença IgG4, sarcoidose, linfomaintegrar idade, tabagismo, sicca, sorologia, HIV e distribuição

Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU Head and Neck / StatPearls / salivary tumor imaging reviews

Checklist didático do laudo

ItemPergunta de segurança
CoberturaQual glândula e lado foram avaliados? Houve comparação contralateral?
Ducto/cálculoO ducto foi visto? Há dilatação, ponto de transição, cálculo com sombra/twinkle ou dor alimentar?
Lesão focalA lesão foi medida em três eixos, com margens, conteúdo, Doppler, plano profundo e linfonodos?
SjögrenForam pontuadas as quatro glândulas maiores quando a pergunta é sicca/Sjögren?
ComunicaçãoAbscesso/gás, paralisia facial, extensão extraglandular, linfonodos suspeitos ou massa infiltrativa foram destacados?

Fonte: SonoAI synthesis from cited sources

Ombro / manguito rotador

Ultrassonografia do ombro deve ser lida por estruturas, não apenas por uma medida isolada. O exame é forte para manguito rotador, cabeça longa do bíceps, bursa subacromial-subdeltoidea, articulação acromioclavicular superficial, recesso posterior e avaliação dinâmica; é limitado para labrum profundo, cartilagem, medula óssea e instabilidade complexa. As cores abaixo separam consenso de normalidade, zona limítrofe ou dependente de contexto e achados consensualmente anormais.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Protocolo mínimo do ombrobíceps, subescapular, supraespinhal, infraespinhal, redondo menor, bursa, articulação acromioclavicular, recesso posterior e manobras dinâmicas quando indicadasExaminar sentado quando possível, adaptar à dor e amplitude de movimento, documentar em eixo curto e eixo longo e medir anormalidades em dois planos ortogonais.
Técnica e posicionamentotransdutor linear de alta frequência; antebraço em supinação para o bíceps; rotação externa para subescapular; mão no bolso posterior para supraespinhal; varredura posterior para infraespinhal e redondo menorEvitar anisotropia e lembrar que rotação interna forçada pode superestimar tamanho de rotura do supraespinhal.
Bursa subacromial-subdeltoidea — espessura/líquido<2 mmLíquido normal raramente passa de 2 mm e tende a ser posterior; acima de 3 mm, líquido medial à articulação acromioclavicular ou anterior ao úmero é anormal.Verde: até 2 mm, posterior, sem hiperemia e sem dor focalAmarelo: >2 até 3 mm ou pequeno líquido dependente de contextoVermelho: >3 mm, líquido anterior/medial, conteúdo complexo ou hiperemia com suspeita inflamatória/infecciosa
Rotura parcial do manguito — profundidade Ellman<3 / 3–6 / >6 mmClassificar também a face articular, bursal ou intrassubstancial; medir profundidade e extensão. Acima de 6 mm costuma representar mais de metade da espessura tendínea.Verde: sem defeito focal e fibras contínuasAmarelo: Ellman I <3 mm ou Ellman II 3–6 mmVermelho: Ellman III >6 mm ou mais de 50% da espessura
Rotura transfixante/completa — medidas essenciaislargura no eixo curto + retração no eixo longoDescrever tendões envolvidos, comunicação com a bursa, retração, largura, trofismo muscular e infiltração gordurosa quando visível; comparar com o lado oposto quando útil.Verde: sem descontinuidade tendíneaVermelho: defeito transfixante, retração ou rotura extensa/maciça
Cabeça longa do bícepscentrada no sulco, fibrilar, sem distensão relevante da bainhaAvaliar em eixo curto e eixo longo. Líquido, sinovite ou hiperemia sugerem tenossinovite; subluxação/luxação deve levantar suspeita de lesão do subescapular ou do intervalo rotador.Verde: centrado, fibrilar, sem hiperemiaAmarelo: tenossinovite, tendinopatia ou líquido discretoVermelho: subluxação, luxação ou rotura
Doppler no ombrobursa, bainha do bíceps, sinóvia articular e tendão dolorosoDoppler colorido ou de amplitude ajuda a detectar hiperemia em bursite, tenossinovite, sinovite, crise calcária, reparo pós-operatório ou infecção.Verde: sem hiperemia no contexto certoAmarelo: hiperemia discreta ou moderada sem sinais sistêmicosVermelho: hiperemia intensa com febre, ferida, pós-operatório, bursa complexa ou coleção
Limitações importanteslabrum profundo, cartilagem, medula óssea, instabilidade complexa e fratura ocultaQuando a pergunta clínica é profunda ou óssea, ultrassom deve orientar, mas não substituir radiografia, ressonância ou tomografia conforme contexto.

Classificações e calculadoras

Assistente interativo — ultrassonografia do ombro

CorComo interpretar
VerdeBursa fina, tendões contínuos, bíceps centrado, sem derrame, sem hiperemia e sem limitação crítica nos campos preenchidos.
AmareloZona cinzenta: tendinopatia, rotura parcial superficial/intermediária, pequena bursa, hiperemia sem sinais sistêmicos, impacto dinâmico ou dúvida labral profunda.
VermelhoAchado anormal consensual ou de alto impacto: bursa acima de 3 mm, rotura transfixante, Ellman III, luxação do bíceps, atrofia muscular, pseudoparalisia, febre/infecção, fratura/luxação suspeita.

Preencha medidas e estruturas no painel para gerar cor, pontos críticos e próximo passo. O assistente não substitui julgamento médico nem integração com radiografia/ressonância.

Fonte: AIUM-ACR-SPR-SRU / ESSR / PubMed / Ellman

Roteiro anatômico por estrutura

EstruturaComo examinarO que não esquecer
Cabeça longa do bícepsAntebraço em supinação; eixo curto no sulco bicipital e eixo longo até a junção miotendínea.Confirmar posição no sulco, líquido na bainha, hiperemia, subluxação, luxação ou rotura.
SubescapularCotovelo junto ao corpo, rotação externa; varrer da junção miotendínea até a inserção no tubérculo menor.Manobra dinâmica ajuda a ver instabilidade do bíceps e impacto subcoracoide.
SupraespinhalMão no bolso posterior ou posição modificada conforme dor; avaliar eixo longo e eixo curto mantendo o feixe perpendicular.Comprimir o tendão para revelar rotura não retraída; medir profundidade, extensão e retração quando houver defeito.
Infraespinhal e redondo menorVarredura posterior abaixo da espinha da escápula, com rotação interna e externa quando útil.Procurar atrofia, infiltração gordurosa, rotura posterior e cisto paralabral no entalhe espinoglenoide.
Bursa e impacto dinâmicoAvaliar bursa em repouso e durante abdução em rotação interna se a clínica sugerir impacto.Dor com pinçamento bursal/tendíneo é contextual; bursa acima de 3 mm é anormal.
Articulação acromioclavicular e recesso posteriorTransdutor no ápice do ombro para a articulação acromioclavicular; plano posterior transversal no espaço glenoumeral.Descrever artrose, sinovite, trauma, derrame posterior, cisto paralabral e sinais indiretos de labrum.

Fonte: AIUM-ACR-SPR-SRU / ESSR shoulder guideline

Manguito rotador — leitura por cores

AchadoVerdeAmareloVermelho
Tendão e ecotexturafibras contínuas, espessura/eco compatíveis, sem dor focaltendinopatia, calcificação, hipoecogenicidade ou dor à compressãodescontinuidade completa, retração ou defeito extenso
Rotura parcialsem defeito focalEllman I <3 mm ou Ellman II 3–6 mm; indicar face articular, bursal ou intrassubstancialEllman III >6 mm ou mais de 50% da espessura
Rotura transfixante/completanão presentesuspeita limitada por dor, anisotropia ou janela incompletadefeito atravessando toda a espessura, comunicação com bursa, retração ou rotura maciça
Músculos do manguitovolume preservado e simétricoatrofia discreta ou comparação difícilatrofia/infiltração gordurosa evidente, principalmente com rotura

Fonte: AIUM-ACR-SPR-SRU / Ellman

Bursa, bíceps e Doppler — interpretação prática

EstruturaVerdeAmareloVermelho
Bursa subacromial-subdeltoideaaté 2 mm, posterior, sem hiperemia>2–3 mm ou pequeno líquido dependente de contexto>3 mm, líquido anterior/medial, conteúdo complexo ou hiperemia importante
Cabeça longa do bícepscentrada, fibrilar, sem líquido relevantetenossinovite, tendinopatia ou líquido discretosubluxação, luxação ou rotura
Dopplersem hiperemia no contexto certohiperemia discreta/moderada sem sinais sistêmicoshiperemia intensa com febre, ferida, pós-operatório, bursa complexa ou coleção
Articulação acromioclavicularsem dor focal nem distensãoartrose, osteófitos ou capsulite/sinoviteseparação/luxação ou infecção suspeita

Fonte: PubMed PMID 16628056 / AIUM-ACR-SPR-SRU

Diagnósticos diferenciais úteis no ombro

ApresentaçãoPensar emPapel do ultrassom
Dor lateral e arco dolorosotendinopatia do supraespinhal, bursite, impacto subacromial, tendinopatia calcáriaavaliar manguito, bursa e manobra dinâmica; Doppler ajuda em fase ativa
Dor anteriorbíceps, subescapular, intervalo rotador, articulação acromioclavicularconfirmar bíceps no sulco, líquido, hiperemia, subluxação e tendão subescapular
Rigidez globalcapsulite adesiva, artropatia, dor limitada, pós-operatórioultrassom pode mostrar sinovite/bursa, mas diagnóstico é clínico e pode exigir ressonância
Trauma agudo ou perda súbita de forçarotura completa, avulsão, fratura oculta, luxação, lesão do bícepsmedir rotura e retração; radiografia/ressonância conforme suspeita óssea ou cirúrgica
Fraqueza neurológica ou atrofiacompressão do nervo supraescapular, cisto paralabral, neuropatia, rotura crônicaprocurar cisto no entalhe supraescapular/espinoglenoide e comparar músculos
Febre, ferida ou pós-operatório dolorosoinfecção, abscesso, bursa séptica, coleção, re-roturaDoppler, conteúdo complexo e punção guiada podem mudar conduta

Fonte: AIUM-ACR-SPR-SRU / ESSR / MSK ultrasound reviews

Checklist didático do laudo de ombro

ItemPergunta de segurança
Protocolo por estruturasBíceps, subescapular, supraespinhal, infraespinhal/redondo menor, bursa, articulação acromioclavicular e recesso posterior foram documentados?
MedidasRotura parcial tem profundidade e face? Rotura completa tem largura e retração?
Doppler e dinâmicaHiperemia foi documentada quando havia dor, bursa, líquido, pós-operatório ou suspeita inflamatória? Impacto foi testado quando indicado?
Achados que mudam prioridadeRotura transfixante, Ellman III, bursa acima de 3 mm, luxação do bíceps, febre, coleção, pseudoparalisia ou fratura/luxação suspeita foram destacados?
LimitaçõesFoi declarado quando labrum, cartilagem, osso profundo, dor ou mobilidade limitaram o exame?

Fonte: AIUM-ACR-SPR-SRU / ESSR

Joelho

Ultrassonografia do joelho é exame direcionado por compartimentos. Ela é forte para derrame, sinóvia, bursas, tendões, ligamentos colaterais superficiais, cisto de Baker e massas periarticulares; é limitada para cartilagem profunda, ligamentos cruzados e parte central dos meniscos. As cores abaixo separam consenso de normalidade, zona limítrofe/divergente e achados anormais ou de alto risco.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Protocolo mínimo do joelhoanterior, medial, lateral, posterior e dinâmicoDocumentar recesso suprapatelar, tendões patelar e quadríceps, ligamentos colaterais, meniscos acessíveis, bursas, cisto de Baker, fossa poplítea e comparação dinâmica quando útil.
Derrame — recesso suprapatelar3,6–6,0 mmNão há corte único: 3,6 mm aumenta sensibilidade, 6 mm aumenta especificidade; alguns serviços usam 4 mm. Medir preferencialmente em longitudinal com joelho em cerca de 30 graus de flexão.Verde: <2 mm sem contexto inflamatórioAmarelo: 2–5,9 mm ou divergência entre cortesVermelho: ≥6 mm com febre, trauma, pós-operatório ou líquido complexo
Tendão patelar — espessura4–5 mmEspessura isolada não fecha tendinopatia; correlacionar com hipoecogenicidade, perda fibrilar, Doppler, entese e dor focal.Verde: 4–5 mm com ecotextura preservadaAmarelo: >5 mm ou espessamento focal
Tendão do quadríceps — espessurasem corte universalMedidas variam com técnica, sexo, atividade e ponto de medida. Use a calculadora como alerta contextual, não como diagnóstico isolado.Verde: fibras contínuas e sem dor focalAmarelo: espessamento, hipoecogenicidade ou DopplerVermelho: descontinuidade completa ou retração
Extrusão meniscal3 mmTrês milímetros é corte prático, mas não absoluto; carga, idade, osteoartrose, técnica e ressonância mudam a interpretação.Verde: <2 mmAmarelo: 2–4,9 mm ou contexto degenerativoVermelho: ≥5 mm, especialmente com suspeita de raiz ou artrose avançada
Ligamento colateral medial — espessura3,3–5,6 mmFaixa descrita no ponto femoral. Espessamento ganha valor quando há edema, dor focal, perda fibrilar ou instabilidade.Verde: até 5,6 mm no ponto femoral com fibras preservadasAmarelo: >5,6 mm ou edema sem rupturaVermelho: descontinuidade completa ou avulsão
Banda iliotibial — espessura~1,1 mmValores acima de 2–3 mm, com edema ou líquido profundo junto ao côndilo femoral lateral, favorecem síndrome da banda iliotibial.Verde: ≤2 mm sem edemaAmarelo: >2–3 mm ou dor dinâmica lateralVermelho: >3 mm com edema/líquido profundo típico
Cisto de Bakercolo entre semimembranoso e gastrocnêmio medialCisto posterior pode drenar líquido do joelho; ausência de líquido suprapatelar não exclui derrame se houver cisto de Baker.Amarelo: simples ou septado, sem sinais de rupturaVermelho: roto, dissecando para panturrilha ou simulando trombose
Bursas pré-patelar e pata de gansonormalmente não visíveisDistensão simples costuma ser contextual; conteúdo complexo, gás, hiperemia intensa ou ferida elevam prioridade.

Classificações e calculadoras

Assistente interativo — ultrassonografia do joelho

EntradaSaídaComo usar
Medidas dentro da faixa e sem alerta clínicoVerdeUsar quando protocolo mínimo foi documentado e o achado profundo não é a pergunta principal.
Derrame pequeno, sinovite discreta, tendinopatia, bursite simples ou extrusão meniscal limítrofeAmareloDescrever como contextual, comparar com lado oposto quando útil e sugerir correlação clínica ou ressonância se a pergunta for interna.
Infecção possível, rotura completa, fratura/avulsão, trombose/aneurisma, cisto roto ou derrame significativo em contexto de riscoVermelhoComunicar prioridade e direcionar para ortopedia, reumatologia, vascular ou emergência conforme o padrão dominante.

Preencha medidas, sinóvia, tendões, meniscos, ligamentos, cisto de Baker, região posterior e sinais de alerta para gerar uma leitura por cores.

Fonte: ESSR / EULAR-OMERACT / J Diagn Med Sonogr / RadioGraphics

Roteiro anatômico por compartimento

CompartimentoO que avaliarArmadilhas
AnteriorRecesso suprapatelar, tendão do quadríceps, tendão patelar, gordura de Hoffa e bursa pré-patelar.Líquido se redistribui com flexão; varrer também medial e lateral ao tendão do quadríceps.
MedialLigamento colateral medial, menisco medial periférico, pata de ganso e osteófitos.Extrusão meniscal depende de carga, osteoartrose e técnica; não concluir lesão de raiz apenas pelo ultrassom.
LateralBanda iliotibial, complexo lateral, menisco lateral periférico, cabeça da fíbula e nervo fibular comum.Anisotropia pode simular lesão ligamentar; usar cortes longos e curtos.
PosteriorCisto de Baker, fossa poplítea, artéria, veia, nervo tibial e nervo fibular comum.Cisto roto pode simular trombose; se houver edema de panturrilha, fazer avaliação venosa compressiva.

Fonte: ESSR knee technical guidelines / RadioGraphics

Derrame e sinovite — leitura por cores

AchadoVerdeAmareloVermelho
Recesso suprapatelar<2 mm e sem sinovite2–5,9 mm ou corte divergente≥6 mm com febre, trauma, pós-operatório ou líquido complexo
Sinóvia no modo cinzasem hipertrofiagrau 1–2grau 3 ou massa sinovial exuberante
Doppler da sinóviasem fluxopoucos sinais ou fluxo moderadofluxo intenso ou associado a suspeita infecciosa

Derrame e sinovite não são sinônimos: líquido pode ser mecânico/traumático; hipertrofia sinovial com Doppler sugere atividade inflamatória.

Fonte: J Diagn Med Sonogr 2020 / EULAR-OMERACT

Escore EULAR-OMERACT simplificado para sinovite

GrauModo cinzaDopplerLeitura prática
0sem hipertrofia sinovialsem sinal Dopplersem sinovite ativa pelo escore
1hipertrofia mínimapoucos sinais puntiformesatividade discreta ou inicial
2hipertrofia moderadafluxo confluente em menos da metade da sinóviaatividade inflamatória provável
3hipertrofia acentuadafluxo em mais da metade da sinóviaatividade importante; correlacionar com artrite inflamatória ou infecção conforme contexto

Fonte: EULAR-OMERACT / RMD Open

Mecanismo extensor e tendões

EstruturaNormal/baixo riscoAtençãoAlto risco
Tendão patelar4–5 mm, fibrilar e sem Doppler>5 mm, hipoecogenicidade, entesopatia ou Dopplerrotura completa ou avulsão
Tendão do quadrícepsfibras contínuasespessamento ou rotura parcialdescontinuidade completa, retração ou incapacidade de extensão
Gordura de Hoffa e bursa pré-patelarsem distensão ou hiperemiaedema, bursite simples ou impacto anteriorconteúdo complexo, gás, ferida ou infecção possível

Fonte: RadioGraphics knee US / AJR patellar tendon

Meniscos, ligamentos colaterais e banda iliotibial

EstruturaVerdeAmareloVermelho
Extrusão meniscal<2 mm2–4,9 mm; 3 mm é corte prático, não absoluto≥5 mm ou suspeita de lesão de raiz/artrose avançada
Ligamento colateral medialfibras contínuas; até 5,6 mm no ponto femoral descritoespessamento, edema ou rotura parcialrotura completa ou avulsão
Complexo lateralfibras contínuas e sem dor focalentorse, espessamento ou rotura parcialrotura completa, avulsão ou instabilidade posterolateral
Banda iliotibial≤2 mm sem edema profundo>2–3 mm ou dor dinâmica>3 mm com edema/líquido profundo típico

Fonte: Orthopedic Reviews / Skeletal Radiology / RadioGraphics

Posterior do joelho e diagnósticos diferenciais

AchadoPista ultrassonográficaConduta didática
Cisto de Bakercolo típico entre semimembranoso e gastrocnêmio medialmedir, descrever simples/complexo e procurar derrame/sinovite
Cisto de Baker rotolíquido dissecando para panturrilhadiferenciar de trombose, hematoma e celulite
Trombose poplíteaveia não compressível ou tromboacionar protocolo venoso; não tratar como cisto isolado
Aneurisma ou pseudoaneurismamassa pulsátil, fluxo yin-yang ou colo arterialusar Doppler e comunicar achado vascular
Gânglio ou cisto intraneuralrelação com nervo fibular comum ou tibialdocumentar trajeto neural e relação com cabeça da fíbula

Fonte: ESSR / RadioGraphics knee US

Checklist do laudo de joelho

ItemPergunta que o laudo deve responder
TécnicaFoi descrito transdutor, compartimentos avaliados, posição/flexão e manobras dinâmicas?
MedidasDerrame, tendões, extrusão meniscal, espessamento ligamentar ou cisto foram medidos quando presentes?
LimitaçãoA conclusão evita excluir menisco central, cartilagem profunda e ligamentos cruzados quando não foram avaliáveis?
AlertaHá frase de comunicação para infecção possível, rotura completa, trombose/aneurisma ou fratura/avulsão?

Fonte: Best-practice synthesis from ESSR / EULAR-OMERACT / RadioGraphics

Parede abdominal / hérnias

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Técnica — manobra dinâmicaValsalva / ortostase aumentam a sensibilidade (capta hérnia oculta)
Transdutor7,5–10 MHzlinear; sens. 86–96%, espec. 77–96% (inguinal)

Classificações e calculadoras

Tipos de hérnia — localização ao US

TipoAchado
Inguinal indiretaAntero-lateral ao cordão espermático
Inguinal diretaMedial/posterior ao cordão; abaulamento do tendão conjunto à Valsalva
FemoralMedial à veia femoral
Umbilical / epigástrica / incisionalDefeito na linha média / cicatriz, com saco e conteúdo

Diagnóstico = conteúdo (gordura/alça) atravessando o defeito fascial; medir o defeito.

Fonte: AJR 2006

Regiões inguinais

Categoria para o exame direcionado da virilha: hérnia, linfonodo, massa, coleção, complicação vascular e pós-operatório. Não existe um único sistema universal para todos esses achados; por isso a leitura usa verde para exame dinâmico completo sem alteração, amarelo para achado pequeno/indeterminado ou divergente entre referências, e vermelho para hérnia complicada, hérnia femoral relevante, linfonodo morfologicamente suspeito, pseudoaneurisma, trombose ou infecção.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Protocolo mínimo da virilhalinear alta frequência + repouso + manobra dinâmicaUsar transdutor linear de alta frequência, varrer o ponto doloroso, canal inguinal, região femoral, vasos femorais e lado contralateral quando o achado for duvidoso. Valsalva, tosse e ortostase aumentam a sensibilidade para hérnia oculta.
Marcos anatômicos obrigatóriosvasos epigástricos inferiores, ligamento inguinal, veia femoralEvite siglas no laudo didático: escreva vasos epigástricos inferiores, canal inguinal, triângulo de Hesselbach, ligamento inguinal, veia femoral e anel inguinal profundo.
Hérnia inguinal indiretalateral aos vasos epigástricos inferioresO colo costuma estar no anel inguinal profundo e o conteúdo pode seguir pelo canal inguinal em direção ao escroto ou aos grandes lábios.
Hérnia inguinal diretamedial aos vasos epigástricos inferioresOcorre no triângulo de Hesselbach, acima do ligamento inguinal; abaulamento da parede posterior com Valsalva pode preceder hérnia direta evidente.
Hérnia femoralinferior ao ligamento inguinal e medial à veia femoralTem maior risco de complicação que a inguinal; alça, dor, não redutibilidade, líquido no saco ou sinais de obstrução devem ser comunicados com prioridade.Gordura pequena e redutível: achado real, mas conduta depende de sintomasAlça, dor ou não redutível: risco de encarceramento/estrangulamento
Defeito ou colo herniáriomedir em milímetrosNão há corte universal de normalidade: medir colo/defeito, saco, conteúdo, redutibilidade e comportamento em repouso/Valsalva/ortostase. Hérnia pequena vista só ao ultrassom pode não indicar cirurgia se mínima ou assintomática.
Linfonodo inguinal — eixo curto<10 usual; até 15 pode ser contextual mmCT em assintomáticos encontrou média de 5,4 mm e dois desvios-padrão em 8,8 mm; Node-RADS aceita até 15 mm para região inguinal. No ultrassom, morfologia é mais importante que tamanho isolado.Verde: ≤8,8 mm, oval, hilo gorduroso, córtex finoAmarelo: 9–15 mm com morfologia preservadaVermelho: >15 mm ou morfologia suspeita
Linfonodo inguinal — morfologia benignaoval, hilo central, córtex <4 mmCritérios úteis: relação eixo longo/eixo curto maior que 2, hilo gorduroso preservado, córtex homogêneo menor que 4 mm e fluxo hilar ou ausente.
Pseudoaneurisma femoralcolo arterial + fluxo bidirecionalSinal de yin-yang no Doppler colorido ajuda, mas o achado mais específico é o fluxo vai-e-vem no colo que comunica com a artéria.Vermelho: colo com fluxo vai-e-vem
Canal de Nuck / hidrocele femininacisto anecoico no canal inguinal femininoPode simular hérnia ou linfonodo. Lesão cística sem fluxo, com reforço posterior e sem continuidade de alça favorece hidrocele do canal de Nuck; procurar comunicação peritoneal e complicação.

Classificações e calculadoras

Assistente interativo — região inguinal

EntradaSaídaComo usar
Exame dinâmico completo sem achadoVerdeUsar apenas quando repouso, Valsalva/tosse e, se necessário, ortostase foram documentados.
Hérnia pequena, gordurosa ou duvidosaAmareloDescrever como achado real/possível, medir o colo e correlacionar sintomas; conduta pode variar.
Hérnia femoral, alça não redutível ou sinais de sofrimentoVermelhoComunicar prioridade clínica: risco de encarceramento, estrangulamento ou obstrução.

Preencha os campos abaixo para gerar uma leitura por cores, diferenciais e frase de próximo passo.

Fonte: HerniaSurge 2018/2023 / RadioGraphics 2016 / ACR-AIUM-SPR-SRU

Mapa anatômico da hérnia da virilha

TipoLocalização ultrassonográficaPontos que precisam constar
Inguinal indiretaLateral aos vasos epigástricos inferiores; entra pelo anel inguinal profundo e segue o canal.Lado, colo, conteúdo, redutibilidade, extensão para escroto/grandes lábios.
Inguinal diretaMedial aos vasos epigástricos inferiores, no triângulo de Hesselbach, acima do ligamento inguinal.Abaulamento da parede posterior, colo, conteúdo e se aparece apenas com esforço.
FemoralInferior ao ligamento inguinal, geralmente medial à veia femoral.Priorizar se houver dor, alça, não redutibilidade ou líquido no saco.
Recorrente / pós-operatóriaPesquisar bordas da tela cirúrgica e região inferomedial com manobra dinâmica.Diferenciar recorrência de seroma, hematoma, fibrose, plug/tela e linfonodo.

Fonte: RadioGraphics 2016 / EPOS ECR 2023 / AJR 2006

Linfonodo inguinal — leitura por cores

CorAchadoInterpretação
VerdeEixo curto até 8,8 mm, oval, relação eixo longo/eixo curto >2, hilo gorduroso, córtex homogêneo <4 mm.Compatível com linfonodo reacional/benigno se o contexto clínico concorda.
AmareloEixo curto 9–15 mm com hilo preservado, espessamento cortical difuso ou contexto inflamatório.Zona comum na virilha; tamanho isolado não fecha malignidade.
VermelhoEixo curto >15 mm, arredondado, hilo ausente, córtex excêntrico, necrose/cístico, cápsula interrompida ou fluxo periférico/desorganizado.Suspeito, especialmente em câncer de pele, vulva, pênis, canal anal, melanoma, linfoma ou massa de partes moles.

A região inguinal aceita linfonodos maiores que outros territórios; por isso a morfologia e a comparação bilateral são decisivas.

Fonte: Bontumasi AJR 2014 / VITA consensus / EPOS ECR 2023

Diferenciais práticos de massa inguinal

PadrãoPossibilidadesAlerta
Aumenta com Valsalva ou em péHérnia, variz do ligamento redondo, varicocele do cordão, recidiva pós-operatória.Confirmar trajeto e relação com vasos/ligamento inguinal.
Cístico simples avascularHidrocele do canal de Nuck, cisto do cordão espermático, seroma simples.Amarelo se septado, doloroso, infectado ou com comunicação duvidosa.
Sólido oval com hiloLinfonodo reacional, dermatopatia de membro inferior, inflamação genital/perineal.Não usar tamanho isolado; acompanhar morfologia.
Vascular pulsátilPseudoaneurisma femoral, fístula arteriovenosa, variz trombosada.Doppler espectral obrigatório antes de punção.
Sólido irregular ou profundoMetástase, linfoma, sarcoma, endometriose do canal inguinal, tumor de bainha nervosa.Considerar imagem complementar e via oncológica/local.

Fonte: JSCR 2022 / RadioGraphics 2016 / superficial lymph node ultrasound reviews

Checklist de laudo — região inguinal

ItemPor que importa
Lado e ponto de dorEvita laudo genérico quando o achado é focal ou contralateral.
Repouso, Valsalva/tosse e ortostase quando necessárioSem manobra dinâmica, hérnia oculta pode passar despercebida.
Relação com vasos epigástricos inferiores e veia femoralClassifica direta, indireta ou femoral sem siglas difíceis.
Conteúdo e redutibilidadeGordura redutível, alça, bexiga/ovário, líquido e dor mudam prioridade.
ComplicaçãoNão redutível, alça espessada, líquido, ausência de peristalse, pseudoaneurisma, trombose ou infecção exigem conclusão explícita.

Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU / HerniaSurge / RadioGraphics

Região cervical

Brasil: pela normatização do Colégio Brasileiro de Radiologia, região cervical inclui linfonodos cervicais centrais e laterais, leito tireoidiano somente após tireoidectomia total, lojas paratireoidianas e principais grupos musculares. Tireoide, glândulas salivares e vasos cervicais têm exames próprios quando solicitados.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Linfonodo cervical — eixo curto≤8–10 com morfologia benigna mmTamanho isolado é fraco: use em conjunto com forma, hilo gorduroso, córtex, necrose, calcificações, vascularização e contexto clínico.Verde — consenso prático de benignidade: ≤8 mm, oval, hilo preservado, sem sinais suspeitosAmarelo — limítrofe ou divergente: 8–10 mm ou >10 mm com morfologia reacionalVermelho — anormal/suspeito: >15 mm ou qualquer tamanho com necrose, calcificações, hilo ausente associado, vascularização periférica ou crescimento
Relação eixo curto / eixo longo<0,5Linfonodo oval favorece benignidade; arredondamento aumenta suspeita, especialmente se somado à perda do hilo ou vascularização periférica.Verde: <0,5 e hilo preservadoAmarelo: ≈0,5 isoladoVermelho: >0,5 com sinais suspeitos
Linfonodo suspeito em contexto de câncer de tireoide≥8–10 mm no menor eixoA Associação Americana de Tireoide recomenda punção aspirativa de linfonodo suspeito a partir de 8–10 mm no menor eixo quando o resultado muda a conduta.Amarelo — menor que 8 mm: pode ser acompanhamento se não muda condutaVermelho — suspeito ≥8–10 mm: considerar punção aspirativa se clinicamente relevante
Paratireoide normalgeralmente não visívelQuando uma glândula paratireoide aumentada é vista, documentar localização, três medidas, relação com a tireoide e Doppler se solicitado.Verde: não individualizada e sem lesão focalAmarelo: lesão hipoecoica compatível, mas sem contexto laboratorialVermelho: lesão compatível em hiperparatireoidismo ou crescimento documentado
Massa cervical focalmedir em três eixosDescrever compartimento, lado, relação com pele, musculatura, tireoide, glândulas salivares e vasos; Doppler só quando indicado/solicitado.

Classificações e calculadoras

Calculadora rápida — linfonodo cervical

CorInterpretaçãoCritérios práticos
VerdeMorfologia benignaEixo curto ≤8 mm, oval, hilo gorduroso preservado, córtex fino e vascularização hilar ou ausente.
AmareloZona cinzentaEixo curto 8–10 mm, arredondamento isolado, hilo pouco visível, aumento reacional ou divergência entre tamanho e morfologia.
VermelhoSuspeito/anormalNecrose/cisto intranodal, calcificações, vascularização periférica ou caótica, hilo ausente associado, margens irregulares, conglomerado ou crescimento.

A calculadora é assistiva. Linfonodo doloroso/inflamatório, idade, câncer conhecido, tireoidectomia prévia e lateralidade mudam o peso dos achados.

Fonte: Ahuja & Ying AJR 2005 / ATA 2015 / AIUM head and neck

Região cervical — escopo do exame no Brasil

EstruturaComo tratar no laudoCor prática
Linfonodos cervicais centrais e lateraisIncluídos; descrever localização, tamanho e morfologia se visualizados ou alterados.Verde se morfologia benigna
Leito tireoidiano pós-tireoidectomia totalIncluído somente nesse contexto; pesquisar tecido residual, recidiva local e linfonodos suspeitos.Verde se sem lesão focal
Lojas paratireoidianasAvaliar; relatar glândula paratireoide ou grupo muscular principalmente quando houver patologia detectável.Amarelo se achado depende de exames laboratoriais
Tireoide e glândulas salivaresNo padrão brasileiro, têm códigos/exames próprios; citar se avaliadas por pedido específico ou achado relevante.Amarelo por escopo
Doppler e vasos cervicaisDoppler não é parte automática da região cervical; carótidas e jugulares exigem pedido/código próprio.Amarelo por escopo

Esta tabela evita misturar região cervical com tireoide, glândulas salivares ou Doppler vascular quando o pedido não inclui esses itens.

Fonte: Colégio Brasileiro de Radiologia — Normatização de ultrassonografia

Massa ou cisto cervical — sinais de prioridade

CorAchadoConduta de comunicação
VerdeAchado superficial típico benigno, pequeno, sem componente sólido vascular e sem crescimento documentado.Descrever e correlacionar com exame físico.
AmareloCisto congênito provável, processo inflamatório ou massa indeterminada sem sinais agressivos.Sugerir correlação clínica e imagem seccional/seguimento conforme persistência.
VermelhoMassa persistente em adulto, massa cística em adulto, componente sólido vascular, invasão de planos, abscesso ou massa pulsátil.Comunicar como achado suspeito/urgente conforme contexto; considerar tomografia, ressonância ou avaliação especializada.

A ultrassonografia é útil, mas massas cervicais adultas persistentes frequentemente exigem avaliação clínica especializada e/ou imagem seccional.

Fonte: ACR Appropriateness Criteria Neck Mass/Adenopathy / AAO-HNS adult neck mass guideline

Checklist de documentação — região cervical

ItemRegistrarPor quê
LocalizaçãoLado, nível/compartimento e relação com marcos anatômicos.Permite comparação e planejamento de punção ou cirurgia.
MedidasTrês eixos da massa ou linfonodo; no linfonodo, destacar o eixo curto.Padroniza seguimento e reduz ambiguidade.
MorfologiaForma, hilo, córtex, ecogenicidade, conteúdo cístico/necrótico, calcificações e margens.Mais importante que tamanho isolado.
DopplerUsar para vascularidade de massas localizadas quando solicitado ou clinicamente necessário.Ajuda, mas não substitui modo B nem contexto clínico.

Evite siglas curtas no laudo de referência; prefira “eixo curto”, “eixo longo”, “hilo gorduroso” e “vascularização periférica”.

Fonte: AIUM head and neck / ACR-AIUM-SPR-SRU practice parameter

Linfonodos (geral)

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Eixo curto (cervical normal)≤ 10 mmvaria por nível/região

Classificações e calculadoras

Linfonodo — benigno × suspeito

SinalBenignoSuspeito/maligno
Forma (eixo curto/longo)Oval (< 0,5)Arredondado (≥ 0,5)
Hilo gordurosoPresenteAusente
CórtexFino e uniformeEspessado/excêntrico
VascularizaçãoHilarPeriférica/caótica

Sinais combinados; microcalcificações e necrose cística reforçam suspeita (ex.: metástase de CA papilífero).

Fonte: Radiology Key / PubMed (critérios sonográficos)

Obstétrico — 2º/3º trimestre

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Líquido amniótico — ILA5–25 cmmaior bolsão vertical normal: 2–8 cm
Biometria (DBP, CC, CA, CF)usar tabelas por idade gestacional (Hadlock/FMF) — não há valor único

Classificações e calculadoras

Calculadora — líquido amniótico (ILA / maior bolsão)

FaixaILAMaior bolsão
Oligoâmnio≤ 5 cm< 2 cm
Normal8–18 cm (5–24)2–8 cm
Polidrâmnio≥ 24 cm≥ 8 cm

A SMFM prefere o maior bolsão vertical (menos falso-positivo de oligoâmnio). Correlacionar com idade gestacional, crescimento e integridade das membranas.

Fonte: Phelan/Moore (AFI) / SMFM / ISUOG

Calculadora — Doppler fetal (umbilical/ACM/RCP)

AchadoLeitura
Umbilical normal, ACM normalVigilância de rotina.
IP umbilical >p95 ou ACM <p5 ou RCP <p5Redistribuição/resistência: aumentar vigilância.
Diástole umbilical ausente (AEDF)Insuficiência placentária avançada.
Diástole umbilical reversa (REDF)Grave: medicina fetal; ducto venoso/parto conforme IG.

Índices são por idade gestacional (referências FMF). Diástole zero/reversa na umbilical é o sinal mais grave.

Fonte: ISUOG Doppler guidelines / Delphi FGR consensus 2016

Placenta prévia e acretismo (PAS)

SituaçãoDefinição/sinalConduta
Placenta normoinseridaBorda ≥2 cm do orifício interno.Sem restrição por localização.
Placenta baixaBorda <2 cm do orifício, sem cobrir.Reavaliar no 3º trimestre.
Placenta préviaCobre o orifício interno.Via alta; planejar parto.
Acretismo (PAS)Lacunas, perda da linha hipoecoica, hipervascularização, abaulamento (cesárea prévia + prévia).Centro de referência; equipe multidisciplinar.

O risco de acretismo sobe muito com placenta prévia sobre cicatriz de cesárea. Documentar a distância borda-orifício e sinais de invasão.

Fonte: FIGO PAS 2019 / ISUOG placenta previa & PAS guideline

Comprimento do colo uterino (parto prematuro)

Colo (transvaginal)Leitura
≥ 25 mmBaixo risco de parto prematuro.
15–24 mmEncurtado: considerar progesterona/seguimento.
< 15 mm ou funil/afunilamentoAlto risco: encaminhar; discutir cerclagem/pessário.

Medir por via transvaginal, bexiga vazia, sem compressão excessiva; usar a menor medida de 3. Corte de 25 mm no 2º trimestre.

Fonte: FMF / SMFM / ISUOG cervical assessment

Doppler fetal — limiares de alerta

Vaso/índiceAnormalSignificado
A. umbilical — IP> p95resistência placentária ↑
A. cerebral média — IP< p5redistribuição (brain-sparing)
Relação cérebro-placentária (RCP)< p10insuficiência placentária precoce

Índices são por idade gestacional (referências FMF). Diástole zero/reversa na umbilical = grave.

Fonte: FMF (Ciobanu 2019, UOG)

Cotovelo

Ultrassonografia do cotovelo deve ser lida por compartimentos: anterior, lateral, medial, posterior, nervos e manobras dinâmicas quando indicadas. Os pontos de corte numéricos para tendões variam entre séries; por isso, espessamento isolado fica em amarelo, enquanto rotura, avulsão, infecção, neuropatia com déficit, massa profunda e instabilidade ficam em vermelho.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Protocolo mínimo do cotoveloanterior + lateral + medial + posterioracrescentar nervo ulnar, nervo radial, Doppler e manobras dinâmicas quando a pergunta clínica pedir
Técnica e comparaçãotransdutor linear de alta frequênciaavaliar em eixo longo e curto; comparar com o lado oposto quando medida, dor ou morfologia forem limítrofes
Tendão extensor comum — espessura< 4,2 mmverde se fibrilar e sem dor focal; 4,2 mm ou mais fica amarelo por ser corte prático, não consenso universal isolado
Tendão extensor comum — área seccional< 32 mm²32 mm² ou mais apoia epicondilalgia lateral quando há hipoecogenicidade, fissura, calcificação, irregularidade cortical ou dor
Tendão flexor-pronador comumsem corte universalusar espessura, ecotextura, fibras remanescentes, entesopatia, Doppler e comparação contralateral
Nervo ulnar no túnel cubital — área seccional< 8 verde · 8–9,9 amarelo · ≥10 vermelho mm²10 mm² ou mais é corte prático amplamente usado; confirmar com sintomas, morfologia, razão com antebraço e condução nervosa quando necessário
Razão área do nervo ulnar cotovelo/antebraço< 1,3 verde · 1,3–1,49 amarelo · ≥1,5 contextualnão usar isoladamente; reforça edema focal quando a área absoluta e sintomas concordam
Bursa olecraniananormal colabada ou não visívelqualquer distensão é contextual; parede espessa, debris, gás, hiperemia, ferida ou febre elevam para vermelho
Derrame/sinovite do cotovelonão há número único universalderrame é amarelo; com trauma, bloqueio mecânico, febre, cristais, artrite inflamatória ou Doppler intenso pode ser vermelho
Bíceps distal e trícepsavaliar continuidade, gap e retraçãorotura completa, avulsão ou gap traumático é vermelho; tendinopatia/rotura parcial é amarelo
Ligamentos do cotoveloestresse dinâmico quando indicadoavaliar complexo lateral e ligamento colateral ulnar; abertura dinâmica, avulsão ou instabilidade clínica é vermelho

Classificações e calculadoras

Assistente interativo — ultrassonografia do cotovelo

CorQuando usarConduta didática
VerdeMedida abaixo do corte prático e morfologia preservadaRegistrar o protocolo por compartimentos e comparação quando feita
AmareloEspessamento, pequeno derrame, tendinopatia, bursite simples, Doppler discreto ou achado sem consenso numérico universalDescrever morfologia, dor, lado oposto e limitação; evitar conclusão absoluta por número isolado
VermelhoRotura completa, avulsão, infecção, neuropatia com déficit, massa profunda, bloqueio mecânico ou instabilidade dinâmicaMedir extensão/gap/retração, documentar Doppler/dinâmica e orientar correlação urgente conforme contexto

O assistente usa cores para separar consenso de normalidade, zona cinzenta e achados claramente anormais. Ele não substitui julgamento clínico, radiografia, ressonância ou eletroneuromiografia quando a pergunta for óssea, intra-articular profunda ou neurofisiológica.

Fonte: AIUM/ACR/SPR/SRU 2017; ESSR; peripheral nerve ultrasound consensus

Roteiro anatômico por compartimento

CompartimentoEstruturas obrigatóriasPonto de atenção
AnteriorRecesso anterior, articulação úmero-radial/úmero-ulnar, bíceps distal, braquial, vasos e nervos quando indicadoDerrame, sinovite, corpo livre, bursa bicipitorradial e rotura do bíceps distal
LateralEpicôndilo lateral, tendão extensor comum, complexo ligamentar lateral, cabeça/colo radial e nervo radialEpicondilalgia lateral, rotura parcial/completa, calcificação, fissura e instabilidade em varo
MedialEpicôndilo medial, tendão flexor-pronador, ligamento colateral ulnar e nervo ulnar no túnel cubitalAvaliar flexão/extensão do nervo e estresse em valgo quando indicado
PosteriorTríceps, olecrano, bursa olecraniana e recesso posteriorBursite, rotura do tríceps, impacto posterior, osteófito e corpo livre
Nervos e dinâmicaNervo ulnar, nervo radial e ramo interósseo posterior conforme sintomasÁrea seccional, calibre proximal/distal, compressão focal, subluxação e ressalto do tríceps

Fonte: AIUM/ACR/SPR/SRU 2017; ESSR elbow technical guideline

Tendões e ligamentos — leitura por cores

EstruturaVerdeAmareloVermelho
Tendão extensor comumfibrilar, fino, sem dor focalespessura ≥4,2 mm, área ≥32 mm², hipoecogenicidade, calcificação ou fissura pequenarotura extensa/completa, avulsão ou gap traumático
Tendão flexor-pronador comumfibrilar e simétricotendinopatia, entesopatia, calcificação ou rotura parcialrotura extensa/completa ou avulsão medial
Bíceps distalcontinuidade até a tuberosidade radialtendinopatia, bursite bicipitorradial ou rotura parcialrotura completa, retração ou avulsão
Trícepsfibrilar, inserção preservadatendinopatia, entesófito ou rotura parcialrotura completa, avulsão ou déficit extensor
Ligamento colateral ulnar e complexo lateralcontínuos e sem abertura dinâmicaespessamento, dor e laxidade leve/contextualavulsão, abertura dinâmica, atleta arremessador sintomático ou instabilidade clínica

Fonte: ESSR; AIUM/ACR/SPR/SRU 2017

Nervos, Doppler e manobras dinâmicas

ItemVerdeAmareloVermelho
Nervo ulnar — área seccional<8 mm² e fascicular8–9,9 mm² ou razão elevada sem déficit≥10 mm², compressão focal, ampulheta ou déficit motor
Dinâmica do nervo ulnarestável na flexão/extensãosubluxação assintomática ou ressalto leveluxação sintomática, ressalto do tríceps doloroso ou déficit neurológico
Dopplersem hiperemiahiperemia discreta/moderada em tendinopatia, bursa ou sinovitehiperemia intensa com febre, ferida, bursa complexa ou artrite séptica possível
Nervo radial ou ramo interósseo posteriorfascicular, sem compressãoespessamento ou dor sem déficitdéficit motor, compressão por massa/cisto ou denervação suspeita

Fonte: ESSR; peripheral nerve ultrasound consensus

Diagnósticos diferenciais úteis no cotovelo

Sintoma dominantePossibilidades comunsO que o ultrassom deve procurar
Dor lateralepicondilalgia lateral, lesão do complexo lateral, artrose radiocapitelar, nervo radialtendão extensor comum, calcificações, cortical, ligamento e ramo interósseo posterior
Dor medialepicondilalgia medial, ligamento colateral ulnar, nervo ulnar, arremessadortendão flexor-pronador, estresse em valgo, área do nervo ulnar e dinâmica
Dor posterior ou aumento de volumebursite olecraniana, gota, infecção, tríceps, impacto posteriorbursa, parede, debris, Doppler, tríceps e recesso posterior
Trauma com estalidorotura do bíceps distal, tríceps, avulsão, fratura ocultacontinuidade tendínea, gap, retração, derrame e cortical; radiografia se suspeita óssea
Parestesia ou fraquezaneuropatia ulnar, radial ou compressão por massa/cistoárea seccional, calibre, compressão focal, dinâmica, massa e músculos denervados
Rigidez, bloqueio ou derramesinovite, corpo livre, cristais, osteoartrose, artrite infecciosarecessos, Doppler, erosões, corpo livre visível e sinais de alerta sistêmico

Fonte: AIUM/ACR/SPR/SRU 2017; ESSR

Checklist didático do laudo de cotovelo

EtapaRegistrar
1. Indicação e ladodor lateral, medial, posterior, anterior, trauma, neuropatia, reumatologia, pós-operatório ou procedimento
2. Compartimentosanterior, lateral, medial e posterior; declarar se algum não foi avaliado
3. Tendões e ligamentosespessura, ecotextura, fibras remanescentes, calcificação, gap, retração, entese e estresse dinâmico
4. Nervos e Dopplernervo ulnar, nervo radial/ramo interósseo posterior, área seccional, dinâmica e hiperemia
5. Limitaçõesultrassom não substitui radiografia/ressonância para osso profundo, cartilagem, corpo livre intra-articular profundo ou instabilidade complexa

Fonte: AIUM/ACR/SPR/SRU 2017; ESSR

Pele / subcutâneo

Classificações e calculadoras

Lesões superficiais — aspecto típico

LesãoAspecto ao US
LipomaOval, compressível, iso/hiperecoico, septos lineares paralelos à pele, pouca vascularização
Cisto epidérmico/sebáceoSubcutâneo bem definido, conteúdo variável (anecoico→sólido), "submarine sign", reforço posterior

US p/ lipoma: sens. ~95% / espec. ~94%; cisto epidérmico: sens. ~80% / espec. ~95%. Sinais de alarme (sólido > 5 cm, vascularização caótica, crescimento) → investigar tumor.

Fonte: SRU Consensus 2021 (Radiology) / KJR

Lipedema / linfedema

O ultrassom não fecha o diagnóstico de lipedema (que é clínico), mas mede o subcutâneo, mostra o padrão de gordura e ajuda a diferenciar de linfedema (líquido/paralelepípedo) e de edema por outras causas. Compare sempre os dois lados e o gradiente coxa→tornozelo.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Espessura do subcutâneo — coxa (comparação)sem corte universal mmMuito dependente do IMC; o que importa é a simetria e o gradiente coxa→tornozelo. No lipedema o subcutâneo é desproporcionalmente espesso, simétrico e sem líquido.
Espessura dérmica≤ ~2 mmEspessamento dérmico com líquido subcutâneo favorece linfedema, não lipedema puro.usual: ≤2 mmlimítrofe: 2–3 mmespessada (componente linfático): >3 mm
Líquido subcutâneo (fendas/lagos anecoicos)ausente no lipedema puroPadrão em "paralelepípedo" ou lagos anecoicos indica componente linfático (linfedema ou lipolinfedema).

Classificações e calculadoras

Calculadora — apoio ao lipedema (clínico + US)

CorLeitura prática
VerdePadrão consistente com lipedema: gordura hipoecoica difusa, simétrica, sem líquido; pé poupado; Stemmer negativo.
AmareloProvável, mas com sobreposição/estágio avançado — documentar e correlacionar com a clínica.
VermelhoSinais de líquido/linfedema (fendas, lagos, pé acometido, Stemmer positivo): lipolinfedema — encaminhar para linfoterapia.

Lipedema é diagnóstico clínico. Não há classificação ultrassonográfica validada única; o US documenta o subcutâneo e afasta linfedema.

Fonte: Consenso europeu de lipedema 2020 (Phlebology) / Diretriz S1 alemã 2017

Estágios clínicos do lipedema

EstágioSuperfície da peleSubcutâneo
ILisa, regularEspessado e uniforme, gordura hipoecoica homogênea
IIIrregular, "colchão", nódulos palpáveisNódulos e septos mais evidentes
IIILobos de gordura deformantesGrandes lobos, distorção do contorno
IVLipedema + linfedema (lipolinfedema)Gordura + líquido/fibrose; pé pode ser acometido

O estágio clínico é da pele/tecido; a dor, a fadiga e o impacto funcional não seguem necessariamente o estágio. Tipos 1–5 descrevem a distribuição (quadril, coxa, panturrilha, braços).

Fonte: Consenso europeu 2020 / Wold-Allen 1951

Calculadora — estadiamento do linfedema (ISL)

CorLeitura prática
VerdeSem sinais US de linfedema (sem líquido, dérmis normal).
AmareloEdema inicial/reversível: fendas finas, Stemmer positivo, ainda depressível.
VermelhoEstabelecido: lagos anecoicos, dérmis espessada, fibrose (não depressível).

O US complementa a clínica; a linfocintilografia continua sendo o padrão para confirmar disfunção linfática.

Fonte: ISL Consensus 2020 (Lymphology)

Estágios ISL do linfedema

EstágioClínicaUS típico
0Latente/subclínico (sem edema visível)Sem líquido; pode haver leve espessamento
IEdema que reduz com elevação (cacifo)Fendas finas subcutâneas
IINão reduz espontaneamente; fibrose crescenteLagos anecoicos, dérmis espessada
IIIElefantíase, alterações cutâneasFibrose densa, líquido variável

Estadiamento ISL é clínico; o US ajuda a graduar o líquido/fibrose e a monitorar a terapia descongestiva.

Fonte: ISL Consensus 2020

Lipedema × linfedema — como diferenciar

CaracterísticaLipedemaLinfedema
SimetriaBilateral e simétricoFrequentemente assimétrico/unilateral
Pé/dorsoPoupado (sinal do manguito)Acometido
Sinal de StemmerNegativoPositivo
Dor à pressãoTípicaMenos comum
Líquido subcutâneo ao USAusentePresente (paralelepípedo/lagos)
Espessamento dérmicoAusente/discretoPresente

A coexistência (lipolinfedema) é comum em estágios avançados. Na dúvida, some os achados e considere linfocintilografia.

Fonte: Consenso europeu 2020 / ISL 2020

Ecocardiograma (transtorácico)

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Fração de ejeção do VE (FEVE)≥ 53 %normal ♂ 52–72 · ♀ 54–74
Diâmetro diastólico do VE (DDVE)♂ 42–58 · ♀ 38–52 mm
Septo / parede posterior (diástole)6–10 mm
Átrio esquerdo — diâmetro♂ ≤ 40 · ♀ ≤ 38 mmvolume indexado ≤ 34 mL/m²
Raiz da aorta (seios de Valsalva)♂ ≤ 40 · ♀ ≤ 36 mmidealmente indexar pela superfície corporal

Doppler transcraniano / ONSD

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
ACM — velocidade média< 120 cm/s> 120 suspeita vasoespasmo; > 200 crítico
Bainha do nervo óptico (ONSD)≤ 5 mm> 5,8 mm sugere hipertensão intracraniana

Classificações e calculadoras

Índice de Lindegaard (ACM/ACI) — vasoespasmo

RazãoInterpretação
< 3Hiperêmico / normal
3–4,5Vasoespasmo leve
4,5–6Vasoespasmo moderado
> 6Vasoespasmo grave

Fonte: J Vasc Surg / StatPearls

Ocular / oftalmológica

Use técnica sem pressão, gel abundante e preset ocular quando disponível. Se houver suspeita de globo aberto, não comprima o olho e priorize avaliação oftalmológica ou emergência; esta seção é apoio didático e não substitui exame oftalmológico.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Técnica segura — exame através da pálpebragel abundante, transdutor linear, sem pressão direta, preset ocularO transdutor deve flutuar sobre o gel. Em trauma, dor intensa ou suspeita de perfuração, a prioridade é não comprimir o globo ocular.seguro: sem pressão + preset ocularlimitação técnica: sem preset ocular ou janela ruimnão comprimir: suspeita de globo aberto
Varredura mínima para aprender a anatomiaplanos transversal e longitudinal, olho em repouso e com movimentos suavesIdentifique cristalino, vítreo, retina, parede posterior, nervo óptico e espaço atrás do globo antes de procurar patologia.
Bainha do nervo óptico — adulto≤ 5,0 mmMedir 3 mm atrás da retina/parede posterior do globo; idealmente medir os dois olhos e interpretar com clínica neurológica.normal consensual: ≤5,0 mmlimítrofe ou divergente: >5,0–5,7 mmalto risco para pressão intracraniana elevada: ≥5,8 mm
Bainha do nervo óptico — criança≤ 4,5 em 1–15 anos; ≤ 4,0 em menor de 1 ano mmPontos de corte pediátricos variam; use como triagem, não como diagnóstico isolado de pressão intracraniana.normal consensual: ≤4,5 mm criança; ≤4,0 mm lactentelimítrofe: até ~0,5 mm acima do corteanormal provável: claramente acima do corte + clínica
Elevação do disco óptico≤ 0,6 mmElevação acima de 0,6 mm favorece papiledema no contexto adequado; drusas do disco podem simular pseudopapiledema.sem elevação relevante: <0,4 mmzona cinzenta: 0,4–0,6 mmsuspeito para papiledema: >0,6 mm
Comprimento axial do olho adulto~22–24,5 mmVaria com refração, população e método. Valores muito longos sugerem miopia axial; valores curtos podem ocorrer em hipermetropia ou olhos pequenos.faixa usual adulta: 22–24,5 mmfora da média, correlacionar refração: 20,5–21,9 ou 24,6–26,4 mmmarcadamente fora da faixa: <20,5 ou ≥26,5 mm
Segmento posterior normalvítreo anecoico; retina fina e contínua na parede posterior; disco óptico como referênciaMovimento dinâmico do olho ajuda a separar membranas verdadeiras de ecos móveis no vítreo.
Massa intraocular — medidas obrigatóriasbase, altura, localização, refletividade, sombra e vascularidade quando indicadaMassa sólida, crescimento, calcificação em criança ou descolamento associado pedem avaliação oftalmológica especializada.sem massa: parede regularlesão indeterminada: documentar e compararalto risco: massa sólida, vascularizada, calcificada em criança ou em crescimento

Classificações e calculadoras

Assistente interativo — ultrassonografia ocular

SaídaCorLeitura
Normal provávelVerdeSem alerta, medidas dentro da faixa e segmento posterior sem membranas patológicas.
Atenção / indeterminadoAmareloMedida limítrofe, vítreo com ecos móveis, descolamento posterior do vítreo, técnica limitada ou indicação de trauma sem sinais de globo aberto.
UrgenteVermelhoSuspeita de globo aberto, descolamento de retina, corpo estranho, ausência de fluxo na artéria central da retina, hematoma retrobulbar, luxação do cristalino ou pressão intracraniana provável.

O botão Limpar reinicia o cálculo. A saída é uma triagem didática para padronizar raciocínio e comunicação; emergências oculares continuam dependentes de avaliação especializada.

Fonte: StatPearls / ACEP Sonoguide / EyeWiki

Mapa anatômico para leigos e aprendizes

EstruturaComo aparecePor que importa
CristalinoEstrutura biconvexa logo atrás da íris; normalmente centrada.Subluxação ou luxação pode ocorrer no trauma e altera visão.
VítreoConteúdo escuro/anecoico que preenche a maior parte do olho.Ecos móveis sugerem sangue, inflamação ou degeneração vítrea.
RetinaLinha fina junto à parede posterior; quando descola, vira membrana mais espessa presa ao disco óptico.Descolamento de retina é emergência, principalmente se a mácula ainda estiver aplicada.
CoroideCamada vascular profunda; descolamentos costumam ser convexos e não cruzam o disco óptico.Ajuda a diferenciar descolamento coroideano de descolamento de retina.
Nervo óptico e sua bainhaEstrutura escura atrás do globo; a bainha é medida 3 mm atrás da parede posterior.Aumento pode acompanhar pressão intracraniana elevada.
Artéria central da retinaFluxo ao Doppler dentro do nervo óptico, entrando no olho.Ausência/redução importante no contexto certo sugere oclusão arterial.

Fonte: EyeWiki / StatPearls / ACEP Sonoguide

Técnica segura passo a passo

PassoFazerEvitar
Antes de tocarPerguntar por trauma penetrante, cirurgia recente, dor intensa ou deformidade do globo.Pressão se houver suspeita de globo aberto.
PrepararCamada espessa de gel sobre a pálpebra fechada e transdutor linear.Contato seco ou compressão para “melhorar” a imagem.
ConfigurarPreset ocular/baixo índice mecânico e térmico quando disponível.Usar potência alta desnecessária.
VarreduraPlanos horizontal e vertical, com movimentos suaves do olhar para avaliar mobilidade.Concluir sem avaliar quadrantes e sem testar movimento.
MedirBainha do nervo óptico 3 mm atrás da retina; comprimento axial no eixo visual quando indicado.Medir oblíquo ou em imagem fora do eixo.

Fonte: ACEP Sonoguide / University of Iowa EyeRounds / StatPearls

Retina, vítreo e coroide — como diferenciar

AchadoPista ultrassonográficaConduta sugerida
Segmento posterior normalVítreo escuro, sem membrana; retina aplicada à parede.Correlacionar com exame clínico.
Hemorragia vítreaEcos móveis heterogêneos, mais evidentes com ganho alto e movimento do olho.Avaliar retina escondida; orientar oftalmologia conforme clínica.
Descolamento posterior do vítreoMembrana fina, muito móvel, que não fica presa ao disco óptico e pode cruzar a linha média.Diferenciar de retina; retorno urgente se flashes, campo escuro ou piora.
Descolamento de retinaMembrana mais espessa, presa ao disco óptico, frequentemente em V ou funil.Avaliação oftalmológica urgente; macula aplicada é mais tempo-sensível.
Descolamento coroideanoMembranas convexas espessas, podem parecer “kissing”, poupam o disco óptico.Correlacionar trauma, cirurgia, hipotonia ou inflamação; avaliação especializada.

Fonte: ACEP Sonoguide / StatPearls / EyeWiki

Emergências e alertas no ultrassom ocular

SituaçãoAchados úteisMensagem prática
Globo aberto / ruptura ocularContorno irregular, câmara anterior alterada, conteúdo extravasado; pode haver corpo estranho.Não comprimir. Interromper exame se a suspeita for alta.
Corpo estranho intraocularFoco muito ecogênico com sombra ou reverberação.Tratar como trauma penetrante até prova em contrário.
Luxação do cristalinoCristalino deslocado para câmara vítrea ou anterior, fora do eixo esperado.Associar a trauma, síndrome do tecido conjuntivo ou cirurgia.
Hematoma retrobulbarColeção atrás do globo, proptose; globo pode assumir formato em “ponta”.Emergência orbitária se houver dor, proptose ou queda visual.
Oclusão da artéria central da retinaFluxo ausente ou muito reduzido; às vezes foco hiperecogênico embólico perto do disco.Janela terapêutica curta; comunicação imediata.
Celulite orbitária / abscessoEspessamento de partes moles, coleção, restrição de movimento, dor.Ultrassom ajuda, mas tomografia/oftalmologia podem ser necessários.

Fonte: ACEP Sonoguide / StatPearls

Bainha do nervo óptico e papiledema — leitura por cores

MedidaVerdeAmareloVermelho
Adulto≤5,0 mm>5,0–5,7 mm≥5,8 mm
Criança 1–15 anos≤4,5 mm4,6–5,0 mm>5,0 mm + clínica
Menor de 1 ano≤4,0 mm4,1–4,5 mm>4,5 mm + clínica
Elevação do disco óptico<0,4 mm0,4–0,6 mm>0,6 mm

Esses cortes não substituem avaliação neurológica. Hidratação, hipercapnia, técnica, eixo da imagem e doença ocular podem alterar a medida.

Fonte: ACEP Sonoguide / StatPearls / revisão de bainha do nervo óptico

Biometria e massas — o que documentar

UsoDocumentarAtenção
Biometria ocularComprimento axial, método, olho direito/esquerdo e qualidade da medida.Diferença entre olhos e refração.
Meios opacosCatarata densa, hemorragia ou opacidade que impede fundoscopia.Ultrassom avalia retina oculta, mas não substitui exame completo.
Massa melanocítica ou sólidaBase, altura, forma, refletividade, sombra, líquido sub-retiniano e vascularidade.Crescimento ou sinais de atividade exigem especialista.
Criança com massa/calcificaçãoMassa intraocular ecogênica, calcificação ou descolamento associado.Pensar em retinoblastoma até prova em contrário.

Fonte: EyeWiki / Ophthalmologic ultrasound reviews

Checklist didático do laudo ocular

ItemPergunta que o laudo deve responder
Segurança/técnicaFoi exame transpalpebral, sem pressão, com limitação por dor/trauma?
Globo ocularContorno, volume e câmara anterior estão preservados?
CristalinoEstá centrado ou há subluxação/luxação?
VítreoEstá anecoico ou há ecos móveis compatíveis com sangue/inflamação?
Retina/coroideHá membrana? Ela fica presa ao disco óptico ou poupa o disco?
Nervo ópticoBainha e disco foram medidos quando havia indicação neurológica?
DopplerFluxo da artéria central da retina foi avaliado quando havia perda visual aguda?
ConclusãoA conclusão separa normal, indeterminado e urgente, com recomendação objetiva?

Fonte: StatPearls / ACEP Sonoguide / EyeWiki

POCUS beira-leito / UTI / emergência

POCUS responde perguntas focadas à beira-leito e deve ser integrado ao exame físico, sinais vitais, laboratório, evolução e protocolo local. Verde = achado tranquilizador nos campos preenchidos; amarelo = limítrofe, incompleto ou dependente do contexto; vermelho = achado crítico, especialmente em instabilidade, trauma ou parada.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Veia cava inferior — diâmetro e variação respiratória≤2,1 cm + >50%Padrão ecocardiográfico para estimar pressão atrial direita em respiração espontânea; não usar isoladamente para decidir volume, especialmente em ventilação mecânica, atletas, hipertensão pulmonar ou disfunção do ventrículo direito.pressão direita baixa ou normal: ≤2,1 cm e colapso >50%intermediário ou contexto: diâmetro e colapso discordantescongestão provável no contexto agudo: >2,1 cm e colapso <50% + clínica
Veia cava inferior — distensibilidade em pressão positiva≥18 %Em ventilação com pressão positiva, variação elevada pode sugerir responsividade a volume em alguns estudos, mas depende de ritmo, volume corrente, pressão, complacência pulmonar, pressão abdominal e função do ventrículo direito.baixa variação: <18%possível responsividade: ≥18%não usar isoladamente se choque grave: integrar coração e pulmão
FAST/eFAST — janelas mínimaspericárdio, quadrante superior direito, quadrante superior esquerdo, pelve, pleuras e deslizamento pulmonarO objetivo é detectar líquido livre pericárdico, pleural ou intraperitoneal e pneumotórax. Em trauma instável, qualquer achado positivo muda prioridade de ressuscitação e equipe.completo e negativo: todas as janelas avaliadas sem líquido ou pneumotóraxincompleto ou seriado: janela ruim, achado duvidoso ou repetirpositivo em instabilidade: líquido livre, hemotórax, pneumotórax ou pericárdio
Derrame pericárdico — espessura diastólica<1 / 1–2 / >2 cmClassificação didática: pequeno, moderado e grande. A gravidade não depende só da espessura: colapso de câmaras direitas, veia cava túrgida, variação respiratória exagerada e instabilidade sugerem tamponamento.sem derrame: pericárdio sem líquidopequeno ou moderado estável: <2 cm sem colapsoalto risco: >2 cm, hemopericárdio ou sinais de tamponamento
Pulmão — linhas B≥3 por espaço intercostal ou campoMenos de três linhas B em um espaço costuma ser normal. Padrão bilateral difuso favorece edema; padrão focal favorece pneumonia, contusão, infarto, atelectasia ou doença pleural.pulmão aerado: 0–2síndrome intersticial: ≥3edema difuso com insuficiência respiratória: padrão bilateral + clínica
Pneumotórax — sinais principaisdeslizamento ausente, linhas B ausentes, código de barras e ponto pulmonarDeslizamento pleural presente exclui pneumotórax naquele ponto. Ponto pulmonar é muito específico no contexto correto; ausência de deslizamento isolada não é específica.deslizamento presente: pneumotórax excluído naquele pontodeslizamento ausente isolado: pode ser atelectasia, apneia, intubação seletiva ou aderênciapneumotórax provável: ponto pulmonar ou código de barras + clínica
Líquido livre abdominal em traumaqualquer líquido livre é FAST positivoFAST é mais útil no paciente instável. No estável, FAST negativo não exclui lesão abdominal; considerar tomografia, observação e exame seriado conforme protocolo.sem líquido nas janelas avaliadas: FAST negativo nos campos preenchidostraço ou janela limitada: repetir ou complementarlíquido livre em instabilidade: acionar protocolo de trauma/choque
Aorta abdominal no POCUS — maior diâmetro externo<3,0 cmMedir de parede externa a parede externa, varrendo aorta proximal, média e distal até a bifurcação. Aneurisma é definido a partir de 3,0 cm; 2,5–2,9 cm fica como ectasia/limítrofe.sem aneurisma se exame completo: <2,5 cmectasia ou zona de comparação: 2,5–2,9 cmaneurisma abdominal: ≥3,0 cm
Compressão venosa proximal para tromboseparedes devem tocarVeia femoral comum, femoral/profunda na junção e poplítea devem colabar completamente com compressão perpendicular. Veia proximal não compressível é achado anormal; exame incompleto deve ser repetido ou complementado conforme risco.compressível: paredes encostam nos pontos avaliadosindeterminado: dor, obesidade, compressão oblíqua ou janela incompletanão compressível: compatível com trombose venosa profunda proximal
Escore pulmonar semiquantitativo0–36Quando o serviço usa 12 zonas, cada zona recebe 0 a 3: linhas A ou até duas linhas B, três ou mais linhas B, linhas B coalescentes e consolidação. O corte de gravidade varia por população; use principalmente para tendência e perda de aeração.baixo nos campos preenchidos: 0–5intermediário / acompanhar tendência: 6–15alto em contexto respiratório: >15 + clínica
Procedimentos guiados à beira-leitojanela segura + profundidade + vasosPara acesso vascular, toracocentese, paracentese, pericardiocentese e drenagens, registrar alvo, profundidade, trajeto da agulha, estruturas a evitar, Doppler quando útil e complicações imediatas.

Classificações e calculadoras

Calculadora — função diafragmática (POCUS)

ParâmetroNormalDisfunção
Fração de espessamento≥ 30%< 20%
Espessura expiratória≥ 1,5 mm< 1,5 mm (atrofia)
Excursão (respiração tranquila)≥ 10–15 mm< 10 mm

FE% = (espessura inspiratória − expiratória)/expiratória. Útil no desmame difícil, dispneia inexplicada e suspeita de paralisia frênica. Baixo esforço na ventilação mecânica reduz a FE sem doença.

Fonte: Boon (Muscle Nerve) / ATS diaphragm US reviews

Trauma — FAST/eFAST e graduação AAST

ItemLeitura
FAST negativoSem líquido livre nas janelas; não exclui lesão — repetir/seriar se instável.
FAST positivo + instávelLíquido livre → laparotomia; muda prioridade de ressuscitação.
AAST I–II (baço/fígado/rim)Laceração superficial/hematoma pequeno; muitas vezes manejo não operatório.
AAST IV–VLaceração profunda, desvascularização ou lesão hilar; alto risco cirúrgico/embolização.

O US não gradua bem a lesão parenquimatosa — a graduação AAST é tomográfica/cirúrgica. O eFAST detecta líquido livre e pneumotórax; use CEUS/TC para caracterizar órgão sólido.

Fonte: AAST Organ Injury Scale (rev. 2018) / ACEP eFAST

Assistente interativo — POCUS agudo, FAST/eFAST, veia cava, tórax, aorta e trombose

SaídaCorLeitura
POCUS sem achado crítico nos campos preenchidosVerdeDeslizamento pleural presente, FAST negativo nas janelas avaliadas, aorta abaixo de 3,0 cm se examinada, veias compressíveis se testadas e sem alerta selecionado.
POCUS limítrofe, incompleto ou dependente do contextoAmareloVeia cava intermediária, janela não avaliada, traço de líquido, derrame pericárdico pequeno/moderado estável, linhas B focais, aorta ectásica, compressão venosa indeterminada ou necessidade de repetição seriada.
POCUS com achado crítico ou anormal relevanteVermelhoLíquido livre em trauma/choque, hemotórax, pneumotórax provável, tamponamento, função cardíaca muito reduzida, atividade cardíaca ausente, ventrículo direito sobrecarregado, aorta ≥3,0 cm ou veia proximal não compressível.

A calculadora organiza achados para comunicação rápida. Em emergência, o resultado deve ser confirmado no monitor, no paciente e no protocolo institucional antes de qualquer decisão invasiva.

Fonte: ACEP POCUS guidelines / ACEP Sonoguide / ASE POCUS nomenclature

Calculadora interativa — derrame pleural no POCUS

MétodoComo medirFórmula / uso
Balik — supinoSeparação pleural máxima em milímetros, no maior bolsão livre.Volume estimado = 20 × separação em milímetros. Útil à beira-leito; erro médio relevante, não substitui drenagem medida.
Goecke 1 — sentadoAltura craniocaudal do derrame em centímetros.Volume estimado = altura × 90. Simples, mas menos completo que somar a distância subpulmonar.
Goecke 2 / Hassan — sentadoAltura lateral + distância entre base pulmonar e diafragma, em centímetros.Volume estimado = (altura + distância) × 70. Boa correlação em estudos de drenagem, ainda assim é estimativa.
Não usar só a fórmulaSeptações, ecos internos, nódulos pleurais, trauma, febre ou dispneia importante.A cor deve ser guiada pela complexidade e pela clínica; volume grande não define etiologia.

Documente lado, posição do paciente, janela usada, medida que alimentou a fórmula e se o líquido é livre ou loculado.

Fonte: Balik 2006 / Ibitoye 2018 / Hassan 2017 / EFSUMB / ERS

FAST/eFAST — protocolo e leitura por cores

JanelaO que procuraLeitura por cores
PericárdioLíquido entre coração e pericárdio, principalmente na janela subxifoide ou paraesternal.Verde se ausente; vermelho se trauma penetrante, instabilidade ou sinais de tamponamento.
Quadrante superior direitoEspaço hepatorrenal, ponta inferior do fígado e região subdiafragmática/pleural direita.Líquido livre é positivo; em choque/trauma deve ser comunicado imediatamente.
Quadrante superior esquerdoRegião periesplênica, subdiafragmática esquerda e pleural esquerda.Janela mais difícil; líquido ao redor do baço ou acima do diafragma é relevante.
PelveLíquido posterior à bexiga, fundo de saco ou espaço retovesical.Pode ser a primeira janela positiva; bexiga vazia reduz sensibilidade.
Tórax do eFASTHemotórax acima do diafragma e pneumotórax por ausência de deslizamento, código de barras ou ponto pulmonar.Ponto pulmonar ou hemotórax em trauma instável é vermelho.
Exame seriadoRepetir após piora, intervenção, reposicionamento ou janela inicialmente limitada.Amarelo quando incompleto; verde ou vermelho depende da repetição.

Fonte: ACEP FAST Sonoguide / trauma POCUS reviews

Veia cava inferior — interpretação didática

AchadoCorComo usar
≤2,1 cm + colapso >50%VerdeSugere pressão atrial direita baixa/normal em respiração espontânea, se a imagem e o contexto forem adequados.
Discordante ou intermediárioAmareloNão decidir volume pela veia cava sozinha; procurar coração hiperdinâmico/reduzido, linhas B, perfusão, lactato e resposta clínica.
>2,1 cm + colapso <50%Vermelho se instávelSugere pressão direita elevada/congestão; em choque pensar em obstrução, tamponamento, falência direita, embolia pulmonar ou excesso de volume.
Distensibilidade ≥18% em pressão positivaAmareloPode sugerir responsividade a volume em algumas condições; perde confiabilidade com baixo volume corrente, arritmia, hipertensão abdominal ou disfunção direita.

Fonte: ASE right-heart guideline / critical-care IVC studies

Pericárdio e tamponamento

AchadoInterpretaçãoPrioridade
Sem líquido pericárdicoAchado tranquilizador para a pergunta “há derrame?”Verde se a janela é adequada.
Derrame pequenoMenor que 1 cm; medir e correlacionar sintomas, neoplasia, uremia, pós-operatório ou inflamação.Amarelo, salvo trauma penetrante ou piora.
Derrame moderadoEntre 1 e 2 cm; procurar colapso de câmaras direitas e veia cava túrgida.Amarelo ou vermelho conforme estabilidade.
Grande, complexo ou hemopericárdioMaior que 2 cm, coágulos ou trauma aumentam risco.Vermelho em cenário agudo.
Sinais de tamponamentoColapso diastólico de ventrículo direito, colapso sistólico de átrio direito, veia cava túrgida ou instabilidade compatível.Comunicação imediata.

Fonte: ACEP cardiac tamponade / ASE POCUS nomenclature

Pulmão POCUS — perfis úteis

PerfilAchadosLeitura prática
Linhas A com deslizamentoArtefatos horizontais e pleura deslizando.Pulmão aerado naquele ponto; pode ser normal ou obstrutivo conforme clínica.
Linhas B difusas bilateraisTrês ou mais linhas B por espaço/campo em várias zonas.Favorece edema intersticial; vermelho se houver insuficiência respiratória grave.
Linhas B focais ou consolidaçãoPadrão assimétrico, pleura irregular, broncograma aéreo dinâmico ou consolidação subpleural.Pensar em pneumonia, contusão, atelectasia, infarto ou doença pleural.
Pneumotórax provávelDeslizamento ausente com linhas B ausentes, código de barras e/ou ponto pulmonar.Vermelho em trauma, ventilação ou instabilidade.
Derrame pleuralLíquido anecoico ou complexo acima do diafragma.Usar calculadora de volume como estimativa; complexidade e sintomas definem urgência.

Fonte: ACEP Lung Sonoguide / BLUE protocol / lung ultrasound recommendations

Aorta e trombose venosa no POCUS de choque/dispneia

PerguntaVerdeAmareloVermelho
Aorta abdominal<2,5 cm e varredura completa de parede externa a parede externa.2,5–2,9 cm: ectasia/limítrofe; comparar e documentar técnica.≥3,0 cm: aneurisma. Dor, hipotensão ou síncope tornam o achado crítico.
Dissecção/ruptura suspeitaSem sinais indiretos e clínica baixa, se exame completo.Exame limitado por gás/dor: não excluir catástrofe vascular.Flap, hematoma, líquido livre, dor intensa ou choque: via vascular/emergência.
Trombose venosa proximalVeias femoral e poplítea compressíveis nos pontos avaliados.Compressão incompleta, dor, obesidade, veia duplicada ou janela parcial.Veia proximal não compressível ou trombo visível: compatível com trombose venosa profunda.
Integração com embolia pulmonarSem trombose e ventrículo direito sem dilatação reduz probabilidade, mas não exclui.Dispneia com achados discordantes exige protocolo clínico.Trombose proximal + ventrículo direito dilatado/choque aumenta suspeita de embolia pulmonar relevante.

POCUS vascular é excelente para perguntas focadas, mas exame limitado não substitui Doppler vascular completo ou tomografia quando a suspeita permanece alta.

Fonte: ACEP Aorta Sonoguide / ACEP DVT Sonoguide / ACEP POCUS guidelines

Escore pulmonar — perda de aeração por zona

Pontuação da zonaAchado ultrassonográficoLeitura
0Linhas A ou até duas linhas B com deslizamento.Aeração preservada naquele ponto.
1Três ou mais linhas B bem separadas.Perda leve de aeração / síndrome intersticial inicial.
2Linhas B coalescentes ou “pulmão branco” parcial.Perda moderada a importante; acompanhar tendência e distribuição.
3Padrão tecido/consolidação subpleural.Perda intensa de aeração; correlacionar pneumonia, atelectasia, contusão, infarto ou edema grave.

A soma 0–36 pressupõe 12 zonas. Cortes absolutos variam por população; para emergência/UTI, a tendência seriada costuma ser mais útil que uma única medida.

Fonte: ACEP Lung Sonoguide / lung ultrasound score literature

Procedimentos guiados — checklist de segurança

ProcedimentoAntes da punçãoDurante/depois
Acesso vascularIdentificar veia e artéria, compressibilidade, trombo, profundidade e trajeto livre.Preferir visualização da ponta da agulha; confirmar fluxo/posição conforme protocolo.
ToracocenteseConfirmar líquido livre, diafragma, pulmão, profundidade e vasos intercostais quando possível.Reavaliar deslizamento pulmonar e complicações após o procedimento.
ParacenteseMapear ascite, alças, bexiga, vasos epigástricos e espessura da parede.Registrar sítio, profundidade, líquido livre/loculado e tolerância.
PericardiocenteseDefinir maior bolsão, relação com fígado/pulmão/coronárias e janela mais segura.Em tamponamento, comunicação e equipe treinada são prioridade; POCUS guia, mas não substitui protocolo institucional.
Drenagem de abscesso ou coleçãoConfirmar líquido, septações, gás, vasos e estruturas profundas.Documentar trajeto, conteúdo aspirado e se houve complicação imediata.

Fonte: ACEP POCUS guidelines / ACEP procedural ultrasound guidance

Choque indiferenciado — integração tipo RUSH

PerguntaAchado POCUSInterpretação
BombaFunção ventricular muito reduzida, atividade ausente ou derrame com tamponamento.Pensar em choque cardiogênico, parada sem atividade efetiva ou obstrutivo.
TanqueVeia cava muito pequena/colapsável, líquido livre, aneurisma de aorta ou congestão pulmonar.Separar hipovolemia, hemorragia, congestão e causas vasculares.
TubosTrombose venosa profunda, ventrículo direito dilatado, pneumotórax ou aneurisma de aorta.Aumenta suspeita de embolia pulmonar, obstrução ou catástrofe vascular.
PulmãoLinhas B difusas, consolidação, derrame ou deslizamento ausente.Ajuda a escolher entre volume, vasopressor, ventilação e drenagem conforme protocolo.

Fonte: ACEP POCUS guidelines / RUSH literature / BLUE protocol

Checklist de documentação POCUS

ItemO que registrar
Pergunta clínicaChoque, trauma, dispneia, parada, sepse, procedimento ou reavaliação seriada.
TécnicaTransdutor, janelas obtidas, posição do paciente, ventilação e limitações.
Achados positivos e negativosCitar líquido livre, pericárdio, deslizamento pleural, linhas B, função cardíaca, veia cava, aorta e compressão venosa quando avaliados.
Medidas e cálculosDiâmetros da veia cava, índice de colapso/distensibilidade, espessura do derrame, variação mitral, aorta, escore pulmonar e estimativa de derrame pleural quando útil.
Integração clínicaDizer se o achado muda conduta imediata, pede exame complementar, repetição seriada ou comunicação urgente.

Fonte: ACEP POCUS guidelines / ASE POCUS nomenclature

Pulmão / tórax (POCUS)

Internacional: as diretrizes de pleura concordam que o ultrassom é essencial para localizar líquido, guiar procedimentos e reconhecer sinais de complexidade, mas não há uma fórmula única universal para volume. Use a calculadora como estimativa, e documente posição do paciente e técnica de medida.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Derrame pleural — separação interpleural máximamedir mmMaior distância entre pleura parietal e visceral no maior bolsão livre; base da fórmula de Balik em supino.sem líquido mensurável: <10 mmestimável, depende do contexto: 10–30 mmgrande ou sintomático: >30 mm + clínica
Derrame pleural — altura craniocaudalmedir cmNo paciente sentado ou ortostático, medir a extensão vertical do líquido na parede torácica lateral/dorsolateral.não mensurável: 0 cmpequeno a moderado: <10 cmgrande, correlacionar sintomas: ≥10 cm
Distância base pulmonar–diafragmamedir cmDistância subpulmonar usada nas fórmulas de Goecke 2 e Hassan; melhora a estimativa quando somada à altura lateral.
Linhas B≥ 3 por espaço ou campoBilateral e difuso favorece edema intersticial; focal ou assimétrico favorece pneumonia, contusão, atelectasia ou fibrose.poucas/isoladas: 0–2síndrome intersticial: ≥3padrão difuso com desconforto: urgência clínica
Espessamento pleural ou diafragmático nodular> 10 mmQuando associado a nódulos pleurais/diafragmáticos ou derrame complexo, é sinal suspeito para malignidade; líquido deve ser analisado quando indicado.sem espessamento/nódulo: ausenteespessamento liso/contextual: <10 mmsuspeito: >10 mm ou nodular

Classificações e calculadoras

Calculadora interativa — derrame pleural

MétodoComo medirFórmula / uso
Balik — supinoSeparação pleural máxima em milímetros, no maior bolsão livre.Volume estimado = 20 × separação em milímetros. Útil à beira-leito; erro médio relevante, não substitui drenagem medida.
Eibenberger — supinoSeparação entre pulmão e parede posterior em milímetros.Volume estimado = 47,6 × separação − 837. Pode ficar negativo em volumes pequenos; use como comparação.
Goecke 1 — sentadoAltura craniocaudal do derrame em centímetros.Volume estimado = altura × 90. Simples, mas menos completo que somar a distância subpulmonar.
Goecke 2 / Hassan — sentadoAltura lateral + distância entre base pulmonar e diafragma, em centímetros.Volume estimado = (altura + distância) × 70. Boa correlação em estudos de drenagem, ainda assim é estimativa.
Não usar só a fórmulaSeptações, ecos internos, nódulos pleurais, trauma, febre ou dispneia importante.A cor deve ser guiada pela complexidade e pela clínica; volume grande não define etiologia.

Documente lado, posição do paciente, janela usada, medida que alimentou a fórmula e se o líquido é livre ou loculado.

Fonte: Balik 2006 / Ibitoye 2018 / Hassan 2017 / EFSUMB / ERS

Derrame pleural — aspecto ecográfico e significado

AspectoInterpretação práticaCor
Sem líquido pleural mensurávelNormal para a pergunta “há derrame?”; ainda avaliar deslizamento pleural, linhas e consolidações conforme sintomas.Verde: consenso de normalidade para derrame.
Anecoico, livre, móvelPode ser transudato ou exsudato; ultrassom não fecha etiologia sem contexto clínico/laboratorial.Amarelo: anormal, mas não necessariamente complicado.
Complexo sem septaçõesEcos/debris podem ocorrer em exsudato, hemotórax antigo, inflamação ou malignidade; correlacionar.Amarelo: zona contextual.
Septado, loculado ou com debris espessoSugere derrame complicado, empiema organizado ou hemotórax; drenagem pode ser difícil e a punção diagnóstica costuma ser relevante.Vermelho quando há infecção, trauma, loculação importante ou piora clínica.
Nódulos pleurais/diafragmáticos ou espessamento nodular >10 mmAchado suspeito para malignidade, especialmente com derrame recorrente ou unilateral.Vermelho: consenso de anormalidade suspeita.

Fonte: EFSUMB chest ultrasound / ERS statement / BTS pleural disease

Sinais pulmonares — interpretação didática

SinalComo reconhecerInterpretação
Deslizamento pleural presenteLinha pleural cintila/move com a respiração.Exclui pneumotórax naquele ponto examinado.
Linhas A com deslizamentoArtefatos horizontais repetidos abaixo da linha pleural.Pulmão aerado naquele ponto; pode ser normal ou obstrutivo conforme clínica.
Três ou mais linhas BArtefatos verticais que nascem da pleura, apagam linhas A e vão até o fundo da tela.Síndrome intersticial: edema se bilateral/difusa; pneumonia, contusão ou fibrose se focal/assimétrica.
Ausência de deslizamento + ponto pulmonarTransição entre área sem deslizamento e área com deslizamento.Muito específico para pneumotórax no contexto correto.
Consolidação subpleural com broncograma aéreo dinâmicoÁrea semelhante a tecido com pontos/linhas hiperecogênicas móveis.Favorece pneumonia; diferenciar de atelectasia pelo movimento do ar e contexto.

Fonte: BLUE protocol / ERS thoracic ultrasound / EFSUMB

Técnica e checklist do laudo de tórax

ItemO que registrar
Janelas examinadasAnterior, lateral e posterior quando possível; no leito, descrever limitações de decúbito.
Derrame pleuralLado, volume estimado, fórmula usada, posição do paciente, livre ou loculado, aspecto anecoico/complexo.
InterstícioDistribuição das linhas B: focal, multifocal ou difusa; simetria e relação com linha pleural.
Alertas imediatosPneumotórax provável, derrame complexo infectado, hemotórax suspeito, grande derrame com desconforto ou sinais suspeitos de malignidade.

Fonte: BTS pleural procedures 2023 / ERS / EFSUMB

Sinais pulmonares — interpretação (BLUE)

SinalInterpretação
Deslizamento pleural presenteDescarta pneumotórax naquele ponto
Linhas A (horizontais)Pulmão aerado normal (ou pneumotórax se sem deslizamento)
≥ 3 linhas B por campoSíndrome intersticial (edema, pneumonia, fibrose)
Sem deslizamento + ponto pulmonarPneumotórax (ponto pulmonar é específico)
Coleção anecoica acima do diafragmaDerrame pleural (sinais cortina/quad/sinusoide)

Fonte: Lichtenstein BLUE / Radiopaedia

Ovário policístico (SOP)

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Folículos por ovário (FNPO)≥ 20 folículos 2–9 mmcritério ecográfico de SOP (atualização 2018; antes ≥ 12)
Volume ovariano≥ 10 mLcritério alternativo (sem cisto/corpo lúteo)

Classificações e calculadoras

Rotterdam — diagnóstico de SOP (2 de 3)

CritérioDefinição
Oligo/anovulaçãoclínico
Hiperandrogenismoclínico ou laboratorial
Ovários policísticos ao USFNPO ≥ 20 OU volume ≥ 10 mL

Precisa de 2 dos 3 + exclusão de outras causas. Não usar o critério ecográfico em < 8 anos pós-menarca.

Fonte: Intl Evidence-based Guideline (ESHRE/ASRM)

Artérias renais (Doppler nativo)

Os pontos de corte para estenose da artéria renal variam entre serviços e diretrizes. Para manter segurança internacional: valores claramente normais ficam em verde; velocidades de pico entre 180 e 199 cm/s, razão renal/aorta próxima de 3,5 ou achados isolados ficam em amarelo; combinação de velocidade elevada, razão renal/aorta igual ou maior que 3,5, turbulência pós-estenótica ou onda tardus-parvus fica em vermelho. O Doppler deve ser interpretado junto ao contexto clínico, função renal, assimetria renal e qualidade da janela.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Quando o exame costuma ser indicadoHipertensão arterial resistente ou de início abrupto; piora progressiva ou inesperada da função renal; queda da função renal após inibidor da enzima conversora ou bloqueador do receptor da angiotensina; sopro abdominal; diferença de tamanho renal maior que 2 cm; seguimento de estenose conhecida, angioplastia ou stent; suspeita de infarto renal, dissecção aórtica, aneurisma, pseudoaneurisma, fístula arteriovenosa ou doença venosa renal.Em suspeita de hipertensão renovascular, o Doppler é uma opção inicial amplamente aceita quando há janela adequada.
Protocolo técnico mínimoMedir o maior comprimento de cada rim; avaliar a aorta no nível das artérias renais; mapear artérias renais principais desde a origem até o hilo, incluindo segmentos proximal, médio e distal; procurar artérias acessórias quando possível; registrar ondas intrarrenais em polos superior, médio e inferior; corrigir o ângulo Doppler e manter até 60 graus.Se um segmento não for visto, o laudo deve dizer isso claramente, em vez de assumir normalidade.
Velocidade sistólica de pico na artéria renal principal< 180 cm/sGeralmente normal quando isolado e com forma de onda preservada. Entre 180 e 199 cm/s é zona limítrofe em muitos protocolos; 200 cm/s ou mais aumenta a suspeita de estenose hemodinamicamente relevante, sobretudo com razão renal/aorta elevada.
Razão renal/aorta< 3,5Usa a maior velocidade sistólica na artéria renal dividida pela velocidade sistólica da aorta no nível das artérias renais. Razão igual ou maior que 3,5 é critério forte para estenose significativa quando a velocidade aórtica é confiável.
Tempo de aceleração intrarrenal≤ 70 msTempo maior que 70 ms, principalmente com onda tardus-parvus, sugere estenose proximal. Isoladamente pode ser limítrofe e deve ser comparado com critérios diretos.
Índice de aceleração intrarrenal≥ 300 cm/s²Valores menores que 300 cm/s² reforçam padrão tardus-parvus, mas são mais úteis quando combinados com tempo de aceleração prolongado e critérios diretos.
Índice de resistividade intrarrenalHabitualmente < 0,70Entre 0,70 e 0,79 sugere aumento de resistência parenquimatosa ou contexto clínico relevante. Igual ou maior que 0,80 é anormal e costuma refletir doença parenquimatosa crônica ou pior prognóstico, mas não confirma estenose isoladamente.
Comprimento renal e assimetriaAdulto usual: 9 a 12 cm; diferença > 2 cm é relevanteRim pequeno, assimetria maior que 2 cm ou perda cortical aumentam a suspeita de doença crônica, isquemia renal ou sequela de estenose de longa duração.

Classificações e calculadoras

Calculadora didática — Doppler das artérias renais

Critérios diretos para estenose da artéria renal

Critérios indiretos intrarrenais

Índice de resistividade e parênquima renal

Armadilhas e diagnósticos diferenciais

Após angioplastia ou stent renal

Checklist de laudo

Transplante renal (Doppler)

Os protocolos internacionais convergem no exame técnico completo, mas não há corte único universal para estenose da artéria do enxerto. A leitura deve combinar fase pós-transplante, velocidade focal, razão artéria do enxerto/artéria ilíaca, aliasing, onda intrarrenal tardus-parvus, índice de resistividade, função renal e comparação com exames anteriores.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Protocolo técnico mínimoEscala de cinza + Doppler colorido + Doppler espectralDocumentar tamanho do enxerto, parênquima, sistema coletor, bexiga/ureter quando aplicável, espaço perienxerto, artéria e veia do enxerto, anastomoses, artéria/veia ilíacas adjacentes e ondas intrarrenais em polos superior, médio e inferior.
Velocidade sistólica de pico na artéria do enxerto<200 / 200-249 / 250-299 / >=300 cm/sValor isolado tem falso positivo, principalmente no pós-operatório imediato ou em artéria tortuosa. O risco sobe quando há aceleração focal com aliasing, razão com a ilíaca >=2,0 e onda intrarrenal tardus-parvus.habitualmente normal: <200 cm/slimítrofe ou dependente do contexto: 200-249 cm/ssuspeito se isolado: 250-299 cm/sforte quando combinado a critérios diretos/indiretos: >=300 cm/s ou >=250 cm/s + aliasing/razão alta/tardus-parvus
Razão artéria do enxerto / artéria ilíaca<1,8 / 1,8-1,99 / >=2,0Ajuda a reduzir falso positivo por débito alto ou velocidades sistêmicas elevadas. Medir a artéria ilíaca adjacente à anastomose e usar sempre a mesma técnica nos seguimentos.sem critério proporcional: <1,8zona cinzenta: 1,8-1,99anormal quando há aceleração focal: >=2,0
Onda intrarrenal tardus-parvusTempo de aceleração >70 ms ou índice de aceleração <300 cm/s²É critério indireto; ganha peso quando aparece distal a uma aceleração focal. Também pode ocorrer por estenose ilíaca proximal, hipotensão ou técnica subótima.onda preservada: subida sistólica rápidaisolado ou técnico: tempo >70 ms ou índice <300 sem jato focalcritério indireto forte: tardus-parvus + velocidade/razão alta
Índice de resistividade intrarrenal0,60-0,70 / 0,70-0,80 / >0,80Não separa sozinho rejeição, necrose tubular, toxicidade medicamentosa, obstrução, compressão venosa ou congestão sistêmica. Tendência e contexto clínico valem mais que uma medida isolada.frequente em enxerto estável: 0,60-0,70limítrofe ou inespecífico: 0,70-0,80elevado, correlacionar: >0,80preocupante se persistente ou com disfunção: >=0,90, fluxo diastólico ausente/reverso
Veia renal do enxertoFluxo venoso presente, sem trombo e sem aceleração focal marcadaAusência de fluxo venoso, trombo, aumento importante do enxerto e fluxo diastólico arterial reverso são achados críticos e devem ser comunicados.normal: veia pérviaavaliar compressão ou técnica: aceleração focal sem trombocrítico: sem fluxo, trombo ou fluxo diastólico arterial reverso
Sistema coletor e coleções perienxertoDescrever grau, tamanho, localização e efeito compressivoDilatação leve pode ser transitória; dilatação moderada/importante, coleção complexa ou coleção compressiva muda a conduta, especialmente com dor, febre, queda de diurese ou creatinina em ascensão.sem achado relevante: sem dilatação e sem coleção compressivaacompanhar/correlacionar: dilatação leve ou coleção simples pequenaanormal relevante: dilatação importante, coleção complexa ou compressiva

Classificações e calculadoras

Calculador interativo — Doppler do transplante renal

Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU 2024 / Clinical Radiology 2003 / AJR 2017 / UT Southwestern 2020

Checklist de aquisição

EtapaO que registrar
Escala de cinzaLocalização do enxerto, comprimento, espessura/eco cortical, diferenciação corticomedular, seio renal, sistema coletor, ureter/stent quando visível, bexiga e resíduo se indicado.
Espaço perienxertoPesquisar hematoma, seroma, linfoceles, urinoma ou abscesso; medir, localizar e descrever complexidade e efeito compressivo.
Doppler arterialMedir artéria ilíaca adjacente, anastomose, artéria do enxerto proximal, média e hilar; procurar múltiplas artérias, kinking, aliasing e turbulência.
Doppler intrarrenalRegistrar ondas nos polos superior, médio e inferior, com índice de resistividade, tempo de aceleração e índice de aceleração quando a pergunta for estenose.
Doppler venosoConfirmar veia renal e veia ilíaca pérvias, sem trombo; em hematuria ou biópsia recente, pesquisar fístula arteriovenosa e pseudoaneurisma.

Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU 2024 / UT Southwestern 2020

Estenose da artéria do enxerto — leitura por cores

CorCritérios práticosComo escrever
VerdeSem aceleração focal relevante; velocidade <200 cm/s; razão com ilíaca <1,8; sem tardus-parvus distal.Sem critérios ultrassonográficos para estenose hemodinamicamente significativa no estudo atual.
AmareloVelocidade 200-249 cm/s, ou 250-299 cm/s isolada no pós-operatório/surveillance, ou razão limítrofe, especialmente com tortuosidade ou ângulo difícil.Achado limítrofe/contextual; correlacionar com função renal, pressão arterial e Doppler prévio.
VermelhoVelocidade >=300 cm/s, ou >=250 cm/s associada a aliasing/turbulência, razão >=2,0 e onda intrarrenal tardus-parvus.Conjunto de achados suspeito para estenose hemodinamicamente significativa; comunicar e considerar confirmação conforme protocolo local.

Fonte: Clinical Radiology 2003 / AJR 2017 / UT Southwestern 2020

Índice de resistividade — interpretação cautelosa

FaixaCorComentário
0,60-0,70VerdeFaixa comum em enxertos estáveis, mas sempre comparar com basal e quadro clínico.
0,70-0,80AmareloZona intermediária; pode ser normal em alguns pacientes e alterada em outros.
>0,80AmareloElevado e inespecífico: rejeição, necrose tubular, toxicidade, obstrução, compressão venosa, congestão sistêmica e fatores cardiovasculares podem se sobrepor.
>=0,90 ou diástole ausente/reversaVermelhoAchado preocupante quando persistente ou associado a disfunção; fluxo diastólico reverso exige comunicação rápida.

Fonte: UT Southwestern 2020 / Radiopaedia / review literature

Complicações que exigem comunicação

AchadoPor que importaCor
Sem fluxo arterial no enxertoPode representar trombose arterial, complicação técnica ou hipoperfusão grave.Vermelho
Sem fluxo venoso ou trombo na veia renalPode causar congestão aguda do enxerto e perda funcional rápida.Vermelho
Fluxo diastólico arterial reversoPode ocorrer em trombose venosa, rejeição grave, edema/pressão elevada ou compressão significativa.Vermelho
Coleção complexa, infectada ou compressivaPode indicar hematoma, abscesso, urinoma ou linfoceles com efeito sobre ureter/vasos.Vermelho
Fístula arteriovenosa ou pseudoaneurisma pós-biópsiaPode causar hematuria, roubo vascular, crescimento ou necessidade de embolização.Amarelo/Vermelho

Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU 2024 / UT Southwestern 2020 / vascular complication reviews

Modelo didático de conclusão

Fonte: SonoAI synthesis from cited sources

Intestino / DII (Crohn)

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Espessura da parede intestinal≤ 3 mm> 3 mm sugere inflamação (sens. 89% / espec. 96%)

Classificações e calculadoras

Calculadora — apendicite (US + Alvarado)

AchadoLeitura
Apêndice <6 mm, compressívelGeralmente normal.
6–7 mm ou não visualizadoLimítrofe: valorizar sinais secundários; não visualizado não exclui.
≥7 mm não compressível + sinaisApendicite provável (gordura inflamada, hiperemia, apendicolito).
Coleção/líquido periapendicularSuspeita de perfuração/abscesso.

Alvarado: dor migratória (1), anorexia (1), náusea (1), dor FID (2), descompressão (1), febre (1), leucocitose (2), desvio à esquerda (1). ≥7 = alta probabilidade; 5–6 = observar; ≤4 = baixa.

Fonte: ACR appropriateness / Alvarado 1986 / SPR pediatric US

Sinais de atividade (Crohn ao US)

SinalAchado
ParedeEspessura > 3 mm
VascularizaçãoHipervascularização (Limberg ≥ 2)
Gordura mesentéricaProliferação/inflamação (creeping fat)
ComplicaçõesLinfonodos, estenose, fístula, abscesso, ascite

Fonte: Intestinal US in IBD (PMC)

Elastografia hepática / esteatose

Classificações e calculadoras

Calculadora — rigidez hepática (kPa) + Baveno VII

Faixa (kPa)Baveno VII / leitura
< 10Hepatopatia crônica avançada compensada improvável.
10–15Zona cinzenta — sugere doença avançada, confirmar.
≥ 15Hepatopatia crônica avançada compensada provável.
≥ 25Hipertensão portal clinicamente significativa provável (CSPH).

Cortes de fibrose variam por etiologia e por técnica (TE/pSWE/2D-SWE). A calculadora ajusta por etiologia; controle de qualidade (IQR/mediana ≤0,30) é obrigatório.

Fonte: Baveno VII 2022 / EFSUMB-WFUMB elastography guidelines

Fibrose hepática — SWE (orientativo)

EstágioRigidez (kPa)
F0–F1< ~7
≥ F2 (significativa)~ 7–8,5
≥ F3 (avançada)~ 9,5–10,4
F4 (cirrose)≥ ~11,3–13

Os cortes variam por equipamento, sonda e etiologia — use a tabela do seu aparelho. Valores de exemplo (2D-SWE).

Fonte: Egypt J Radiol / Radiology Key (2D-SWE)

Esteatose — CAP (FibroScan)

GrauCAP (dB/m)
S1 (> S0)≥ ~248
S2 (> S1)≥ ~268
S3 (> S2)≥ ~280

Ajustar por NAFLD/diabetes (+10) e IMC. Cortes variam por estudo (222–294 dB/m).

Fonte: J Med Ultrason (CAP meta-análise)

Obstétrico — cálculo & tabelas

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
CCN → IG (Robinson-Fleming)IG(dias) = 8,052·√(CCN·1,037) + 23,73CCN em mm (5–84 mm)
CCN → IG (INTERGROWTH-21st)IG(dias) = 59,3615 + 0,4614·CCNválido 11+0–13+6 sem
Peso fetal estimado (Hadlock IV)log10(PFE)=1,3596+0,0064·CC+0,0424·CA+0,174·CF+0,00061·DBP·CA−0,00386·CA·CFmedidas em cm; PFE em g
PFE — INTERGROWTH-21st (CA+CC)log(PFE)=5,084820−54,06633·(CA/100)³−95,80076·(CA/100)³·ln(CA/100)+3,136370·(CC/100)log natural; CA/CC em cm; 2ª referência mundial

Classificações e calculadoras

PFE por idade gestacional — Hadlock (g)

Semp10p50p90
20286330380
21345398458
22412476548
23489565650
24576665765
25673778894
267809021038
2789810391196
28102611891368
29116513501554
30131315231753
31147017071964
32163519012187
33180721032419
34198523122659
35216725272904
36235227453153
37253729663403
38272331863652
39290534033897
40308436174135

PIG < p10 · AIG p10–p90 · GIG > p90. Use a calculadora acima p/ classificar automaticamente. Segunda referência mundial: INTERGROWTH-21st (tabela oficial Stirnemann 2017).

Fonte: Hadlock 1991 (percentis)