Referências e medidas em ultrassonografia
A compilação mais completa e referenciada da internet: valores normais, faixas coloridas (normal / limítrofe / alterado), classificações e calculadoras embutidas — com fontes citadas em cada bloco. Assistivo; confirme com a literatura e o seu julgamento clínico.
Vias urinárias / Rins
Brasil: o CBR define rins e bexiga como escopo do exame; ureteres/adrenais são descritos quando houver achado, e o resíduo pós-miccional entra por indicação clínica ou pedido. EUA/Europa: usar PVR com cautela porque os cortes variam entre diretrizes.
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Rim adulto — comprimento bipolar | 9–12 cm | varia com altura, sexo, idade e biotiponormal consensual: 9–12 cmlimítrofe/contexto: 8–9 ou 12–13 cmanormal provável: <8 ou >13 cm |
| Diferença de comprimento entre os rins | ≤ 1,5 cm | diferença maior sugere doença unilateral ou variação anatômica a correlacionarnormal: ≤1,5 cmanormal: >1,5 cm |
| Parênquima renal — espessura | 1,3–2,5 cm | menos de 1,0 cm é compatível com afinamento relevantepreservado: ≥1,3 cmlimítrofe: 1,0–1,2 cmafinado: <1,0 cm |
| Córtex renal — espessura | 7–15 mm | há variação por técnica; interpretar com ecogenicidade e tamanho renalpreservado: ≥10 mmzona técnica/idade: 7–9 mmafinamento importante: <7 mm |
| Parede vesical — bexiga cheia | ≤ 3 mm | 3–5 mm depende da repleção; >5 mm com bexiga cheia é suspeitonormal cheia: ≤3 mmlimítrofe/repleção: 3–5 mmespessada: >5 mm |
| Volume vesical para avaliação | 200–300 mL | bexiga parcialmente cheia melhora avaliação de parede e lesões |
| Cálculo do volume vesical | comprimento × largura × profundidade × 0,52 | alguns protocolos usam coeficientes diferentes conforme o formato vesical |
| Resíduo pós-miccional | <30 local; <50–100 consenso mL | protocolo local marca >30 mL como alterado; não há consenso único; medir logo após urinarnormal local: <30 mLalterado no protocolo local: 30–49 mLnormal por algumas fontes: 50–99 mLaceitável/limítrofe: 100–200 mLinadequado/retenção: >200 mL |
Classificações e calculadoras
Resíduo pós-miccional — leitura por consenso
| Faixa | Leitura | Comentário |
|---|---|---|
| < 30 mL | Normal local estrito | Corte usado no protocolo local do serviço; acima disso pode ser descrito como resíduo aumentado/alterado no padrão do médico. |
| 30–49 mL | Alterado no protocolo local | Faixa acima do corte local de 30 mL; ainda fica abaixo do corte <50 mL usado por fontes brasileiras para incontinência urinária não neurogênica. |
| 50–99 mL | Divergente | Normal em algumas referências internacionais, mas acima dos cortes conservadores local e brasileiro. |
| 100–200 mL | Aceitável em contexto | Pode ocorrer em idosos ou sintomas específicos; correlacionar. |
| > 200 mL | Esvaziamento inadequado | Sugere disfunção miccional ou obstrução, conforme contexto. |
| > 300 mL | Sugere retenção | AUA usa >300 mL persistente como definição volumétrica de retenção crônica. |
| > 400 mL | Retenção urinária | Geralmente tratado como retenção urinária. |
Use a calculadora acima com o volume pós-miccional medido em mL. O volume pré-miccional é opcional e calcula o percentual residual.
Fonte: Protocolo local / Ministério da Saúde BR 2020 / ICS teaching module / StatPearls PVR / AUA white paper
Hidronefrose — graduação ultrassonográfica
| Grau | Achado | Interpretação |
|---|---|---|
| Ausente | Sistema coletor não dilatado | Normal quando não há contexto obstrutivo. |
| Leve | Dilatação inicial de cálices/pelve, papilas preservadas | Achado real, mas pode depender de hidratação, bexiga cheia ou variante. |
| Moderada | Cálices arredondados e papilas apagadas | Maior suspeita de obstrução; correlacionar com dor, ureter e jato ureteral. |
| Grave | Cálices confluentes e córtex afinado (<1 cm) | Consenso de anormalidade importante; procurar causa obstrutiva. |
A graduação é parcialmente subjetiva; diferenciar de pelve extrarrenal e cistos parapélvicos.
Fonte: StatPearls Urinary Tract Ultrasound / SFU concepts
Bosniak 2019 — cistos renais
| Classe | Descrição | Risco malig. | Observação |
|---|---|---|---|
| I | Cisto simples: anecoico, parede fina e reforço posterior | ~0% | Sem seguimento quando típico. |
| II | Poucos septos finos ou calcificação fina, sem componente sólido | <1% | Benigno em regra. |
| IIF | Mais septos ou discreto espessamento: precisa seguimento | ~5–10% | Zona cinzenta; TC/RM ou contraste melhoram caracterização. |
| III | Parede/septos espessos ou irregulares com realce | ~50% | Indeterminado/suspeito. |
| IV | Componente sólido realçante | ~90–100% | Alta suspeição. |
Bosniak nasceu para TC/RM com contraste. No ultrassom sem contraste, use como triagem descritiva e recomende método contrastado se houver complexidade.
Fonte: Bosniak v2019 (Radiology/RSNA) / StatPearls Urinary Tract Ultrasound
Abdome total / superior
Brasil: pela normatização do CBR, abdome total inclui fígado, vias biliares, vesícula biliar, baço, pâncreas, rins, bexiga, aorta abdominal, veia cava inferior e retroperitônio em modo B; órgãos pélvicos e próstata não entram. Abdome superior concentra fígado, vesícula, vias biliares, pâncreas, baço e grandes vasos. EUA/Europa: usar limites com contexto clínico, técnica, idade e diretrizes SRU/EFSUMB/ACC-AHA.
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Fígado — comprimento crânio-caudal na linha hemiclavicular | ≤ 15 cm | 15–16 cm é zona técnica/biotipo; medir no maior eixo reprodutívelconsenso normal: ≤15 cmlimítrofe: >15–16 cmhepatomegalia provável: >16 cm |
| Baço — maior eixo longitudinal adulto | ≤ 12 cm | 12–13 cm varia por altura, sexo e técnica; acima de 13 cm costuma ser anormalnormal consensual: ≤12 cmlimítrofe/biotipo: >12–13 cmesplenomegalia provável: >13 cm |
| Colédoco com vesícula presente | ≤ 6–7 mm | idade acima de 60 anos e opioides podem explicar dilatação leve sem obstruçãonormal estrito: ≤6 mmlimítrofe/contexto: >6–7 mm ou idoso ≤8 mmdilatado provável: >7 mm sem contexto benigno |
| Colédoco após colecistectomia | ≤ 8–10 mm | pode aumentar com o tempo após cirurgia; sintomas e bilirrubinas mudam a condutanormal pós-cirúrgico: ≤8 mmaceito por algumas fontes: >8–10 mmdilatação relevante: >10 mm |
| Vias biliares intra-hepáticas | não visíveis / ≤ 1 mm | algumas referências usam >2 mm como dilatação intra-hepáticanormal: não visíveis ou ≤1 mmzona técnica: 1–2 mmdilatação: >2 mm |
| Vesícula biliar — parede em jejum | ≤ 3 mm | pseudoespessamento ocorre se a vesícula estiver contraída ou sem jejumnormal: ≤3 mmlimítrofe/contexto: >3–4 mmespessada: >4 mm |
| Pólipo vesicular incidental | < 6 baixo risco; ≥10–15 alto risco mm | SRU é menos intervencionista; diretrizes europeias tratam ≥10 mm com mais cautelabaixo risco: <6 mmseguimento/risco: 6–9 mm ou 10–14 mm baixo risco SRUavaliar cirurgia: ≥10 mm com risco ou ≥15 mm |
| Veia porta — calibre em repouso | 6–13 mm | inspiração profunda pode chegar a 16 mm; interpretar com baço, colaterais e direção do fluxonormal: 6–13 mmlimítrofe/contexto: >13–16 mmdilatação sugestiva: >16 mm |
| Veia porta — velocidade média | 16–40 cm/s | deve ser hepatopetal; fluxo hepatofugal é anormal independentemente do númeronormal: 16–40 cm/slento limítrofe: 12–16 cm/sanormal provável: <12, >40 ou hepatofugal |
| Ducto pancreático principal | cabeça 3 / corpo 2 / cauda 1–1,5 mm | aumenta discretamente com idade; medir no corpo próximo à cabeça quando possívelnormal no corpo: ≤2 mmalto-normal/contexto: >2–3 mmdilatação provável: >3 mm |
| Pâncreas — espessura aproximada | cabeça ~2; corpo/cauda 1–2 cm | medida isolada é pouco robusta; valorizar ducto, contorno e lesões focais |
| Aorta abdominal — calibre máximo | < 3 cm | 3,0 cm define aneurisma; limiar de reparo usual: ≥5,5 cm homem e ≥5,0 cm mulhercalibre usual: <2,5 cmectasia: 2,5–2,9 cmaneurisma: ≥3,0 cm |
| Veia cava inferior — calibre e colapso inspiratório | < 2,1 cm + colapso >50% | critérios estimam pressão atrial direita, não volemia isoladapressão baixa/normal: <2,1 cm + >50%indeterminado: achados discordantespressão elevada provável: >2,1 cm + <50% |
| Doppler abdominal — técnica mínima | jejum 4–6 h quando possível; Doppler colorido e pulsado; ângulo até 60 graus; direção, velocidade e forma de onda documentadas | A direção do fluxo e a patência vascular têm o mesmo peso que o número da velocidade. Ajuste ganho, escala e filtro para não simular trombose por fluxo lento.adequado: direção + espectro + ângulo documentadoslimitado: janela ruim, sem ângulo confiável ou sem jejumincompleto: suspeita vascular sem Doppler pulsado ou sem direção do fluxo |
| Artéria hepática — índice de resistência | 0,50–0,70 | Fora do transplante, interpretar com contexto; no transplante e no pós-operatório, valores extremos, ausência de fluxo ou padrão tardus-parvus são relevantes.usual: 0,50–0,70limítrofe/contextual: 0,70–0,80 ou 0,45–0,50alerta: >0,80, <0,45, ausência de fluxo ou tardus-parvus |
| Veias hepáticas — padrão espectral | trifásico ou fásico com ciclo cardíaco | Perda de fasicidade pode ocorrer por cirrose, congestão, técnica ou respiração; ausência de fluxo, trombo ou obstrução sugere doença venosa hepática.fásico: trifásico ou bifásico fisiológicomonofásico contextual: cirrose, técnica ou congestão sem tromboobstrutivo: sem fluxo, trombo, estenose ou colaterais venosas |
| Derivação portossistêmica intra-hepática transjugular — velocidade | 90–190 cm/s | Usar apenas quando houver derivação. Velocidade fora da faixa, gradiente focal ou turbulência sugerem disfunção conforme protocolo local.usual: 90–190 cm/szona de atenção: 50–90 ou 190–250 cm/sdisfunção provável: <50 ou >250 cm/s, oclusão ou gradiente focal |
Classificações e calculadoras
Calculadora — LI-RADS US (rastreamento de CHC)
| Categoria | Significado | Conduta |
|---|---|---|
| US-1 | Negativo | Rastreamento US semestral (± alfafetoproteína). |
| US-2 | Subthreshold (nódulo <10 mm) | Repetir US em 3–6 meses. |
| US-3 | Positivo (nódulo ≥10 mm ou trombo novo) | TC/RM multifásica ou CEUS LI-RADS. |
Score de visualização A/B/C mede a limitação do exame (esteatose, ascite, biotipo). Visualização C grave pode indicar imagem alternativa. Aplicar só em paciente de risco (cirrose, hepatite B).
Fonte: ACR LI-RADS US Surveillance v2024 / AASLD
Calculadora — colecistite aguda (Tokyo TG18)
| Critério/grau | Definição |
|---|---|
| A — inflamação local | Murphy ecográfico; parede >4 mm, distensão ou cálculo impactado. |
| B — inflamação sistêmica | Febre, PCR ou leucócitos elevados. |
| Diagnóstico | A + B = colecistite aguda definitiva. |
| Gravidade I/II/III | III = disfunção orgânica; II = leucócitos >18k, massa, >72 h ou inflamação local marcada; I = leve. |
A gravidade orienta o momento da colecistectomia e a necessidade de drenagem/suporte.
Fonte: Tokyo Guidelines TG18 (J Hepatobiliary Pancreat Sci 2018)
CEUS hepático — realce das lesões focais
| Padrão | Fases | Sugere |
|---|---|---|
| Realce periférico nodular descontínuo + preenchimento centrípeto | Arterial→tardia | Hemangioma |
| Realce homogêneo com cicatriz central | Arterial | Hiperplasia nodular focal |
| Hiperrealce arterial + washout tardio | Arterial→tardia | CHC (usar CEUS LI-RADS) |
| Washout precoce e acentuado | Portal precoce | Metástase/colangiocarcinoma |
CEUS avalia realce em tempo real sem radiação; o washout precoce/tardio ajuda a diferenciar benigno de maligno. Contraste de microbolhas é intravascular puro.
Fonte: CEUS LI-RADS v2017 / EFSUMB CEUS guidelines 2020
Calculadora rápida — abdome superior
| Cor | Faixa prática | Como usar |
|---|---|---|
| Verde | Fígado ≤15 cm; baço ≤12 cm; colédoco ≤6 mm; parede vesicular ≤3 mm; aorta <2,5 cm; veia porta 6–13 mm e 16–40 cm/s; ducto pancreático no corpo ≤2 mm. | Valores em que as referências tendem a concordar como usuais. |
| Amarelo | Fígado >15–16; baço >12–13; colédoco >6–7 ou idoso; pós-colecistectomia 8–10; parede >3–4; aorta 2,5–2,9; veia porta 13–16 ou 12–16 cm/s; ducto 2–3. | Zona de divergência ou dependente de idade, jejum, biotipo, inspiração e sintomas. |
| Vermelho | Colédoco >7 mm sem contexto benigno ou >10 mm pós-colecistectomia; vias intra-hepáticas >2 mm; parede vesicular >4 mm; baço >13 cm; aorta ≥3 cm; ducto pancreático >3 mm. | Faixas em que as fontes convergem para anormalidade ou investigação conforme clínica. |
A calculadora classifica medidas isoladas; não substitui laudo, comparação, exames laboratoriais ou sinais associados.
Fonte: CBR / EFSUMB / SRU / USPSTF / ACC-AHA / ASE
Vias biliares — colédoco e ductos intra-hepáticos
| Categoria | Medida | Interpretação |
|---|---|---|
| Normal consensual | Colédoco ≤6 mm com vesícula; ductos intra-hepáticos não visíveis ou ≤1 mm. | Sem outros sinais, geralmente normal. |
| Zona de contexto | Colédoco >6–7 mm; até 8 mm em idoso; 8–10 mm após colecistectomia; ductos intra-hepáticos 1–2 mm. | Correlacionar com idade, opioides, cirurgia, dor, febre e bilirrubinas. |
| Dilatação provável | Colédoco >7 mm com vesícula e sem causa benigna; >10 mm pós-colecistectomia; ductos intra-hepáticos >2 mm. | Procurar obstrução, cálculo distal, massa ou estenose conforme quadro. |
Medir parede interna a parede interna e seguir o ducto até a cabeça pancreática quando possível.
Fonte: EFSUMB hepatobiliary chapter / Cleveland Clinic J Med 2022
Vesícula biliar — parede e pólipos
| Achado | Faixa | Conduta de referência |
|---|---|---|
| Parede em jejum | ≤3 mm | Normal quando a vesícula está bem distendida. |
| Parede em jejum | >3–4 mm | Limítrofe; checar jejum, contração, ascite, hepatopatia e dor. |
| Parede em jejum | >4 mm | Espessamento relevante, sobretudo com cálculo, líquido perivesicular ou Murphy ultrassonográfico. |
| Pólipo baixo risco | <6 mm | Baixo risco na maioria das diretrizes. |
| Pólipo intermediário | 6–9 mm ou 10–14 mm baixo risco SRU | Divergência SRU versus Europa; considerar morfologia, crescimento e fatores de risco. |
| Pólipo alto risco | ≥10 mm com fatores de risco ou ≥15 mm | Avaliar cirurgia/encaminhamento conforme diretriz e contexto clínico. |
SRU 2022 usa categorias morfológicas e tende a reduzir seguimento; diretrizes europeias são mais cautelosas em ≥10 mm.
Fonte: SRU Radiology 2022 / ESGAR-EAES-EFISDS-ESGE 2022
Aorta abdominal — rastreio de aneurisma
| Faixa | Classificação | Observação |
|---|---|---|
| <2,5 cm | Calibre usual | Abaixo de ectasia. |
| 2,5–2,9 cm | Ectasia | Não atinge critério clássico de aneurisma, mas merece registro. |
| ≥3,0 cm | Aneurisma de aorta abdominal | Critério usado em programas de rastreio por ultrassom. |
| ≥5,0 cm mulher / ≥5,5 cm homem | Limiar usual de reparo | Depende de sintomas, crescimento, anatomia e risco cirúrgico. |
Fonte: USPSTF / ACC-AHA 2022 / Society for Vascular Surgery
Veia porta — calibre, velocidade e direção
| Cor | Critério | Leitura |
|---|---|---|
| Verde | 6–13 mm, velocidade 16–40 cm/s, fluxo hepatopetal | Faixa usual. |
| Amarelo | 13–16 mm em inspiração profunda ou pós-prandial; velocidade 12–16 cm/s | Correlacionar com baço, ascite, colaterais e superfície hepática. |
| Vermelho | >16 mm, velocidade <12 cm/s, fluxo hepatofugal ou trombose | Sugere hipertensão portal ou doença vascular conforme contexto. |
Fonte: Polish Ultrasound Society portal system standards / StatPearls
Pâncreas e veia cava inferior — limites úteis
| Estrutura | Normal | Alerta |
|---|---|---|
| Ducto pancreático principal no corpo | ≤2 mm | Faixa usual no corpo pancreático. |
| Ducto pancreático principal | >2–3 mm | Alto-normal/limítrofe, especialmente em idosos ou na cabeça. |
| Ducto pancreático principal | >3 mm | Dilatação provável; considerar imagem seccional conforme sintomas e achados. |
| Veia cava inferior | <2,1 cm + colapso >50% | Compatível com pressão atrial direita baixa/normal. |
| Veia cava inferior | achados discordantes | Indeterminado; usar índices secundários e contexto. |
| Veia cava inferior | >2,1 cm + colapso <50% | Sugere pressão atrial direita elevada. |
Fonte: EFSUMB pancreas / Pancreatic ultrasound update 2024 / ASE chamber quantification
Assistente rápido — abdome com Doppler
| Saída | Cor | Interpretação |
|---|---|---|
| Doppler preservado | Verde | Veia porta pérvia com fluxo em direção ao fígado, velocidade usual, artéria hepática com índice de resistência usual e veias hepáticas fásicas. |
| Achado contextual ou limitado | Amarelo | Fluxo portal lento, artéria hepática limítrofe, veia hepática monofásica sem trombo, ascite/esplenomegalia isoladas ou limitação técnica. |
| Achado vascular anormal | Vermelho | Fluxo portal hepatofugal, ausência de fluxo, trombose, cavernomatose, colaterais portossistêmicas, obstrução de veia hepática/cava ou disfunção de derivação. |
Não use a velocidade isolada como conclusão. Combine direção, patência, forma de onda, calibre, baço, ascite, colaterais, técnica e indicação clínica.
Fonte: StatPearls Liver Doppler / Radiographics liver Doppler / portal hypertension reviews
Protocolo técnico — Doppler hepatoportal
| Item | Registrar | Por que importa |
|---|---|---|
| Veia porta principal e ramos | Patência, direção em direção ao fígado ou para longe do fígado, velocidade e calibre. | Base para hipertensão portal, trombose e fluxo colateral. |
| Artéria hepática | Índice de resistência, velocidade sistólica e ascensão sistólica quando indicado. | Ajuda em transplante, trombose portal, estenose e compensação arterial. |
| Veias hepáticas e veia cava inferior | Fasicidade, patência, trombo, compressão ou dilatação. | Avalia congestão, Budd-Chiari, doença cardíaca direita e obstrução venosa. |
| Veia esplênica e confluência portal | Patência, direção, trombo e colaterais. | Importante em trombose portal/esplênica e hipertensão portal segmentar. |
| Técnica | Jejum, janela acústica, ângulo até 60 graus, escala/filtro e limitações. | Evita falso diagnóstico de trombose por fluxo lento. |
Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU abdomen parameter / StatPearls Liver Doppler
Hipertensão portal e trombose — sinais no Doppler
| Cor | Sinal | Comentário |
|---|---|---|
| Verde | Veia porta pérvia, fluxo em direção ao fígado, 16–40 cm/s, sem colaterais. | Compatível com hemodinâmica usual quando o modo B concorda. |
| Amarelo | Velocidade 12–16 cm/s, calibre 13–16 mm, baço aumentado ou ascite isolada. | Zona de contexto; procurar combinação de sinais. |
| Vermelho | Fluxo para longe do fígado, ausência de fluxo, trombo, cavernomatose, veia umbilical recanalizada ou colaterais. | Achados fortes para hipertensão portal avançada ou trombose. |
Fonte: StatPearls Liver Doppler / Doppler flow patterns in cirrhosis reviews
Artéria hepática, veias hepáticas e veia cava — leitura prática
| Estrutura | Verde | Amarelo | Vermelho |
|---|---|---|---|
| Artéria hepática | Índice de resistência 0,50–0,70 e diástole presente. | 0,70–0,80 ou 0,45–0,50 sem outro alerta. | >0,80, <0,45, ausência de fluxo ou tardus-parvus. |
| Veias hepáticas | Trifásicas/fásicas. | Monofásicas com cirrose, técnica ou congestão provável. | Trombo, ausência de fluxo, estenose ou colaterais venosas. |
| Veia cava inferior | Pérvia, compressível/fásica conforme respiração e coração. | Dilatada com colapso reduzido em congestão. | Trombo, compressão tumoral ou extensão de trombo. |
| Derivação portossistêmica intra-hepática transjugular | 90–190 cm/s sem gradiente focal. | 50–90 ou 190–250 cm/s. | <50, >250 cm/s, oclusão ou turbulência/gradiente focal. |
Esses limites são mais úteis no contexto certo. Transplante e derivação têm protocolos próprios e comparação seriada é essencial.
Fonte: StatPearls Liver Doppler / institutional TIPS protocols / AJR liver Doppler
Doppler hepático / transplante hepático
Aplicável a fígado nativo, pós-operatório e transplante hepático. Os critérios arteriais, portais e venosos são usados internacionalmente, mas o peso final depende do tempo pós-operatório, técnica cirúrgica, comparação seriada e protocolo institucional. No Brasil, manter descrição anatômica clara e comunicar achados críticos; em EUA/Europa, alinhar com prática ACR-AIUM, RSNA/Radiographics e protocolos de transplante locais.
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Artéria hepática do transplante — índice de resistência | 0,55–0,80 | Valores altos podem ser transitórios nas primeiras 48–72 h; baixo índice com tardus-parvus favorece estenose.usual: 0,55–0,80limítrofe ou transitório: 0,50–0,55 ou >0,80 nas primeiras 72 h sem outro alertaalto risco: <0,50 com tardus-parvus, ausência de fluxo ou piora clínica |
| Artéria hepática — tempo de aceleração sistólica | < 80 ms | Acima de 80 ms é usado com baixo índice de resistência e onda tardus-parvus para suspeitar estenose.ascensão rápida: <80 mszona técnica: 80–100 ms sem baixo índice de resistênciasuspeita de estenose: >80 ms + índice baixo/tardus-parvus |
| Artéria hepática — velocidade sistólica de pico focal | < 200 cm/s | Velocidade ≥200 cm/s no jato/anastomose, especialmente com aliasing e alteração distal, favorece estenose.sem elevação focal: <150 cm/satenção: 150–199 cm/ssuspeita forte: ≥200 cm/s com gradiente/turbulência |
| Artéria hepática — ausência de fluxo | anormal crítico se confirmado | Confirmar com ganho baixo/alto, escala lenta, Doppler de amplitude e busca intra/extra-hepática.comunicar: trombose arterial até prova em contrário no transplante |
| Veia porta — direção do fluxo | em direção ao fígado | Fluxo para longe do fígado ou sem fluxo é anormal no enxerto, salvo derivação planejada.esperado: em direção ao fígadolimítrofe: muito lento ou vai-e-vemanormal: para longe do fígado, trombo ou sem fluxo |
| Veia porta transplantada — velocidade anastomótica | < 125 cm/s | Alguns protocolos aceitam velocidades altas no pós-operatório imediato; razão e turbulência aumentam especificidade.usual: <100 cm/s sem turbulênciaobservar: 100–124 cm/s ou edema precocesuspeita de estenose: ≥125 cm/s com aliasing ou razão elevada |
| Veia porta — razão anastomose/referência | < 3:1 | Razão ≥3:1 é critério forte quando há estreitamento focal, turbulência ou mudança seriada.sem gradiente: <2:1limítrofe: 2–2,9:1significativo: ≥3:1 |
| Veias hepáticas e veia cava — forma de onda | fásica/trifásica | Monofásica isolada pode ser inespecífica; sem fluxo, jato focal e razão elevada sugerem obstrução de saída.tranquilizador: fásica ou trifásicacontextual: monofásica sem jato/sem congestãoobstrução provável: sem fluxo, trombo, jato focal ou razão ≥3:1 |
| Derivação portossistêmica intra-hepática transjugular — velocidade | 90–190 cm/s | Incluída para diferenciação; não confundir derivação com anastomose portal do transplante.usual: 90–190 cm/szona de atenção: 50–90 ou 190–250 cm/sdisfunção provável: <50, >250, oclusão ou gradiente focal |
Classificações e calculadoras
Assistente interativo — Doppler hepático e transplante
| Saída | Cor | Interpretação |
|---|---|---|
| Padrão preservado | Verde | Artéria hepática pérvia, índice de resistência usual, ascensão rápida, veia porta em direção ao fígado e veias hepáticas fásicas. |
| Zona limítrofe/contextual | Amarelo | Índice alto no pós-operatório imediato, velocidade intermediária, monofasicidade isolada ou limitação técnica. |
| Alerta vascular | Vermelho | Ausência de fluxo arterial, tardus-parvus com índice baixo, velocidade arterial ≥200 cm/s, trombo portal, razão portal/venosa ≥3:1 ou obstrução venosa. |
O assistente calcula razões e classifica por cor. Em transplante, comparação com o Doppler basal pode ser mais importante que um número isolado.
Fonte: Radiographics/RSNA / Clinical Imaging / AJR / UW and UT Southwestern transplant Doppler protocols
Protocolo técnico mínimo — fígado nativo e transplante
| Vaso/etapa | Registrar | Por que importa |
|---|---|---|
| Artéria hepática principal e ramos intra-hepáticos | Patência, índice de resistência, velocidade sistólica, ascensão sistólica e local da amostra. | Principal rastreio de trombose ou estenose arterial pós-transplante. |
| Veia porta principal, anastomose e ramos | Direção, velocidade no jato e velocidade de referência antes/depois. | Diferencia hiperfluxo transitório de estenose anastomótica. |
| Veias hepáticas e veia cava inferior | Fasicidade, jato focal, velocidade na anastomose, razão e fluxo residual. | Pesquisa obstrução de saída e congestão do enxerto. |
| Contexto cirúrgico | Data do transplante, tipo de enxerto, técnica caval, stent, angioplastia e exame basal. | Muda limiares e evita falso positivo no pós-operatório imediato. |
| Técnica Doppler | Ângulo até 60 graus, escala baixa para fluxo lento, ganho ajustado, Doppler de amplitude quando necessário. | Evita simular trombose por fluxo lento ou janela ruim. |
Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU abdomen parameter / UW Liver TX Doppler / UTSW transplant protocol
Artéria hepática pós-transplante — leitura por cor
| Cor | Critério | Leitura prática |
|---|---|---|
| Verde | Fluxo presente, índice 0,55–0,80, tempo de aceleração <80 ms, sem jato focal. | Compatível com perviedade arterial quando o traçado é confiável. |
| Amarelo | Índice >0,80 nas primeiras 72 h, velocidade 150–199 cm/s ou traçado tecnicamente limitado. | Repetir/seguir, comparar com basal e correlacionar com laboratório. |
| Vermelho | Sem fluxo, índice <0,50 com tardus-parvus, tempo >80 ms com baixo índice, velocidade focal ≥200 cm/s. | Comunicação prioritária; considerar método complementar ou intervenção conforme protocolo. |
Índice alto isolado no pós-operatório imediato é uma armadilha conhecida; o mesmo achado tardio ou com disfunção do enxerto pesa mais.
Fonte: Radiographics/RSNA liver transplant Doppler / Clinical Imaging 2014
Veia porta transplantada — estenose, trombose e hiperfluxo
| Cor | Achado | Interpretação |
|---|---|---|
| Verde | Fluxo em direção ao fígado, sem trombo, velocidade <100 cm/s e razão <2:1. | Padrão usual quando não há aliasing focal. |
| Amarelo | Velocidade 100–124 cm/s, razão 2–2,9:1 ou velocidade alta no pós-operatório imediato sem estreitamento. | Zona dependente de edema, calibre e comparação. |
| Vermelho | Velocidade ≥125 cm/s com aliasing, razão ≥3:1, trombo ou ausência de fluxo. | Sugere estenose portal, trombose ou fluxo crítico. |
Fonte: Radiographics/RSNA / Doppler ultrasound in liver transplant complications
Drenagem venosa do enxerto — veias hepáticas e veia cava
| Cor | Achado | Leitura |
|---|---|---|
| Verde | Veias hepáticas fásicas/trifásicas e veia cava pérvia. | Contra obstrução de saída importante quando o restante concorda. |
| Amarelo | Monofásica isolada, leve redução da fasicidade ou exame respiratório/técnico ruim. | Inespecífico; repetir e correlacionar com ascite, derrame pleural e congestão. |
| Vermelho | Sem fluxo, trombo, jato focal, aliasing importante ou razão ≥3:1. | Sugere estenose/oclusão da drenagem venosa. |
Fonte: UW Liver TX Doppler / RSNA transplant imaging reviews
Fígado nativo — Doppler hepático fora do transplante
| Estrutura | Normal consensual | Alerta |
|---|---|---|
| Veia porta | Fluxo em direção ao fígado, calibre 6–13 mm, velocidade média 16–40 cm/s. | Fluxo para longe do fígado, trombo, cavernomatose, colaterais ou fluxo muito lento. |
| Artéria hepática | Índice de resistência 0,50–0,70 fora do transplante, com diástole presente. | Ausência de fluxo, índice extremo ou tardus-parvus no contexto certo. |
| Veias hepáticas | Traçado fásico/trifásico. | Sem fluxo, trombo, compressão ou padrão obstrutivo. |
No fígado nativo, números isolados raramente fecham diagnóstico; direção do fluxo, trombo, colaterais e clínica dominam.
Fonte: StatPearls Liver Doppler / Radiographics liver Doppler
Armadilhas e quando escalar
| Situação | Risco de erro | Como reduzir |
|---|---|---|
| Primeiras 72 horas | Índice arterial alto pode ser edema, espasmo ou aumento de resistência transitória. | Comparar em série e pesar função do enxerto. |
| Fluxo lento | Escala alta ou filtro alto podem simular trombose. | Baixar escala, ajustar ganho e usar Doppler de amplitude. |
| Sem fluxo arterial no transplante | Pode representar trombose arterial, evento tempo-sensível. | Confirmar tecnicamente e comunicar imediatamente conforme rotina local. |
| Estenose arterial tardia | Pode causar isquemia biliar, abscessos ou disfunção progressiva. | Integrar Doppler com vias biliares, coleções e laboratório. |
Fonte: Radiographics/RSNA / Clinical Imaging review / transplant protocols
Checklist de laudo — Doppler hepático/transplante
| Bloco | Texto que não deve faltar | Cor se ausente |
|---|---|---|
| Identificação | Tempo pós-transplante, tipo de enxerto/anastomose se conhecido, comparação anterior. | Amarelo |
| Artéria hepática | Patência, índice de resistência, velocidade, tempo de aceleração e presença/ausência de tardus-parvus. | Vermelho se transplante |
| Veia porta | Direção, velocidade anastomótica, razão se suspeita, trombo e ramos. | Vermelho se suspeita vascular |
| Drenagem venosa | Veias hepáticas, veia cava, fasicidade, jato focal e razão quando houver estenose suspeita. | Amarelo/vermelho conforme achado |
| Achados associados | Vias biliares, coleções, ascite, derrame pleural e limitação técnica. | Amarelo |
Fonte: CBR reporting principles / ACR-AIUM practice parameter / transplant Doppler literature
Tireoide / cervical
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Lobo direito/esquerdo — comprimento | 4–6 cm | adulto; medir cada lobo separadamente |
| Lobo direito/esquerdo — largura | 1–2 cm | |
| Lobo direito/esquerdo — espessura ântero-posterior | 1,3–1,8 cm | até ~2,0 cm pode ser aceito por algumas referências |
| Volume tireoidiano total — mulher | 10–15 mL | faixa usual; limite superior clássico para bócio: >18 mL |
| Volume tireoidiano total — homem | 12–18 mL | 25 mL é melhor tratado como limite superior clássico, não como alvo de normalidade |
| Cálculo do volume de cada lobo | C × L × E × 0,479 | comprimento, largura e espessura em cm; somar os dois lobos |
| Istmo — espessura | ≤ 3–4 mm | |
| Parênquima tireoidiano — Doppler colorido | escasso a moderado e simétrico | Hiperfluxo difuso acentuado é anormal e deve ser correlacionado com TSH, T4 livre e anticorpos. |
| Artérias tireoidianas — velocidade sistólica de pico | ver faixas cm/s | Não há corte universal: valores entre 30 e 70 cm/s são zona de sobreposição entre estudos; acima de ~70 cm/s favorece hiperfluxo de Graves quando o padrão é difuso.Verde — sem hiperfluxo relevante: <30 cm/sAmarelo — zona de sobreposição: 30–69 cm/sVermelho — hiperfluxo acentuado: ≥70 cm/s |
Classificações e calculadoras
Calculadora — EU-TIRADS (alternativa europeia)
| Categoria | Risco | Punção a partir de |
|---|---|---|
| EU-TIRADS 2 | ~0% (anecoico/espongiforme) | — |
| EU-TIRADS 3 | 2–4% (baixo risco) | ≥20 mm |
| EU-TIRADS 4 | 6–17% (risco intermediário) | ≥15 mm |
| EU-TIRADS 5 | 26–87% (alto risco) | ≥10 mm |
Sinais de alto risco (EU-TIRADS 5): muito hipoecoico, contorno irregular, mais alto que largo, microcalcificações. Comparar sempre com o ACR TI-RADS.
Fonte: EU-TIRADS — Russ, Eur Thyroid J 2017 (ETA)
Calculadora — Bethesda (citologia da tireoide)
| Categoria | Risco de malignidade | Conduta usual |
|---|---|---|
| I | 5–20% (não diagnóstica) | Repetir PAAF guiada por US. |
| II | 0–3% (benigna) | Seguimento por risco ecográfico. |
| III | 6–18% (AUS) | Repetir PAAF, teste molecular ou lobectomia. |
| IV | 10–40% (neoplasia folicular) | Teste molecular ou lobectomia diagnóstica. |
| V | 45–60% (suspeita) | Cirurgia conforme extensão. |
| VI | 94–99% (maligna) | Cirurgia + estadiamento. |
Bethesda é citológico (PAAF); o US (ACR/EU-TIRADS) decide QUEM puncionar. Riscos assumem sem NIFTP; testes moleculares refinam III e IV.
Fonte: The Bethesda System, 3rd ed. 2023
ACR TI-RADS 2017 — pontuação por características
| Característica | Achado | Pontos | Nota prática |
|---|---|---|---|
| Composição | Cístico ou quase completamente cístico | 0 | Não pontua suspeição pelo ACR. |
| Composição | Esponjiforme | 0 | Múltiplos microcistos ocupando mais de 50% do nódulo. |
| Composição | Misto cístico e sólido | 1 | Pontuar pela composição predominante descrita. |
| Composição | Sólido ou quase completamente sólido | 2 | Característica que aumenta a pontuação, mas não define sozinha o nível. |
| Ecogenicidade | Anecoico | 0 | Aplicável a nódulo cístico. |
| Ecogenicidade | Isoecoico ou hiperecoico | 1 | Comparar com o parênquima tireoidiano adjacente. |
| Ecogenicidade | Hipoecoico | 2 | Mais escuro que a tireoide, porém não mais escuro que músculo. |
| Ecogenicidade | Muito hipoecoico | 3 | Mais escuro que a musculatura cervical anterior. |
| Ecogenicidade | Não determinável | 1 | ACR orienta 1 ponto quando a ecogenicidade não puder ser definida. |
| Forma | Mais largo que alto | 0 | Avaliar no plano transversal. |
| Forma | Mais alto que largo | 3 | Sinal de maior suspeição no ACR TI-RADS. |
| Margem | Lisa | 0 | Margem regular. |
| Margem | Mal definida | 0 | Não é o mesmo que irregular; não pontua no ACR. |
| Margem | Lobulada ou irregular | 2 | Pontua como margem suspeita. |
| Margem | Extensão extratireoidiana | 3 | Invasão franca além da cápsula tireoidiana. |
| Margem | Não determinável | 0 | Use quando a margem não puder ser avaliada com segurança. |
| Focos ecogênicos | Nenhum ou artefato em cauda de cometa grande | 0 | Artefato de coloide grande é benigno no sistema. |
| Focos ecogênicos | Macrocalcificações | 1 | Foco calcificado maior com sombra posterior. |
| Focos ecogênicos | Calcificações periféricas em anel | 2 | Pontuar se presente; pode coexistir com outros focos. |
| Focos ecogênicos | Focos ecogênicos puntiformes | 3 | Podem representar microcalcificações; somam com outros focos presentes. |
Escolha uma opção em composição, ecogenicidade, forma e margem. Em focos ecogênicos, some todos os achados presentes; se não houver, use 0 ponto.
Fonte: ACR TI-RADS white paper 2017 / ACR TI-RADS Atlas
ACR TI-RADS 2017 — nódulo tireoidiano
| Nível | Pontos | Risco | Punção aspirativa a partir de | Seguimento por imagem |
|---|---|---|---|---|
| TR1 | 0 | 0,3% | — | — |
| TR2 | 1–2 | 1,5% | — | — |
| TR3 | 3 | 4,8% | ≥ 2,5 cm | ≥ 1,5 cm: 1, 3 e 5 anos |
| TR4 | 4–6 | 9,1% | ≥ 1,5 cm | ≥ 1,0 cm: 1, 2, 3 e 5 anos |
| TR5 | ≥ 7 | 35% | ≥ 1,0 cm | ≥ 0,5 cm: anual por 5 anos |
Somar composição, ecogenicidade, forma, margem e focos ecogênicos. Conduta usa a maior dimensão do nódulo.
Fonte: ACR TI-RADS — JACR 2017
Doppler tireoidiano — leitura rápida
| Categoria | Faixa / padrão | Interpretação |
|---|---|---|
| Parênquima | Vascularização simétrica escassa a moderada | Padrão esperado quando não há hiperemia difusa. |
| Parênquima | Aumento discreto/moderado, focal ou assimétrico | Achado de sobreposição: correlacionar com modo B, dor, TSH, T4 livre e anticorpos. |
| Parênquima | Hiperfluxo difuso acentuado (“inferno tireoidiano”) | Anormal; em tireoide difusamente aumentada favorece Graves quando os exames laboratoriais concordam. |
| Velocidade sistólica de pico | <30 cm/s | Faixa verde por concordar com valores de repouso em várias séries. |
| Velocidade sistólica de pico | 30–69 cm/s | Zona limítrofe: há estudos usando 30 ou 40 cm/s, mas meta-análise recente aponta corte maior. |
| Velocidade sistólica de pico | ≥70 cm/s | Hiperfluxo acentuado; fortalece hipótese de Graves se o aumento for difuso. |
O Doppler não substitui exames laboratoriais nem cintilografia quando necessária. Use esta leitura para orientar a descrição e a correlação clínica.
Fonte: Frontiers Endocrinol 2024 meta-analysis / Arch Endocrinol Metab 2019 / QJM 2025
Chammas — vascularização do nódulo (Doppler)
| Padrão | Descrição | Cor | Nota prática |
|---|---|---|---|
| I | Ausência de fluxo | Verde | Menor suspeição Doppler; ainda aplicar ACR TI-RADS pelo modo B. |
| II | Apenas periférico/perinodular | Verde | Padrão de menor suspeição relativa. |
| III | Periférico igual ou maior que central | Amarelo | Achado intermediário; não muda sozinho a conduta. |
| IV | Central maior que periférico | Vermelho | Maior especificidade para citologia maligna, porém baixa sensibilidade. |
| V | Exclusivamente central | Vermelho | Maior suspeição Doppler adjunta; não substitui citologia. |
Doppler vascular de nódulo é complementar: estudo europeu mostrou que vascularização não melhora a estratificação global do ACR TI-RADS. Padrões IV/V de Chammas são específicos, mas pouco sensíveis.
Fonte: Chammas et al. / AEM-SBEM 2009 / Eur Thyroid J 2021
Linfonodo cervical — sinais de suspeita
| Sinal | Achado suspeito |
|---|---|
| Forma | Arredondado: eixo longo menor que o dobro do eixo curto |
| Hilo | Ausente |
| Vascularização | Periférica/caótica |
| Ecotextura | Microcalcificações, cístico, hiperecogênico |
Fonte: Critérios sonográficos consagrados
Doppler e mapeamento venoso — membros, jugulares e subclávias
Integra pesquisa de trombose venosa profunda e superficial, mapeamento de refluxo/varizes, planejamento pré-procedimento, mapeamento de safena para enxerto, veias jugulares/subclávias e sinais indiretos de obstrução venosa central. Verde indica exame tecnicamente completo e achados consensualmente normais; amarelo indica limitação, pós-trombótico, refluxo limítrofe, anatomia variável ou divergência entre referências; vermelho indica trombose, obstrução, refluxo patológico consensual ou sinal de urgência.
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Membros inferiores — pesquisa de trombose | compressão sequencial | Documentar veia femoral comum, junção safenofemoral, veia femoral proximal/média/distal, veia poplítea, veias tibiais posteriores e fibulares; acrescentar gastrocnêmias, soleares e veias superficiais quando sintomáticas.normal consensual: compressível, pérvia, fásica e sem material intraluminalincompleto ou indeterminado: segmento não visto, panturrilha limitada ou alteração pós-trombóticaanormal consensual: veia não compressível, trombo ou ausência de fluxo após ajuste técnico |
| Mapeamento venoso para varizes — técnica | ortostase + manobras padronizadas | Pesquisar refluxo preferencialmente em pé. Usar Valsalva na veia femoral comum e na junção safenofemoral; usar compressão/descompressão distal para os demais segmentos. Registrar posição, manobra e tempo de refluxo no Doppler espectral.técnica adequada: em pé ou posição dependente, manobra documentadalimitação técnica: não ficou em pé, dor, curativo, obesidade ou manobra ruimnão interpretar como mapeamento completo: refluxo pesquisado só em decúbito sem justificativa |
| Veia safena magna — pontos mínimos do mapa | junção + coxa + perna | Documentar junção safenofemoral, calibre anteroposterior da safena magna na coxa e na perna, extensão do refluxo, origem, drenagem, tributárias, safenas acessórias e eventual trajeto subdérmico ou hipoplásico.mapa completo: calibres + refluxo + origem/drenagem por segmentomapa incompleto: sem calibres, sem origem/drenagem ou sem descrição de acessóriasachado crítico associado: trombose, coto ascendente até junção profunda ou suspeita de extensão profunda |
| Veia safena parva — pontos mínimos do mapa | junção + distância ao joelho + perna | A junção safenopoplítea é variável; registrar a distância até a interlinha/prega do joelho, calibre da safena parva por segmento, extensão cranial, veia de Giacomini e drenagem do refluxo.descrição útil: junção, distância ao joelho, calibre e extensão cranial descritosanatomia variável: sem junção típica, extensão cranial/Giacomini ou drenagem complexacomplicação: trombose superficial próxima da junção profunda ou extensão para sistema profundo |
| Mapeamento de safena para enxerto | calibre + continuidade + compressibilidade | Descrever por segmento: diâmetro, compressibilidade, continuidade, varicosidades, trombose, bifurcações, trajetos superficiais e comprimento aproveitável. O calibre aceitável varia por serviço; por segurança didática, menor que 2 mm fica vermelho, 2–2,9 mm amarelo e 3 mm ou mais verde se a parede e o trajeto forem adequados.favorável: ≥3 mm, compressível, contínua e sem varizes/tromboselimítrofe: 2–2,9 mm ou trecho útil curtodesfavorável: <2 mm, trombosada, varicosa importante ou descontínua |
| Refluxo superficial — safenas, acessórias e tributárias | > 0,5 s | Pesquisa preferencialmente em ortostase ou posição dependente, com manobra padronizada e tempo de refluxo medido no Doppler espectral.normal: até 0,5 slimítrofe/técnico: 0,45–0,50 s ou manobra/posição inadequadarefluxo patológico: maior que 0,5 s |
| Refluxo profundo — segmento femoropoplíteo | > 1,0 s | Para veias femoral comum, femoral e poplítea, muitos consensos usam corte maior que 1,0 s; outros segmentos profundos usam maior que 0,5 s.normal: até 1,0 s no femoropoplíteozona cinzenta: 0,8–1,0 s ou técnica inconsistenterefluxo profundo: maior que 1,0 s no femoropoplíteo |
| Veias perfurantes | > 0,35–0,50 s | Há divergência entre 0,35 s e 0,50 s. Consenso brasileiro aceita maior que 0,35 s; critérios terapêuticos internacionais frequentemente exigem maior que 0,5 s e diâmetro maior que 3,5 mm, especialmente sob úlcera ou pele alterada.normal consensual: menor que 0,35 sdivergência entre referências: 0,35–0,50 s ou sem diâmetro/contextopatológico mais aceito: maior que 0,50 s com diâmetro maior que 3,5 mm ou pele/úlcera relacionada |
| Membros superiores, jugulares e subclávias | compressão quando possível + Doppler | Veia jugular interna, axilar, braquial, basílica e cefálica devem ser comprimidas quando possível; a subclávia é parcialmente limitada pela clavícula e depende mais de cor, espectro, fasicidade e comparação contralateral.normal: compressível onde possível, fluxo espontâneo, fásico e simétricolimitação anatômica: subclávia não totalmente compressível, mas com Doppler normalobstrução/trombose: não compressível, sem preenchimento, colaterais ou onda contínua assimétrica |
| Trombose venosa superficial | não compressibilidade + trombo | Descrever extensão, distância da junção profunda, veia envolvida e sinais inflamatórios. Proximidade com junção safenofemoral/safenopoplítea ou extensão para sistema profundo aumenta a gravidade.ausente: veia superficial compressível e pérviasuperficial localizada: trombo superficial afastado do sistema profundoalto risco: próximo de junção profunda, extenso, ascendente ou com trombose profunda associada |
Classificações e calculadoras
Assistente interativo — trombose, refluxo e obstrução venosa
| Saída | Cor | Uso prático |
|---|---|---|
| Pérvio/normal | Verde | Compressibilidade preservada, fluxo fásico/simétrico e refluxo abaixo dos cortes aceitos. |
| Indeterminado, limitado ou pós-trombótico | Amarelo | Use quando há limitação técnica, subclávia não compressível anatomicamente, refluxo limítrofe ou cicatriz pós-trombótica. |
| Trombose, obstrução ou refluxo patológico | Vermelho | Veia não compressível, trombo, ausência de fluxo, colaterais centrais, onda contínua assimétrica ou refluxo claramente acima dos cortes. |
A calculadora não substitui probabilidade clínica, dímero D, seguimento seriado ou venografia/tomografia/ressonância quando a suspeita central permanece alta.
Fonte: SRU 2018 / ACR-AIUM-SPR-SRU / IAC / AVF 2026
Mapeamento venoso de varizes — checklist técnico
| Etapa | O que documentar | Cor didática |
|---|---|---|
| Sistema profundo primeiro | Compressibilidade, perviedade, fasicidade e refluxo profundo quando o exame é de insuficiência venosa. | Verde se completo e normal |
| Safena magna | Junção safenofemoral, calibre na coxa e perna, refluxo terminal/pré-terminal/segmentar, origem e drenagem. | Verde se sem refluxo e bem documentada |
| Safena parva | Junção safenopoplítea, distância ao joelho, calibre, extensão cranial, veia de Giacomini e drenagem. | Amarelo quando anatomia é variável |
| Tributárias e acessórias | Topografar fonte e drenagem do refluxo; não chamar tudo de safena sem identificar o tronco envolvido. | Amarelo se falta topografia |
| Perfurantes | Local, distância ao joelho ou planta do pé, diâmetro, refluxo e relação com pele/úlcera. | Amarelo/vermelho conforme refluxo e diâmetro |
| Trombose ou extensão profunda | Veia não compressível, trombo em safena próximo da junção profunda, extensão para sistema profundo ou flegmasia. | Vermelho |
O mapa deve ser anatômico e funcional: onde nasce o refluxo, por onde passa, para onde drena e quais segmentos são tratáveis.
Fonte: CBR-SBACV-SP 2020 / SVS-AVF-AVLS 2023 / ESVS 2022
Safenas — padrões de refluxo para escrever no laudo
| Padrão | Como reconhecer | Como reportar |
|---|---|---|
| Refluxo terminal | Válvula terminal/junção incompetente com refluxo entrando no tronco safeno. | Dizer junção, extensão crânio-caudal e drenagem para tributárias/perfurantes. |
| Refluxo pré-terminal | Válvula terminal competente, mas refluxo abaixo da junção por tributária, acessória ou perfurante. | Diferenciar de insuficiência da junção para evitar tratamento excessivo. |
| Refluxo segmentar | Trecho limitado da safena com refluxo e segmentos normais acima/abaixo. | Descrever início, término e conexões. |
| Refluxo por tributária ou acessória | Tronco safeno pode estar competente, mas há refluxo em acessória anterior/posterior ou tributária. | Nomear a veia e sua relação com o compartimento safeno. |
| Veia de Giacomini ou extensão cranial da parva | Comunicação da safena parva com veias da coxa/safena magna. | Registrar trajeto e direção de drenagem. |
| Pós-cirúrgico ou recidiva | Coto, neovascularização, safena remanescente, acessória insuficiente ou perfurante insuficiente. | Relatar fonte da recidiva em vez de apenas “varizes”. |
Fonte: CBR-SBACV-SP 2020 / Caggiati nomenclature / local report corpus
Perfurantes — leitura por cor
| Cor | Critério | Interpretação |
|---|---|---|
| Verde | Sem refluxo ou refluxo menor que 0,35 s. | Não chamar de perfurante insuficiente apenas pelo diâmetro. |
| Amarelo | Refluxo 0,35–0,50 s, diâmetro isolado maior que 3,5 mm ou topografia incompleta. | Zona de divergência: documentar e correlacionar com pele, úlcera e varizes. |
| Vermelho | Refluxo maior que 0,50 s com diâmetro maior que 3,5 mm, principalmente sob pele alterada ou úlcera. | Critério mais aceito para perfurante patológica/tratável. |
No consenso brasileiro, maior que 0,35 s já define refluxo de perfurante; em critérios terapêuticos internacionais, o conjunto refluxo maior que 0,5 s + diâmetro maior que 3,5 mm é mais usado.
Fonte: CBR-SBACV-SP 2020 / SVS-AVF-AVLS 2023 / ESVS 2022 / CMS LCD
Mapeamento de safena para enxerto — tabela prática
| Cor | Achado | Conduta no laudo |
|---|---|---|
| Verde | Safena contínua, compressível, sem trombose/varizes importantes e diâmetro em geral igual ou maior que 3 mm. | Informar extensão útil e calibres por segmento. |
| Amarelo | Calibre 2–2,9 mm, bifurcações, segmento curto, trajeto superficial ou parede irregular. | Descrever limitações sem reprovar universalmente; decisão é cirúrgica. |
| Vermelho | Calibre menor que 2 mm, trombose, varicosidade importante, descontinuidade ou pós-ablação. | Destacar como desfavorável e procurar alternativa se solicitado. |
Fonte: vascular lab vein mapping protocols / CBR-SBACV-SP 2020
Pesquisa de trombose venosa — leitura por cores
| Cor | Achado | Interpretação |
|---|---|---|
| Verde | Veia compressível, sem material intraluminal, fluxo colorido e onda fásica. | Normal no segmento avaliado, se o exame foi completo. |
| Amarelo | Compressão parcial duvidosa, segmento não visto, panturrilha limitada ou alteração crônica aderida à parede. | Relatar limitação e considerar controle seriado ou método complementar conforme risco clínico. |
| Vermelho | Veia não compressível, material intraluminal, ausência de preenchimento, trombo flutuante ou extensão proximal. | Compatível com trombose/oclusão até prova em contrário; comunicar conforme protocolo local. |
Fonte: SRU 2018 / ACR-AIUM-SPR-SRU / IAC
Refluxo venoso — limites didáticos por segmento
| Segmento | Verde | Amarelo | Vermelho |
|---|---|---|---|
| Safenas, acessórias e tributárias | até 0,5 s | 0,45–0,50 s ou técnica ruim | maior que 0,5 s |
| Femoral comum, femoral e poplítea | até 1,0 s | 0,8–1,0 s ou manobra inadequada | maior que 1,0 s |
| Perfurantes | menor que 0,35 s | 0,35–0,50 s ou sem contexto clínico | maior que 0,50 s, especialmente se diâmetro maior que 3,5 mm |
| Veias profundas abaixo do joelho | até 0,5 s em muitas referências | técnica dependente | maior que 0,5 s quando reprodutível |
Sempre registrar posição do paciente, manobra usada e origem/drenagem do refluxo. Fluxo invertido por obstrução proximal não deve ser chamado de refluxo valvar.
Fonte: CBR-SBACV-SP 2020 / SVS-AVF / ESVS 2022 / CMS LCD
Jugulares, subclávias e suspeita de obstrução central
| Local | Avaliação prática | Sinal de alerta |
|---|---|---|
| Veia jugular interna | Compressão direta, cor e espectro. | Não compressibilidade ou trombo. |
| Veia subclávia | Compressão limitada pela clavícula; usar preenchimento colorido, fasicidade, pulsatilidade e comparação com o lado oposto. | Onda contínua/monofásica assimétrica, pouca variação respiratória ou colaterais. |
| Veias braquiocefálicas e cava superior | Geralmente avaliação indireta; considerar tomografia, ressonância ou venografia se alta suspeita. | Edema de face/braço, colaterais torácicas, cateter ou marcapasso com onda central anormal. |
Fonte: ACR Appropriateness Criteria 2020 / SVU 2019 / AVF 2026
Classificação clínica CEAP — doença venosa crônica
| Classe | Achado clínico | Cor didática |
|---|---|---|
| C0 | Sem sinais visíveis ou palpáveis | Verde |
| C1 | Telangiectasias ou veias reticulares | Amarelo se sintomático |
| C2 | Varizes | Amarelo |
| C3 | Edema venoso | Amarelo |
| C4 | Alterações de pele por doença venosa | Vermelho |
| C5 | Úlcera venosa cicatrizada | Vermelho |
| C6 | Úlcera venosa ativa | Vermelho |
CEAP é classificação clínica; a cor aqui é didática e não substitui a categoria clínica completa com etiologia, anatomia e fisiopatologia.
Fonte: AVF CEAP 2020 / ESVS 2022
Diferenciais úteis quando não é trombose
| Cenário | Possibilidades | Pista ultrassonográfica |
|---|---|---|
| Dor e edema em panturrilha | Cisto poplíteo roto, lesão muscular, hematoma, celulite, linfedema. | Veias compressíveis e achado extravascular explicativo. |
| Edema bilateral | Insuficiência cardíaca, renal, hepática, medicamentosa ou linfática. | Fluxo venoso pérvio; procurar simetria e contexto sistêmico. |
| Edema de braço, face ou colaterais torácicas | Obstrução venosa central por cateter, marcapasso, massa ou trombose central. | Onda contínua assimétrica, perda de fasicidade ou colaterais. |
| Dor intensa com membro muito edemaciado | Trombose extensa, flegmasia, síndrome compartimental ou infecção grave. | Comunicação urgente mesmo antes de completar mapeamento amplo. |
Fonte: SRU 2018 / ACR-AIUM-SPR-SRU / CBR-SBACV-SP
Aorta e ilíacas — artérias e veias
Categoria dedicada ao eixo aortoilíaco: rastreio/seguimento de aneurisma de aorta abdominal, aneurisma/ectasia de artérias ilíacas, estenose arterial aortoilíaca, obstrução venosa iliocaval e controle pós-reparo. Verde = consenso de normalidade; amarelo = zona limítrofe, técnica limitada ou divergência entre referências; vermelho = aneurisma, estenose/oclusão, obstrução venosa significativa, crescimento, sintomas ou complicação.
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Aorta abdominal — diâmetro máximo externo a externo | < 3,0 cm | Medir perpendicular ao eixo do vaso, no maior diâmetro. Aneurisma começa em 3,0 cm; ectasia 2,5–2,9 cm é zona amarela.normal consensual: <2,5 cmectasia: 2,5–2,9 cmaneurisma: ≥3,0 cm |
| Aneurisma de aorta abdominal — limiar de reparo habitual | homem ≥5,5; mulher ≥5,0 cm | Também considerar avaliação vascular se sintomático, sacular/pseudoaneurisma, sinais de ruptura ou crescimento rápido.seguimento: 3,0–4,9 cmperto do limiar: 5,0–5,4 cmlimiar de reparo: ≥5,5 cm homem; ≥5,0 cm mulher |
| Artéria ilíaca comum — diâmetro | < 1,5–1,7 cm | Há divergência: ectasia pode ser definida a partir de 1,5 cm em mulheres ou 1,7 cm em homens; muitos serviços tratam ≥2,0 cm como aneurisma pequeno e ≥3,5 cm como limiar forte de reparo.normal mais consensual: <1,5 cmectasia/divergente: 1,5–1,9 cmaneurisma ilíaco: ≥2,0–2,5 cmdiscutir reparo: ≥3,5 cm |
| Estenose arterial aortoilíaca — razão de velocidades | ≥ 2,0 | Razão entre velocidade no jato e segmento proximal normal; usar ângulo menor que 60 graus e correlacionar com aliasing, estreitamento e onda distal.sem estenose hemodinâmica: <1,5leve/zona técnica: 1,5–1,99estenose ≥50%: ≥2,0grave: >4,0 |
| Obstrução venosa ilíaca/cava — razão de velocidades | > 2,5 | Critério útil, mas não absoluto: integrar com perda de fasicidade na veia femoral comum, colaterais, compressão extrínseca, trombo, stent e sintomas.normal provável: <2,0 + onda fásicasuspeito/limítrofe: 2,0–2,5 ou onda pouco fásicaobstrução significativa: >2,5 ou colaterais/no flow |
| Pós-endoprótese de aorta — saco aneurismático | estável ou reduzindo | Crescimento do saco, vazamento periprotético, migração, torção, trombose de ramo ou ausência de fluxo em ramo ilíaco são alertas.estável: saco estável/reduzindo, sem vazamentovazamento tipo II sem crescimento: acompanhar conforme serviçocomplicação: tipo I/III, crescimento ≥5 mm, trombose/oclusão |
Classificações e calculadoras
Assistente interativo — aorta, ilíacas arteriais e veias ilíacas/cava
| Saída | Cor | Interpretação |
|---|---|---|
| Normal/perviedade preservada | Verde | Aorta <2,5 cm, ilíacas sem ectasia relevante, razão arterial <1,5, onda arterial multifásica e onda venosa fásica/simétrica. |
| Limítrofe, técnico ou divergente | Amarelo | Aorta 2,5–2,9 cm, ilíaca 1,5–1,9 cm, janela ruim, razão venosa 2,0–2,5, onda venosa pouco fásica ou pós-reparo estável com achado menor. |
| Aneurisma, estenose, oclusão ou obstrução | Vermelho | Aorta ≥3,0 cm, ilíaca ≥2,0–2,5 cm, razão arterial ≥2,0, sem fluxo, razão venosa >2,5, colaterais, sintomas ou complicação de endoprótese. |
O assistente classifica risco ultrassonográfico e qualidade da documentação; conduta final depende de sintomas, sexo, crescimento, anatomia, risco cirúrgico e protocolo vascular local.
Fonte: ACC/AHA 2022 / SVS / ESVS 2024 / SVU / IAC / JVS Venous
Aorta abdominal — rastreio e seguimento
| Diâmetro máximo | Cor | Leitura prática |
|---|---|---|
| <2,5 cm | Verde | Normal na maioria dos adultos; se o pedido era rastreio, registrar medida máxima e segmento visualizado. |
| 2,5–2,9 cm | Amarelo | Ectasia: abaixo do critério clássico de aneurisma, mas deve ser descrita; SVS sugere reavaliação tardia quando rastreio inicial >2,5 e <3,0 cm. |
| 3,0–3,9 cm | Vermelho | Aneurisma pequeno; seguimento de imagem costuma ser em intervalo longo, por exemplo 3 anos na SVS. |
| 4,0–4,9 cm | Vermelho | Aneurisma moderado; seguimento mais próximo, frequentemente anual. |
| 5,0–5,4 cm | Vermelho | Aneurisma grande ou perto do limiar; geralmente seguimento semestral e avaliação vascular. |
| ≥5,5 cm homem ou ≥5,0 cm mulher | Vermelho | Limiar habitual de reparo em diretrizes atuais, se anatomia e risco permitirem. |
Fonte: SVS / ACC-AHA 2022 / USPSTF / ESVS 2024
Artérias ilíacas — diâmetro e aneurisma
| Diâmetro da ilíaca comum | Cor | Comentário |
|---|---|---|
| <1,5 cm | Verde | Normalidade mais consensual para leitura didática. |
| 1,5–1,9 cm | Amarelo | Ectasia ou zona divergente: alguns cortes variam por sexo e biotipo. |
| 2,0–2,4 cm | Amarelo | Muitos estudos chamam de aneurisma pequeno; risco de ruptura baixo, mas merece documentação e comparação. |
| 2,5–3,4 cm | Vermelho | Aneurisma ilíaco estabelecido em referências radiológicas/vasculares; avaliar crescimento, bilateralidade e aorta associada. |
| ≥3,5 cm | Vermelho | Limiar forte para discussão de reparo em ACC/AHA e ESVS, especialmente se concomitante a aneurisma de aorta. |
Fonte: ACC/AHA 2022 / ESVS 2024 / JVS / Radiopaedia
Estenose arterial aortoilíaca — Doppler
| Achado | Cor | Interpretação |
|---|---|---|
| Razão de velocidades <1,5 e onda multifásica | Verde | Sem estenose hemodinamicamente relevante no segmento avaliado. |
| Razão 1,5–1,99 ou jato isolado sem boa referência | Amarelo | Zona leve/técnica: conferir ângulo, tortuosidade, calcificação e segmento proximal normal. |
| Razão ≥2,0, aliasing focal ou onda distal amortecida | Vermelho | Compatível com estenose hemodinamicamente significativa, frequentemente ≥50%. |
| Razão >4,0 ou sem fluxo | Vermelho | Estenose grave/oclusão; documentar extensão, reconstituição distal e colaterais. |
Fonte: ACR-AIUM-SRU arterial Doppler / Society for Vascular Medicine / SVU
Veias ilíacas e veia cava inferior — obstrução
| Achado | Cor | Interpretação |
|---|---|---|
| Onda fásica/simétrica na veia femoral comum e cava/ilíacas pérvias | Verde | Normalidade provável quando a janela é adequada e não há colaterais. |
| Fasicidade reduzida, razão 2,0–2,5 ou segmento não visualizado | Amarelo | Suspeita/limitação: ultrassom pode ser indireto; integrar com edema unilateral, CEAP avançado e história de trombose. |
| Razão venosa >2,5, colaterais, trombo, ausência de fluxo ou stent ocluído | Vermelho | Sugere obstrução iliocaval significativa; considerar angiotomografia, venografia por ressonância, venografia ou ultrassom intravascular conforme cenário. |
Síndrome de May-Thurner/compressão da ilíaca comum esquerda pode ser subestimada no ultrassom transabdominal; não excluir se a suspeita clínica for alta.
Fonte: JVS Venous 2016 / ESVS 2022 / ACR venous guidance / Labropoulos
Pós-reparo de aorta/ilíacas — pontos críticos
| Cenário | Cor | O que documentar |
|---|---|---|
| Saco estável ou reduzindo, sem vazamento | Verde | Diâmetro máximo do saco, perviedade de ramos ilíacos e velocidades sem jato focal. |
| Vazamento tipo II sem crescimento do saco | Amarelo | Localização provável, fluxo no saco e comparação com exames prévios; seguir protocolo local. |
| Vazamento tipo I/III, crescimento ≥5 mm, ramo sem fluxo ou migração | Vermelho | Comunicar como complicação potencialmente relevante e sugerir correlação com angiotomografia/serviço vascular. |
Fonte: SVU aortoiliac duplex / ACC-AHA 2022 / SVS
Doppler vascular
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Refluxo venoso — duração patológica | > 0,5 s | superficial e profundo (joelho/coxa podem usar > 1 s no femoropoplíteo) |
| TVP — critério principal | — | veia NÃO compressível (+ ausência de fluxo/preenchimento) |
Classificações e calculadoras
Estenose de carótida interna — SRU 2003
| Grau | PSV (cm/s) | EDV (cm/s) | Razão ACI/ACC |
|---|---|---|---|
| Normal | < 125 | < 40 | < 2,0 |
| < 50% | < 125 | < 40 | < 2,0 |
| 50–69% | 125–230 | 40–100 | 2,0–4,0 |
| ≥ 70% | > 230 | > 100 | > 4,0 |
| Quase oclusão | variável | — | — |
| Oclusão | sem fluxo | — | — |
Atualização IAC 2023 elevou o limiar de 50% para PSV > 180 cm/s e criou categoria Normal distinta — verifique o padrão adotado no seu serviço.
Fonte: SRU Consensus 2003 (Radiology) / Radiopaedia
CEAP — classificação clínica (venoso)
| Classe | Achado clínico |
|---|---|
| C0 | Sem sinais visíveis/palpáveis |
| C1 | Telangiectasias / veias reticulares |
| C2 | Varizes |
| C3 | Edema |
| C4 | Alterações de pele (pigmentação, eczema, lipodermatosclerose) |
| C5 | Úlcera cicatrizada |
| C6 | Úlcera ativa |
Fonte: CEAP (StatPearls)
Mama
A categoria BI-RADS deve permanecer padronizada internacionalmente. O caminho de rastreamento, convocação, biópsia e seguimento deve seguir a política local: ACR/Estados Unidos, CBR/SBM/FEBRASGO no Brasil, EUSOBI/ESR na Europa e diretrizes nacionais equivalentes. Em achado palpável ou discordância clínica, a conduta não deve ser reduzida apenas pela imagem negativa.
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Cobertura mínima do exame | mamas e axilas quando indicadas | No Brasil, CBR/SBM/FEBRASGO recomendam extensão axilar quando há nódulo ou lesão suspeita; a cobrança/código pode ser separado.completo: mamas documentadas e axila avaliada quando indicadafocal aceitável: pedido focal com área clínica claramente documentadaincompleto: lateralidade, área sintomática ou axila indicada não documentada |
| Localização de achado focal | lateralidade + posição no relógio + distância da papila | Para leigos/aprendizes, prefira texto completo: mama direita, 10 horas, 35 mm da papila.bem localizado: lateralidade, relógio e distânciaaceitável em rastreamento: quadrante/região quando não há lesão focalambíguo: sem lateralidade ou sem relação com área palpável |
| Medidas de nódulo | 3 dimensões em 2 planos ortogonais | Registrar o maior eixo e o plano usado; usar milímetros favorece consistência em relatório estruturado.ideal: três medidas e dois planosparcial: duas medidas quando a terceira não é obtidainsuficiente: sem medida ou sem plano/localização |
| Ecotextura de fundo | gordurosa, fibroglandular ou heterogênea | Afeta a conspicuidade de lesões e deve ser informada em ultrassom de rastreamento/suplementar.descrita: composição/ecotextura documentadacontextual: omitida em exame focal simpleslimita interpretação: rastreamento suplementar sem ecotextura |
Classificações e calculadoras
Assistente rápido — BI-RADS ultrassonográfico
| Saída | Cor | Interpretação |
|---|---|---|
| BI-RADS 1–2 | Verde | Consenso de normalidade/benignidade quando não há discordância clínica. |
| BI-RADS 0 ou 3 | Amarelo | Avaliação incompleta, provável benignidade ou zona em que diretrizes podem variar. |
| BI-RADS 4A–4C, 5 ou 6 | Vermelho | Suspeito, altamente suspeito ou malignidade comprovada; geralmente exige diagnóstico tecidual ou fluxo oncológico. |
Use o assistente como checklist de descritores. A categoria final deve refletir o achado de maior suspeição e a concordância entre clínica e imagem.
Fonte: ACR BI-RADS v2025 / RANZCR SBIR 2023 / StatPearls
ACR BI-RADS — categorias detalhadas para ultrassom
| Categoria | Cor | Significado / conduta | Risco |
|---|---|---|---|
| 0 | Amarelo | Incompleto: precisa de imagem adicional, comparação ou avaliação diagnóstica. | — |
| 1 | Verde | Negativo: rotina conforme idade, risco e política local. | sem achado suspeito |
| 2 | Verde | Benigno: cisto simples, linfonodo intramamário típico, achado pós-operatório estável ou equivalente. | essencialmente benigno |
| 3 | Amarelo | Provavelmente benigno: seguimento de curto intervalo, frequentemente 6 meses, se clínica e imagem concordam. | < 2% |
| 4A | Vermelho | Baixa suspeição: diagnóstico tecidual geralmente indicado. | > 2–10% |
| 4B | Vermelho | Suspeição moderada: diagnóstico tecidual indicado. | > 10–50% |
| 4C | Vermelho | Alta suspeição, mas ainda não clássica para categoria 5. | > 50–< 95% |
| 5 | Vermelho | Altamente sugestivo de malignidade: biópsia e planejamento oncológico. | > 95% |
| 6 | Vermelho | Malignidade comprovada por biópsia antes do tratamento definitivo. | confirmado |
Categoria 3 não deve ser usada para “dúvida”. Se houver incerteza diagnóstica relevante, discordância clínica ou achado suspeito, considerar categoria 0 ou 4 conforme o cenário.
Fonte: ACR BI-RADS v2025 / RANZCR SBIR 2023 / StatPearls
Léxico BI-RADS de ultrassom — descritores do nódulo
| Descritor | Verde | Amarelo | Vermelho |
|---|---|---|---|
| Forma | oval ou redonda, se demais achados benignos | redonda isolada ou contexto incompleto | irregular |
| Orientação | paralela à pele | não descrita ou difícil de avaliar | não paralela, mais alto que largo |
| Margem | circunscrita | indistinta em contexto benigno possível | angular, microlobulada ou espiculada |
| Padrão de eco | anecoico típico de cisto simples | hipoecoico ou heterogêneo isolado | complexo cístico-sólido ou sólido suspeito |
| Achado posterior | reforço posterior em cisto simples | sombra isolada pode ocorrer em benignos | sombra com margem/forma suspeita |
| Focos ecogênicos e calcificações | macrocalcificação claramente benigna | melhor correlacionar com mamografia | focos dentro do nódulo ou calcificações suspeitas correlatas |
| Achados associados | ausentes | alterações pós-operatórias/inflamatórias explicáveis | distorção, retração de pele/papila, edema ou linfonodo axilar anormal |
| Elasticidade | macia como achado adjunto | intermediária ou heterogênea | rígida como achado adjunto; não substitui modo B |
A cor da linha reflete o pior achado listado; combinar descritores, comparação com exames prévios e motivo do exame.
Fonte: ACR BI-RADS v2025 ultrasound lexicon / Radiology Assistant summary / RANZCR SBIR
Protocolo técnico — mama e axila
| Situação | O que documentar | Cor |
|---|---|---|
| Rastreamento ou exame bilateral completo | Quadrantes, região retroareolar, composição/ecotextura e axilas quando indicadas. | Verde se completo |
| Exame focal | Documentar exatamente a queixa, lateralidade, posição e relação com o achado palpável. | Amarelo se justificável |
| Achado focal | Duas projeções ortogonais, três medidas, lateralidade, posição no relógio, distância da papila e orientação do transdutor. | Vermelho se incompleto em lesão suspeita |
| Massa palpável com imagem negativa | Aplicar concordância clínica: a falta de achado de imagem não exclui biópsia se a clínica for suspeita. | Amarelo/vermelho conforme clínica |
| Linfonodo axilar anormal | Tratar como lesão significativa: lado, nível/região, morfologia, córtex, hilo, vascularização e se há lesão mamária associada. | Vermelho se suspeito |
Fonte: ACR whole-breast ultrasound parameter / CBR-SBM-FEBRASGO / RANZCR SBIR
Padrões internacionais e regionais
| Região | Padrão prático | Aplicação no app |
|---|---|---|
| Global / ACR | BI-RADS v2025 padroniza terminologia, estrutura, categorias e recomendações para mamografia, ultrassom, ressonância e mamografia contrastada. | Usar BI-RADS como núcleo comum. |
| Brasil | Ultrassom é complementar à mamografia após 40 anos quando indicado; antes dos 30 anos é exame inicial comum para alteração clínica. Axilas podem exigir solicitação/código separado. | Mostrar nota regional e evitar omitir axila indicada. |
| Europa / EUSOBI-ESR | Usa BI-RADS como linguagem comum; rastreamento pode ser ajustado por densidade e risco, com recomendações específicas para mamas extremamente densas. | Separar categoria BI-RADS da política de rastreamento local. |
| Austrália e Nova Zelândia / RANZCR | Relatório sinótico baseado em BI-RADS, com lesão por lesão, correlação clínica e recomendação de manejo. | Reforçar lateralidade, distância da papila, três medidas e concordância clínica. |
| Demais países representados | Quando a política nacional divergir, manter categoria BI-RADS padronizada e adaptar apenas rastreamento, recall, biópsia e intervalo de seguimento. | Não inventar consenso onde houver divergência. |
Fonte: ACR BI-RADS v2025 / CBR-SBM-FEBRASGO / EUSOBI-ESR / RANZCR SBIR / ACR Appropriateness Criteria
Resumo BI-RADS — ultrassom mamário
| Categoria | Significado / conduta | Risco malig. |
|---|---|---|
| 0 | Inconclusivo — complementar com mamografia, ressonância magnética, comparação ou nova avaliação | — |
| 1 | Negativo — rastreio de rotina | 0% |
| 2 | Achado benigno | 0% |
| 3 | Provavelmente benigno — controle em 6 meses | < 2% |
| 4 | Suspeito — biópsia (4A 2–10% · 4B 10–50% · 4C 50–95%) | 2–95% |
| 5 | Altamente suspeito — biópsia | > 95% |
| 6 | Malignidade comprovada (biópsia) | — |
Fonte: ACR BI-RADS / StatPearls
Resumo didático — sinais de suspeita no nódulo mamário
| Aspecto | Achado suspeito |
|---|---|
| Orientação | Não paralelo (mais alto que largo) |
| Margens | Espiculadas, anguladas, microlobuladas |
| Forma | Irregular |
| Acústica posterior | Sombra acústica |
| Ecogenicidade/focos | Hipoecoico marcado; microcalcificações |
Fonte: ACR BI-RADS US léxico
Axilas
A axila deve ser interpretada pelo contexto: nódulo palpável, achado mamário suspeito, estadiamento oncológico, pós-operatório, vacinação recente, infecção cutânea ou massa de partes moles. ACR considera ultrassom da axila usualmente apropriado para nódulo axilar palpável e para muitos cenários de câncer de mama; EUSOBI orienta tratar adenopatia pós-vacinal como contextual quando ipsilateral, recente e sem achado mamário suspeito.
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Protocolo mínimo da axila | transdutor linear de alta frequência; lado, área palpável, pele, subcutâneo, tecido mamário acessório, linfonodos e vasos quando relevantes | Em contexto mamário/oncológico, documente o nível axilar quando possível: lateral ao peitoral menor, posterior ao peitoral menor ou medial ao peitoral menor.completo: lado, topografia, morfologia e Doppler quando indicadofocal aceitável: apenas área sintomática, com limitação claramente descritaincompleto: nódulo palpável ou contexto oncológico sem avaliação do linfonodo/mama correlata |
| Linfonodo axilar típico normal | oval ou levemente lobulado, córtex fino e homogêneo, hilo gorduroso preservado | Córtex menor que 3 mm com hilo central ecogênico é o padrão mais usado para normalidade; tamanho isolado é menos confiável que morfologia.normal consensual: córtex <3 mm, hilo preservado, formato ovallimítrofe: córtex 3–5 mm, difuso e com hilo preservadoanormal consensual: hilo ausente/substituído, córtex focal excêntrico ou formato arredondado suspeito |
| Córtex do linfonodo | <3 normal; 3–5 zona cinzenta; >5 suspeito se não houver explicação reacional clara mm | Alguns estudos usam cortes de 2,3–3 mm para sensibilidade, mas isso aumenta falso positivo. Por isso a tabela usa amarelo para espessamento isolado com hilo preservado.normal: <3 mmzona cinzenta: 3–5 mmsuspeito: >5 mm ou espessamento excêntrico |
| Forma do linfonodo | relação eixo longo/eixo curto ≥2 favorece benignidade; <2 sugere arredondamento | Não use abreviações no laudo para aprendizes: escreva eixo longo e eixo curto. A forma arredondada pesa mais quando associada a perda do hilo ou córtex excêntrico.oval: relação ≥2indeterminado: relação próxima de 2 com hilo preservadoarredondado: relação <2 com achados suspeitos associados |
| Doppler do linfonodo | fluxo hilar/central é mais tranquilizador; fluxo periférico, misto ou caótico aumenta suspeita | Doppler é adjunto: ausência de fluxo não exclui doença, e hiperemia pode ser reacional em vacina, infecção ou hidradenite.hilar ou ausente: compatível se morfologia benignaaumentado reacional: central/hilar em contexto inflamatórioperiférico/desorganizado: especialmente com hilo perdido ou massa mamária suspeita |
| Tecido mamário acessório axilar | ecotextura semelhante à mama, podendo conter cistos, fibroadenoma ou neoplasia como o tecido mamário habitual | Se houver lesão focal verdadeira no tecido mamário acessório, descreva com léxico mamário e categoria BI-RADS conforme o contexto local.tecido acessório típico: sem nódulo focalachado benigno provável: cisto simples ou fibroadenoma típicolesão suspeita: nódulo irregular, não paralelo, calcificações suspeitas ou pele retraída |
| Hidradenite, abscesso e pele axilar | espessamento dérmico, trajetos/túneis, coleções, debris e hiperemia periférica | Ultrassom ajuda a separar linfonodo, abscesso drenável, fístula cutânea, cisto epidérmico e celulite. Gás, coleção profunda ou sinais sistêmicos elevam urgência.pele normal: sem coleção ou trajetoinflamatório: espessamento, hiperemia ou trajeto superficialcomplicado: abscesso drenável, gás, coleção profunda ou imunossupressão |
Classificações e calculadoras
Assistente rápido — linfonodo axilar
| Saída | Cor | Interpretação |
|---|---|---|
| Normal típico | Verde | Oval, hilo gorduroso preservado, córtex <3 mm e fluxo hilar/ausente. |
| Reacional/indeterminado | Amarelo | Córtex 3–5 mm, espessamento difuso com hilo preservado, vacinação/infecção recente ou contexto incompleto. |
| Suspeito | Vermelho | Hilo ausente/substituído, córtex focal excêntrico, formato arredondado, fluxo periférico/caótico ou achado mamário/oncológico associado. |
A saída é uma triagem didática, não substitui BI-RADS, protocolo oncológico local nem decisão de biópsia.
Fonte: ACR Imaging of the Axilla / Bedi AJR 2008 / EUSOBI 2023
Classificação morfológica tipo Bedi — didática
| Tipo | Cor | Morfologia | Leitura prática |
|---|---|---|---|
| 1 | Verde | Sem córtex visível ou córtex extremamente fino | Benigno típico se contexto concorda. |
| 2 | Verde | Córtex fino até 3 mm, hilo preservado | Normal consensual. |
| 3 | Amarelo | Córtex difusamente espessado, geralmente >3 mm, hilo preservado | Pode ser reacional; comparar lado, vacina, pele e mama. |
| 4 | Amarelo | Espessamento cortical lobulado ou focal com hilo ainda identificável | Mais preocupante que o tipo 3; depende de contexto e acesso a biópsia. |
| 5 | Vermelho | Córtex focal proeminente ou substituição parcial importante do hilo | Suspeito, especialmente em câncer de mama ou melanoma. |
| 6 | Vermelho | Hilo ausente/substituído, linfonodo arredondado ou massa nodal | Consenso de anormalidade morfológica. |
Publicações variam: algumas agrupam tipos 1–4 como benignos e 5–6 como suspeitos; neste acervo o tipo 4 fica amarelo porque é zona de decisão.
Fonte: Bedi et al. AJR 2008 / axillary node reviews
Contexto clínico — quando subir a cor
| Cenário | Cor sugerida | Como usar no laudo |
|---|---|---|
| Sem achado mamário, sem câncer prévio, linfonodos típicos | Verde | Descrever como linfonodos de aspecto habitual se a queixa foi coberta. |
| Vacina recente ou infecção cutânea ipsilateral, sem achado mamário suspeito | Amarelo | Relatar como provável reacional quando morfologia não é francamente suspeita; seguir política local. |
| Pós-operatório, linfedema ou radioterapia | Amarelo | Comparar com exames prévios e registrar alteração cicatricial/seroma/linfonodo sentinela se aplicável. |
| Achado mamário suspeito ou câncer de mama conhecido | Vermelho | Descrever lado, nível axilar, córtex, hilo, forma, Doppler e considerar amostragem conforme protocolo. |
| Melanoma, linfoma, metástase conhecida ou massa sólida não nodal | Vermelho | Não encerrar como reacional sem correlação; pode exigir biópsia, ressonância ou tomografia conforme hipótese. |
Fonte: ACR Appropriateness Criteria / EUSOBI vaccination guidance / oncologic axilla reviews
Diferenciais de massa axilar
| Padrão no ultrassom | Possibilidades | Alerta |
|---|---|---|
| Tecido com ecotextura mamária, sem nódulo focal | Tecido mamário acessório | Verde apenas se não houver lesão focal. |
| Coleção superficial com debris ou hiperemia periférica | Abscesso, hidradenite, cisto epidérmico inflamado | Vermelho se gás, coleção profunda, febre ou imunossupressão. |
| Lesão gordurosa compressível e superficial | Lipoma, gordura acessória, hérnia rara | Amarelo se profunda, dolorosa, crescente ou não totalmente vista. |
| Massa sólida não lipomatosa ou margem infiltrativa | Metástase, linfoma, tumor de bainha nervosa, sarcoma, lesão cutânea avançada | Exige correlação e imagem/amostragem planejada. |
| Lesão vascular, pulsátil ou compressível com fluxo | Variz, malformação vascular, pseudoaneurisma, fístula | Doppler colorido e espectral antes de punção. |
Fonte: ACR Imaging of the Axilla / soft-tissue ultrasound reviews
Checklist de laudo — axilas
| Item | Escrever de forma clara |
|---|---|
| Lado e topografia | Axila direita/esquerda; área palpável; nível axilar quando relevante; relação com cicatriz ou pele. |
| Linfonodo | Eixo longo, eixo curto, espessura do córtex, hilo gorduroso, forma, margens e Doppler. |
| Contexto mamário | Se há lesão mamária suspeita, cirurgia prévia, radioterapia, linfedema, vacina recente ou infecção cutânea. |
| Massa não nodal | Camada anatômica, conteúdo, vascularização, relação com pele/fáscia/vasos e se foi vista por inteiro. |
| Conclusão | Use linguagem sem siglas: normal típico, provavelmente reacional, indeterminado ou suspeito; indique próximo passo local. |
Fonte: ACR / BI-RADS reporting principles / EUSOBI
Pélvico / transvaginal
Pelve feminina reúne protocolo adulto, transvaginal, avaliação de dispositivo intrauterino, miomas e acompanhamento puberal. Em adulta, documente via usada, bexiga cheia ou vazia, limitações, consentimento local, endométrio, miométrio, colo, ovários, anexos e fundo de saco. Quando houver dispositivo intrauterino ou mioma, descreva a relação com fundo uterino, cavidade endometrial, miométrio e serosa.
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Útero pré-puberal — comprimento e espessura | <4,0–4,5 cm | espessura geralmente <1 cm; comprimento ≤3,2 cm reduz a probabilidade de puberdade precoce em meninas encaminhadaspré-puberal robusto: ≤3,2 cm e espessura ≤1 cmzona cinzenta: >3,2–4,5 cm ou espessura 1–1,5 cmanormal no contexto: >4,5 cm ou espessura >1,5 cm em menor de 8 anos |
| Útero puberal — configuração | 5–8 cm | fundo uterino passa a predominar sobre a cérvix; a relação fundo/cérvix isolada tem sobreposiçãotubular: fundo/cérvix ≤1transição: 1–1,45puberal precoce se <8 anos: >1,45 ou 2:1–3:1 |
| Ovário — volume no acompanhamento puberal | <1–3,5 pré-puberal; >3,5–4 sugere estímulo cm³ | há sobreposição relevante; interpretar com útero, simetria e estágio clínicobaixo: ≤1 cm³divergente: >1–3,5 cm³puberal se <8 anos: >3,5–4 cm³investigar massa/cisto: >20 cm³ |
| Folículos e cistos ovarianos | <4 microcistos; 4–9 folículos; >9 macrocístico mm | folículos pequenos podem ser fisiológicos; cisto dominante unilateral muda a leiturausual infância: <4 mmtransição puberal: 4–9 mmmacrocístico contextual: >9–20 mmdominante/patológico: >20 mm |
| Endométrio e Doppler das artérias uterinas | pré-puberal: endométrio não visível e sem diástole | Doppler é complementar e tem cortes de índice de pulsatilidade muito variáveispré-puberal: sem endométrio e sem fluxo diastólicotransição: linha fina ou diástole intermitenteestrogenização se <8 anos: endométrio cíclico ou diástole contínua |
| Pelve adulta — preparo e via de exame | abdome com bexiga cheia se necessário; transvaginal com bexiga preferencialmente vazia | mais de uma via pode ser necessária; via transretal ou transperineal é alternativa quando a transvaginal não é apropriadadocumentação completa: via, bexiga, útero, endométrio, ovários, anexos e fundo de sacolimitação técnica: endométrio ou ovário não visto adequadamenteachado que muda conduta: massa sólida, torção, infecção, sangramento pós-menopausa ou dispositivo extrauterino |
| Útero adulto — medidas orientativas | comprimento 6–10; espessura 3–5; largura 4–6 cm | varia com idade, paridade, ciclo, miomas, adenomiose e técnica; descreva forma, orientação e volume quando útilhabitual em adulta: sem massa ou distorção cavitáriaaumentado/contextual: paridade, miomas ou adenomiose podem explicaralerta: crescimento pós-menopausa, massa atípica ou necrose |
| Endométrio — menacme | menstrual fino; proliferativo 4–8; secretor 7–14(16) mm | não usar um único corte sem fase do ciclo, hormônios e padrão focal; medir a maior espessura, excluindo líquido intracavitárioconcordante com fase: espessura e ecotextura esperadaslimítrofe: fase desconhecida, terapia hormonal, heterogeneidade discretaanormal focal: pólipo/massa, vascularização focal, sangramento persistente |
| Endométrio — pós-menopausa | ≤4 se sangramento único, baixo risco e eco totalmente visto; sangramento recorrente ou risco alto exige avaliação mm | ACOG 2026 recomenda ultrassom transvaginal associado a amostragem endometrial na maioria dos sangramentos pós-menopausa; espessura incidental sem sangramento não tem o mesmo pesobaixo risco selecionado: ≤4 mm, eco bem visto, episódio únicozona cinzenta: incidental sem sangramento, terapia hormonal, tamoxifeno ou eco incompletoinvestigar: >4 mm com sangramento, sangramento recorrente ou fatores de risco |
| Ovários adultos — medidas e folículos | medir em 3 diâmetros; folículos até 25 mm podem ser fisiológicos na menacme | após a menopausa os ovários podem não ser identificados; massa sólida, papilas, septos espessos, ascite ou vascularização suspeita mudam a leiturafisiológico: folículo simples compatível com cicloseguimento/contexto: cisto simples maior ou ovário não visto no contexto corretosuspeito: componente sólido, papilas, ascite, torção ou pós-menopausa com massa |
| Dispositivo intrauterino — posição ideal | haste central, braços abertos, topo junto ao fundo/cavidade; 3D ajuda a ver braços e orientação | não há definição universal para baixo; alguns estudos usam >3–4 mm, >5 mm ou >20 mm do fundo, por isso a cor depende de localização, sintomas e tipo de dispositivoadequado: fundal, central, braços abertosbaixo supracervical: acima do orifício interno, especialmente sem sintomasmalposicionado: cervical/parcialmente expulso, embutido, perfurado, extrauterino, braço não aberto |
| Miomas — documentação mínima | número, topografia, relação com cavidade, maior lesão em ≥2 dimensões e FIGO 0–8 quando possível | 3D, sonohisterografia ou ressonância podem ajudar a diferenciar FIGO 2 de FIGO 3 e mapear miomas híbridossem mioma: miométrio sem nódulo focalintramural/subseroso: FIGO 3–8 conforme sintomas e tamanhocavidade ou suspeita: FIGO 0–2, distorção cavitária, crescimento pós-menopausa ou morfologia atípica |
Classificações e calculadoras
Calculadora — O-RADS US v2022 (massa anexial)
| Categoria | Risco de malignidade | Conduta usual |
|---|---|---|
| O-RADS 1 | n/a (ovário normal) | Sem seguimento. |
| O-RADS 2 | <1% | Quase certamente benigno; seguimento só conforme tipo/tamanho. |
| O-RADS 3 | 1–<10% | Baixo risco; US especializado ou seguimento. |
| O-RADS 4 | 10–<50% | Intermediário; RM ou avaliação oncoginecológica. |
| O-RADS 5 | ≥50% | Alto risco; encaminhamento oncoginecológico. |
Requer exame padronizado (via transvaginal, momento do ciclo). Lesões benignas clássicas (hemorrágico, endometrioma, dermoide) têm regras próprias. O color score (fluxo 1–4) sobe a categoria em lesões multiloculadas e sólidas.
Fonte: ACR O-RADS US v2022 (Radiology 2022)
Calculadora — IOTA Simple Rules
| Regra | Interpretação |
|---|---|
| Só características B | Benigno. |
| Só características M | Maligno. |
| B e M, ou nenhuma | Inconclusivo (~20%): usar examinador experiente ou modelo ADNEX. |
B: uniloculado; sólido <7 mm; sombra acústica; multiloculado liso <10 cm; sem fluxo. M: sólido irregular; ascite; ≥4 papilas; multiloculado-sólido irregular ≥10 cm; fluxo intenso.
Fonte: IOTA Simple Rules — Timmerman, Ultrasound Obstet Gynecol 2008/2016
Calculadora interativa — miomas FIGO 0–8
| Entrada | Como usar | Limitação |
|---|---|---|
| Sem mioma focal | Use quando o miométrio não tem nódulo leiomiomatoso definido. | Não exclui adenomiose difusa ou alteração miometrial sutil. |
| FIGO 0–2 | Submucoso ou intracavitário: maior impacto sobre sangramento, fertilidade e planejamento histeroscópico. | Diferenciar FIGO 2 de FIGO 3 pode exigir 3D, sonohisterografia ou histeroscopia. |
| FIGO 3–8 | Mapeia contato com endométrio, miométrio e serosa; cor depende de sintomas, tamanho, crescimento e morfologia. | A classificação é anatômica: não substitui descrição de tamanho, número e vascularização. |
A tabela interativa abaixo é didática e assistiva. A categoria final deve ser conferida pelo médico, principalmente em miomas múltiplos, híbridos, distorção cavitária ou suspeita de adenomiose.
Fonte: FIGO 2018 PALM-COEIN / Merck Manual / AIUM / MUSA
Pelve feminina adulta e transvaginal — protocolo mínimo
| Etapa | O que documentar | Cor |
|---|---|---|
| Via e preparo | Transabdominal com bexiga cheia quando ajuda a janela acústica; transvaginal com bexiga preferencialmente vazia. | Verde se documentado |
| Útero e colo | Tamanho, forma, orientação, miométrio, colo, endométrio e massas em pelo menos duas dimensões quando relevantes. | Verde se completo |
| Endométrio incompleto | Se não estiver totalmente visto ou estiver mal definido, registrar limitação e evitar medida falsamente precisa. | Amarelo |
| Ovários e anexos | Tentar identificar ovários primeiro, medir em três dimensões quando necessário e descrever massas por composição, septos, papilas, vascularização e relação com útero/ovário. | Verde se completo |
| Achado crítico | Torção, massa sólida suspeita, abscesso, dispositivo perfurado/extrauterino ou sangramento pós-menopausa de risco. | Vermelho |
Fonte: AIUM female pelvis parameter / ACR-ACOG-AIUM-SPR-SRU 2024
Dispositivo intrauterino — localização ao ultrassom
| Achado | Interpretação | Conduta descritiva |
|---|---|---|
| Fundal e central | Haste no eixo da cavidade, braços abertos e topo junto ao fundo/cavidade. | Descrever tipo se conhecido e se 3D confirmou os braços. |
| Baixo, mas acima do colo | Zona divergente: não há distância universal; alguns estudos usam 3–4 mm, 5 mm ou 20 mm. | Informar distância ao fundo, sintomas, tipo de dispositivo e relação com miomas/cavidade. |
| Cervical ou parcialmente expulso | Maior risco de expulsão completa e falha contraceptiva. | Descrever componente no canal cervical e sugerir avaliação ginecológica. |
| Embutido, perfurado ou extrauterino | Braço ou haste no miométrio, atravessando serosa ou fora da cavidade. | 3D, radiografia/tomografia ou histeroscopia podem ser necessários conforme o caso. |
Fonte: AIUM / Connolly-Fox JUM 2021 / JSIM 2024 / Exxcellence 2025
Endométrio adulto — leitura por contexto
| Contexto | Verde | Amarelo | Vermelho |
|---|---|---|---|
| Menacme | Espessura e ecotextura compatíveis com a fase do ciclo. | Fase desconhecida, terapia hormonal ou endométrio heterogêneo sem massa definida. | Lesão focal, vascularização focal ou sangramento persistente. |
| Pós-menopausa sem sangramento | Endométrio fino, regular e bem visto. | Espessura incidental maior que 4 mm não equivale automaticamente a sangramento pós-menopausa. | Massa focal, fluido suspeito ou fatores de risco importantes. |
| Sangramento pós-menopausa | ≤4 mm somente em paciente selecionada, baixo risco, episódio único e eco totalmente visto. | Eco incompleto, terapia hormonal, tamoxifeno ou barreira a seguimento rápido. | >4 mm, sangramento recorrente ou alto risco; ACOG 2026 favorece amostragem na maioria. |
Fonte: AIUM / ACOG Committee Opinion 2018 / ACOG Clinical Practice Update 2026
Miomas — classificação FIGO 0–8
| Tipo | Relação anatômica | Leitura prática |
|---|---|---|
| Sem mioma | Miométrio sem nódulo leiomiomatoso definido. | Verde: consenso de normalidade para mioma focal. |
| FIGO 0 | Pediculado intracavitário. | Vermelho: submucoso, geralmente relevante para sangramento e histeroscopia. |
| FIGO 1 | Submucoso com menos de 50% intramural. | Vermelho: distorce cavidade; medir base e componente intramural. |
| FIGO 2 | Submucoso com 50% ou mais intramural. | Vermelho: planejamento depende da extensão miometrial. |
| FIGO 3 | 100% intramural, em contato com o endométrio. | Amarelo: diferenciar de FIGO 2 pode exigir 3D ou sonohisterografia. |
| FIGO 4 | Intramural puro. | Amarelo: impacto depende de tamanho, sintomas e distorção. |
| FIGO 5 | Subseroso com 50% ou mais intramural. | Amarelo: mapear serosa, parede e efeito de massa. |
| FIGO 6 | Subseroso com menos de 50% intramural. | Amarelo: confirmar origem uterina. |
| FIGO 7 | Subseroso pediculado. | Amarelo: Doppler do pedículo ajuda a diferenciar de massa anexial. |
| FIGO 8 | Outro: cervical, parasitário, ligamentar ou localização especial. | Amarelo: especificar a localização. |
| Híbrido | Dois números separados por hífen; primeiro endométrio, segundo serosa. | Exemplo 2-5: submucoso e subseroso com componentes mensuráveis. |
FIGO é anatômica e não inclui sozinha tamanho, número, degeneração, vascularização ou suspeita de sarcoma. Esses elementos devem aparecer no laudo quando relevantes.
Fonte: FIGO PALM-COEIN 2018 / Merck Manual / AIUM / MUSA
Calculadora — maturação puberal pela pelve feminina
| Entrada | Como o app interpreta | Limitação |
|---|---|---|
| Medidas uterinas | Comprimento, espessura, largura e relação fundo/cérvix estimam estrogenização. | Não definem puberdade precoce sozinhas. |
| Volumes ovarianos | Ajudam quando combinados com útero, folículos e simetria. | Há sobreposição entre pré-puberal e início puberal. |
| Endométrio e Doppler | Endométrio visível e fluxo diastólico contínuo sugerem estrogenização. | São marcadores complementares, não critérios únicos. |
Use como apoio didático. A conclusão deve integrar estágio de Tanner, curva de crescimento, idade óssea, hormônios e avaliação endocrinológica.
Fonte: Frontiers Endocrinol 2021 / Pediatric Radiology 2024 / ACR-AIUM-SPR-SRU female pelvis parameter
Maturação puberal — sinais ultrassonográficos
| Marcador | Verde | Amarelo | Vermelho |
|---|---|---|---|
| Comprimento uterino | ≤3,2 cm | >3,2–4,5 cm | >4,5 cm em menor de 8 anos |
| Configuração uterina | tubular; fundo/cérvix ≤1 | fundo/cérvix 1–1,45 | fundo dominante, 2:1–3:1 em contexto precoce |
| Volume ovariano | ≤1 cm³ | >1–3,5 cm³ | >3,5–4 cm³ em menor de 8 anos; >20 cm³ investigar |
| Folículos/cistos | <4 mm | 4–20 mm | >20 mm ou lesão unilateral dominante |
| Endométrio | não visível | linha fina | cíclico/espessado em menor de 8 anos |
| Doppler uterino | sem diástole | diástole intermitente | diástole contínua em menor de 8 anos |
Fonte: StatPearls 2025 / Radiologia Brasileira / Pediatric Radiology 2024
Puberdade precoce versus telarca ou pubarca precoce — leitura prática
| Situação | Leitura | Próximo passo |
|---|---|---|
| Sinais puberais antes de 8 anos | Amarelo: contexto clínico de alerta. | Correlacionar com Tanner, velocidade de crescimento, idade óssea e hormônios. |
| Útero >3,2 cm | Aumenta a probabilidade em meninas encaminhadas, mas não fecha diagnóstico. | Comparar com volume/configuração uterina e laboratório. |
| Útero >4,5 cm ou formato puberal em menor de 8 anos | Vermelho: forte evidência de estrogenização precoce. | Encaminhar/alinhar com endocrinologia pediátrica. |
| Ovários aumentados bilateralmente com folículos | Amarelo/vermelho conforme idade e útero. | Pensar em estímulo gonadotrófico se útero também estiver puberal. |
| Cisto unilateral dominante ou massa adrenal/ovariana | Vermelho: pode sugerir causa periférica ou patologia. | Avaliar anexos/adrenais e indicar investigação dirigida. |
| Útero pequeno e ovários pequenos com telarca isolada | Verde/amarelo: pode apoiar telarca precoce isolada. | Seguimento clínico se a evolução for lenta e exames concordarem. |
Fonte: Frontiers Endocrinol 2021 / Radiologia Brasileira / Pediatric Radiology 2024
Protocolo técnico — pelve feminina pediátrica e puberal
| Etapa | O que documentar |
|---|---|
| Via de exame | Transabdominal com bexiga cheia como padrão; via endocavitária só quando clinicamente apropriada, consentida e compatível com idade/contexto local. |
| Contexto clínico | Idade, menarca, desenvolvimento mamário, pelos pubianos, sangramento e velocidade de crescimento quando informados. |
| Útero | Comprimento, espessura, largura, volume, relação fundo/cérvix, formato e endométrio. |
| Ovários | Três diâmetros ou volume de cada ovário, maior folículo/cisto, simetria e lesões focais. |
| Doppler | Fluxo uterino diastólico se avaliado; não usar como critério isolado. |
Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU practice parameter / StatPearls 2025
Padrões internacionais e regionais — por que usar faixas coloridas
| Fonte/região | Mensagem prática |
|---|---|
| ACR, AIUM, SPR e SRU | Padronizam documentação da pelve feminina, anexos e técnica, mas não impõem um único corte puberal universal. |
| Radiologia pediátrica internacional | Cortes publicados para comprimento/volume uterino e volume ovariano variam bastante. |
| Radiologia Brasileira | Sugere limites práticos pré-puberais: útero <4,5 cm, espessura <1 cm e ovário <3 cm³. |
| Endocrinologia | Ultrassom é complemento; diagnóstico final depende de clínica, idade óssea e exames hormonais. |
Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU / Radiologia Brasileira / Frontiers Endocrinol 2021 / Pediatric Radiology 2024
Próstata
Brasil: a próstata via abdominal/pelve masculina inclui bexiga, próstata, vesículas seminais e resíduo pós-miccional pelo CBR. A via transretal avalia melhor a próstata e estruturas periprostáticas, mas não inclui rotineiramente bexiga/resíduo.
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Volume prostático usual em adulto | 15–30 mL | aumenta com idade; >30 mL sugere aumento benigno em muitas diretrizesusual: 15–30 mLaumento leve/contextual: >30–40 mLaumentada: >40 mLgrande: >80 mL |
| Cálculo do volume prostático | largura × espessura × comprimento × 0,52 | fórmula elipsoide; g e mL são usados de forma quase intercambiável no planejamento |
| Densidade de PSA | PSA ÷ volume ng/mL/cm³ | interpretação depende de idade, toque, história familiar e ressonânciabaixo risco forte: <0,10baixo por corte clássico: 0,10–0,15suspeito/limítrofe: 0,15–0,20elevado: ≥0,20 |
| Protrusão prostática intravesical | <5 mm | medir da base vesical até a ponta da protrusão no lúmen da bexigagrau I: 0–4,9 mmgrau II: 5–10 mmgrau III: >10 mm |
| Vesículas seminais — diâmetro ântero-posterior | <15 mm | principalmente em avaliação transretal/infertilidade; >15 mm sugere dilataçãohabitual: <15 mmlimítrofe: 15–20 mmdilatada: >20 mm |
Classificações e calculadoras
Calculadora — volume prostático, densidade de PSA e protrusão intravesical
| Entrada | Cálculo | Como interpretar |
|---|---|---|
| Volume | largura × espessura × comprimento × 0,52 | 15–30 mL costuma ser faixa usual adulta. |
| Densidade de PSA | PSA ÷ volume | 0,10–0,20 é zona dependente de ressonância, idade, toque e história familiar. |
| Protrusão intravesical | distância em mm no lúmen vesical | >10 mm é grau III pela ICS e sugere maior chance de obstrução. |
A calculadora é assistiva: não substitui PSA seriado, toque retal, ressonância, sintomas urinários e avaliação urológica.
Fonte: AIUM / AUA benign prostate enlargement / EAU prostate cancer / ICS
Tamanho prostático — planejamento de hiperplasia
| Faixa | Leitura | Uso prático |
|---|---|---|
| <30 mL | Pequena / usual | Abaixo do ponto de corte clássico de aumento benigno. |
| 30–40 mL | Aumento leve | Acima de 30 mL, mas progressão depende de sintomas, PSA e resíduo. |
| >40–80 mL | Aumentada | EAU usa >40 mL como exemplo de maior risco de progressão para considerar 5-alfa-redutase. |
| >80–150 mL | Grande | Categoria importante para escolha de técnica cirúrgica. |
| >150 mL | Muito grande | Categoria AUA para planejamento de tratamento. |
Fonte: AUA benign prostate enlargement guideline / EAU male urinary symptoms
Protrusão prostática intravesical — ICS
| Grau | Medida | Interpretação |
|---|---|---|
| I | 0–4,9 mm | Pequena protrusão. |
| II | 5–10 mm | Intermediária; correlacionar com jato urinário e resíduo. |
| III | >10 mm | Associada a maior chance de obstrução infravesical. |
Fonte: International Continence Society glossary
Escroto / testículo com Doppler
A avaliação escrotal deve sempre responder três perguntas: há emergência vascular/infecciosa, há massa intra ou extratesticular, e há varicocele/refluxo com impacto em volume ou fertilidade. Em dor aguda, o Doppler intratesticular comparativo e a procura do cordão torcido são parte central do exame.
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Protocolo mínimo | bilateral + comparativo + Doppler quando indicado | Medir os dois testículos em três eixos, avaliar epidídimos, túnicas, líquido, parede escrotal, cordão espermático e canal inguinal se dor, massa, hérnia ou varicocele forem hipóteses. |
| Transdutor e Doppler | linear ≥12 MHz; Doppler otimizado para baixo fluxo | Ajustar escala, filtro de parede e ganho para detectar fluxo intratesticular lento; comparar sempre com o lado contralateral em dor aguda. |
| Testículo — volume adulto por elipsoide | comprimento × largura × altura × 0,52 mL | Faixas variam por população. Use verde para 15–25 mL, amarelo para 10–14,9 mL ou >25 mL contextual, vermelho para <10 mL em adulto/pós-puberal quando a técnica é confiável.faixa adulta usual: 15–25 mLbaixo-normal / limítrofe: 10–14,9 mLreduzido: <10 mL |
| Volume em varicocele — fórmula Lambert | comprimento × largura × altura × 0,71 mL | ESUR-SPIWG prefere Lambert para avaliação de varicocele e recomenda relatar qual fórmula foi usada. |
| Assimetria testicular | <20 % | Diferença ≥20% é zona amarela importante em adolescente/varicocele; associada a seguimento e decisão clínica. |
| Epidídimo — cabeça | ≤12 mm | Cabeça maior, hipoecoica e hipervascular favorece epididimite quando há dor; aumento isolado pode ser cisto/espermatocele. |
| Varicocele — maior veia em pé com Valsalva | ≥3 mm | ESUR considera 3 mm ou mais diagnóstico quando medido em pé durante Valsalva, especialmente se houver refluxo Doppler.usual: <2 mmlimítrofe: 2–2,9 mmvaricocele: ≥3 mm + refluxo |
| Varicocele — duração do refluxo | >2 s | O parâmetro essencial é a duração do refluxo ao Doppler espectral; ESUR sugere >2 s em pé durante Valsalva.sem refluxo patológico: <1 szona cinzenta: 1–2 spatológico: >2 s |
| Microlitíase testicular isolada | sem seguimento de rotina | Na ausência de massa sólida e fatores de risco, AUA/ESUR não recomendam investigação ou ultrassom seriado de rotina. |
Classificações e calculadoras
Assistente interativo — bolsa escrotal, testículos e Doppler
| Entrada | Como interpretar | Limitação |
|---|---|---|
| Normalidade funcional | Volumes em faixa usual, fluxo intratesticular simétrico, sem massa, sem refluxo patológico e sem sinais de complicação. | Sempre depende da indicação clínica e da comparação bilateral. |
| Zona cinzenta | Volume 10–14,9 mL, assimetria ≥20%, veia 2–2,9 mm, refluxo 1–2 s, epididimite sem complicação, lesão extratesticular típica ou microlitíase com risco. | Exige contexto, posição, Valsalva e seguimento seletivo. |
| Anormal ou urgente | Fluxo reduzido/ausente, sinal do redemoinho, massa sólida intratesticular, abscesso/piocele, ruptura, hérnia complicada ou varicocele direita isolada recente. | Comunicação clínica rápida pode ser necessária. |
Use como triagem didática. Torção pode ter algum fluxo residual; massa sólida intratesticular deve ser tratada como maligna até prova em contrário.
Fonte: AIUM-ACR-SPR-SRU 2025 / ACR acute scrotum / AUA testicular cancer / ESUR-SPIWG
Varicocele — documentação ESUR-SPIWG
| Item | Registrar | Cor |
|---|---|---|
| Sem varicocele | Veias <2 mm, sem refluxo patológico e sem assimetria relevante. | Verde |
| Limítrofe/subclínica | Veia 2–2,9 mm, refluxo curto ou apenas achado em uma posição. | Amarelo |
| Varicocele por ultrassom | Maior veia ≥3 mm em pé com Valsalva e refluxo >2 s ao Doppler espectral. | Vermelho: anormal consensual. |
| Adolescente ou infertilidade | Medir volume dos dois testículos e assimetria; relatar fórmula usada. | Amarelo se sem atrofia; vermelho se atrofia importante. |
| Direita isolada ou início recente | Considerar extensão abdominal/renal, especialmente se não reduz em decúbito. | Vermelho pela necessidade de não perder causa secundária. |
Relate posição, local da veia, diâmetro, Valsalva, duração do refluxo e se foi avaliado em pé e deitado.
Fonte: ESUR-SPIWG / Royal College of Radiologists audit template / EAU Paediatric Urology
Escroto agudo — Doppler e sinais críticos
| Achado | Interpretação | Conduta de laudo |
|---|---|---|
| Fluxo intratesticular ausente ou reduzido | Torção ou isquemia até prova em contrário. | Comunicação urgente. |
| Sinal do redemoinho no cordão | Sinal direto de torção, inclusive parcial/intermitente. | Descrever local do nó e fluxo residual. |
| Hiperemia do epidídimo/testículo | Favorece epididimite, orquite ou epididimo-orquite. | Procurar abscesso, piocele e infarto. |
| Abscesso, piocele, necrose ou infarto | Complicação infecciosa/vascular relevante. | Comunicar e sugerir correlação urológica. |
| Trauma com ruptura da túnica | Risco de perda testicular se atraso. | Descrever descontinuidade, hematoma e viabilidade Doppler. |
Fonte: ACR acute scrotum / AIUM-ACR-SPR-SRU 2025 / BMUS acute epididymo-orchitis complications
Massas, cistos e microlitíase
| Padrão | Interpretação | Comentário |
|---|---|---|
| Cisto simples intratesticular ou da túnica | Anecoico, parede fina, reforço posterior, sem componente sólido e sem fluxo. | Verde se todos os critérios típicos presentes. |
| Massa sólida intratesticular | Manejar como neoplasia maligna até prova em contrário. | AUA: marcadores tumorais antes de tratamento; Doppler ajuda, mas ausência de fluxo não exclui tumor. |
| Lesão extratesticular típica | Cisto epididimário, espermatocele, apêndice testicular, lipoma ou adenomatoide podem ser benignos. | Descrever origem e relação com epidídimo, cordão e túnicas. |
| Massa sólida extratesticular | Mais frequentemente benigna que intratesticular, mas não é automaticamente benigna. | Considerar ressonância/encaminhamento se indeterminada. |
| Microlitíase isolada | Sem massa e sem fatores de risco: não exige seguimento de rotina. | Orientação AUA/ESUR. |
| Microlitíase com fator de risco | Criptorquidia/orquidopexia, história pessoal/familiar de tumor germinativo, atrofia ou infertilidade. | Seguimento individualizado. |
Fonte: AUA testicular cancer guideline / ESUR microlithiasis guideline / ACR palpable scrotal abnormality
Diferenciais principais
| Quadro | Achados úteis | Armadilha |
|---|---|---|
| Torção testicular | Fluxo reduzido/ausente, redemoinho do cordão, testículo alto ou horizontal, edema reativo. | Pode haver fluxo residual em torção parcial. |
| Torção de apêndice testicular | Pequeno nódulo avascular junto ao polo superior, hiperemia reacional periférica. | Pode imitar epididimite. |
| Epididimite/orquite | Epidídimo aumentado, hiperemia, hidrocele reativa e espessamento cutâneo. | Infarto/abscesso torna vermelho. |
| Tumor testicular | Massa intratesticular sólida, geralmente hipoecoica e vascularizada; calcificação/cicatriz pode indicar tumor “burned-out”. | Não biopsiar por via escrotal como rotina. |
| Hidrocele, hematocele ou piocele | Líquido simples, ecos internos, septos, debris, coágulos ou gás conforme etiologia. | Piocele/hematocele complexa com clínica muda urgência. |
| Hérnia inguinoescrotal | Conteúdo gorduroso ou alça, peristalse, Valsalva e reducibilidade. | Alça não redutível ou isquemia é urgente. |
Fonte: AIUM-ACR-SPR-SRU / ACR acute scrotum / AUA / ESUR
Pênis / Doppler peniano
O ultrassom de pênis não tem um único sistema universal como TI-RADS ou BI-RADS. A segurança vem de separar a pergunta clínica: trauma, placa/fibrose, priapismo, trombose venosa superficial, massa/infecção ou disfunção erétil vascular. No Doppler dinâmico, os cortes variam: a diretriz europeia aceita velocidade sistólica de pico maior que 30 cm/s como normal, enquanto revisões radiológicas usam maior que 35 cm/s para excluir estenose significativa. Por isso, 30–35 cm/s fica amarelo, não verde absoluto.
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Protocolo anatômico mínimo | transdutor linear de alta frequência; planos transversal e longitudinal | Avaliar corpos cavernosos, corpo esponjoso, glande, uretra peniana quando relevante, túnica albugínea, fáscia profunda, artérias cavernosas, artérias dorsais e veia dorsal superficial/profunda conforme a hipótese. |
| Anatomia normal em modo B | dois corpos cavernosos dorsolaterais + corpo esponjoso ventral | A túnica albugínea aparece como linha ecogênica fina ao redor dos corpos eréteis; a artéria cavernosa costuma ser vista no centro de cada corpo cavernoso. |
| Fratura peniana | descontinuidade da túnica albugínea + hematoma | Estalo, dor súbita, perda de ereção e equimose tornam o diagnóstico clínico provável; o ultrassom localiza a rotura e mede hematoma. Hematúria, retenção urinária ou ar nos corpos eréteis sugerem lesão uretral e mudam a urgência.túnica contínua: sem hematoma profundohematoma com túnica íntegra: diferencial de falso trauma/fraturafratura provável: defeito da túnica |
| Doença de Peyronie — placa | espessamento focal da túnica, fibrose ou calcificação | Descrever local, lado, comprimento, espessura, calcificação/sombra acústica, relação com septo e feixe neurovascular, curvatura durante ereção induzida quando realizada e fluxo Doppler ao redor da placa se houver suspeita de fase ativa.placa não calcificada: pode ser fase ativacalcificação: impacta planejamento terapêuticomassa ou erosão atípica: não assumir Peyronie |
| Priapismo isquêmico | fluxo cavernoso muito reduzido ou ausente | É emergência urológica, especialmente se ereção dolorosa persistente por mais de 4 horas. O Doppler deve ser feito antes da aspiração quando possível, pois a intervenção pode gerar hiperemia reativa e confundir a leitura.emergência: dor + rigidez + pouco/nenhum fluxoindeterminado: correlacionar com gasometria cavernosa |
| Priapismo não isquêmico / alto fluxo | fluxo alto/turbulento, fístula ou pseudoaneurisma | Costuma ocorrer após trauma perineal/peniano e é menos doloroso. Não é a mesma urgência do priapismo isquêmico, mas é anormal e o Doppler localiza a fístula para compressão guiada, seguimento ou embolização. |
| Trombose da veia dorsal superficial | veia não compressível + trombo ecogênico + ausência de fluxo | Também chamada doença de Mondor peniana. É geralmente benigna/autolimitada, mas o Doppler ajuda a diferenciar de Peyronie, linfangite esclerosante, massa e hematoma.anormal geralmente autolimitado: confirmar compressibilidade e fluxosinais sistêmicos ou massa: procurar outra causa |
| Doppler dinâmico — técnica | medir artérias cavernosas na base, a cada 5 min até 20–30 min | Registrar fármaco e dose, lado da injeção, tempo, grau de rigidez, velocidade sistólica de pico, velocidade diastólica final, índice de resistência e diferença entre os lados. O ângulo Doppler deve ficar abaixo de 60 graus. |
| Velocidade sistólica de pico após estímulo | verde forte >35; divergente 30–35; anormal <25 cm/s | A diretriz europeia considera maior que 30 cm/s geralmente normal; revisões radiológicas usam maior que 35 cm/s para excluir estenose significativa. Entre 25 e 35 cm/s, interpretar como zona cinzenta com rigidez, dose, ansiedade e tempo.normalidade forte: >35 cm/snormal por algumas fontes: 30–35 cm/sindeterminado: 25–29 cm/sinsuficiência arterial provável: <25 cm/s |
| Velocidade diastólica final | <3 pela diretriz europeia; >5 sugere escape venoso se entrada arterial for adequada cm/s | A leitura veno-oclusiva só é confiável quando houve resposta arterial suficiente e rigidez adequada; ansiedade e dose baixa podem simular escape venoso.normal estrito: <3 cm/szona cinzenta: 3–5 cm/sescape venoso provável: >5 cm/s com boa resposta arterial |
| Índice de resistência | >0,8 geralmente normal | Menor que 0,8 junto de velocidade diastólica final elevada sugere falha veno-oclusiva; usar com cautela se a resposta arterial foi ruim.normal: >0,8limítrofe: 0,75–0,80suspeito: <0,75 ou <0,8 com diástole elevada |
Classificações e calculadoras
Assistente interativo — pênis e Doppler peniano
| Verde | Velocidade sistólica de pico maior que 35 cm/s nos dois lados, diástole final baixa, índice de resistência maior que 0,8, rigidez adequada e sem achados anatômicos críticos. |
| Amarelo | Velocidade sistólica de pico 25–35 cm/s, diástole 3–5 cm/s, rigidez incompleta, técnica sem injeção vasoativa, placa/calcificação, trombose dorsal superficial ou priapismo não isquêmico. |
| Vermelho | Velocidade sistólica de pico menor que 25 cm/s, diástole maior que 5 cm/s com boa entrada arterial, índice de resistência baixo, priapismo isquêmico, fístula de alto fluxo, fratura, massa suspeita, abscesso, gás ou sinal uretral. |
A ferramenta é didática: não substitui avaliação urológica, gasometria cavernosa no priapismo, nem decisão terapêutica. Em priapismo doloroso prolongado ou fratura peniana, a comunicação deve ser imediata.
Fonte: EAU / AUA-SMSNA / RadioGraphics / Radiologia Brasileira
Doppler dinâmico — leitura hemodinâmica
| Parâmetro | Verde | Amarelo | Vermelho |
|---|---|---|---|
| Velocidade sistólica de pico | >35 cm/s | 25–35 cm/s | <25 cm/s |
| Diferença entre artérias cavernosas | <10 cm/s | >10 cm/s com velocidades preservadas | >10 cm/s com lado menor <25 cm/s |
| Velocidade diastólica final | <3 cm/s | 3–5 cm/s | >5 cm/s persistente se entrada arterial adequada |
| Índice de resistência | >0,8 | 0,75–0,8 | <0,75 ou <0,8 com diástole elevada |
| Rigidez | rigidez completa ou suficiente | tumescência ou rigidez parcial | sem resposta apesar de técnica adequada |
Fonte: EAU Erectile Dysfunction / RadioGraphics 2024 / EPOS ECR 2024
Emergências e diferenciais
| Quadro | Achados no ultrassom | Mensagem prática |
|---|---|---|
| Fratura peniana | Defeito focal da túnica albugínea, hematoma adjacente, às vezes uretra/corpo esponjoso envolvidos. | Emergência cirúrgica na maioria dos casos; localizar rotura. |
| Priapismo isquêmico | Fluxo cavernoso ausente ou de alta resistência, corpos cavernosos rígidos e dolorosos. | Emergência; não atrasar tratamento. |
| Priapismo não isquêmico de alto fluxo | Fístula arteriocavernosa, pseudoaneurisma, turbulência e fluxo de baixa resistência. | Não costuma ser isquêmico, mas é anormal e pode precisar embolização. |
| Doença de Mondor peniana | Veia dorsal superficial não compressível com trombo e sem fluxo. | Geralmente autolimitada; diferenciar de placa, massa e linfangite. |
| Doença de Peyronie | Placa da túnica albugínea, espessamento, fibrose, calcificação ou sombra acústica. | Medir e mapear; Doppler ajuda se também há disfunção erétil. |
| Infecção profunda ou abscesso | Coleção, hiperemia, gás, espessamento cutâneo/fascial ou extensão perineal. | Pode ser emergência, especialmente se houver gás ou suspeita de Fournier. |
| Massa suspeita | Lesão sólida irregular, glande/prepúcio, invasão local, vascularização ou linfonodos suspeitos. | Não rotular como placa; encaminhar investigação. |
Fonte: Radiologia Brasileira / RadioGraphics / AUA / EAU
Checklist de laudo estruturado
| Bloco | O que registrar | Por que importa |
|---|---|---|
| Técnica | Transdutor, planos, via ventral/dorsal, Doppler colorido/espectral e ângulo Doppler. | Evita medidas erradas por ângulo ou amostragem. |
| Doppler dinâmico | Fármaco, dose, lado da injeção, tempo das medidas e grau de rigidez. | Sem isso, velocidade e escape venoso podem ser falsos. |
| Placas/fibrose | Localização por face/terço, tamanho, calcificação, sombra e relação com septo. | Ajuda urologia a planejar tratamento. |
| Trauma | Integridade da túnica, hematoma, corpo esponjoso, uretra e vascularidade cavernosal. | Define urgência e mapa cirúrgico. |
| Priapismo | Isquêmico versus não isquêmico, fluxo cavernoso, fístula/pseudoaneurisma e se foi antes de aspiração. | Muda completamente a conduta. |
Fonte: EAU / AUA-SMSNA / RadioGraphics
Obstétrico — 1º trimestre
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Saco gestacional visível (TV) | ≈ 5,0 sem | SG de 2–3 mm |
| Vesícula vitelina visível | DMSG ≤ 10 mm | ≈ 5,5–6 sem |
| Embrião com BCF | ≈ 6 sem | em geral até DMSG 25 mm |
| FCF embrionária — mau prognóstico | < 90 bpm | em embrião < 8 sem |
Classificações e calculadoras
Calculadora — translucência nucal (11–13+6 sem)
| NT | Leitura |
|---|---|
| < 3,0 mm (CCN 45–84 mm) | Dentro do esperado; integrar ao risco combinado. |
| 3,0–3,4 mm | Acima do p95 na maioria dos CCN; valorizar no risco. |
| ≥ 3,5 mm | Risco aumentado (aneuploidia, cardiopatia, síndromes): aconselhamento + teste diagnóstico + eco fetal. |
Só medir na janela CCN 45–84 mm, plano sagital mediano, feto neutro, ampliação adequada. Marcadores secundários: osso nasal ausente, regurgitação tricúspide, ducto venoso com onda a reversa.
Fonte: Fetal Medicine Foundation (FMF) / ISUOG guidelines
Critérios de gestação INVIÁVEL (consenso 2012)
| Achado | Conclusão |
|---|---|
| CCN ≥ 7 mm SEM batimentos | Inviável |
| DMSG ≥ 25 mm SEM embrião | Inviável |
| Sem embrião c/ BCF ≥ 2 sem após SG sem vesícula vitelina | Inviável |
| Sem embrião c/ BCF ≥ 11 dias após SG com vesícula vitelina | Inviável |
Critérios diagnósticos (definitivos) do consenso SRU 2012. Achados "suspeitos" exigem repetir o exame.
Fonte: SRU Consensus 2012 (Doubilet et al.)
Carótidas — Doppler / placa
Brasil: a referência principal adotada aqui é a atualização DIC/SBC + Colégio Brasileiro de Radiologia + Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular 2023, com graduação NASCET. EUA: o IAC 2023 recomenda elevar o corte de velocidade sistólica da carótida interna para 180 cm/s para estenose de 50%. Quando houver divergência entre padrões, a interface marca como amarelo e explicita a fonte.
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Velocidade de pico sistólico — carótida interna | <140 no padrão brasileiro para <50% cm/s | O IAC 2023 usa <180 cm/s para normal ou <50%; 140–179 cm/s vira zona amarela se os demais parâmetros não confirmarem estenose.Verde — sem placa e baixa velocidade: <125–140 cm/sAmarelo — divergência SRU/BR/IAC: 125–179 cm/sVermelho — estenose hemodinâmica provável: ≥180 cm/s com placa/razão elevada; >230 cm/s alto grau |
| Velocidade diastólica final — carótida interna | <40 cm/s | Ajuda a confirmar a faixa de estenose quando a velocidade sistólica é pouco representativa.Verde: <40 cm/sVermelho — 50% ou mais: ≥40 cm/sVermelho — alto grau: >100 cm/s; >140 cm/s sugere 80–89% no padrão brasileiro |
| Razão sistólica carótida interna / carótida comum | <2,0 | Usar a maior velocidade sistólica da carótida interna no ponto da estenose e velocidade sistólica da carótida comum em segmento representativo, longe da placa.Verde: <2,0Vermelho — 50–69%: 2,0–4,0Vermelho — 70% ou mais: >4,0 |
| Complexo médio-intimal | ≤0,9 mm | Corte operacional; a recomendação brasileira prefere percentis por idade, sexo e etnia quando disponíveis e não recomenda medir rotineiramente em população geral.Verde — usual: ≤0,9 mmAmarelo — espessado: >0,9 mmVermelho — placa por espessura: >1,5 mm se focal |
| Placa carotídea — definição | protrusão ≥0,5 mm ou >50% da parede adjacente ou >1,5 mm | Basta um dos critérios; placa não deve ser chamada apenas de espessamento médio-intimal.Verde: sem protrusão focalAmarelo: placa lisa/calcificada sem estenose relevanteVermelho: placa ulcerada, ecolucente predominante ou com estenose ≥50% |
| Ângulo Doppler para velocidades | ≤60 graus | O ângulo deve ser corrigido e menor ou igual a 60 graus sempre que houver medida de velocidade. |
Classificações e calculadoras
Calculadora rápida — estenose carotídea por Doppler
| Cor | Resultado | Como interpretar |
|---|---|---|
| Verde | Sem estenose hemodinamicamente significativa | Velocidades baixas, razão interna/comum <2,0 e ausência de placa relevante. |
| Amarelo | Zona limítrofe ou divergente | Placa sem estenose relevante, espessamento médio-intimal, ou velocidade 125–179 cm/s sem confirmação por razão/placa. |
| Vermelho | Estenose anormal ou alto risco | Estenose de 50% ou mais, suboclusão, oclusão, placa ulcerada ou placa ecolucente predominante. |
A calculadora cruza DIC/SBC-CBR-SBACV 2023, IAC 2023 e SRU 2003. Resultado final deve considerar técnica, ângulo Doppler, arritmia, estenoses em série, oclusão contralateral e correlação clínica.
Fonte: DIC/SBC-CBR-SBACV 2023 / IAC 2023 / SRU 2003
Plaque-RADS — classificação morfológica da placa carotídea
| Categoria | Critério principal | Subtipo / detalhe | Leitura por cor |
|---|---|---|---|
| 1 | Sem placa aterosclerótica. | Parede sem placa detectável. | Verde — consenso de normalidade morfológica. |
| 2 | Placa presente com espessura máxima da parede <3 mm. | Sem hemorragia intraplaca, ruptura da cápsula ou trombo intraluminal. | Amarelo — placa de baixo risco, mas não é parede normal. |
| 3a | Espessura máxima da parede ou placa ≥3 mm. | Cápsula fibrosa espessa/intacta; sem característica complicada. | Amarelo — risco intermediário. |
| 3b | Espessura máxima ≥3 mm com cápsula fibrosa fina suspeita. | Ultrassom pode sugerir; ressonância avalia melhor cápsula fina. | Amarelo — vulnerabilidade possível, confirmar no contexto. |
| 3c | Placa ulcerada. | Cavidade/superfície ulcerada comunicando com o lúmen. | Vermelho — morfologia anormal de risco. |
| 4a | Hemorragia intraplaca. | Característica complicada; ultrassom pode ter limitação. | Vermelho — placa complicada. |
| 4b | Ruptura da cápsula fibrosa. | Característica complicada. | Vermelho — placa complicada. |
| 4c | Trombo intraluminal. | Característica complicada. | Vermelho — placa complicada. |
Plaque-RADS complementa, mas não substitui, o percentual de estenose. Quando houver múltiplas placas, registrar a categoria mais alta e descrever a placa dominante.
Fonte: Saba et al., JACC Cardiovascular Imaging 2024 / QIMS 2026 ultrasound validation
Estenose da carótida interna — Brasil 2023 (NASCET)
| Estenose | Velocidade sistólica interna | Velocidade diastólica interna | Razão sistólica interna/comum | Comentário |
|---|---|---|---|---|
| <50% | <140 | <40 | <2,0 | Não hemodinamicamente significativa; se há placa, descrever morfologia. |
| 50–59% | 140–230 | 40–69 | 2,0–3,1 | Faixa em que há divergência com IAC 2023 quando a velocidade sistólica fica abaixo de 180 cm/s. |
| 60–69% | sem corte próprio | 70–100 | 3,2–4,0 | Usar diastólica e razão como confirmação. |
| 70–79% | >230 | >100 | >4,0 | Estenose alta; diferenciar de suboclusão. |
| 80–89% | sem corte próprio | >140 | sem corte próprio | Diastólica muito elevada reforça alto grau. |
| >90% | >400 | sem corte próprio | >5,0 | Pode haver queda paradoxal de velocidade se suboclusão. |
| Suboclusão | variável — fluxo filiforme | variável | variável | Diagnóstico é morfológico/colorido; não depende de corte fixo. |
| Oclusão | ausência de fluxo | ausência de fluxo | não se aplica | Sem lúmen pérvio detectável. |
Use o método NASCET no percentual reportado. Velocidade sistólica é critério primário; diastólica e razões confirmam quando a velocidade é afetada por fatores hemodinâmicos.
Fonte: DIC/SBC + CBR + SBACV 2023
IAC 2023 — critérios modificados para carótida interna
| Categoria | Velocidade sistólica interna | Placa estimada | Razão sistólica interna/comum | Velocidade diastólica interna |
|---|---|---|---|---|
| Normal | <180 | nenhuma | <2,0 | <40 |
| <50% | <180 | <50% | <2,0 | <40 |
| 50–69% | 180–230 | >50% | 2,0–4,0 | 40–100 |
| >70% até antes de suboclusão | >230 | >50% | >4,0 | >100 |
| Suboclusão | alta, baixa ou indetectável | visível | variável | variável |
| Oclusão total | indetectável | visível, sem lúmen detectável | não se aplica | não se aplica |
O IAC reconhece que 125–180 cm/s com razão ≥2,0, placa significativa e turbulência pós-estenótica também pode ser 50–69%.
Fonte: IAC Vascular Testing Communication 2023
SRU 2003 — critério clássico ainda encontrado em serviços
| Categoria | Velocidade sistólica interna | Velocidade diastólica interna | Razão sistólica interna/comum |
|---|---|---|---|
| Normal | <125 | <40 | <2,0 |
| <50% | <125 | <40 | <2,0 |
| 50–69% | 125–230 | 40–100 | 2,0–4,0 |
| 70% ou mais até suboclusão | >230 | >100 | >4,0 |
| Suboclusão | variável | variável | variável |
| Oclusão | sem fluxo | sem fluxo | não se aplica |
Mantida para comparação histórica; quando usada, declarar o padrão adotado no serviço.
Fonte: SRU Consensus Conference 2003
Morfologia e superfície da placa
| Item | Achado | Leitura por cor |
|---|---|---|
| Sem placa | Sem protrusão focal nem espessamento focal >1,5 mm. | Verde se velocidades normais. |
| Placa ecogênica ou calcificada | Tipo III–V; calcificação pode gerar sombra e limitar a medida. | Amarelo se sem estenose ≥50%; vermelho se limita avaliação ou acompanha estenose. |
| Placa ecolucente predominante | Tipo I–II; associada a maior vulnerabilidade em várias classificações. | Vermelho para risco morfológico. |
| Superfície irregular | Irregularidade de 0,4 a 2,0 mm de profundidade. | Amarelo; descrever no laudo. |
| Ulceração | Concavidade/extensão >2,0 mm pelo critério de Bray. | Vermelho; risco morfológico alto. |
Plaque-RADS 2024 reforça que morfologia/composição da placa complementa o percentual de estenose, mas ainda não substitui a graduação hemodinâmica.
Fonte: DIC/SBC-CBR-SBACV 2023 / Plaque-RADS 2024
Checklist técnico — carótidas e vertebrais
| Etapa | Registrar | Motivo |
|---|---|---|
| Modo B longitudinal | Complexo médio-intimal quando indicado e placa no bulbo/bifurcação. | Define placa e limitações anatômicas. |
| Doppler colorido ou de amplitude | Bulbo, bifurcação, carótida interna e externa. | Localiza turbulência, suboclusão e fluxo residual. |
| Doppler espectral | Velocidade sistólica da carótida comum; velocidades sistólica e diastólica da carótida interna. | Permite razão e graduação NASCET. |
| Ângulo Doppler | Corrigir e manter até 60 graus. | Acima disso a velocidade perde confiabilidade. |
| Artérias vertebrais | Direção do fluxo, padrão espectral e assimetria; sem cortes numéricos universais no documento brasileiro. | Avaliação é qualitativa e contextual. |
Evite abreviações no texto didático: escreva carótida interna, carótida comum, velocidade sistólica, velocidade diastólica e razão interna/comum.
Fonte: CBR technical ultrasound guideline / ACR-AIUM-SPR-SRU extracranial cerebrovascular parameter
Musculoesquelético / partes moles
Partes moles deve funcionar como triagem segura: confirmar se há lesão, localizar camada anatômica, medir em três planos, avaliar relação com fáscia, músculo, tendão, articulação, vasos e nervos, e separar achados benignos típicos de massas indeterminadas ou suspeitas. Não prometa benignidade quando houver dúvida.
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Massa de partes moles — documentação mínima | três medidas, camada, fáscia, margens, composição e Doppler | incluir história, crescimento, dor, trauma, anticoagulação, punctum/descarga, reducibilidade e comparação quando útilcompleto: duas projeções, três planos e Dopplerincompleto: sem camada, sem fáscia ou sem Dopplerperigoso: chamar de benigno sem critérios típicos |
| Tamanho da massa | <5 versus ≥5 cm | 5 cm é gatilho clássico para ressonância/avaliação especializada, mas massas menores também podem ser malignas se profundas, crescentes ou atípicaspequena típica: <5 cm e benignidade típicanão decisivo: <5 cm mas sólida/indeterminadaalerta: ≥5 cm |
| Relação com fáscia e profundidade | superficial, toca fáscia, cruza fáscia ou intramuscular/profunda | abaixo da fáscia superficial, intramuscular ou não completamente acessível por ultrassom favorece ressonânciasuperficial típico: inteiramente subcutâneo e bem vistocontato com fáscia: base ampla ou limite profundo difícilprofundo: cruza fáscia, intramuscular ou não visto inteiro |
| Cisto, gânglio ou bursa típica | anecoico, parede fina, reforço posterior, sem componente sólido e sem vascularização interna | se houver ecos internos, parede espessa, nodularidade ou vascularização, vira indeterminadotípico: cístico puro avascularcomplexo: debris, septos finos ou contexto inflamatóriosólido/nodular: componente vascularizado |
| Lipoma superficial típico | oval/elíptico, bem definido, compressível, paralelo à pele, ecogênico ou estriado, sem vascularização relevante | lipoma profundo, grande, heterogêneo, doloroso ou crescente não deve ser tratado como simplestípico: superficial e estávelatípico: heterogêneo ou sintomáticonão simples: profundo, ≥5 cm ou crescimento rápido |
| Coleção, hematoma ou abscesso | contexto + compressibilidade + ecos internos + Doppler periférico | hematoma deve reduzir no seguimento; abscesso costuma ter dor, rubor, febre ou hiperemia periféricatrauma claro: hematoma em regressãocoleção complexa: seguimento ou drenagem conforme clínicainfecção/expansão: febre, gás, dor intensa ou crescimento |
| Nervo mediano — área seccional no punho | <9–10 mm² | ≥10 mm² sugere túnel do carpo; interpretar com sintomas e comparação proximal/distalusual: <9–10 mm²limítrofe: 10–12 mm²aumentado: >12 mm² |
| Tendão de Aquiles — espessura | 4–6 mm | >7 mm sugere tendinopatia quando associado a perda do padrão fibrilar, dor ou hiperemia |
Classificações e calculadoras
Assistente interativo — partes moles, diferencial e próximos passos
| Entrada | Como o app interpreta | Limitação |
|---|---|---|
| Benigno típico | Cisto simples/gânglio, lipoma superficial típico, corpo estranho com história compatível ou hérnia dinâmica clara. | Só usar se todos os critérios típicos estiverem presentes. |
| Indeterminado | Sólido não lipomatoso, coleção complexa, massa pequena mas atípica, vascularização ou relação anatômica não conclusiva. | Ultrassom não deve fechar diagnóstico quando há sobreposição. |
| Suspeito ou urgente | Profundo, maior que 5 cm, crescendo, fixo, margens invasivas, vascularização desorganizada, recorrência pós-excisão ou sinais infecciosos graves. | Ressonância/encaminhamento especializado conforme protocolo local. |
Use como triagem didática. O resultado lista possibilidades, não diagnóstico definitivo.
Fonte: SRU Radiology 2022 / BMUS 2024 / ESSR 2015 / ACR 2022
Diferencial por padrão ultrassonográfico
| Padrão | Possibilidades comuns | Sinal que muda a conduta |
|---|---|---|
| Cístico puro avascular | Cisto simples, gânglio, bursa distendida, cisto sinovial. | Componente sólido, nódulo mural ou vascularização interna. |
| Gorduroso superficial típico | Lipoma superficial. | Profundo, ≥5 cm, heterogêneo, doloroso ou em crescimento. |
| Sólido não lipomatoso | Fibroma, tumor de bainha nervosa, tumor de células gigantes da bainha tendínea, linfonodo, endometriose de cicatriz, fibromatose. | Margens infiltrativas, crescimento ou vascularização desorganizada. |
| Coleção complexa | Hematoma, seroma, abscesso, Morel-Lavallée, bursite complicada. | Febre, rubor, gás, dor intensa, expansão ou ausência de regressão. |
| Vascular ou compressível | Malformação venosa/linfática, variz, pseudoaneurisma, hemangioma. | Fluxo arterial pulsátil, fístula, trombo ou alto fluxo. |
| Dinâmico com Valsalva | Hérnia, herniação muscular, variz expansível. | Aprisionamento, dor importante, não redutível ou alça intestinal comprometida. |
| Ecogênico com sombra ou corpo estranho | Corpo estranho, granuloma, calcificação, miosite ossificante, tofo. | Calcificação intramuscular ou massa associada: radiografia/ressonância conforme contexto. |
| Massa profunda ou invasiva | Sarcoma e outros tumores agressivos entram no diferencial até prova em contrário. | Ressonância e via de referência oncológica/sarcoma. |
Fonte: SRU 2022 / BMUS 2024 / ESSR 2015
Sinais de alerta — quando não encerrar como benigno
| Sinal | Por que importa | Cor |
|---|---|---|
| Maior que 5 cm | Gatilho clássico para investigação adicional, sobretudo se sólido. | Vermelho |
| Profundo, intramuscular ou cruza fáscia | Ultrassom pode não ver toda a extensão; ressonância é preferida. | Vermelho |
| Crescimento rápido ou recorrência pós-excisão | Aumenta suspeita e muda o caminho de biópsia/encaminhamento. | Vermelho |
| Margens invasivas ou vascularização desorganizada | Sinal morfológico de agressividade, embora não seja específico isoladamente. | Vermelho |
| Dor isolada | Pode ser inflamatória/traumática, mas também é sinal clínico de alerta se associada a massa sólida. | Amarelo |
| Calcificação | Ocorre em benignos e malignos; se em extremidade ou dentro do músculo, radiografia ajuda. | Amarelo |
Fonte: ESSR 2015 / BMUS 2024 / ACR 2022
Checklist técnico — ultrassom de partes moles
| Etapa | Registrar no laudo | Motivo |
|---|---|---|
| História dirigida | Tempo, crescimento, dor, trauma, anticoagulação, febre/rubor, punctum/descarga, reducibilidade e cirurgia/câncer prévios. | Muda o diferencial. |
| Localização anatômica | Lado, ponto exato, camada: pele, subcutâneo, fáscia, músculo, tendão, articulação, vaso ou nervo. | Evita laudo genérico. |
| Imagens e medidas | Duas projeções ortogonais, três medidas, profundidade, imagem do limite profundo e comparação contralateral se útil. | Permite seguimento. |
| Modo B e Doppler | Composição, ecogenicidade, margens, reforço/sombra, calcificação, compressibilidade, fluxo periférico/interno. | Separa cístico, sólido, inflamatório e vascular. |
| Manobras dinâmicas | Compressão, movimento de tendão/músculo, Valsalva, ortostatismo quando hérnia/variz for hipótese. | Mostra relação funcional. |
| Conclusão segura | Benigno típico, indeterminado ou suspeito; se indeterminado, dizer claramente que precisa de correlação/imagem adicional. | Protege o paciente e o médico. |
Fonte: BMUS 2024 / ESSR 2015 / SRU 2022
Punho / mão (sem e com Doppler)
O exame de punho deve separar técnica anatômica, avaliação tendínea, nervos periféricos e inflamação articular. Doppler não é “extra”: em suspeita de sinovite, tenossinovite, artrite reumatoide, infecção ou massa vascular, ele muda a interpretação.
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Protocolo mínimo sem Doppler | dorsal + volar + dinâmico | Avaliar tendões em eixo curto e longo, retináculos, articulações radiocárpica/intercárpica, túnel do carpo, canal de Guyon e ponto doloroso. |
| Protocolo com Doppler | baixa escala e ganho alto sem artefato | Usar para sinovite, tenossinovite, artrite inflamatória, hiperemia peritendínea, massa vascular e infecção; evitar compressão excessiva. |
| Nervo mediano — área seccional no túnel do carpo | <10 mm² | Cortes fixos variam; 10–12 mm² é zona cinzenta e >12 mm² é mais consistente com neuropatia compressiva quando sintomas concordam.usual: <10 mm²limítrofe: 10–12 mm²aumentado: >12 mm² |
| Nervo mediano — razão punho/antebraço | <1,4 | Razão ≥1,4 aumenta suspeita e reduz variação por biotipo; use área no punho dividida pela área no antebraço proximal.usual: <1,4suspeito: ≥1,4 |
| Nervo mediano — limite por circunferência do punho | 0,88 × circunferência − 4 mm² | Alternativa descrita para ajustar o limite superior normal pela circunferência do punho em centímetros. |
| Nervo ulnar no canal de Guyon | sem corte universal | Comparar calibre, fascículos, compressão, massa/cisto, artéria ulnar, bifurcação em ramo superficial sensitivo e ramo profundo motor. |
| Sinovite — escala OMERACT/EULAR | 0–3 modo B e Doppler | Modo B mede hipertrofia sinovial; Doppler mede vascularização ativa. Interpretar separadamente e junto ao contexto clínico. |
Classificações e calculadoras
Assistente interativo — punho, nervos e sinovite
| Entrada | Como interpretar | Limitação |
|---|---|---|
| Sem sinovite e nervo mediano usual | Área do nervo <10 mm², sem Doppler sinovial, sem tenossinovite e sem erosão. | Correlacionar com sintomas; ultrassom não exclui todas as neuropatias. |
| Zona cinzenta | Nervo 10–12 mm², razão ≥1,4 isolada, sinovite grau 1, Doppler discreto ou tenossinovite sem sinais agressivos. | Requer clínica, comparação contralateral e, às vezes, eletroneuromiografia ou reumatologia. |
| Anormal relevante | Nervo >12 mm² com razão alta/sintomas, Doppler grau 2–3, sinovite modo B grau 2–3, erosão, ruptura tendínea ou déficit motor. | Não encerrar como achado incidental. |
Use como triagem didática. A conclusão final deve integrar queixa, exame físico, distribuição dos sintomas e hipótese clínica.
Fonte: ESSR / AIUM / EULAR-OMERACT / Frontiers Neurology
Compartimentos extensores do punho — mapa anatômico
| Compartimento | Tendões | Dicas e patologias comuns |
|---|---|---|
| 1 | Abdutor longo do polegar + extensor curto do polegar. | Tenossinovite de De Quervain; procurar septo vertical e tendões acessórios. |
| 2 | Extensor radial longo do carpo + extensor radial curto do carpo. | Ponto de cruzamento com o primeiro compartimento no antebraço distal: síndrome de interseção. |
| 3 | Extensor longo do polegar. | Usar tubérculo de Lister como marco; risco de ruptura em artrite reumatoide ou atrito. |
| 4 | Extensor dos dedos + extensor próprio do indicador. | Tenossinovite inflamatória é comum; manobra dinâmica separa tendões. |
| 5 | Extensor próprio do dedo mínimo. | Pequeno e ulnar; avaliar tenossinovite e ruptura em artrite inflamatória. |
| 6 | Extensor ulnar do carpo. | Avaliar subluxação dinâmica, tendinopatia, tenossinovite e gota/depósito cristalino. |
Fonte: ESSR wrist technical guideline / Radiopaedia anatomy
Face volar — túnel do carpo e canal de Guyon
| Estrutura | Conteúdo / marco | O que procurar |
|---|---|---|
| Túnel do carpo proximal | Escafoide radial e pisiforme ulnar; nervo mediano superficial aos tendões flexores. | Área do nervo mediano, edema fascicular, retináculo, artéria mediana persistente e nervo bífido. |
| Túnel do carpo distal | Trapézio radial e hâmulo do hamato ulnar. | Achatamento, arqueamento do retináculo, cistos, tenossinovite flexora e massas. |
| Tendões flexores dentro do túnel | Quatro flexores superficiais dos dedos, quatro flexores profundos dos dedos e flexor longo do polegar. | Tenossinovite flexora, aderência, ruptura parcial e gatilho inflamatório. |
| Canal de Guyon | Artéria ulnar radial ao nervo ulnar; dividir em ramo superficial sensitivo e ramo profundo motor. | Cisto/gânglio, trombose/aneurisma da artéria ulnar, compressão no hâmulo e lesão do ramo motor. |
| Tendão flexor radial do carpo | Radial, sobre o escafoide/trapézio, fora do túnel do carpo principal. | Tenossinovite, tendinopatia e dor radial volar. |
| Tendão flexor ulnar do carpo | Insere no pisiforme; referência para canal de Guyon. | Entesopatia, calcificação, depósito cristalino e dor ulnar. |
Fonte: ESSR wrist technical guideline / AIUM MSK parameter
Sinovite e artrite reumatoide — escala didática OMERACT/EULAR
| Grau | Modo B: hipertrofia sinovial | Doppler: vascularização |
|---|---|---|
| 0 | Ausente: sem hipertrofia sinovial. | Ausente: sem sinal Doppler. |
| 1 | Mínima: espessamento discreto sem grande abaulamento. | Mínimo: até poucos pontos/sinais isolados. |
| 2 | Moderada: hipertrofia abaula além da linha óssea com superfície plana ou côncava. | Moderado: sinais vasculares em menos de metade da área sinovial. |
| 3 | Grave: hipertrofia importante com superfície convexa. | Grave: sinais vasculares em metade ou mais da área sinovial. |
Em artrite reumatoide, relatar articulações avaliadas, grau em modo B, grau Doppler, erosões, tenossinovite e ruptura tendínea. Doppler persistente pode indicar atividade mesmo quando a clínica parece controlada.
Fonte: EULAR-OMERACT / SONAR recommendations / AIUM
Principais diferenciais no punho
| Quadro | Achados úteis no ultrassom | Comentário |
|---|---|---|
| Síndrome do túnel do carpo | Nervo mediano aumentado, razão punho/antebraço alta, edema fascicular, achatamento distal, arqueamento do retináculo, hipervascularização intraneural. | Correlacionar com território sensitivo e eletroneuromiografia quando necessário. |
| Tenossinovite de De Quervain | Espessamento da bainha no primeiro compartimento, líquido, hiperemia e dor à compressão dinâmica. | Procurar septo entre abdutor longo do polegar e extensor curto do polegar. |
| Síndrome de interseção | Atrito/tenossinovite onde tendões do primeiro compartimento cruzam os extensores radiais no antebraço distal. | Dor costuma ser mais proximal que De Quervain. |
| Gânglio/cisto sinovial | Lesão cística com reforço posterior, pedículo articular às vezes visível, sem fluxo interno. | Se complexo, vascularizado ou sólido, reclassificar como indeterminado. |
| Artrite inflamatória / artrite reumatoide | Sinovite modo B, Doppler sinovial, erosões marginais, tenossinovite flexora/extensora e possíveis rupturas. | Doppler e erosão tornam a suspeita mais relevante; integrar com sorologia e reumatologia. |
| Gota ou doença por cristais | Tofos heterogêneos, sombra, erosões, duplo contorno em cartilagem quando visível, tenossinovite por cristais. | Pode imitar infecção ou artrite inflamatória. |
| Infecção | Coleção, hiperemia intensa, tenossinovite purulenta suspeita, gás, celulite e dor importante. | Urgência clínica; ultrassom ajuda a localizar coleção e guiar aspiração. |
| Lesão ligamentar/complexo fibrocartilaginoso triangular | Ultrassom avalia parcialmente ligamento escafolunar dorsal e complexo triangular ulnar; usar manobras e comparar. | Ressonância/artroressonância pode ser necessária. |
Fonte: ESSR / AIUM / EULAR-OMERACT / MSK reviews
Tornozelo e pé
Categoria direcionada para dor, trauma, tendões, ligamentos, fáscia plantar, antepé e Doppler inflamatório. Não existe um único sistema universal para todos os achados do tornozelo e pé; por isso a leitura usa verde para medidas e padrão claramente usuais, amarelo para faixas limítrofes ou dependentes da dor/dinâmica, e vermelho para ruptura, instabilidade, infecção, compressão neurovascular, pé diabético complicado ou achado estrutural consensualmente anormal.
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Protocolo por regiões | anterior + medial + lateral + posterior + plantar + antepé | Usar transdutor linear de alta frequência; avaliar eixo longo e curto, ponto doloroso, manobras dinâmicas, comparação contralateral e Doppler quando houver dor inflamatória, massa, tenossinovite ou infecção. |
| Tendão de Aquiles — espessura ântero-posterior | até cerca de 6 mm | O limite varia por sexo, idade, carga esportiva e local da medida. Espessura isolada não fecha tendinopatia; valor acima de 6 mm, hipoecogenicidade, perda fibrilar, Doppler ou dor focal aumentam a suspeita.usual se ecoestrutura normal: ≤6 mmlimítrofe/contextual: >6–8 mmanormal provável se sintomático: >8 mm ou defeito |
| Fáscia plantar — espessura na origem calcânea | <4 mm | Menor que 4 mm favorece normalidade. Muitos estudos usam 4 mm como ponto de corte sensível; outros acham maior especificidade com 4,5 a 5 mm. Por segurança, 4 a 4,9 mm fica amarelo e 5 mm ou mais fica vermelho quando há dor típica.normalidade forte: <4 mmlimítrofe: 4–4,9 mmespessada se dor concorda: ≥5 mm |
| Neuroma interdigital de Morton — maior eixo | tamanho não decide sozinho mm | Lesões maiores que 5 mm têm maior chance de relevância clínica, mas há neuromas pequenos sintomáticos e lesões assintomáticas. Dor, clique de Mulder, compressão dinâmica e relação com a bursa intermetatarsal importam mais que o número isolado.menos específico se isolado: <4 mmcorrelacionar com dor: 4–5 mmprovavelmente relevante se sintomático: >5 mm |
| Sinovite e tenossinovite — Doppler | 0–3 modo B e Doppler | Usar baixa escala, ganho alto sem artefato e mínima compressão. Grau 1 pode ser contextual; graus 2–3 em Doppler ou hipertrofia sinovial são anormais em contexto inflamatório.ausente: 0discreto/contextual: 1ativo/anormal: 2–3 |
| Quando o ultrassom não basta | dor óssea focal, incapacidade de apoiar peso, fratura oculta, osteomielite ou planejamento cirúrgico | Radiografia, tomografia ou ressonância podem ser necessárias conforme trauma, pé diabético, suspeita óssea, placa plantar cirúrgica ou ruptura complexa. |
Classificações e calculadoras
Assistente interativo — tornozelo e pé
| Entrada | Como usar | Limitação |
|---|---|---|
| Verde | Aquiles até 6 mm, fáscia plantar <4 mm, sem defeito, sem Doppler sinovial e sem sinal de alerta. | Só vale se a técnica e a clínica forem concordantes. |
| Amarelo | Aquiles >6–8 mm, fáscia 4–4,9 mm, neuroma 4–5 mm, entorse parcial, tenossinovite ou sinovite grau 1. | Comparar, testar dinamicamente e correlacionar com o ponto doloroso. |
| Vermelho | Ruptura tendínea, instabilidade dinâmica, fáscia ≥5 mm com dor típica, neuroma >5 mm sintomático, sinovite/Doppler grau 2–3, infecção, pé diabético complicado ou compressão neurovascular. | Não encerrar como variação; descrever extensão e orientar correlação/encaminhamento. |
A calculadora é didática. Ela ajuda a organizar achados, mas a conclusão final depende da pergunta clínica, exame físico, técnica e comparação contralateral.
Fonte: AIUM / ESSR / ACR Appropriateness Criteria / EULAR-OMERACT
Mapa anatômico por compartimentos
| Região | Estruturas principais | O que não esquecer |
|---|---|---|
| Anterior | Tibial anterior, extensor longo do hálux, extensor longo dos dedos, nervo fibular profundo e artéria dorsal do pé. | Retináculos, tenossinovite, gânglio dorsal e impacto anterior. |
| Medial | Tibial posterior, flexor longo dos dedos, vasos tibiais posteriores, nervo tibial e flexor longo do hálux. | Túnel do tarso, tendinopatia do tibial posterior, tenossinovite e ligamento deltoide. |
| Lateral | Ligamento talofibular anterior, ligamento calcaneofibular, tendões fibulares curto e longo. | Entorse, ruptura, instabilidade dinâmica, subluxação dos fibulares e lesão do retináculo. |
| Posterior | Tendão de Aquiles, paratendão, bursa retrocalcânea, bursa subcutânea e inserção calcânea. | Tendinopatia insercional/não insercional, ruptura parcial/completa, bursite e entesopatia. |
| Plantar | Fáscia plantar, coxim gorduroso, aponeurose, músculos plantares e corpo estranho superficial. | Medir na origem calcânea; procurar fibroma, ruptura, edema perifascial e esporão sem supervalorizar isoladamente. |
| Antepé e espaços intermetatarsais | Placas plantares, bursas, neuroma interdigital, tendões flexores/extensores e articulações metatarsofalângicas. | Compressão dinâmica, sinal de Mulder, placa plantar e sinovite são essenciais. |
Fonte: ESSR ankle and foot technical guideline / AIUM MSK parameter
Lesão tendínea e ligamentar — leitura por cores
| Achado | Interpretação | Conduta no laudo |
|---|---|---|
| Fibras contínuas, ecoestrutura preservada e sem dor dinâmica | Padrão usual. | Descrever estruturas avaliadas e limitação se houver. |
| Espessamento ou hipoecogenicidade sem defeito | Tendinopatia/entorse; depende de dor, esporte e comparação. | Localizar, medir e citar Doppler se presente. |
| Tenossinovite | Líquido e/ou espessamento sinovial da bainha; Doppler pesa para atividade. | Dizer qual tendão e extensão da bainha acometida. |
| Defeito parcial | Ruptura parcial ou fissura; fibras residuais ainda presentes. | Medir comprimento, espessura, porcentagem estimada e função dinâmica. |
| Descontinuidade completa ou gap | Ruptura completa até prova em contrário. | Medir gap/retração e comunicar se agudo ou funcionalmente relevante. |
| Subluxação dinâmica dos tendões fibulares | Sugere lesão do retináculo superior ou instabilidade lateral. | Registrar posição, manobra e tendões envolvidos. |
Fonte: AIUM MSK parameter / ESSR ankle-foot guideline / foot and ankle ultrasound reviews
Dor no calcanhar e antepé — diferenciais úteis
| Quadro | Achados no ultrassom | Atenção |
|---|---|---|
| Fáscia plantar normal | Espessura <4 mm, padrão fibrilar preservado, sem edema perifascial importante. | Verde se dor e técnica concordam. |
| Fasciopatia plantar inicial | 4–4,9 mm, hipoecogenicidade discreta, dor focal ou edema perifascial. | Comparar com o lado oposto. |
| Fasciopatia plantar típica ou ruptura | ≥5 mm na origem com dor típica, ou defeito focal/hematoma/retração. | Medir e descrever extensão. |
| Neuroma interdigital de Morton | Nódulo hipoecoico fusiforme no espaço intermetatarsal, desloca com compressão e pode reproduzir dor/clique. | Tamanho isolado não basta. |
| Ruptura da placa plantar | Defeito hipoecoico, instabilidade dinâmica, subluxação da falange ou líquido articular. | Ressonância pode ajudar se houver planejamento cirúrgico. |
| Pé diabético ou corpo estranho infectado | Coleção, gás, trajeto fistuloso, corpo estranho, tenossinovite infecciosa ou contato com osso. | Comunicação prioritária. |
Fonte: Plantar fasciitis ultrasound reviews / AIUM / ACR foot trauma
Checklist de laudo — tornozelo e pé
| Item | Como registrar | Por que importa |
|---|---|---|
| Pergunta clínica | Dor focal, trauma, instabilidade, massa, metatarsalgia, fasciopatia, tendão ou artrite. | Define protocolo e manobra dinâmica. |
| Topografia precisa | Lado, região, estrutura, distância de marco anatômico e relação com articulação/tendão/nervo/vaso. | Evita laudo genérico. |
| Medidas e comparação | Medir espessura, maior eixo, gap, retração, coleção e comparar com lado oposto quando útil. | Permite seguimento e decisão terapêutica. |
| Dinâmica | Dorsiflexão, flexão plantar, eversão, inversão, compressão interdigital, carga ou manobra dirigida conforme hipótese. | Mostra instabilidade e reproduz dor. |
| Doppler | Escala baixa, ganho alto sem artefato, pouca compressão e registro da hiperemia quando presente. | Muda leitura de sinovite, tenossinovite e infecção. |
| Limitações e encaminhamento | Dizer quando osso, fratura oculta, osteomielite, lesão complexa ou planejamento cirúrgico exigem outro método. | Protege paciente e médico. |
Fonte: AIUM / ESSR / ACR Appropriateness Criteria
Pediátrico
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Piloro — espessura muscular (HPS) | > 3 mm | lactentes pequenos podem ter HPS com valores menores |
| Piloro — comprimento do canal (HPS) | ≥ 14–16 mm | |
| Piloro — diâmetro (HPS) | > 12 mm | |
| Apêndice — diâmetro externo | ≤ 6 mm | ≥ 6 mm e não compressível = apendicite (peds ~≥ 6,5 mm) |
Classificações e calculadoras
Calculadora — estenose hipertrófica do piloro
| Medida | Corte | Leitura |
|---|---|---|
| Espessura muscular | ≥ 3 mm | Critério principal (≥2,5 mm em prematuros/<3 semanas). |
| Comprimento do canal | ≥ 15–17 mm | Reforça o diagnóstico. |
| Diâmetro pilórico | ≥ 13 mm | Achado de apoio. |
| Funcional | Não relaxa | Observar 10–20 min em tempo real. |
Correlacionar com vômitos em jato não biliosos e alcalose hipoclorêmica. Medidas no limite → reavaliar em tempo real e repetir.
Fonte: Hernanz-Schulman (Radiology) / ACR-SPR practice parameter
Calculadora — invaginação intestinal
| Achado | Leitura |
|---|---|
| Alvo <20 mm | Provável íleo-ileal transitória; observar. |
| Alvo 20–25 mm | Indeterminado — reavaliar. |
| Alvo ≥25 mm (ileocólica) | Geralmente requer redução por enema. |
| Sem fluxo / líquido aprisionado / ponto-guia | Isquemia ou menor sucesso na redução; cuidado. |
Redução (enema hidrostático/pneumático) se criança estável e sem perfuração/peritonite; senão, cirurgia. Ponto-guia patológico exige investigar causa.
Fonte: ACR-SPR / Applegate (RadioGraphics)
Graf — displasia do quadril (lactente)
| Tipo | Ângulo α | Interpretação |
|---|---|---|
| I | ≥ 60° | Normal/maduro |
| IIa | 50–59° | Imaturo fisiológico (< 3 meses) |
| IIb | 50–59° | Ossificação retardada (> 3 meses) |
| IIc | 43–49° | Displásico |
| III–IV | < 43° | Excêntrico / luxado |
Avaliar também o ângulo β e a cobertura da cabeça femoral.
Fonte: Graf method / Radiology Assistant
Quadril infantil
A ultrassonografia do quadril infantil depende muito da idade, da técnica e do programa local de rastreamento. Nos Estados Unidos predomina rastreamento seletivo por risco ou exame físico alterado; em alguns países europeus há rastreamento universal. Para segurança internacional, a leitura usa cores: verde para quadril maduro e estável, amarelo para imaturidade fisiológica ou divergência entre cortes, e vermelho para displasia, descentração, luxação, instabilidade persistente ou exame tecnicamente inadequado para concluir.
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Idade ideal e escolha do método | 6 semanas a 4 meses costuma ser a janela mais útil | Antes de 6 semanas há frouxidão fisiológica e maior risco de falso positivo, salvo exame físico alterado. Quando a cabeça femoral ossifica e a relação com a cartilagem trirradiada não é bem vista, a radiografia da pelve passa a ser preferida. |
| Indicações principais | Exame físico anormal ou duvidoso, apresentação pélvica, história familiar, condição neuromuscular ou seguimento em tratamento | Oligodrâmnio, restrição postural intrauterina, assimetria de pregas e diferença de comprimento dos membros são indicações relativas. |
| Plano padrão coronal | Linha ilíaca reta + labrum + transição ílio/cartilagem trirradiada | O plano só é confiável quando mostra o ílio reto, a ponta do labrum e a transição do osso ilíaco para a cartilagem trirradiada; o acetábulo deve ser visto no seu ponto mais profundo. |
| Ângulo alfa — teto ósseo | Normal: ≥ 60° | É o ângulo entre a linha de base do ílio e a linha do teto ósseo acetabular. Mede a profundidade/ossificação do teto ósseo e é o principal ângulo para a classificação de Graf.maduro: ≥60°imaturo/idade-dependente: 50–59° antes de 13 semanasdisplásico: <50° ou 50–59° após 13 semanas |
| Ângulo beta — teto cartilaginoso/labrum | Ajuda a separar Ia/Ib e IIc/D | É o ângulo entre a linha de base do ílio e a linha do teto cartilaginoso, traçada do rebordo ósseo acetabular até o labrum. Beta maior que 77° com alfa entre 43° e 49° sugere quadril em descentração tipo D.Ia quando alfa normal: <55°Ib se alfa normal: ≥55°tipo D se alfa 43–49°: >77° |
| Cobertura da cabeça femoral | Consenso prático: ≥ 50% bem coberta | Alguns critérios de manejo consideram normal a partir de 45%; por isso 45–49% fica amarelo. Menos de 35% é displásico em critérios de uso apropriado.normal consensual: ≥50%normal por algumas fontes / limítrofe: 35–49%displásico: <35% |
| Estabilidade dinâmica | Cabeça femoral centrada em repouso e com estresse suave | No plano transverso com quadril flexionado, avaliar Barlow/Ortolani ultrassonográficos. Mais de 50% da cabeça deve permanecer coberta; abaixo de 45% sugere instabilidade. |
Classificações e calculadoras
Calculadora didática — quadril infantil
| Verde | Alfa ≥60°, cabeça centrada, cobertura ≥50%, estável e plano padrão adequado. |
| Amarelo | Alfa 50–59° antes de 13 semanas, cobertura 35–49%, beta limítrofe, instabilidade neonatal transitória ou técnica incompleta. |
| Vermelho | Alfa <50°, alfa 50–59° após 13 semanas, cobertura <35%, descentração/luxação, instabilidade persistente ou plano inadequado para concluir. |
Fonte: Graf method / ACR-AIUM-SPR-SRU / AAOS AUC / IHDI
Classificação de Graf — leitura completa
| Tipo | Critério | Leitura prática |
|---|---|---|
| I | Alfa ≥60°. Ia se beta <55°; Ib se beta ≥55°. | Quadril maduro; sem seguimento por imagem se exame clínico e contexto estiverem concordantes. |
| IIa | Alfa 50–59° antes de 13 semanas. | Imaturidade fisiológica. Seguir protocolo local; IIa− ou piora exige atenção. |
| IIb | Alfa 50–59° com 13 semanas ou mais. | Displasia por atraso de maturação; alinhar com ortopedia pediátrica conforme protocolo. |
| IIc | Alfa 43–49° e beta ≤77°, cabeça ainda centrada. | Displasia crítica mesmo se centrada; não tratar como imaturidade simples. |
| D | Alfa 43–49° e beta >77° ou sinais de descentração. | Quadril em descentração; alerta para tratamento/encaminhamento. |
| III–IV | Alfa <43° com cabeça excêntrica ou luxada; labrum deslocado ou interposto. | Luxação/subluxação grave. Comunicação prioritária. |
Fonte: Graf / Radiology Assistant / ACR Appropriateness Criteria
Como desenhar os ângulos
| Elemento | Como traçar | Erro comum |
|---|---|---|
| Linha de base do ílio | Reta tangenciando a cortical lateral do ílio no plano coronal padrão. | Usar imagem oblíqua ou ílio curvo; isso distorce alfa e beta. |
| Linha do teto ósseo | Linha do rebordo ósseo acetabular ao ponto inferior do teto ósseo, formando o ângulo alfa com a linha ilíaca. | Escolher rebordo arredondado errado ou medir fora do acetábulo mais profundo. |
| Linha do teto cartilaginoso | Linha do rebordo ósseo acetabular ao centro/ponta funcional do labrum, formando o ângulo beta. | Traçar a partir do teto ósseo em vez do rebordo ósseo; beta fica artificial. |
| Plano inadequado | Se labrum, ílio reto ou cartilagem trirradiada não aparecem, a classificação deve ser suspensa. | Classificar mesmo sem plano padrão; isso gera falso normal ou falso displásico. |
Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU Practice Parameter / Graf method
Cobertura e estabilidade dinâmica
| Achado | Cor | Interpretação |
|---|---|---|
| Cobertura ≥50% | Verde | Bem coberto pela regra prática internacional. |
| Cobertura 45–49% | Amarelo | Normal em alguns critérios de manejo, mas abaixo do corte clássico de 50%. |
| Cobertura 35–44% | Amarelo | Faixa borderline em critérios de uso apropriado; integrar com alfa e estabilidade. |
| Cobertura <35% | Vermelho | Displásico nos critérios AAOS de uso apropriado. |
| Subluxável, luxável ou luxado | Vermelho | Estabilidade pesa tanto quanto a morfologia; comunicar e correlacionar com exame físico. |
Fonte: IHDI / AAOS AUC / ACR-AIUM-SPR-SRU
Protocolo técnico mínimo
| Etapa | O que registrar | Cor se ausente |
|---|---|---|
| Ambos os quadris | Direito e esquerdo, mesmo quando a queixa é unilateral. | Vermelho se só um lado foi avaliado sem justificativa. |
| Coronal padrão em neutro | Morfologia, posição da cabeça femoral e ângulo alfa. | Vermelho: não classificar Graf. |
| Transverso com quadril flexionado | Cabeça femoral sobre o ísquio, posição em repouso e com estresse suave. | Amarelo/vermelho conforme suspeita clínica. |
| Manobra dinâmica | Barlow ultrassonográfico; Ortolani se cabeça subluxada/luxada para avaliar redutibilidade. | Amarelo se omitida; aceitável omitir em Pavlik/splint. |
| Documentação | Lado, orientação, idade, estresse aplicado ou não, alfa, beta/cobertura quando usados, estabilidade e limitações. | Amarelo se incompleta. |
Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU Practice Parameter 2023
Armadilhas didáticas
| Situação | Risco | Conduta prática |
|---|---|---|
| Menos de 6 semanas | Frouxidão fisiológica pode simular instabilidade. | Se exame físico for normal, seguir política local de rastreamento; se alterado, examinar e descrever contexto. |
| Graf IIa estável | Muitos amadurecem espontaneamente, mas alguns são IIa− ou têm cobertura baixa. | Não chamar de normal pleno; recomendar seguimento conforme idade/protocolo. |
| Alfa normal com instabilidade | Morfologia madura não exclui subluxabilidade dinâmica. | Relatar instabilidade e correlacionar com ortopedia/exame físico. |
| Plano não padrão | Pode mudar vários graus do alfa e do beta. | Repetir aquisição; se persistir limitada, laudar como limitado. |
| Em uso de Pavlik ou splint | Estresse não deve ser aplicado rotineiramente. | Documentar posição da cabeça femoral no dispositivo e omitir estresse. |
Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU / Radiology Assistant / Children’s Colorado
Quadril adulto
Ultrassonografia do quadril adulto é exame direcionado por regiões. Ela é muito útil para derrame anterior, sinóvia, bursa iliopsoas, tendões glúteos, bursas peritrocantéricas, ressalto dinâmico, coleções, massas superficiais e procedimentos guiados. Ela não exclui bem labrum, cartilagem profunda, impacto femoroacetabular e osso profundo; nesses cenários a radiografia e a ressonância magnética continuam importantes. As cores separam normalidade consensual, zona cinzenta/divergente e achado anormal ou de alto risco.
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Protocolo mínimo do quadril adulto | anterior, lateral, medial, posterior e dinâmico quando indicado | Na região anterior, alinhar o transdutor ao colo femoral para recesso anterior e iliopsoas. Na lateral, avaliar trocânter maior, glúteo médio, glúteo mínimo, fáscia lata e bursas. Na medial, avaliar adutores/iliopsoas distal. Na posterior, avaliar isquiotibiais proximais e nervo ciático. |
| Transdutor e profundidade | maior frequência que penetre adequadamente | Quadril profundo, obesidade e prótese podem exigir transdutor convexo ou menor frequência. Use Doppler com escala baixa e pouca compressão quando a pergunta for sinovite, infecção ou coleção. |
| Derrame coxofemoral — distância cápsula anterior/colo femoral | 5–7 mm | Há divergência: protocolos práticos usam mais de 5 mm ou diferença de 2 mm; literatura musculoesquelética clássica usa 7 mm ou mais, e alguns estudos de artrose usam 8 mm. Medir no eixo do colo femoral e comparar com o lado oposto quando possível.Verde: <5 mm e sem assimetria relevanteAmarelo: 5–6,9 mm ou diferença de 1–1,9 mmVermelho: ≥7 mm ou diferença ≥2 mm; urgência depende de febre, trauma, prótese ou líquido complexo |
| Bursa iliopsoas | normalmente colabada/não visível | Quando visível, procurar comunicação com a articulação, extensão para a pelve, relação com vasos femorais e compressão do nervo femoral.Verde: não visívelAmarelo: distensão simples ou tendinopatia associadaVermelho: complexa, volumosa, infectada, hemorrágica ou com compressão neural/vascular |
| Bursas peritrocantéricas | normalmente não visíveis | Dor lateral do quadril raramente é apenas bursite; a síndrome dolorosa trocantérica costuma envolver tendinopatia do glúteo médio ou mínimo, com ou sem bursa.Verde: bursa não visível e tendões preservadosAmarelo: bursa simples, tendinopatia ou calcificaçõesVermelho: rotura completa, retração, coleção complexa ou infecção possível |
| Tendões glúteos médio e mínimo | fibrilar e contínuo | Avaliar no trocânter maior em eixos longo e curto. Descrever qual tendão/faceta está acometido, espessamento, hipoecogenicidade, calcificação, fissura, gap, retração e Doppler. |
| Ressalto do quadril — manobra dinâmica | reproduzir movimento que causa o estalo | Ressalto interno costuma envolver iliopsoas sobre a eminência iliopectínea/femoral; ressalto externo envolve fáscia lata ou glúteo máximo sobre o trocânter. Se a suspeita for labral/intra-articular, ultrassom é limitado. |
| Osteoartrose — sinais acessíveis ao ultrassom | osteófitos, deformidade superficial e derrame/sinovite | Ultrassom pode ver osteófitos e deformidade anterior, mas não substitui radiografia para classificação de artrose nem ressonância quando cartilagem/labrum forem a pergunta. |
| Prótese de quadril dolorosa | derrame, coleção, massa, pseudotumor e tendões | Ultrassom ajuda a detectar coleções e guiar aspiração quando há suspeita de infecção periprotética, mas achado isolado não substitui correlação laboratorial, radiográfica e ortopédica. |
Classificações e calculadoras
Assistente interativo — ultrassonografia do quadril adulto
| Entrada | Saída | Como usar |
|---|---|---|
| Medidas normais, bursas não visíveis, tendões contínuos e sem alerta | Verde | Usar quando a pergunta é partes moles/derrame e o protocolo regional foi documentado. |
| 5–6,9 mm no recesso, pequena assimetria, tendinopatia, bursite simples ou ressalto reproduzido | Amarelo | Descrever como contextual, comparar com lado oposto e orientar método complementar se a pergunta for profunda. |
| ≥7 mm, diferença ≥2 mm, líquido complexo, prótese com coleção, rotura completa, fratura, massa profunda ou infecção possível | Vermelho | Comunicar achado relevante e direcionar para aspiração guiada, radiografia, tomografia, ressonância ou avaliação especializada conforme contexto. |
Preencha medidas, qualidade do líquido, Doppler, iliopsoas, tendões laterais, bursa, osso visível, posterior, prótese e alertas para gerar uma leitura por cores.
Fonte: AIUM-ACR-SPR-SRU / ESSR / Ann Rheum Dis / AJR / GTPS review
Roteiro anatômico por região
| Região | O que avaliar | Armadilhas |
|---|---|---|
| Anterior | Recesso coxofemoral, cápsula, labrum anterior visível, iliopsoas, bursa iliopsoas, vasos femorais e nervo femoral quando indicado. | Não chamar espessura capsular de sinovite sem ver líquido/sinóvia; comparar lados. |
| Lateral | Trocânter maior, glúteo médio, glúteo mínimo, fáscia lata, glúteo máximo e bursas. | Dor lateral costuma ser tendinopatia glútea com ou sem bursa, não apenas “bursite”. |
| Medial | Adutores, pubis, iliopsoas distal, pectíneo e estruturas da virilha quando a queixa permitir. | Hérnia e pubalgia podem competir com dor coxofemoral. |
| Posterior | Isquiotibiais proximais, tuberosidade isquiática, glúteo máximo, nervo ciático e massas profundas. | Janela profunda pode ser limitada; não excluir compressão neural só pelo exame incompleto. |
| Dinâmico | Reproduzir o movimento que causa ressalto/dor: flexão, extensão, rotação, abdução ou adução conforme queixa. | Se o estalo for intra-articular, labrum e corpos livres são melhor avaliados por ressonância. |
Fonte: AIUM-ACR-SPR-SRU / ESSR hip technical guideline
Derrame e sinovite do quadril — leitura por cores
| Achado | Verde | Amarelo | Vermelho |
|---|---|---|---|
| Distância cápsula/colo femoral | <5 mm | 5–6,9 mm | ≥7 mm; alguns estudos usam 8 mm |
| Comparação contralateral | <1 mm de diferença | 1–1,9 mm | ≥2 mm em protocolo prático; ≥1 mm em alguns estudos |
| Qualidade do líquido | sem líquido ou traço simples | derrame simples | debris, septos, gás, pus, sangue ou pós-operatório suspeito |
| Doppler sinovial | sem fluxo | discreto/moderado | intenso com febre, prótese, ferida ou dor incapacitante |
Em adultos, a ultrassonografia detecta distensão e guia punção, mas derrame pequeno pode ser difícil e a etiologia não é definida pelo ultrassom isolado.
Fonte: Ann Rheum Dis 2000 / AJR 2003 / Emory Emergency Ultrasound
Dor lateral do quadril — síndrome dolorosa trocantérica
| Estrutura | Normal/baixo risco | Atenção | Alto risco |
|---|---|---|---|
| Glúteo médio/mínimo | fibrilar e contínuo | espessamento, hipoecogenicidade, calcificação ou fissura parcial | rotura completa, retração ou atrofia importante |
| Bursa trocantérica | não visível | pequena distensão simples | complexa, hiperêmica ou infectada possível |
| Fáscia lata/glúteo máximo | deslizamento suave | ressalto externo reproduzido | dor incapacitante, rotura associada ou massa |
A revisão clínica reforça que dor lateral trocantérica não deve ser reduzida a “bursite”; tendinopatia glútea é frequente.
Fonte: Br J Gen Pract 2017 / ESSR / AIUM
Dor anterior, iliopsoas e ressalto
| Padrão | Pista ultrassonográfica | Leitura prática |
|---|---|---|
| Iliopsoas normal | músculo estriado, tendão ecogênico e bursa não visível | Verde se a dor não é reproduzida e não há coleção. |
| Tendinopatia do iliopsoas | espessamento, hipoecogenicidade, dor focal ou Doppler | Descrever no trajeto e relação com bursa. |
| Ressalto interno | tendão do iliopsoas salta dinamicamente durante a manobra | Registrar movimento usado e se reproduziu dor. |
| Bursa complexa/volumosa | coleção profunda entre iliopsoas e cápsula, podendo estender à pelve | Avaliar infecção, sangramento, comunicação articular e compressão femoral. |
Fonte: ESSR / IJSPT iliopsoas review / AJR dynamic snapping hip
Prótese dolorosa e achados que mudam prioridade
| Cenário | Achado no ultrassom | Ação didática |
|---|---|---|
| Infecção possível | derrame/coleção, líquido complexo, hiperemia, ferida ou febre | Comunicar e considerar aspiração guiada conforme protocolo local. |
| Massa ou pseudotumor | massa periprotética, extensão profunda ou relação neurovascular | Medir, mapear extensão e sugerir método complementar. |
| Trauma ou fratura | degrau cortical, avulsão, hematoma profundo ou incapacidade de apoiar | Radiografia/tomografia ou avaliação ortopédica conforme cenário. |
| Limitação por prótese | artefato, sombra, profundidade ou dor impedem avaliação completa | Não excluir complicação profunda; registrar limitação. |
Fonte: AIUM-ACR-SPR-SRU / AJR prosthetic hip infection sonography
Diagnósticos diferenciais úteis no quadril adulto
| Queixa | Possibilidades no ultrassom | Quando lembrar outro método |
|---|---|---|
| Dor anterior/virilha | derrame, sinovite, iliopsoas, bursa, adutores, hérnia ou linfonodo | Labrum, cartilagem, impacto e necrose avascular exigem ressonância/radiografia. |
| Dor lateral | tendinopatia glútea, bursa, ressalto externo, calcificação ou massa | Dor lombar/radicular pode simular dor trocantérica. |
| Dor posterior | isquiotibiais proximais, nervo ciático, hematoma ou massa profunda | Déficit neurológico, massa profunda ou avulsão pedem método complementar. |
| Febre ou incapacidade de apoiar | derrame, sinovite, coleção, abscesso ou prótese complicada | Não atrasar aspiração/avaliação urgente quando a clínica for forte. |
Fonte: AIUM / ESSR / Ann Rheum Dis / GTPS review
Checklist do laudo de quadril adulto
| Item | Pergunta que o laudo deve responder |
|---|---|
| Técnica | Lado, transdutor, região avaliada, posição, comparação contralateral e manobra dinâmica quando indicada foram descritos? |
| Medidas | Recesso anterior, assimetria, bursa, coleção, massa ou gap tendíneo foram medidos quando presentes? |
| Limitações | O laudo declara que labrum, cartilagem profunda, impacto e osso profundo não são bem excluídos pelo ultrassom? |
| Alerta | Há comunicação para infecção possível, prótese com coleção, rotura completa, fratura, massa profunda ou compressão neural? |
Fonte: Best-practice synthesis from AIUM / ESSR / AJR / clinical reviews
Doppler arterial — membros e fístula arteriovenosa
Categoria integrada para Doppler arterial de membros inferiores, membros superiores, mapeamento pré-confecção de fístula arteriovenosa e avaliação de fístula arteriovenosa em uso. Os cortes de estenose por razão de velocidades são práticos e amplamente usados, mas podem variar por laboratório, segmento, enxerto, stent, ângulo Doppler e circulação colateral.
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Aorta abdominal — calibre | < 3 cm | ≥ 3 cm = aneurisma |
| Artéria ilíaca comum — calibre | ≈ 8–10 mm | |
| Artéria femoral comum — calibre | ≈ 5–9 mm | |
| Protocolo dos membros inferiores | aorta, ilíacas, femorais, poplíteas, tibiais e pediosa | Documentar velocidade sistólica de pico, onda espectral, cor/aliasing e comparação com segmento proximal normal. Quando houver jato focal, calcular a razão de velocidades. |
| Protocolo dos membros superiores | subclávia, axilar, braquial, radial, ulnar e arco palmar quando indicado | No preparo para fístula arteriovenosa, avaliar dominância, perviedade, calcificação, diâmetro, hiperemia reativa e comunicação radial-ulnar/palmar conforme o protocolo local. |
| Mapeamento pré-fístula — artéria doadora | > 2,0 mm | Diâmetro arterial maior que 2,0 mm é alvo comum para fístula arteriovenosa nativa; abaixo disso a decisão depende de pulso, calcificação, hiperemia reativa e estratégia cirúrgica.bom candidato: > 2,0 mm e sem calcificação limitantezona cinzenta: 1,5–2,0 mmalto risco técnico: < 1,5 mm, oclusão ou calcificação importante |
| Mapeamento pré-fístula — veia superficial | > 2,5 mm | Veia maior que 2,5 mm é alvo comum para fístula arteriovenosa; para enxerto, muitos protocolos usam veia maior que 4,0 mm. Compressibilidade, continuidade e profundidade são tão importantes quanto calibre.favorável para fístula: > 2,5 mm, compressível e contínualimítrofe: 2,0–2,5 mm ou profundidade > 6 mmdesfavorável: < 2,0 mm, trombose ou não compressível |
| Fístula arteriovenosa em uso — vazão | interpretar com tendência e clínica mL/min | Regra prática antiga usa 600 mL/min como alvo de maturação, mas diretrizes modernas enfatizam exame físico, funcionamento na diálise, tendência de fluxo e achado focal de estenose. |
Classificações e calculadoras
Assistente interativo — estenose, onda e fístula arteriovenosa
| Entrada | Saída | Como usar |
|---|---|---|
| Razão de velocidades < 1,5 e onda multifásica | Verde | Favorece ausência de estenose hemodinamicamente relevante no segmento analisado. |
| Razão 1,5–1,99 ou onda bifásica/monofásica isolada | Amarelo | Zona limítrofe: confirmar ângulo, amostra no jato, segmento proximal de referência e comparação contralateral. |
| Razão ≥ 2, onda tardus-parvus distal, ausência de fluxo ou trombose | Vermelho | Tratar como anormal até prova em contrário; documentar topografia, maior velocidade, razão e onda distal. |
Preencha as células abaixo para obter razão de velocidades, grau provável de estenose, leitura da onda, suspeita de tardus-parvus e triagem para fístula arteriovenosa.
Fonte: StatPearls/NCBI / Society for Vascular Medicine / SVU-SVM / KDOQI
Estenose arterial periférica por razão de velocidades
| Interpretação | Razão de velocidades | Observação |
|---|---|---|
| Sem estenose relevante | < 1,5 | Onda multifásica e sem aliasing focal favorecem normalidade no segmento. |
| Estenose leve provável | 1,5–1,99 | Frequentemente estimada em 30–49%; confirmar técnica e não supervalorizar isoladamente. |
| Estenose hemodinamicamente significativa | 2,0–4,0 | Compatível com estenose de pelo menos 50% em muitos protocolos; procurar jato focal, turbulência e alteração distal. |
| Estenose grave | > 4,0 | Sugere estenose maior que 75–80% quando a amostra está correta e há concordância morfológica. |
| Oclusão | sem fluxo demonstrável | Confirmar ganho, escala, ângulo e colaterais antes de concluir; onda distal pode ser reconstituída por colaterais. |
Razão = velocidade sistólica de pico no jato ou ponto suspeito dividida pela velocidade sistólica de pico no segmento proximal normal. Segmentos específicos, stents e enxertos podem exigir critérios próprios.
Fonte: StatPearls/NCBI Bookshelf / Society for Vascular Medicine / IAC
Padrões de onda arterial periférica
| Padrão | Cor | Significado prático |
|---|---|---|
| Multifásica com subida sistólica rápida | Verde | Padrão esperado em artérias periféricas saudáveis, especialmente em repouso. |
| Bifásica com amplitude preservada | Amarelo | Pode ser aceitável em alguns idosos ou após vasodilatação, mas merece comparação e contexto. |
| Monofásica de baixa resistência com subida ainda rápida | Amarelo | Pode ocorrer distalmente após exercício, inflamação, hiperemia ou fístula; não é sempre estenose proximal. |
| Monofásica amortecida ou tardus-parvus | Vermelho | Subida lenta, pico arredondado e baixa amplitude sugerem doença de influxo ou estenose proximal. |
| Ausência de fluxo onde deveria haver fluxo | Vermelho | Pensar em oclusão, trombose, espasmo grave ou erro técnico; confirmar em cor, power Doppler e espectral. |
Fonte: SVU-SVM peripheral arterial waveform consensus / IAC
Fístula arteriovenosa — pré-confecção e seguimento
| Cenário | Verde | Amarelo | Vermelho |
|---|---|---|---|
| Artéria doadora | > 2,0 mm, pérvia, pulso adequado e sem calcificação limitante | 1,5–2,0 mm ou hiperemia reativa fraca | < 1,5 mm, oclusão, calcificação severa ou roubo arterial relevante |
| Veia superficial candidata | > 2,5 mm, compressível, contínua e profundidade favorável | 2,0–2,5 mm, profundidade > 6 mm ou segmento curto | < 2,0 mm, trombose, esclerose ou não compressível |
| Fístula em uso — vazão | Funcional, tendência estável e geralmente > 600 mL/min | 400–600 mL/min, queda progressiva ou fluxo muito alto sem sintomas | < 400–500 mL/min com disfunção, trombose, não maturação ou fluxo muito alto com repercussão cardíaca |
| Estenose da fístula | Sem jato focal, sem turbulência crítica e exame físico favorável | Jato focal com razão 2–3 ou achado isolado sem queda de fluxo | Razão > 3, jato marcado, pós-estenose, trombo, aneurisma/pseudoaneurisma ou alteração clínica |
A decisão de intervenção em acesso para hemodiálise não deve depender de uma única velocidade: integrar exame físico, dificuldade de punção, pressão venosa na diálise, queda de fluxo, edema do braço e histórico do acesso.
Fonte: KDOQI 2019 / AIUM postoperative hemodialysis access / ACR-AIUM-SRU
Glândulas salivares
Brasil e demais regiões: parótidas, submandibulares e sublinguais devem ser avaliadas como exame próprio quando solicitadas. O ultrassom é forte para parênquima superficial, cálculo, ducto dilatado, coleção, linfonodos e punção guiada; é limitado para lobo profundo da parótida, extensão perineural, base do crânio e estadiamento profundo, quando tomografia ou ressonância podem ser necessárias.
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Protocolo mínimo | transdutor linear de alta frequência; planos transversal, longitudinal e anteroposterior; comparação bilateral; Doppler colorido/power nas lesões | Avaliar parênquima, ecogenicidade, ductos, cálculo, coleção, massa, linfonodos cervicais e relação com pele, masseter, mandíbula, assoalho da boca e vasos. Toda lesão focal deve ser medida em três eixos. |
| Parótida — área aproximada em corte | ≈ 3–4 cm² | Valor didático, não universal. Comparação com o lado oposto, atrofia, pós-tratamento, inflamação e biotipo importam mais que um corte isolado.faixa didática: 3–4 cm²contextual: fora da faixa ou assimetria |
| Submandibular — área aproximada em corte | ≈ 1–2 cm² | Valor didático. Glandula pequena/atrófica pode ocorrer por idade, obstrução crônica, Sjögren, radioiodo ou radioterapia; aumento pode ser inflamatório/obstrutivo.faixa didática: 1–2 cm²contextual: fora da faixa ou assimetria |
| Ducto salivar principal | normalmente não visível | Ducto visível, dilatado ou com ponto de transição sugere obstrução/estenose quando associado a dor alimentar, cálculo, edema glandular ou secreção purulenta.habitual: ducto não visível e sem sintomas obstrutivoszona cinzenta: ducto visível isolado ou estenose suspeita sem cálculoanormal: ducto dilatado com cálculo, dor alimentar, pus ou coleção |
| Sialolitíase | foco ecogênico intraductal com sombra/twinkle + dilatação proximal | A sensibilidade do ultrassom varia conforme tamanho/local do cálculo e dilatação ductal; cálculo pequeno sem ducto dilatado pode ser falso negativo. Calcificação fora do ducto pode ser linfonodo calcificado, flebólito ou calcificação vascular.suspeito: calcificação sem continuidade ductal claraanormal consensual: cálculo intraductal com sombra/twinkle e ducto dilatado |
| Lesão focal salivar | medir três eixos + Doppler + linfonodos | Tamanho isolado não define benignidade. Irregularidade, infiltração, extensão extraglandular, paralisia facial, linfonodos suspeitos, crescimento rápido ou dor progressiva elevam risco.indeterminado: massa sólida/cística sem sinais agressivosalto risco: margens infiltrativas, extensão, nervo facial ou linfonodos suspeitos |
Classificações e calculadoras
Assistente interativo — glândulas salivares
Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU Head and Neck / Iowa / OMERACT / AJR
Sjögren — OMERACT 0–3 por glândula
| Grau | Achado | Cor didática |
|---|---|---|
| 0 | Parênquima normal/homogêneo | Verde |
| 1 | Heterogeneidade leve sem áreas hipoecoicas/aneicoicas definidas | Amarelo |
| 2 | Alteração moderada com áreas hipoecoicas/aneicoicas focais rodeadas por parênquima preservado | Amarelo/Vermelho conforme contexto |
| 3 | Alteração grave: hipo/aneicoicas difusas ocupando a glândula, fibrose ou substituição gordurosa | Vermelho quando concorda com clínica/sorologia |
OMERACT é escala estrutural por glândula. Estudos recentes exploram soma 0–12 e escore ordinal 0–6; limiares altos têm especificidade maior, mas o ultrassom não substitui critérios clínicos, sorologia, sialometria ou biópsia quando necessária.
Fonte: OMERACT / RMD Open 2021 / Arthritis Res Ther 2026
Obstrução salivar — leitura por cores
| Achado | Verde | Amarelo | Vermelho |
|---|---|---|---|
| Ducto | não visível | visível isolado ou estimulação salivar altera o calibre | dilatado com ponto de transição, cálculo, pus ou coleção |
| Cálculo | ausente | calcificação sem continuidade ductal clara | foco intraductal com sombra/twinkle e dilatação proximal |
| Infecção | sem hiperemia/coleção | glândula dolorosa/hipervascular sem coleção | abscesso, gás, celulite, febre ou secreção purulenta |
A ausência de cálculo ao ultrassom não exclui estenose ductal tratável; ducto dilatado tem alto valor preditivo para estenose em séries de sialendoscopia.
Fonte: Iowa Head and Neck Protocols / AJR 2013
Massa salivar — diferencial e sinais de risco
| Padrão | Diferenciais úteis | O que muda a prioridade |
|---|---|---|
| Sólida bem delimitada | adenoma pleomórfico, tumor de Warthin, linfonodo intraparotídeo, oncocitoma | medir 3 eixos, Doppler e linfonodos; punção conforme protocolo local |
| Cística | rânula, sialocele, cisto linfoepitelial, linfonodo cístico, abscesso, tumor cístico | conteúdo complexo, hiperemia, gás ou febre elevam urgência |
| Infiltrativa/agressiva | neoplasia maligna primária, metástase, linfoma, carcinoma ex-adenoma pleomórfico | margens irregulares, extensão extraglandular, paralisia facial, crescimento rápido ou linfonodos suspeitos |
| Bilateral/multifocal | Warthin, Sjögren, HIV, doença IgG4, sarcoidose, linfoma | integrar idade, tabagismo, sicca, sorologia, HIV e distribuição |
Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU Head and Neck / StatPearls / salivary tumor imaging reviews
Checklist didático do laudo
| Item | Pergunta de segurança |
|---|---|
| Cobertura | Qual glândula e lado foram avaliados? Houve comparação contralateral? |
| Ducto/cálculo | O ducto foi visto? Há dilatação, ponto de transição, cálculo com sombra/twinkle ou dor alimentar? |
| Lesão focal | A lesão foi medida em três eixos, com margens, conteúdo, Doppler, plano profundo e linfonodos? |
| Sjögren | Foram pontuadas as quatro glândulas maiores quando a pergunta é sicca/Sjögren? |
| Comunicação | Abscesso/gás, paralisia facial, extensão extraglandular, linfonodos suspeitos ou massa infiltrativa foram destacados? |
Fonte: SonoAI synthesis from cited sources
Ombro / manguito rotador
Ultrassonografia do ombro deve ser lida por estruturas, não apenas por uma medida isolada. O exame é forte para manguito rotador, cabeça longa do bíceps, bursa subacromial-subdeltoidea, articulação acromioclavicular superficial, recesso posterior e avaliação dinâmica; é limitado para labrum profundo, cartilagem, medula óssea e instabilidade complexa. As cores abaixo separam consenso de normalidade, zona limítrofe ou dependente de contexto e achados consensualmente anormais.
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Protocolo mínimo do ombro | bíceps, subescapular, supraespinhal, infraespinhal, redondo menor, bursa, articulação acromioclavicular, recesso posterior e manobras dinâmicas quando indicadas | Examinar sentado quando possível, adaptar à dor e amplitude de movimento, documentar em eixo curto e eixo longo e medir anormalidades em dois planos ortogonais. |
| Técnica e posicionamento | transdutor linear de alta frequência; antebraço em supinação para o bíceps; rotação externa para subescapular; mão no bolso posterior para supraespinhal; varredura posterior para infraespinhal e redondo menor | Evitar anisotropia e lembrar que rotação interna forçada pode superestimar tamanho de rotura do supraespinhal. |
| Bursa subacromial-subdeltoidea — espessura/líquido | <2 mm | Líquido normal raramente passa de 2 mm e tende a ser posterior; acima de 3 mm, líquido medial à articulação acromioclavicular ou anterior ao úmero é anormal.Verde: até 2 mm, posterior, sem hiperemia e sem dor focalAmarelo: >2 até 3 mm ou pequeno líquido dependente de contextoVermelho: >3 mm, líquido anterior/medial, conteúdo complexo ou hiperemia com suspeita inflamatória/infecciosa |
| Rotura parcial do manguito — profundidade Ellman | <3 / 3–6 / >6 mm | Classificar também a face articular, bursal ou intrassubstancial; medir profundidade e extensão. Acima de 6 mm costuma representar mais de metade da espessura tendínea.Verde: sem defeito focal e fibras contínuasAmarelo: Ellman I <3 mm ou Ellman II 3–6 mmVermelho: Ellman III >6 mm ou mais de 50% da espessura |
| Rotura transfixante/completa — medidas essenciais | largura no eixo curto + retração no eixo longo | Descrever tendões envolvidos, comunicação com a bursa, retração, largura, trofismo muscular e infiltração gordurosa quando visível; comparar com o lado oposto quando útil.Verde: sem descontinuidade tendíneaVermelho: defeito transfixante, retração ou rotura extensa/maciça |
| Cabeça longa do bíceps | centrada no sulco, fibrilar, sem distensão relevante da bainha | Avaliar em eixo curto e eixo longo. Líquido, sinovite ou hiperemia sugerem tenossinovite; subluxação/luxação deve levantar suspeita de lesão do subescapular ou do intervalo rotador.Verde: centrado, fibrilar, sem hiperemiaAmarelo: tenossinovite, tendinopatia ou líquido discretoVermelho: subluxação, luxação ou rotura |
| Doppler no ombro | bursa, bainha do bíceps, sinóvia articular e tendão doloroso | Doppler colorido ou de amplitude ajuda a detectar hiperemia em bursite, tenossinovite, sinovite, crise calcária, reparo pós-operatório ou infecção.Verde: sem hiperemia no contexto certoAmarelo: hiperemia discreta ou moderada sem sinais sistêmicosVermelho: hiperemia intensa com febre, ferida, pós-operatório, bursa complexa ou coleção |
| Limitações importantes | labrum profundo, cartilagem, medula óssea, instabilidade complexa e fratura oculta | Quando a pergunta clínica é profunda ou óssea, ultrassom deve orientar, mas não substituir radiografia, ressonância ou tomografia conforme contexto. |
Classificações e calculadoras
Assistente interativo — ultrassonografia do ombro
| Cor | Como interpretar |
|---|---|
| Verde | Bursa fina, tendões contínuos, bíceps centrado, sem derrame, sem hiperemia e sem limitação crítica nos campos preenchidos. |
| Amarelo | Zona cinzenta: tendinopatia, rotura parcial superficial/intermediária, pequena bursa, hiperemia sem sinais sistêmicos, impacto dinâmico ou dúvida labral profunda. |
| Vermelho | Achado anormal consensual ou de alto impacto: bursa acima de 3 mm, rotura transfixante, Ellman III, luxação do bíceps, atrofia muscular, pseudoparalisia, febre/infecção, fratura/luxação suspeita. |
Preencha medidas e estruturas no painel para gerar cor, pontos críticos e próximo passo. O assistente não substitui julgamento médico nem integração com radiografia/ressonância.
Fonte: AIUM-ACR-SPR-SRU / ESSR / PubMed / Ellman
Roteiro anatômico por estrutura
| Estrutura | Como examinar | O que não esquecer |
|---|---|---|
| Cabeça longa do bíceps | Antebraço em supinação; eixo curto no sulco bicipital e eixo longo até a junção miotendínea. | Confirmar posição no sulco, líquido na bainha, hiperemia, subluxação, luxação ou rotura. |
| Subescapular | Cotovelo junto ao corpo, rotação externa; varrer da junção miotendínea até a inserção no tubérculo menor. | Manobra dinâmica ajuda a ver instabilidade do bíceps e impacto subcoracoide. |
| Supraespinhal | Mão no bolso posterior ou posição modificada conforme dor; avaliar eixo longo e eixo curto mantendo o feixe perpendicular. | Comprimir o tendão para revelar rotura não retraída; medir profundidade, extensão e retração quando houver defeito. |
| Infraespinhal e redondo menor | Varredura posterior abaixo da espinha da escápula, com rotação interna e externa quando útil. | Procurar atrofia, infiltração gordurosa, rotura posterior e cisto paralabral no entalhe espinoglenoide. |
| Bursa e impacto dinâmico | Avaliar bursa em repouso e durante abdução em rotação interna se a clínica sugerir impacto. | Dor com pinçamento bursal/tendíneo é contextual; bursa acima de 3 mm é anormal. |
| Articulação acromioclavicular e recesso posterior | Transdutor no ápice do ombro para a articulação acromioclavicular; plano posterior transversal no espaço glenoumeral. | Descrever artrose, sinovite, trauma, derrame posterior, cisto paralabral e sinais indiretos de labrum. |
Fonte: AIUM-ACR-SPR-SRU / ESSR shoulder guideline
Manguito rotador — leitura por cores
| Achado | Verde | Amarelo | Vermelho |
|---|---|---|---|
| Tendão e ecotextura | fibras contínuas, espessura/eco compatíveis, sem dor focal | tendinopatia, calcificação, hipoecogenicidade ou dor à compressão | descontinuidade completa, retração ou defeito extenso |
| Rotura parcial | sem defeito focal | Ellman I <3 mm ou Ellman II 3–6 mm; indicar face articular, bursal ou intrassubstancial | Ellman III >6 mm ou mais de 50% da espessura |
| Rotura transfixante/completa | não presente | suspeita limitada por dor, anisotropia ou janela incompleta | defeito atravessando toda a espessura, comunicação com bursa, retração ou rotura maciça |
| Músculos do manguito | volume preservado e simétrico | atrofia discreta ou comparação difícil | atrofia/infiltração gordurosa evidente, principalmente com rotura |
Fonte: AIUM-ACR-SPR-SRU / Ellman
Bursa, bíceps e Doppler — interpretação prática
| Estrutura | Verde | Amarelo | Vermelho |
|---|---|---|---|
| Bursa subacromial-subdeltoidea | até 2 mm, posterior, sem hiperemia | >2–3 mm ou pequeno líquido dependente de contexto | >3 mm, líquido anterior/medial, conteúdo complexo ou hiperemia importante |
| Cabeça longa do bíceps | centrada, fibrilar, sem líquido relevante | tenossinovite, tendinopatia ou líquido discreto | subluxação, luxação ou rotura |
| Doppler | sem hiperemia no contexto certo | hiperemia discreta/moderada sem sinais sistêmicos | hiperemia intensa com febre, ferida, pós-operatório, bursa complexa ou coleção |
| Articulação acromioclavicular | sem dor focal nem distensão | artrose, osteófitos ou capsulite/sinovite | separação/luxação ou infecção suspeita |
Fonte: PubMed PMID 16628056 / AIUM-ACR-SPR-SRU
Diagnósticos diferenciais úteis no ombro
| Apresentação | Pensar em | Papel do ultrassom |
|---|---|---|
| Dor lateral e arco doloroso | tendinopatia do supraespinhal, bursite, impacto subacromial, tendinopatia calcária | avaliar manguito, bursa e manobra dinâmica; Doppler ajuda em fase ativa |
| Dor anterior | bíceps, subescapular, intervalo rotador, articulação acromioclavicular | confirmar bíceps no sulco, líquido, hiperemia, subluxação e tendão subescapular |
| Rigidez global | capsulite adesiva, artropatia, dor limitada, pós-operatório | ultrassom pode mostrar sinovite/bursa, mas diagnóstico é clínico e pode exigir ressonância |
| Trauma agudo ou perda súbita de força | rotura completa, avulsão, fratura oculta, luxação, lesão do bíceps | medir rotura e retração; radiografia/ressonância conforme suspeita óssea ou cirúrgica |
| Fraqueza neurológica ou atrofia | compressão do nervo supraescapular, cisto paralabral, neuropatia, rotura crônica | procurar cisto no entalhe supraescapular/espinoglenoide e comparar músculos |
| Febre, ferida ou pós-operatório doloroso | infecção, abscesso, bursa séptica, coleção, re-rotura | Doppler, conteúdo complexo e punção guiada podem mudar conduta |
Fonte: AIUM-ACR-SPR-SRU / ESSR / MSK ultrasound reviews
Checklist didático do laudo de ombro
| Item | Pergunta de segurança |
|---|---|
| Protocolo por estruturas | Bíceps, subescapular, supraespinhal, infraespinhal/redondo menor, bursa, articulação acromioclavicular e recesso posterior foram documentados? |
| Medidas | Rotura parcial tem profundidade e face? Rotura completa tem largura e retração? |
| Doppler e dinâmica | Hiperemia foi documentada quando havia dor, bursa, líquido, pós-operatório ou suspeita inflamatória? Impacto foi testado quando indicado? |
| Achados que mudam prioridade | Rotura transfixante, Ellman III, bursa acima de 3 mm, luxação do bíceps, febre, coleção, pseudoparalisia ou fratura/luxação suspeita foram destacados? |
| Limitações | Foi declarado quando labrum, cartilagem, osso profundo, dor ou mobilidade limitaram o exame? |
Fonte: AIUM-ACR-SPR-SRU / ESSR
Joelho
Ultrassonografia do joelho é exame direcionado por compartimentos. Ela é forte para derrame, sinóvia, bursas, tendões, ligamentos colaterais superficiais, cisto de Baker e massas periarticulares; é limitada para cartilagem profunda, ligamentos cruzados e parte central dos meniscos. As cores abaixo separam consenso de normalidade, zona limítrofe/divergente e achados anormais ou de alto risco.
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Protocolo mínimo do joelho | anterior, medial, lateral, posterior e dinâmico | Documentar recesso suprapatelar, tendões patelar e quadríceps, ligamentos colaterais, meniscos acessíveis, bursas, cisto de Baker, fossa poplítea e comparação dinâmica quando útil. |
| Derrame — recesso suprapatelar | 3,6–6,0 mm | Não há corte único: 3,6 mm aumenta sensibilidade, 6 mm aumenta especificidade; alguns serviços usam 4 mm. Medir preferencialmente em longitudinal com joelho em cerca de 30 graus de flexão.Verde: <2 mm sem contexto inflamatórioAmarelo: 2–5,9 mm ou divergência entre cortesVermelho: ≥6 mm com febre, trauma, pós-operatório ou líquido complexo |
| Tendão patelar — espessura | 4–5 mm | Espessura isolada não fecha tendinopatia; correlacionar com hipoecogenicidade, perda fibrilar, Doppler, entese e dor focal.Verde: 4–5 mm com ecotextura preservadaAmarelo: >5 mm ou espessamento focal |
| Tendão do quadríceps — espessura | sem corte universal | Medidas variam com técnica, sexo, atividade e ponto de medida. Use a calculadora como alerta contextual, não como diagnóstico isolado.Verde: fibras contínuas e sem dor focalAmarelo: espessamento, hipoecogenicidade ou DopplerVermelho: descontinuidade completa ou retração |
| Extrusão meniscal | 3 mm | Três milímetros é corte prático, mas não absoluto; carga, idade, osteoartrose, técnica e ressonância mudam a interpretação.Verde: <2 mmAmarelo: 2–4,9 mm ou contexto degenerativoVermelho: ≥5 mm, especialmente com suspeita de raiz ou artrose avançada |
| Ligamento colateral medial — espessura | 3,3–5,6 mm | Faixa descrita no ponto femoral. Espessamento ganha valor quando há edema, dor focal, perda fibrilar ou instabilidade.Verde: até 5,6 mm no ponto femoral com fibras preservadasAmarelo: >5,6 mm ou edema sem rupturaVermelho: descontinuidade completa ou avulsão |
| Banda iliotibial — espessura | ~1,1 mm | Valores acima de 2–3 mm, com edema ou líquido profundo junto ao côndilo femoral lateral, favorecem síndrome da banda iliotibial.Verde: ≤2 mm sem edemaAmarelo: >2–3 mm ou dor dinâmica lateralVermelho: >3 mm com edema/líquido profundo típico |
| Cisto de Baker | colo entre semimembranoso e gastrocnêmio medial | Cisto posterior pode drenar líquido do joelho; ausência de líquido suprapatelar não exclui derrame se houver cisto de Baker.Amarelo: simples ou septado, sem sinais de rupturaVermelho: roto, dissecando para panturrilha ou simulando trombose |
| Bursas pré-patelar e pata de ganso | normalmente não visíveis | Distensão simples costuma ser contextual; conteúdo complexo, gás, hiperemia intensa ou ferida elevam prioridade. |
Classificações e calculadoras
Assistente interativo — ultrassonografia do joelho
| Entrada | Saída | Como usar |
|---|---|---|
| Medidas dentro da faixa e sem alerta clínico | Verde | Usar quando protocolo mínimo foi documentado e o achado profundo não é a pergunta principal. |
| Derrame pequeno, sinovite discreta, tendinopatia, bursite simples ou extrusão meniscal limítrofe | Amarelo | Descrever como contextual, comparar com lado oposto quando útil e sugerir correlação clínica ou ressonância se a pergunta for interna. |
| Infecção possível, rotura completa, fratura/avulsão, trombose/aneurisma, cisto roto ou derrame significativo em contexto de risco | Vermelho | Comunicar prioridade e direcionar para ortopedia, reumatologia, vascular ou emergência conforme o padrão dominante. |
Preencha medidas, sinóvia, tendões, meniscos, ligamentos, cisto de Baker, região posterior e sinais de alerta para gerar uma leitura por cores.
Fonte: ESSR / EULAR-OMERACT / J Diagn Med Sonogr / RadioGraphics
Roteiro anatômico por compartimento
| Compartimento | O que avaliar | Armadilhas |
|---|---|---|
| Anterior | Recesso suprapatelar, tendão do quadríceps, tendão patelar, gordura de Hoffa e bursa pré-patelar. | Líquido se redistribui com flexão; varrer também medial e lateral ao tendão do quadríceps. |
| Medial | Ligamento colateral medial, menisco medial periférico, pata de ganso e osteófitos. | Extrusão meniscal depende de carga, osteoartrose e técnica; não concluir lesão de raiz apenas pelo ultrassom. |
| Lateral | Banda iliotibial, complexo lateral, menisco lateral periférico, cabeça da fíbula e nervo fibular comum. | Anisotropia pode simular lesão ligamentar; usar cortes longos e curtos. |
| Posterior | Cisto de Baker, fossa poplítea, artéria, veia, nervo tibial e nervo fibular comum. | Cisto roto pode simular trombose; se houver edema de panturrilha, fazer avaliação venosa compressiva. |
Fonte: ESSR knee technical guidelines / RadioGraphics
Derrame e sinovite — leitura por cores
| Achado | Verde | Amarelo | Vermelho |
|---|---|---|---|
| Recesso suprapatelar | <2 mm e sem sinovite | 2–5,9 mm ou corte divergente | ≥6 mm com febre, trauma, pós-operatório ou líquido complexo |
| Sinóvia no modo cinza | sem hipertrofia | grau 1–2 | grau 3 ou massa sinovial exuberante |
| Doppler da sinóvia | sem fluxo | poucos sinais ou fluxo moderado | fluxo intenso ou associado a suspeita infecciosa |
Derrame e sinovite não são sinônimos: líquido pode ser mecânico/traumático; hipertrofia sinovial com Doppler sugere atividade inflamatória.
Fonte: J Diagn Med Sonogr 2020 / EULAR-OMERACT
Escore EULAR-OMERACT simplificado para sinovite
| Grau | Modo cinza | Doppler | Leitura prática |
|---|---|---|---|
| 0 | sem hipertrofia sinovial | sem sinal Doppler | sem sinovite ativa pelo escore |
| 1 | hipertrofia mínima | poucos sinais puntiformes | atividade discreta ou inicial |
| 2 | hipertrofia moderada | fluxo confluente em menos da metade da sinóvia | atividade inflamatória provável |
| 3 | hipertrofia acentuada | fluxo em mais da metade da sinóvia | atividade importante; correlacionar com artrite inflamatória ou infecção conforme contexto |
Fonte: EULAR-OMERACT / RMD Open
Mecanismo extensor e tendões
| Estrutura | Normal/baixo risco | Atenção | Alto risco |
|---|---|---|---|
| Tendão patelar | 4–5 mm, fibrilar e sem Doppler | >5 mm, hipoecogenicidade, entesopatia ou Doppler | rotura completa ou avulsão |
| Tendão do quadríceps | fibras contínuas | espessamento ou rotura parcial | descontinuidade completa, retração ou incapacidade de extensão |
| Gordura de Hoffa e bursa pré-patelar | sem distensão ou hiperemia | edema, bursite simples ou impacto anterior | conteúdo complexo, gás, ferida ou infecção possível |
Fonte: RadioGraphics knee US / AJR patellar tendon
Meniscos, ligamentos colaterais e banda iliotibial
| Estrutura | Verde | Amarelo | Vermelho |
|---|---|---|---|
| Extrusão meniscal | <2 mm | 2–4,9 mm; 3 mm é corte prático, não absoluto | ≥5 mm ou suspeita de lesão de raiz/artrose avançada |
| Ligamento colateral medial | fibras contínuas; até 5,6 mm no ponto femoral descrito | espessamento, edema ou rotura parcial | rotura completa ou avulsão |
| Complexo lateral | fibras contínuas e sem dor focal | entorse, espessamento ou rotura parcial | rotura completa, avulsão ou instabilidade posterolateral |
| Banda iliotibial | ≤2 mm sem edema profundo | >2–3 mm ou dor dinâmica | >3 mm com edema/líquido profundo típico |
Fonte: Orthopedic Reviews / Skeletal Radiology / RadioGraphics
Posterior do joelho e diagnósticos diferenciais
| Achado | Pista ultrassonográfica | Conduta didática |
|---|---|---|
| Cisto de Baker | colo típico entre semimembranoso e gastrocnêmio medial | medir, descrever simples/complexo e procurar derrame/sinovite |
| Cisto de Baker roto | líquido dissecando para panturrilha | diferenciar de trombose, hematoma e celulite |
| Trombose poplítea | veia não compressível ou trombo | acionar protocolo venoso; não tratar como cisto isolado |
| Aneurisma ou pseudoaneurisma | massa pulsátil, fluxo yin-yang ou colo arterial | usar Doppler e comunicar achado vascular |
| Gânglio ou cisto intraneural | relação com nervo fibular comum ou tibial | documentar trajeto neural e relação com cabeça da fíbula |
Fonte: ESSR / RadioGraphics knee US
Checklist do laudo de joelho
| Item | Pergunta que o laudo deve responder |
|---|---|
| Técnica | Foi descrito transdutor, compartimentos avaliados, posição/flexão e manobras dinâmicas? |
| Medidas | Derrame, tendões, extrusão meniscal, espessamento ligamentar ou cisto foram medidos quando presentes? |
| Limitação | A conclusão evita excluir menisco central, cartilagem profunda e ligamentos cruzados quando não foram avaliáveis? |
| Alerta | Há frase de comunicação para infecção possível, rotura completa, trombose/aneurisma ou fratura/avulsão? |
Fonte: Best-practice synthesis from ESSR / EULAR-OMERACT / RadioGraphics
Parede abdominal / hérnias
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Técnica — manobra dinâmica | — | Valsalva / ortostase aumentam a sensibilidade (capta hérnia oculta) |
| Transdutor | 7,5–10 MHz | linear; sens. 86–96%, espec. 77–96% (inguinal) |
Classificações e calculadoras
Tipos de hérnia — localização ao US
| Tipo | Achado |
|---|---|
| Inguinal indireta | Antero-lateral ao cordão espermático |
| Inguinal direta | Medial/posterior ao cordão; abaulamento do tendão conjunto à Valsalva |
| Femoral | Medial à veia femoral |
| Umbilical / epigástrica / incisional | Defeito na linha média / cicatriz, com saco e conteúdo |
Diagnóstico = conteúdo (gordura/alça) atravessando o defeito fascial; medir o defeito.
Fonte: AJR 2006
Regiões inguinais
Categoria para o exame direcionado da virilha: hérnia, linfonodo, massa, coleção, complicação vascular e pós-operatório. Não existe um único sistema universal para todos esses achados; por isso a leitura usa verde para exame dinâmico completo sem alteração, amarelo para achado pequeno/indeterminado ou divergente entre referências, e vermelho para hérnia complicada, hérnia femoral relevante, linfonodo morfologicamente suspeito, pseudoaneurisma, trombose ou infecção.
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Protocolo mínimo da virilha | linear alta frequência + repouso + manobra dinâmica | Usar transdutor linear de alta frequência, varrer o ponto doloroso, canal inguinal, região femoral, vasos femorais e lado contralateral quando o achado for duvidoso. Valsalva, tosse e ortostase aumentam a sensibilidade para hérnia oculta. |
| Marcos anatômicos obrigatórios | vasos epigástricos inferiores, ligamento inguinal, veia femoral | Evite siglas no laudo didático: escreva vasos epigástricos inferiores, canal inguinal, triângulo de Hesselbach, ligamento inguinal, veia femoral e anel inguinal profundo. |
| Hérnia inguinal indireta | lateral aos vasos epigástricos inferiores | O colo costuma estar no anel inguinal profundo e o conteúdo pode seguir pelo canal inguinal em direção ao escroto ou aos grandes lábios. |
| Hérnia inguinal direta | medial aos vasos epigástricos inferiores | Ocorre no triângulo de Hesselbach, acima do ligamento inguinal; abaulamento da parede posterior com Valsalva pode preceder hérnia direta evidente. |
| Hérnia femoral | inferior ao ligamento inguinal e medial à veia femoral | Tem maior risco de complicação que a inguinal; alça, dor, não redutibilidade, líquido no saco ou sinais de obstrução devem ser comunicados com prioridade.Gordura pequena e redutível: achado real, mas conduta depende de sintomasAlça, dor ou não redutível: risco de encarceramento/estrangulamento |
| Defeito ou colo herniário | medir em milímetros | Não há corte universal de normalidade: medir colo/defeito, saco, conteúdo, redutibilidade e comportamento em repouso/Valsalva/ortostase. Hérnia pequena vista só ao ultrassom pode não indicar cirurgia se mínima ou assintomática. |
| Linfonodo inguinal — eixo curto | <10 usual; até 15 pode ser contextual mm | CT em assintomáticos encontrou média de 5,4 mm e dois desvios-padrão em 8,8 mm; Node-RADS aceita até 15 mm para região inguinal. No ultrassom, morfologia é mais importante que tamanho isolado.Verde: ≤8,8 mm, oval, hilo gorduroso, córtex finoAmarelo: 9–15 mm com morfologia preservadaVermelho: >15 mm ou morfologia suspeita |
| Linfonodo inguinal — morfologia benigna | oval, hilo central, córtex <4 mm | Critérios úteis: relação eixo longo/eixo curto maior que 2, hilo gorduroso preservado, córtex homogêneo menor que 4 mm e fluxo hilar ou ausente. |
| Pseudoaneurisma femoral | colo arterial + fluxo bidirecional | Sinal de yin-yang no Doppler colorido ajuda, mas o achado mais específico é o fluxo vai-e-vem no colo que comunica com a artéria.Vermelho: colo com fluxo vai-e-vem |
| Canal de Nuck / hidrocele feminina | cisto anecoico no canal inguinal feminino | Pode simular hérnia ou linfonodo. Lesão cística sem fluxo, com reforço posterior e sem continuidade de alça favorece hidrocele do canal de Nuck; procurar comunicação peritoneal e complicação. |
Classificações e calculadoras
Assistente interativo — região inguinal
| Entrada | Saída | Como usar |
|---|---|---|
| Exame dinâmico completo sem achado | Verde | Usar apenas quando repouso, Valsalva/tosse e, se necessário, ortostase foram documentados. |
| Hérnia pequena, gordurosa ou duvidosa | Amarelo | Descrever como achado real/possível, medir o colo e correlacionar sintomas; conduta pode variar. |
| Hérnia femoral, alça não redutível ou sinais de sofrimento | Vermelho | Comunicar prioridade clínica: risco de encarceramento, estrangulamento ou obstrução. |
Preencha os campos abaixo para gerar uma leitura por cores, diferenciais e frase de próximo passo.
Fonte: HerniaSurge 2018/2023 / RadioGraphics 2016 / ACR-AIUM-SPR-SRU
Mapa anatômico da hérnia da virilha
| Tipo | Localização ultrassonográfica | Pontos que precisam constar |
|---|---|---|
| Inguinal indireta | Lateral aos vasos epigástricos inferiores; entra pelo anel inguinal profundo e segue o canal. | Lado, colo, conteúdo, redutibilidade, extensão para escroto/grandes lábios. |
| Inguinal direta | Medial aos vasos epigástricos inferiores, no triângulo de Hesselbach, acima do ligamento inguinal. | Abaulamento da parede posterior, colo, conteúdo e se aparece apenas com esforço. |
| Femoral | Inferior ao ligamento inguinal, geralmente medial à veia femoral. | Priorizar se houver dor, alça, não redutibilidade ou líquido no saco. |
| Recorrente / pós-operatória | Pesquisar bordas da tela cirúrgica e região inferomedial com manobra dinâmica. | Diferenciar recorrência de seroma, hematoma, fibrose, plug/tela e linfonodo. |
Fonte: RadioGraphics 2016 / EPOS ECR 2023 / AJR 2006
Linfonodo inguinal — leitura por cores
| Cor | Achado | Interpretação |
|---|---|---|
| Verde | Eixo curto até 8,8 mm, oval, relação eixo longo/eixo curto >2, hilo gorduroso, córtex homogêneo <4 mm. | Compatível com linfonodo reacional/benigno se o contexto clínico concorda. |
| Amarelo | Eixo curto 9–15 mm com hilo preservado, espessamento cortical difuso ou contexto inflamatório. | Zona comum na virilha; tamanho isolado não fecha malignidade. |
| Vermelho | Eixo curto >15 mm, arredondado, hilo ausente, córtex excêntrico, necrose/cístico, cápsula interrompida ou fluxo periférico/desorganizado. | Suspeito, especialmente em câncer de pele, vulva, pênis, canal anal, melanoma, linfoma ou massa de partes moles. |
A região inguinal aceita linfonodos maiores que outros territórios; por isso a morfologia e a comparação bilateral são decisivas.
Fonte: Bontumasi AJR 2014 / VITA consensus / EPOS ECR 2023
Diferenciais práticos de massa inguinal
| Padrão | Possibilidades | Alerta |
|---|---|---|
| Aumenta com Valsalva ou em pé | Hérnia, variz do ligamento redondo, varicocele do cordão, recidiva pós-operatória. | Confirmar trajeto e relação com vasos/ligamento inguinal. |
| Cístico simples avascular | Hidrocele do canal de Nuck, cisto do cordão espermático, seroma simples. | Amarelo se septado, doloroso, infectado ou com comunicação duvidosa. |
| Sólido oval com hilo | Linfonodo reacional, dermatopatia de membro inferior, inflamação genital/perineal. | Não usar tamanho isolado; acompanhar morfologia. |
| Vascular pulsátil | Pseudoaneurisma femoral, fístula arteriovenosa, variz trombosada. | Doppler espectral obrigatório antes de punção. |
| Sólido irregular ou profundo | Metástase, linfoma, sarcoma, endometriose do canal inguinal, tumor de bainha nervosa. | Considerar imagem complementar e via oncológica/local. |
Fonte: JSCR 2022 / RadioGraphics 2016 / superficial lymph node ultrasound reviews
Checklist de laudo — região inguinal
| Item | Por que importa |
|---|---|
| Lado e ponto de dor | Evita laudo genérico quando o achado é focal ou contralateral. |
| Repouso, Valsalva/tosse e ortostase quando necessário | Sem manobra dinâmica, hérnia oculta pode passar despercebida. |
| Relação com vasos epigástricos inferiores e veia femoral | Classifica direta, indireta ou femoral sem siglas difíceis. |
| Conteúdo e redutibilidade | Gordura redutível, alça, bexiga/ovário, líquido e dor mudam prioridade. |
| Complicação | Não redutível, alça espessada, líquido, ausência de peristalse, pseudoaneurisma, trombose ou infecção exigem conclusão explícita. |
Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU / HerniaSurge / RadioGraphics
Região cervical
Brasil: pela normatização do Colégio Brasileiro de Radiologia, região cervical inclui linfonodos cervicais centrais e laterais, leito tireoidiano somente após tireoidectomia total, lojas paratireoidianas e principais grupos musculares. Tireoide, glândulas salivares e vasos cervicais têm exames próprios quando solicitados.
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Linfonodo cervical — eixo curto | ≤8–10 com morfologia benigna mm | Tamanho isolado é fraco: use em conjunto com forma, hilo gorduroso, córtex, necrose, calcificações, vascularização e contexto clínico.Verde — consenso prático de benignidade: ≤8 mm, oval, hilo preservado, sem sinais suspeitosAmarelo — limítrofe ou divergente: 8–10 mm ou >10 mm com morfologia reacionalVermelho — anormal/suspeito: >15 mm ou qualquer tamanho com necrose, calcificações, hilo ausente associado, vascularização periférica ou crescimento |
| Relação eixo curto / eixo longo | <0,5 | Linfonodo oval favorece benignidade; arredondamento aumenta suspeita, especialmente se somado à perda do hilo ou vascularização periférica.Verde: <0,5 e hilo preservadoAmarelo: ≈0,5 isoladoVermelho: >0,5 com sinais suspeitos |
| Linfonodo suspeito em contexto de câncer de tireoide | ≥8–10 mm no menor eixo | A Associação Americana de Tireoide recomenda punção aspirativa de linfonodo suspeito a partir de 8–10 mm no menor eixo quando o resultado muda a conduta.Amarelo — menor que 8 mm: pode ser acompanhamento se não muda condutaVermelho — suspeito ≥8–10 mm: considerar punção aspirativa se clinicamente relevante |
| Paratireoide normal | geralmente não visível | Quando uma glândula paratireoide aumentada é vista, documentar localização, três medidas, relação com a tireoide e Doppler se solicitado.Verde: não individualizada e sem lesão focalAmarelo: lesão hipoecoica compatível, mas sem contexto laboratorialVermelho: lesão compatível em hiperparatireoidismo ou crescimento documentado |
| Massa cervical focal | medir em três eixos | Descrever compartimento, lado, relação com pele, musculatura, tireoide, glândulas salivares e vasos; Doppler só quando indicado/solicitado. |
Classificações e calculadoras
Calculadora rápida — linfonodo cervical
| Cor | Interpretação | Critérios práticos |
|---|---|---|
| Verde | Morfologia benigna | Eixo curto ≤8 mm, oval, hilo gorduroso preservado, córtex fino e vascularização hilar ou ausente. |
| Amarelo | Zona cinzenta | Eixo curto 8–10 mm, arredondamento isolado, hilo pouco visível, aumento reacional ou divergência entre tamanho e morfologia. |
| Vermelho | Suspeito/anormal | Necrose/cisto intranodal, calcificações, vascularização periférica ou caótica, hilo ausente associado, margens irregulares, conglomerado ou crescimento. |
A calculadora é assistiva. Linfonodo doloroso/inflamatório, idade, câncer conhecido, tireoidectomia prévia e lateralidade mudam o peso dos achados.
Fonte: Ahuja & Ying AJR 2005 / ATA 2015 / AIUM head and neck
Região cervical — escopo do exame no Brasil
| Estrutura | Como tratar no laudo | Cor prática |
|---|---|---|
| Linfonodos cervicais centrais e laterais | Incluídos; descrever localização, tamanho e morfologia se visualizados ou alterados. | Verde se morfologia benigna |
| Leito tireoidiano pós-tireoidectomia total | Incluído somente nesse contexto; pesquisar tecido residual, recidiva local e linfonodos suspeitos. | Verde se sem lesão focal |
| Lojas paratireoidianas | Avaliar; relatar glândula paratireoide ou grupo muscular principalmente quando houver patologia detectável. | Amarelo se achado depende de exames laboratoriais |
| Tireoide e glândulas salivares | No padrão brasileiro, têm códigos/exames próprios; citar se avaliadas por pedido específico ou achado relevante. | Amarelo por escopo |
| Doppler e vasos cervicais | Doppler não é parte automática da região cervical; carótidas e jugulares exigem pedido/código próprio. | Amarelo por escopo |
Esta tabela evita misturar região cervical com tireoide, glândulas salivares ou Doppler vascular quando o pedido não inclui esses itens.
Fonte: Colégio Brasileiro de Radiologia — Normatização de ultrassonografia
Massa ou cisto cervical — sinais de prioridade
| Cor | Achado | Conduta de comunicação |
|---|---|---|
| Verde | Achado superficial típico benigno, pequeno, sem componente sólido vascular e sem crescimento documentado. | Descrever e correlacionar com exame físico. |
| Amarelo | Cisto congênito provável, processo inflamatório ou massa indeterminada sem sinais agressivos. | Sugerir correlação clínica e imagem seccional/seguimento conforme persistência. |
| Vermelho | Massa persistente em adulto, massa cística em adulto, componente sólido vascular, invasão de planos, abscesso ou massa pulsátil. | Comunicar como achado suspeito/urgente conforme contexto; considerar tomografia, ressonância ou avaliação especializada. |
A ultrassonografia é útil, mas massas cervicais adultas persistentes frequentemente exigem avaliação clínica especializada e/ou imagem seccional.
Fonte: ACR Appropriateness Criteria Neck Mass/Adenopathy / AAO-HNS adult neck mass guideline
Checklist de documentação — região cervical
| Item | Registrar | Por quê |
|---|---|---|
| Localização | Lado, nível/compartimento e relação com marcos anatômicos. | Permite comparação e planejamento de punção ou cirurgia. |
| Medidas | Três eixos da massa ou linfonodo; no linfonodo, destacar o eixo curto. | Padroniza seguimento e reduz ambiguidade. |
| Morfologia | Forma, hilo, córtex, ecogenicidade, conteúdo cístico/necrótico, calcificações e margens. | Mais importante que tamanho isolado. |
| Doppler | Usar para vascularidade de massas localizadas quando solicitado ou clinicamente necessário. | Ajuda, mas não substitui modo B nem contexto clínico. |
Evite siglas curtas no laudo de referência; prefira “eixo curto”, “eixo longo”, “hilo gorduroso” e “vascularização periférica”.
Fonte: AIUM head and neck / ACR-AIUM-SPR-SRU practice parameter
Linfonodos (geral)
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Eixo curto (cervical normal) | ≤ 10 mm | varia por nível/região |
Classificações e calculadoras
Linfonodo — benigno × suspeito
| Sinal | Benigno | Suspeito/maligno |
|---|---|---|
| Forma (eixo curto/longo) | Oval (< 0,5) | Arredondado (≥ 0,5) |
| Hilo gorduroso | Presente | Ausente |
| Córtex | Fino e uniforme | Espessado/excêntrico |
| Vascularização | Hilar | Periférica/caótica |
Sinais combinados; microcalcificações e necrose cística reforçam suspeita (ex.: metástase de CA papilífero).
Fonte: Radiology Key / PubMed (critérios sonográficos)
Obstétrico — 2º/3º trimestre
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Líquido amniótico — ILA | 5–25 cm | maior bolsão vertical normal: 2–8 cm |
| Biometria (DBP, CC, CA, CF) | — | usar tabelas por idade gestacional (Hadlock/FMF) — não há valor único |
Classificações e calculadoras
Calculadora — líquido amniótico (ILA / maior bolsão)
| Faixa | ILA | Maior bolsão |
|---|---|---|
| Oligoâmnio | ≤ 5 cm | < 2 cm |
| Normal | 8–18 cm (5–24) | 2–8 cm |
| Polidrâmnio | ≥ 24 cm | ≥ 8 cm |
A SMFM prefere o maior bolsão vertical (menos falso-positivo de oligoâmnio). Correlacionar com idade gestacional, crescimento e integridade das membranas.
Fonte: Phelan/Moore (AFI) / SMFM / ISUOG
Calculadora — Doppler fetal (umbilical/ACM/RCP)
| Achado | Leitura |
|---|---|
| Umbilical normal, ACM normal | Vigilância de rotina. |
| IP umbilical >p95 ou ACM <p5 ou RCP <p5 | Redistribuição/resistência: aumentar vigilância. |
| Diástole umbilical ausente (AEDF) | Insuficiência placentária avançada. |
| Diástole umbilical reversa (REDF) | Grave: medicina fetal; ducto venoso/parto conforme IG. |
Índices são por idade gestacional (referências FMF). Diástole zero/reversa na umbilical é o sinal mais grave.
Fonte: ISUOG Doppler guidelines / Delphi FGR consensus 2016
Placenta prévia e acretismo (PAS)
| Situação | Definição/sinal | Conduta |
|---|---|---|
| Placenta normoinserida | Borda ≥2 cm do orifício interno. | Sem restrição por localização. |
| Placenta baixa | Borda <2 cm do orifício, sem cobrir. | Reavaliar no 3º trimestre. |
| Placenta prévia | Cobre o orifício interno. | Via alta; planejar parto. |
| Acretismo (PAS) | Lacunas, perda da linha hipoecoica, hipervascularização, abaulamento (cesárea prévia + prévia). | Centro de referência; equipe multidisciplinar. |
O risco de acretismo sobe muito com placenta prévia sobre cicatriz de cesárea. Documentar a distância borda-orifício e sinais de invasão.
Fonte: FIGO PAS 2019 / ISUOG placenta previa & PAS guideline
Comprimento do colo uterino (parto prematuro)
| Colo (transvaginal) | Leitura |
|---|---|
| ≥ 25 mm | Baixo risco de parto prematuro. |
| 15–24 mm | Encurtado: considerar progesterona/seguimento. |
| < 15 mm ou funil/afunilamento | Alto risco: encaminhar; discutir cerclagem/pessário. |
Medir por via transvaginal, bexiga vazia, sem compressão excessiva; usar a menor medida de 3. Corte de 25 mm no 2º trimestre.
Fonte: FMF / SMFM / ISUOG cervical assessment
Doppler fetal — limiares de alerta
| Vaso/índice | Anormal | Significado |
|---|---|---|
| A. umbilical — IP | > p95 | resistência placentária ↑ |
| A. cerebral média — IP | < p5 | redistribuição (brain-sparing) |
| Relação cérebro-placentária (RCP) | < p10 | insuficiência placentária precoce |
Índices são por idade gestacional (referências FMF). Diástole zero/reversa na umbilical = grave.
Fonte: FMF (Ciobanu 2019, UOG)
Cotovelo
Ultrassonografia do cotovelo deve ser lida por compartimentos: anterior, lateral, medial, posterior, nervos e manobras dinâmicas quando indicadas. Os pontos de corte numéricos para tendões variam entre séries; por isso, espessamento isolado fica em amarelo, enquanto rotura, avulsão, infecção, neuropatia com déficit, massa profunda e instabilidade ficam em vermelho.
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Protocolo mínimo do cotovelo | anterior + lateral + medial + posterior | acrescentar nervo ulnar, nervo radial, Doppler e manobras dinâmicas quando a pergunta clínica pedir |
| Técnica e comparação | transdutor linear de alta frequência | avaliar em eixo longo e curto; comparar com o lado oposto quando medida, dor ou morfologia forem limítrofes |
| Tendão extensor comum — espessura | < 4,2 mm | verde se fibrilar e sem dor focal; 4,2 mm ou mais fica amarelo por ser corte prático, não consenso universal isolado |
| Tendão extensor comum — área seccional | < 32 mm² | 32 mm² ou mais apoia epicondilalgia lateral quando há hipoecogenicidade, fissura, calcificação, irregularidade cortical ou dor |
| Tendão flexor-pronador comum | sem corte universal | usar espessura, ecotextura, fibras remanescentes, entesopatia, Doppler e comparação contralateral |
| Nervo ulnar no túnel cubital — área seccional | < 8 verde · 8–9,9 amarelo · ≥10 vermelho mm² | 10 mm² ou mais é corte prático amplamente usado; confirmar com sintomas, morfologia, razão com antebraço e condução nervosa quando necessário |
| Razão área do nervo ulnar cotovelo/antebraço | < 1,3 verde · 1,3–1,49 amarelo · ≥1,5 contextual | não usar isoladamente; reforça edema focal quando a área absoluta e sintomas concordam |
| Bursa olecraniana | normal colabada ou não visível | qualquer distensão é contextual; parede espessa, debris, gás, hiperemia, ferida ou febre elevam para vermelho |
| Derrame/sinovite do cotovelo | não há número único universal | derrame é amarelo; com trauma, bloqueio mecânico, febre, cristais, artrite inflamatória ou Doppler intenso pode ser vermelho |
| Bíceps distal e tríceps | avaliar continuidade, gap e retração | rotura completa, avulsão ou gap traumático é vermelho; tendinopatia/rotura parcial é amarelo |
| Ligamentos do cotovelo | estresse dinâmico quando indicado | avaliar complexo lateral e ligamento colateral ulnar; abertura dinâmica, avulsão ou instabilidade clínica é vermelho |
Classificações e calculadoras
Assistente interativo — ultrassonografia do cotovelo
| Cor | Quando usar | Conduta didática |
|---|---|---|
| Verde | Medida abaixo do corte prático e morfologia preservada | Registrar o protocolo por compartimentos e comparação quando feita |
| Amarelo | Espessamento, pequeno derrame, tendinopatia, bursite simples, Doppler discreto ou achado sem consenso numérico universal | Descrever morfologia, dor, lado oposto e limitação; evitar conclusão absoluta por número isolado |
| Vermelho | Rotura completa, avulsão, infecção, neuropatia com déficit, massa profunda, bloqueio mecânico ou instabilidade dinâmica | Medir extensão/gap/retração, documentar Doppler/dinâmica e orientar correlação urgente conforme contexto |
O assistente usa cores para separar consenso de normalidade, zona cinzenta e achados claramente anormais. Ele não substitui julgamento clínico, radiografia, ressonância ou eletroneuromiografia quando a pergunta for óssea, intra-articular profunda ou neurofisiológica.
Fonte: AIUM/ACR/SPR/SRU 2017; ESSR; peripheral nerve ultrasound consensus
Roteiro anatômico por compartimento
| Compartimento | Estruturas obrigatórias | Ponto de atenção |
|---|---|---|
| Anterior | Recesso anterior, articulação úmero-radial/úmero-ulnar, bíceps distal, braquial, vasos e nervos quando indicado | Derrame, sinovite, corpo livre, bursa bicipitorradial e rotura do bíceps distal |
| Lateral | Epicôndilo lateral, tendão extensor comum, complexo ligamentar lateral, cabeça/colo radial e nervo radial | Epicondilalgia lateral, rotura parcial/completa, calcificação, fissura e instabilidade em varo |
| Medial | Epicôndilo medial, tendão flexor-pronador, ligamento colateral ulnar e nervo ulnar no túnel cubital | Avaliar flexão/extensão do nervo e estresse em valgo quando indicado |
| Posterior | Tríceps, olecrano, bursa olecraniana e recesso posterior | Bursite, rotura do tríceps, impacto posterior, osteófito e corpo livre |
| Nervos e dinâmica | Nervo ulnar, nervo radial e ramo interósseo posterior conforme sintomas | Área seccional, calibre proximal/distal, compressão focal, subluxação e ressalto do tríceps |
Fonte: AIUM/ACR/SPR/SRU 2017; ESSR elbow technical guideline
Tendões e ligamentos — leitura por cores
| Estrutura | Verde | Amarelo | Vermelho |
|---|---|---|---|
| Tendão extensor comum | fibrilar, fino, sem dor focal | espessura ≥4,2 mm, área ≥32 mm², hipoecogenicidade, calcificação ou fissura pequena | rotura extensa/completa, avulsão ou gap traumático |
| Tendão flexor-pronador comum | fibrilar e simétrico | tendinopatia, entesopatia, calcificação ou rotura parcial | rotura extensa/completa ou avulsão medial |
| Bíceps distal | continuidade até a tuberosidade radial | tendinopatia, bursite bicipitorradial ou rotura parcial | rotura completa, retração ou avulsão |
| Tríceps | fibrilar, inserção preservada | tendinopatia, entesófito ou rotura parcial | rotura completa, avulsão ou déficit extensor |
| Ligamento colateral ulnar e complexo lateral | contínuos e sem abertura dinâmica | espessamento, dor e laxidade leve/contextual | avulsão, abertura dinâmica, atleta arremessador sintomático ou instabilidade clínica |
Fonte: ESSR; AIUM/ACR/SPR/SRU 2017
Nervos, Doppler e manobras dinâmicas
| Item | Verde | Amarelo | Vermelho |
|---|---|---|---|
| Nervo ulnar — área seccional | <8 mm² e fascicular | 8–9,9 mm² ou razão elevada sem déficit | ≥10 mm², compressão focal, ampulheta ou déficit motor |
| Dinâmica do nervo ulnar | estável na flexão/extensão | subluxação assintomática ou ressalto leve | luxação sintomática, ressalto do tríceps doloroso ou déficit neurológico |
| Doppler | sem hiperemia | hiperemia discreta/moderada em tendinopatia, bursa ou sinovite | hiperemia intensa com febre, ferida, bursa complexa ou artrite séptica possível |
| Nervo radial ou ramo interósseo posterior | fascicular, sem compressão | espessamento ou dor sem déficit | déficit motor, compressão por massa/cisto ou denervação suspeita |
Fonte: ESSR; peripheral nerve ultrasound consensus
Diagnósticos diferenciais úteis no cotovelo
| Sintoma dominante | Possibilidades comuns | O que o ultrassom deve procurar |
|---|---|---|
| Dor lateral | epicondilalgia lateral, lesão do complexo lateral, artrose radiocapitelar, nervo radial | tendão extensor comum, calcificações, cortical, ligamento e ramo interósseo posterior |
| Dor medial | epicondilalgia medial, ligamento colateral ulnar, nervo ulnar, arremessador | tendão flexor-pronador, estresse em valgo, área do nervo ulnar e dinâmica |
| Dor posterior ou aumento de volume | bursite olecraniana, gota, infecção, tríceps, impacto posterior | bursa, parede, debris, Doppler, tríceps e recesso posterior |
| Trauma com estalido | rotura do bíceps distal, tríceps, avulsão, fratura oculta | continuidade tendínea, gap, retração, derrame e cortical; radiografia se suspeita óssea |
| Parestesia ou fraqueza | neuropatia ulnar, radial ou compressão por massa/cisto | área seccional, calibre, compressão focal, dinâmica, massa e músculos denervados |
| Rigidez, bloqueio ou derrame | sinovite, corpo livre, cristais, osteoartrose, artrite infecciosa | recessos, Doppler, erosões, corpo livre visível e sinais de alerta sistêmico |
Fonte: AIUM/ACR/SPR/SRU 2017; ESSR
Checklist didático do laudo de cotovelo
| Etapa | Registrar |
|---|---|
| 1. Indicação e lado | dor lateral, medial, posterior, anterior, trauma, neuropatia, reumatologia, pós-operatório ou procedimento |
| 2. Compartimentos | anterior, lateral, medial e posterior; declarar se algum não foi avaliado |
| 3. Tendões e ligamentos | espessura, ecotextura, fibras remanescentes, calcificação, gap, retração, entese e estresse dinâmico |
| 4. Nervos e Doppler | nervo ulnar, nervo radial/ramo interósseo posterior, área seccional, dinâmica e hiperemia |
| 5. Limitações | ultrassom não substitui radiografia/ressonância para osso profundo, cartilagem, corpo livre intra-articular profundo ou instabilidade complexa |
Fonte: AIUM/ACR/SPR/SRU 2017; ESSR
Pele / subcutâneo
Classificações e calculadoras
Lesões superficiais — aspecto típico
| Lesão | Aspecto ao US |
|---|---|
| Lipoma | Oval, compressível, iso/hiperecoico, septos lineares paralelos à pele, pouca vascularização |
| Cisto epidérmico/sebáceo | Subcutâneo bem definido, conteúdo variável (anecoico→sólido), "submarine sign", reforço posterior |
US p/ lipoma: sens. ~95% / espec. ~94%; cisto epidérmico: sens. ~80% / espec. ~95%. Sinais de alarme (sólido > 5 cm, vascularização caótica, crescimento) → investigar tumor.
Fonte: SRU Consensus 2021 (Radiology) / KJR
Lipedema / linfedema
O ultrassom não fecha o diagnóstico de lipedema (que é clínico), mas mede o subcutâneo, mostra o padrão de gordura e ajuda a diferenciar de linfedema (líquido/paralelepípedo) e de edema por outras causas. Compare sempre os dois lados e o gradiente coxa→tornozelo.
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Espessura do subcutâneo — coxa (comparação) | sem corte universal mm | Muito dependente do IMC; o que importa é a simetria e o gradiente coxa→tornozelo. No lipedema o subcutâneo é desproporcionalmente espesso, simétrico e sem líquido. |
| Espessura dérmica | ≤ ~2 mm | Espessamento dérmico com líquido subcutâneo favorece linfedema, não lipedema puro.usual: ≤2 mmlimítrofe: 2–3 mmespessada (componente linfático): >3 mm |
| Líquido subcutâneo (fendas/lagos anecoicos) | ausente no lipedema puro | Padrão em "paralelepípedo" ou lagos anecoicos indica componente linfático (linfedema ou lipolinfedema). |
Classificações e calculadoras
Calculadora — apoio ao lipedema (clínico + US)
| Cor | Leitura prática |
|---|---|
| Verde | Padrão consistente com lipedema: gordura hipoecoica difusa, simétrica, sem líquido; pé poupado; Stemmer negativo. |
| Amarelo | Provável, mas com sobreposição/estágio avançado — documentar e correlacionar com a clínica. |
| Vermelho | Sinais de líquido/linfedema (fendas, lagos, pé acometido, Stemmer positivo): lipolinfedema — encaminhar para linfoterapia. |
Lipedema é diagnóstico clínico. Não há classificação ultrassonográfica validada única; o US documenta o subcutâneo e afasta linfedema.
Fonte: Consenso europeu de lipedema 2020 (Phlebology) / Diretriz S1 alemã 2017
Estágios clínicos do lipedema
| Estágio | Superfície da pele | Subcutâneo |
|---|---|---|
| I | Lisa, regular | Espessado e uniforme, gordura hipoecoica homogênea |
| II | Irregular, "colchão", nódulos palpáveis | Nódulos e septos mais evidentes |
| III | Lobos de gordura deformantes | Grandes lobos, distorção do contorno |
| IV | Lipedema + linfedema (lipolinfedema) | Gordura + líquido/fibrose; pé pode ser acometido |
O estágio clínico é da pele/tecido; a dor, a fadiga e o impacto funcional não seguem necessariamente o estágio. Tipos 1–5 descrevem a distribuição (quadril, coxa, panturrilha, braços).
Fonte: Consenso europeu 2020 / Wold-Allen 1951
Calculadora — estadiamento do linfedema (ISL)
| Cor | Leitura prática |
|---|---|
| Verde | Sem sinais US de linfedema (sem líquido, dérmis normal). |
| Amarelo | Edema inicial/reversível: fendas finas, Stemmer positivo, ainda depressível. |
| Vermelho | Estabelecido: lagos anecoicos, dérmis espessada, fibrose (não depressível). |
O US complementa a clínica; a linfocintilografia continua sendo o padrão para confirmar disfunção linfática.
Fonte: ISL Consensus 2020 (Lymphology)
Estágios ISL do linfedema
| Estágio | Clínica | US típico |
|---|---|---|
| 0 | Latente/subclínico (sem edema visível) | Sem líquido; pode haver leve espessamento |
| I | Edema que reduz com elevação (cacifo) | Fendas finas subcutâneas |
| II | Não reduz espontaneamente; fibrose crescente | Lagos anecoicos, dérmis espessada |
| III | Elefantíase, alterações cutâneas | Fibrose densa, líquido variável |
Estadiamento ISL é clínico; o US ajuda a graduar o líquido/fibrose e a monitorar a terapia descongestiva.
Fonte: ISL Consensus 2020
Lipedema × linfedema — como diferenciar
| Característica | Lipedema | Linfedema |
|---|---|---|
| Simetria | Bilateral e simétrico | Frequentemente assimétrico/unilateral |
| Pé/dorso | Poupado (sinal do manguito) | Acometido |
| Sinal de Stemmer | Negativo | Positivo |
| Dor à pressão | Típica | Menos comum |
| Líquido subcutâneo ao US | Ausente | Presente (paralelepípedo/lagos) |
| Espessamento dérmico | Ausente/discreto | Presente |
A coexistência (lipolinfedema) é comum em estágios avançados. Na dúvida, some os achados e considere linfocintilografia.
Fonte: Consenso europeu 2020 / ISL 2020
Ecocardiograma (transtorácico)
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Fração de ejeção do VE (FEVE) | ≥ 53 % | normal ♂ 52–72 · ♀ 54–74 |
| Diâmetro diastólico do VE (DDVE) | ♂ 42–58 · ♀ 38–52 mm | |
| Septo / parede posterior (diástole) | 6–10 mm | |
| Átrio esquerdo — diâmetro | ♂ ≤ 40 · ♀ ≤ 38 mm | volume indexado ≤ 34 mL/m² |
| Raiz da aorta (seios de Valsalva) | ♂ ≤ 40 · ♀ ≤ 36 mm | idealmente indexar pela superfície corporal |
Doppler transcraniano / ONSD
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| ACM — velocidade média | < 120 cm/s | > 120 suspeita vasoespasmo; > 200 crítico |
| Bainha do nervo óptico (ONSD) | ≤ 5 mm | > 5,8 mm sugere hipertensão intracraniana |
Classificações e calculadoras
Índice de Lindegaard (ACM/ACI) — vasoespasmo
| Razão | Interpretação |
|---|---|
| < 3 | Hiperêmico / normal |
| 3–4,5 | Vasoespasmo leve |
| 4,5–6 | Vasoespasmo moderado |
| > 6 | Vasoespasmo grave |
Fonte: J Vasc Surg / StatPearls
Ocular / oftalmológica
Use técnica sem pressão, gel abundante e preset ocular quando disponível. Se houver suspeita de globo aberto, não comprima o olho e priorize avaliação oftalmológica ou emergência; esta seção é apoio didático e não substitui exame oftalmológico.
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Técnica segura — exame através da pálpebra | gel abundante, transdutor linear, sem pressão direta, preset ocular | O transdutor deve flutuar sobre o gel. Em trauma, dor intensa ou suspeita de perfuração, a prioridade é não comprimir o globo ocular.seguro: sem pressão + preset ocularlimitação técnica: sem preset ocular ou janela ruimnão comprimir: suspeita de globo aberto |
| Varredura mínima para aprender a anatomia | planos transversal e longitudinal, olho em repouso e com movimentos suaves | Identifique cristalino, vítreo, retina, parede posterior, nervo óptico e espaço atrás do globo antes de procurar patologia. |
| Bainha do nervo óptico — adulto | ≤ 5,0 mm | Medir 3 mm atrás da retina/parede posterior do globo; idealmente medir os dois olhos e interpretar com clínica neurológica.normal consensual: ≤5,0 mmlimítrofe ou divergente: >5,0–5,7 mmalto risco para pressão intracraniana elevada: ≥5,8 mm |
| Bainha do nervo óptico — criança | ≤ 4,5 em 1–15 anos; ≤ 4,0 em menor de 1 ano mm | Pontos de corte pediátricos variam; use como triagem, não como diagnóstico isolado de pressão intracraniana.normal consensual: ≤4,5 mm criança; ≤4,0 mm lactentelimítrofe: até ~0,5 mm acima do corteanormal provável: claramente acima do corte + clínica |
| Elevação do disco óptico | ≤ 0,6 mm | Elevação acima de 0,6 mm favorece papiledema no contexto adequado; drusas do disco podem simular pseudopapiledema.sem elevação relevante: <0,4 mmzona cinzenta: 0,4–0,6 mmsuspeito para papiledema: >0,6 mm |
| Comprimento axial do olho adulto | ~22–24,5 mm | Varia com refração, população e método. Valores muito longos sugerem miopia axial; valores curtos podem ocorrer em hipermetropia ou olhos pequenos.faixa usual adulta: 22–24,5 mmfora da média, correlacionar refração: 20,5–21,9 ou 24,6–26,4 mmmarcadamente fora da faixa: <20,5 ou ≥26,5 mm |
| Segmento posterior normal | vítreo anecoico; retina fina e contínua na parede posterior; disco óptico como referência | Movimento dinâmico do olho ajuda a separar membranas verdadeiras de ecos móveis no vítreo. |
| Massa intraocular — medidas obrigatórias | base, altura, localização, refletividade, sombra e vascularidade quando indicada | Massa sólida, crescimento, calcificação em criança ou descolamento associado pedem avaliação oftalmológica especializada.sem massa: parede regularlesão indeterminada: documentar e compararalto risco: massa sólida, vascularizada, calcificada em criança ou em crescimento |
Classificações e calculadoras
Assistente interativo — ultrassonografia ocular
| Saída | Cor | Leitura |
|---|---|---|
| Normal provável | Verde | Sem alerta, medidas dentro da faixa e segmento posterior sem membranas patológicas. |
| Atenção / indeterminado | Amarelo | Medida limítrofe, vítreo com ecos móveis, descolamento posterior do vítreo, técnica limitada ou indicação de trauma sem sinais de globo aberto. |
| Urgente | Vermelho | Suspeita de globo aberto, descolamento de retina, corpo estranho, ausência de fluxo na artéria central da retina, hematoma retrobulbar, luxação do cristalino ou pressão intracraniana provável. |
O botão Limpar reinicia o cálculo. A saída é uma triagem didática para padronizar raciocínio e comunicação; emergências oculares continuam dependentes de avaliação especializada.
Fonte: StatPearls / ACEP Sonoguide / EyeWiki
Mapa anatômico para leigos e aprendizes
| Estrutura | Como aparece | Por que importa |
|---|---|---|
| Cristalino | Estrutura biconvexa logo atrás da íris; normalmente centrada. | Subluxação ou luxação pode ocorrer no trauma e altera visão. |
| Vítreo | Conteúdo escuro/anecoico que preenche a maior parte do olho. | Ecos móveis sugerem sangue, inflamação ou degeneração vítrea. |
| Retina | Linha fina junto à parede posterior; quando descola, vira membrana mais espessa presa ao disco óptico. | Descolamento de retina é emergência, principalmente se a mácula ainda estiver aplicada. |
| Coroide | Camada vascular profunda; descolamentos costumam ser convexos e não cruzam o disco óptico. | Ajuda a diferenciar descolamento coroideano de descolamento de retina. |
| Nervo óptico e sua bainha | Estrutura escura atrás do globo; a bainha é medida 3 mm atrás da parede posterior. | Aumento pode acompanhar pressão intracraniana elevada. |
| Artéria central da retina | Fluxo ao Doppler dentro do nervo óptico, entrando no olho. | Ausência/redução importante no contexto certo sugere oclusão arterial. |
Fonte: EyeWiki / StatPearls / ACEP Sonoguide
Técnica segura passo a passo
| Passo | Fazer | Evitar |
|---|---|---|
| Antes de tocar | Perguntar por trauma penetrante, cirurgia recente, dor intensa ou deformidade do globo. | Pressão se houver suspeita de globo aberto. |
| Preparar | Camada espessa de gel sobre a pálpebra fechada e transdutor linear. | Contato seco ou compressão para “melhorar” a imagem. |
| Configurar | Preset ocular/baixo índice mecânico e térmico quando disponível. | Usar potência alta desnecessária. |
| Varredura | Planos horizontal e vertical, com movimentos suaves do olhar para avaliar mobilidade. | Concluir sem avaliar quadrantes e sem testar movimento. |
| Medir | Bainha do nervo óptico 3 mm atrás da retina; comprimento axial no eixo visual quando indicado. | Medir oblíquo ou em imagem fora do eixo. |
Fonte: ACEP Sonoguide / University of Iowa EyeRounds / StatPearls
Retina, vítreo e coroide — como diferenciar
| Achado | Pista ultrassonográfica | Conduta sugerida |
|---|---|---|
| Segmento posterior normal | Vítreo escuro, sem membrana; retina aplicada à parede. | Correlacionar com exame clínico. |
| Hemorragia vítrea | Ecos móveis heterogêneos, mais evidentes com ganho alto e movimento do olho. | Avaliar retina escondida; orientar oftalmologia conforme clínica. |
| Descolamento posterior do vítreo | Membrana fina, muito móvel, que não fica presa ao disco óptico e pode cruzar a linha média. | Diferenciar de retina; retorno urgente se flashes, campo escuro ou piora. |
| Descolamento de retina | Membrana mais espessa, presa ao disco óptico, frequentemente em V ou funil. | Avaliação oftalmológica urgente; macula aplicada é mais tempo-sensível. |
| Descolamento coroideano | Membranas convexas espessas, podem parecer “kissing”, poupam o disco óptico. | Correlacionar trauma, cirurgia, hipotonia ou inflamação; avaliação especializada. |
Fonte: ACEP Sonoguide / StatPearls / EyeWiki
Emergências e alertas no ultrassom ocular
| Situação | Achados úteis | Mensagem prática |
|---|---|---|
| Globo aberto / ruptura ocular | Contorno irregular, câmara anterior alterada, conteúdo extravasado; pode haver corpo estranho. | Não comprimir. Interromper exame se a suspeita for alta. |
| Corpo estranho intraocular | Foco muito ecogênico com sombra ou reverberação. | Tratar como trauma penetrante até prova em contrário. |
| Luxação do cristalino | Cristalino deslocado para câmara vítrea ou anterior, fora do eixo esperado. | Associar a trauma, síndrome do tecido conjuntivo ou cirurgia. |
| Hematoma retrobulbar | Coleção atrás do globo, proptose; globo pode assumir formato em “ponta”. | Emergência orbitária se houver dor, proptose ou queda visual. |
| Oclusão da artéria central da retina | Fluxo ausente ou muito reduzido; às vezes foco hiperecogênico embólico perto do disco. | Janela terapêutica curta; comunicação imediata. |
| Celulite orbitária / abscesso | Espessamento de partes moles, coleção, restrição de movimento, dor. | Ultrassom ajuda, mas tomografia/oftalmologia podem ser necessários. |
Fonte: ACEP Sonoguide / StatPearls
Bainha do nervo óptico e papiledema — leitura por cores
| Medida | Verde | Amarelo | Vermelho |
|---|---|---|---|
| Adulto | ≤5,0 mm | >5,0–5,7 mm | ≥5,8 mm |
| Criança 1–15 anos | ≤4,5 mm | 4,6–5,0 mm | >5,0 mm + clínica |
| Menor de 1 ano | ≤4,0 mm | 4,1–4,5 mm | >4,5 mm + clínica |
| Elevação do disco óptico | <0,4 mm | 0,4–0,6 mm | >0,6 mm |
Esses cortes não substituem avaliação neurológica. Hidratação, hipercapnia, técnica, eixo da imagem e doença ocular podem alterar a medida.
Fonte: ACEP Sonoguide / StatPearls / revisão de bainha do nervo óptico
Biometria e massas — o que documentar
| Uso | Documentar | Atenção |
|---|---|---|
| Biometria ocular | Comprimento axial, método, olho direito/esquerdo e qualidade da medida. | Diferença entre olhos e refração. |
| Meios opacos | Catarata densa, hemorragia ou opacidade que impede fundoscopia. | Ultrassom avalia retina oculta, mas não substitui exame completo. |
| Massa melanocítica ou sólida | Base, altura, forma, refletividade, sombra, líquido sub-retiniano e vascularidade. | Crescimento ou sinais de atividade exigem especialista. |
| Criança com massa/calcificação | Massa intraocular ecogênica, calcificação ou descolamento associado. | Pensar em retinoblastoma até prova em contrário. |
Fonte: EyeWiki / Ophthalmologic ultrasound reviews
Checklist didático do laudo ocular
| Item | Pergunta que o laudo deve responder |
|---|---|
| Segurança/técnica | Foi exame transpalpebral, sem pressão, com limitação por dor/trauma? |
| Globo ocular | Contorno, volume e câmara anterior estão preservados? |
| Cristalino | Está centrado ou há subluxação/luxação? |
| Vítreo | Está anecoico ou há ecos móveis compatíveis com sangue/inflamação? |
| Retina/coroide | Há membrana? Ela fica presa ao disco óptico ou poupa o disco? |
| Nervo óptico | Bainha e disco foram medidos quando havia indicação neurológica? |
| Doppler | Fluxo da artéria central da retina foi avaliado quando havia perda visual aguda? |
| Conclusão | A conclusão separa normal, indeterminado e urgente, com recomendação objetiva? |
Fonte: StatPearls / ACEP Sonoguide / EyeWiki
POCUS beira-leito / UTI / emergência
POCUS responde perguntas focadas à beira-leito e deve ser integrado ao exame físico, sinais vitais, laboratório, evolução e protocolo local. Verde = achado tranquilizador nos campos preenchidos; amarelo = limítrofe, incompleto ou dependente do contexto; vermelho = achado crítico, especialmente em instabilidade, trauma ou parada.
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Veia cava inferior — diâmetro e variação respiratória | ≤2,1 cm + >50% | Padrão ecocardiográfico para estimar pressão atrial direita em respiração espontânea; não usar isoladamente para decidir volume, especialmente em ventilação mecânica, atletas, hipertensão pulmonar ou disfunção do ventrículo direito.pressão direita baixa ou normal: ≤2,1 cm e colapso >50%intermediário ou contexto: diâmetro e colapso discordantescongestão provável no contexto agudo: >2,1 cm e colapso <50% + clínica |
| Veia cava inferior — distensibilidade em pressão positiva | ≥18 % | Em ventilação com pressão positiva, variação elevada pode sugerir responsividade a volume em alguns estudos, mas depende de ritmo, volume corrente, pressão, complacência pulmonar, pressão abdominal e função do ventrículo direito.baixa variação: <18%possível responsividade: ≥18%não usar isoladamente se choque grave: integrar coração e pulmão |
| FAST/eFAST — janelas mínimas | pericárdio, quadrante superior direito, quadrante superior esquerdo, pelve, pleuras e deslizamento pulmonar | O objetivo é detectar líquido livre pericárdico, pleural ou intraperitoneal e pneumotórax. Em trauma instável, qualquer achado positivo muda prioridade de ressuscitação e equipe.completo e negativo: todas as janelas avaliadas sem líquido ou pneumotóraxincompleto ou seriado: janela ruim, achado duvidoso ou repetirpositivo em instabilidade: líquido livre, hemotórax, pneumotórax ou pericárdio |
| Derrame pericárdico — espessura diastólica | <1 / 1–2 / >2 cm | Classificação didática: pequeno, moderado e grande. A gravidade não depende só da espessura: colapso de câmaras direitas, veia cava túrgida, variação respiratória exagerada e instabilidade sugerem tamponamento.sem derrame: pericárdio sem líquidopequeno ou moderado estável: <2 cm sem colapsoalto risco: >2 cm, hemopericárdio ou sinais de tamponamento |
| Pulmão — linhas B | ≥3 por espaço intercostal ou campo | Menos de três linhas B em um espaço costuma ser normal. Padrão bilateral difuso favorece edema; padrão focal favorece pneumonia, contusão, infarto, atelectasia ou doença pleural.pulmão aerado: 0–2síndrome intersticial: ≥3edema difuso com insuficiência respiratória: padrão bilateral + clínica |
| Pneumotórax — sinais principais | deslizamento ausente, linhas B ausentes, código de barras e ponto pulmonar | Deslizamento pleural presente exclui pneumotórax naquele ponto. Ponto pulmonar é muito específico no contexto correto; ausência de deslizamento isolada não é específica.deslizamento presente: pneumotórax excluído naquele pontodeslizamento ausente isolado: pode ser atelectasia, apneia, intubação seletiva ou aderênciapneumotórax provável: ponto pulmonar ou código de barras + clínica |
| Líquido livre abdominal em trauma | qualquer líquido livre é FAST positivo | FAST é mais útil no paciente instável. No estável, FAST negativo não exclui lesão abdominal; considerar tomografia, observação e exame seriado conforme protocolo.sem líquido nas janelas avaliadas: FAST negativo nos campos preenchidostraço ou janela limitada: repetir ou complementarlíquido livre em instabilidade: acionar protocolo de trauma/choque |
| Aorta abdominal no POCUS — maior diâmetro externo | <3,0 cm | Medir de parede externa a parede externa, varrendo aorta proximal, média e distal até a bifurcação. Aneurisma é definido a partir de 3,0 cm; 2,5–2,9 cm fica como ectasia/limítrofe.sem aneurisma se exame completo: <2,5 cmectasia ou zona de comparação: 2,5–2,9 cmaneurisma abdominal: ≥3,0 cm |
| Compressão venosa proximal para trombose | paredes devem tocar | Veia femoral comum, femoral/profunda na junção e poplítea devem colabar completamente com compressão perpendicular. Veia proximal não compressível é achado anormal; exame incompleto deve ser repetido ou complementado conforme risco.compressível: paredes encostam nos pontos avaliadosindeterminado: dor, obesidade, compressão oblíqua ou janela incompletanão compressível: compatível com trombose venosa profunda proximal |
| Escore pulmonar semiquantitativo | 0–36 | Quando o serviço usa 12 zonas, cada zona recebe 0 a 3: linhas A ou até duas linhas B, três ou mais linhas B, linhas B coalescentes e consolidação. O corte de gravidade varia por população; use principalmente para tendência e perda de aeração.baixo nos campos preenchidos: 0–5intermediário / acompanhar tendência: 6–15alto em contexto respiratório: >15 + clínica |
| Procedimentos guiados à beira-leito | janela segura + profundidade + vasos | Para acesso vascular, toracocentese, paracentese, pericardiocentese e drenagens, registrar alvo, profundidade, trajeto da agulha, estruturas a evitar, Doppler quando útil e complicações imediatas. |
Classificações e calculadoras
Calculadora — função diafragmática (POCUS)
| Parâmetro | Normal | Disfunção |
|---|---|---|
| Fração de espessamento | ≥ 30% | < 20% |
| Espessura expiratória | ≥ 1,5 mm | < 1,5 mm (atrofia) |
| Excursão (respiração tranquila) | ≥ 10–15 mm | < 10 mm |
FE% = (espessura inspiratória − expiratória)/expiratória. Útil no desmame difícil, dispneia inexplicada e suspeita de paralisia frênica. Baixo esforço na ventilação mecânica reduz a FE sem doença.
Fonte: Boon (Muscle Nerve) / ATS diaphragm US reviews
Trauma — FAST/eFAST e graduação AAST
| Item | Leitura |
|---|---|
| FAST negativo | Sem líquido livre nas janelas; não exclui lesão — repetir/seriar se instável. |
| FAST positivo + instável | Líquido livre → laparotomia; muda prioridade de ressuscitação. |
| AAST I–II (baço/fígado/rim) | Laceração superficial/hematoma pequeno; muitas vezes manejo não operatório. |
| AAST IV–V | Laceração profunda, desvascularização ou lesão hilar; alto risco cirúrgico/embolização. |
O US não gradua bem a lesão parenquimatosa — a graduação AAST é tomográfica/cirúrgica. O eFAST detecta líquido livre e pneumotórax; use CEUS/TC para caracterizar órgão sólido.
Fonte: AAST Organ Injury Scale (rev. 2018) / ACEP eFAST
Assistente interativo — POCUS agudo, FAST/eFAST, veia cava, tórax, aorta e trombose
| Saída | Cor | Leitura |
|---|---|---|
| POCUS sem achado crítico nos campos preenchidos | Verde | Deslizamento pleural presente, FAST negativo nas janelas avaliadas, aorta abaixo de 3,0 cm se examinada, veias compressíveis se testadas e sem alerta selecionado. |
| POCUS limítrofe, incompleto ou dependente do contexto | Amarelo | Veia cava intermediária, janela não avaliada, traço de líquido, derrame pericárdico pequeno/moderado estável, linhas B focais, aorta ectásica, compressão venosa indeterminada ou necessidade de repetição seriada. |
| POCUS com achado crítico ou anormal relevante | Vermelho | Líquido livre em trauma/choque, hemotórax, pneumotórax provável, tamponamento, função cardíaca muito reduzida, atividade cardíaca ausente, ventrículo direito sobrecarregado, aorta ≥3,0 cm ou veia proximal não compressível. |
A calculadora organiza achados para comunicação rápida. Em emergência, o resultado deve ser confirmado no monitor, no paciente e no protocolo institucional antes de qualquer decisão invasiva.
Fonte: ACEP POCUS guidelines / ACEP Sonoguide / ASE POCUS nomenclature
Calculadora interativa — derrame pleural no POCUS
| Método | Como medir | Fórmula / uso |
|---|---|---|
| Balik — supino | Separação pleural máxima em milímetros, no maior bolsão livre. | Volume estimado = 20 × separação em milímetros. Útil à beira-leito; erro médio relevante, não substitui drenagem medida. |
| Goecke 1 — sentado | Altura craniocaudal do derrame em centímetros. | Volume estimado = altura × 90. Simples, mas menos completo que somar a distância subpulmonar. |
| Goecke 2 / Hassan — sentado | Altura lateral + distância entre base pulmonar e diafragma, em centímetros. | Volume estimado = (altura + distância) × 70. Boa correlação em estudos de drenagem, ainda assim é estimativa. |
| Não usar só a fórmula | Septações, ecos internos, nódulos pleurais, trauma, febre ou dispneia importante. | A cor deve ser guiada pela complexidade e pela clínica; volume grande não define etiologia. |
Documente lado, posição do paciente, janela usada, medida que alimentou a fórmula e se o líquido é livre ou loculado.
Fonte: Balik 2006 / Ibitoye 2018 / Hassan 2017 / EFSUMB / ERS
FAST/eFAST — protocolo e leitura por cores
| Janela | O que procura | Leitura por cores |
|---|---|---|
| Pericárdio | Líquido entre coração e pericárdio, principalmente na janela subxifoide ou paraesternal. | Verde se ausente; vermelho se trauma penetrante, instabilidade ou sinais de tamponamento. |
| Quadrante superior direito | Espaço hepatorrenal, ponta inferior do fígado e região subdiafragmática/pleural direita. | Líquido livre é positivo; em choque/trauma deve ser comunicado imediatamente. |
| Quadrante superior esquerdo | Região periesplênica, subdiafragmática esquerda e pleural esquerda. | Janela mais difícil; líquido ao redor do baço ou acima do diafragma é relevante. |
| Pelve | Líquido posterior à bexiga, fundo de saco ou espaço retovesical. | Pode ser a primeira janela positiva; bexiga vazia reduz sensibilidade. |
| Tórax do eFAST | Hemotórax acima do diafragma e pneumotórax por ausência de deslizamento, código de barras ou ponto pulmonar. | Ponto pulmonar ou hemotórax em trauma instável é vermelho. |
| Exame seriado | Repetir após piora, intervenção, reposicionamento ou janela inicialmente limitada. | Amarelo quando incompleto; verde ou vermelho depende da repetição. |
Fonte: ACEP FAST Sonoguide / trauma POCUS reviews
Veia cava inferior — interpretação didática
| Achado | Cor | Como usar |
|---|---|---|
| ≤2,1 cm + colapso >50% | Verde | Sugere pressão atrial direita baixa/normal em respiração espontânea, se a imagem e o contexto forem adequados. |
| Discordante ou intermediário | Amarelo | Não decidir volume pela veia cava sozinha; procurar coração hiperdinâmico/reduzido, linhas B, perfusão, lactato e resposta clínica. |
| >2,1 cm + colapso <50% | Vermelho se instável | Sugere pressão direita elevada/congestão; em choque pensar em obstrução, tamponamento, falência direita, embolia pulmonar ou excesso de volume. |
| Distensibilidade ≥18% em pressão positiva | Amarelo | Pode sugerir responsividade a volume em algumas condições; perde confiabilidade com baixo volume corrente, arritmia, hipertensão abdominal ou disfunção direita. |
Fonte: ASE right-heart guideline / critical-care IVC studies
Pericárdio e tamponamento
| Achado | Interpretação | Prioridade |
|---|---|---|
| Sem líquido pericárdico | Achado tranquilizador para a pergunta “há derrame?” | Verde se a janela é adequada. |
| Derrame pequeno | Menor que 1 cm; medir e correlacionar sintomas, neoplasia, uremia, pós-operatório ou inflamação. | Amarelo, salvo trauma penetrante ou piora. |
| Derrame moderado | Entre 1 e 2 cm; procurar colapso de câmaras direitas e veia cava túrgida. | Amarelo ou vermelho conforme estabilidade. |
| Grande, complexo ou hemopericárdio | Maior que 2 cm, coágulos ou trauma aumentam risco. | Vermelho em cenário agudo. |
| Sinais de tamponamento | Colapso diastólico de ventrículo direito, colapso sistólico de átrio direito, veia cava túrgida ou instabilidade compatível. | Comunicação imediata. |
Fonte: ACEP cardiac tamponade / ASE POCUS nomenclature
Pulmão POCUS — perfis úteis
| Perfil | Achados | Leitura prática |
|---|---|---|
| Linhas A com deslizamento | Artefatos horizontais e pleura deslizando. | Pulmão aerado naquele ponto; pode ser normal ou obstrutivo conforme clínica. |
| Linhas B difusas bilaterais | Três ou mais linhas B por espaço/campo em várias zonas. | Favorece edema intersticial; vermelho se houver insuficiência respiratória grave. |
| Linhas B focais ou consolidação | Padrão assimétrico, pleura irregular, broncograma aéreo dinâmico ou consolidação subpleural. | Pensar em pneumonia, contusão, atelectasia, infarto ou doença pleural. |
| Pneumotórax provável | Deslizamento ausente com linhas B ausentes, código de barras e/ou ponto pulmonar. | Vermelho em trauma, ventilação ou instabilidade. |
| Derrame pleural | Líquido anecoico ou complexo acima do diafragma. | Usar calculadora de volume como estimativa; complexidade e sintomas definem urgência. |
Fonte: ACEP Lung Sonoguide / BLUE protocol / lung ultrasound recommendations
Aorta e trombose venosa no POCUS de choque/dispneia
| Pergunta | Verde | Amarelo | Vermelho |
|---|---|---|---|
| Aorta abdominal | <2,5 cm e varredura completa de parede externa a parede externa. | 2,5–2,9 cm: ectasia/limítrofe; comparar e documentar técnica. | ≥3,0 cm: aneurisma. Dor, hipotensão ou síncope tornam o achado crítico. |
| Dissecção/ruptura suspeita | Sem sinais indiretos e clínica baixa, se exame completo. | Exame limitado por gás/dor: não excluir catástrofe vascular. | Flap, hematoma, líquido livre, dor intensa ou choque: via vascular/emergência. |
| Trombose venosa proximal | Veias femoral e poplítea compressíveis nos pontos avaliados. | Compressão incompleta, dor, obesidade, veia duplicada ou janela parcial. | Veia proximal não compressível ou trombo visível: compatível com trombose venosa profunda. |
| Integração com embolia pulmonar | Sem trombose e ventrículo direito sem dilatação reduz probabilidade, mas não exclui. | Dispneia com achados discordantes exige protocolo clínico. | Trombose proximal + ventrículo direito dilatado/choque aumenta suspeita de embolia pulmonar relevante. |
POCUS vascular é excelente para perguntas focadas, mas exame limitado não substitui Doppler vascular completo ou tomografia quando a suspeita permanece alta.
Fonte: ACEP Aorta Sonoguide / ACEP DVT Sonoguide / ACEP POCUS guidelines
Escore pulmonar — perda de aeração por zona
| Pontuação da zona | Achado ultrassonográfico | Leitura |
|---|---|---|
| 0 | Linhas A ou até duas linhas B com deslizamento. | Aeração preservada naquele ponto. |
| 1 | Três ou mais linhas B bem separadas. | Perda leve de aeração / síndrome intersticial inicial. |
| 2 | Linhas B coalescentes ou “pulmão branco” parcial. | Perda moderada a importante; acompanhar tendência e distribuição. |
| 3 | Padrão tecido/consolidação subpleural. | Perda intensa de aeração; correlacionar pneumonia, atelectasia, contusão, infarto ou edema grave. |
A soma 0–36 pressupõe 12 zonas. Cortes absolutos variam por população; para emergência/UTI, a tendência seriada costuma ser mais útil que uma única medida.
Fonte: ACEP Lung Sonoguide / lung ultrasound score literature
Procedimentos guiados — checklist de segurança
| Procedimento | Antes da punção | Durante/depois |
|---|---|---|
| Acesso vascular | Identificar veia e artéria, compressibilidade, trombo, profundidade e trajeto livre. | Preferir visualização da ponta da agulha; confirmar fluxo/posição conforme protocolo. |
| Toracocentese | Confirmar líquido livre, diafragma, pulmão, profundidade e vasos intercostais quando possível. | Reavaliar deslizamento pulmonar e complicações após o procedimento. |
| Paracentese | Mapear ascite, alças, bexiga, vasos epigástricos e espessura da parede. | Registrar sítio, profundidade, líquido livre/loculado e tolerância. |
| Pericardiocentese | Definir maior bolsão, relação com fígado/pulmão/coronárias e janela mais segura. | Em tamponamento, comunicação e equipe treinada são prioridade; POCUS guia, mas não substitui protocolo institucional. |
| Drenagem de abscesso ou coleção | Confirmar líquido, septações, gás, vasos e estruturas profundas. | Documentar trajeto, conteúdo aspirado e se houve complicação imediata. |
Fonte: ACEP POCUS guidelines / ACEP procedural ultrasound guidance
Choque indiferenciado — integração tipo RUSH
| Pergunta | Achado POCUS | Interpretação |
|---|---|---|
| Bomba | Função ventricular muito reduzida, atividade ausente ou derrame com tamponamento. | Pensar em choque cardiogênico, parada sem atividade efetiva ou obstrutivo. |
| Tanque | Veia cava muito pequena/colapsável, líquido livre, aneurisma de aorta ou congestão pulmonar. | Separar hipovolemia, hemorragia, congestão e causas vasculares. |
| Tubos | Trombose venosa profunda, ventrículo direito dilatado, pneumotórax ou aneurisma de aorta. | Aumenta suspeita de embolia pulmonar, obstrução ou catástrofe vascular. |
| Pulmão | Linhas B difusas, consolidação, derrame ou deslizamento ausente. | Ajuda a escolher entre volume, vasopressor, ventilação e drenagem conforme protocolo. |
Fonte: ACEP POCUS guidelines / RUSH literature / BLUE protocol
Checklist de documentação POCUS
| Item | O que registrar |
|---|---|
| Pergunta clínica | Choque, trauma, dispneia, parada, sepse, procedimento ou reavaliação seriada. |
| Técnica | Transdutor, janelas obtidas, posição do paciente, ventilação e limitações. |
| Achados positivos e negativos | Citar líquido livre, pericárdio, deslizamento pleural, linhas B, função cardíaca, veia cava, aorta e compressão venosa quando avaliados. |
| Medidas e cálculos | Diâmetros da veia cava, índice de colapso/distensibilidade, espessura do derrame, variação mitral, aorta, escore pulmonar e estimativa de derrame pleural quando útil. |
| Integração clínica | Dizer se o achado muda conduta imediata, pede exame complementar, repetição seriada ou comunicação urgente. |
Fonte: ACEP POCUS guidelines / ASE POCUS nomenclature
Pulmão / tórax (POCUS)
Internacional: as diretrizes de pleura concordam que o ultrassom é essencial para localizar líquido, guiar procedimentos e reconhecer sinais de complexidade, mas não há uma fórmula única universal para volume. Use a calculadora como estimativa, e documente posição do paciente e técnica de medida.
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Derrame pleural — separação interpleural máxima | medir mm | Maior distância entre pleura parietal e visceral no maior bolsão livre; base da fórmula de Balik em supino.sem líquido mensurável: <10 mmestimável, depende do contexto: 10–30 mmgrande ou sintomático: >30 mm + clínica |
| Derrame pleural — altura craniocaudal | medir cm | No paciente sentado ou ortostático, medir a extensão vertical do líquido na parede torácica lateral/dorsolateral.não mensurável: 0 cmpequeno a moderado: <10 cmgrande, correlacionar sintomas: ≥10 cm |
| Distância base pulmonar–diafragma | medir cm | Distância subpulmonar usada nas fórmulas de Goecke 2 e Hassan; melhora a estimativa quando somada à altura lateral. |
| Linhas B | ≥ 3 por espaço ou campo | Bilateral e difuso favorece edema intersticial; focal ou assimétrico favorece pneumonia, contusão, atelectasia ou fibrose.poucas/isoladas: 0–2síndrome intersticial: ≥3padrão difuso com desconforto: urgência clínica |
| Espessamento pleural ou diafragmático nodular | > 10 mm | Quando associado a nódulos pleurais/diafragmáticos ou derrame complexo, é sinal suspeito para malignidade; líquido deve ser analisado quando indicado.sem espessamento/nódulo: ausenteespessamento liso/contextual: <10 mmsuspeito: >10 mm ou nodular |
Classificações e calculadoras
Calculadora interativa — derrame pleural
| Método | Como medir | Fórmula / uso |
|---|---|---|
| Balik — supino | Separação pleural máxima em milímetros, no maior bolsão livre. | Volume estimado = 20 × separação em milímetros. Útil à beira-leito; erro médio relevante, não substitui drenagem medida. |
| Eibenberger — supino | Separação entre pulmão e parede posterior em milímetros. | Volume estimado = 47,6 × separação − 837. Pode ficar negativo em volumes pequenos; use como comparação. |
| Goecke 1 — sentado | Altura craniocaudal do derrame em centímetros. | Volume estimado = altura × 90. Simples, mas menos completo que somar a distância subpulmonar. |
| Goecke 2 / Hassan — sentado | Altura lateral + distância entre base pulmonar e diafragma, em centímetros. | Volume estimado = (altura + distância) × 70. Boa correlação em estudos de drenagem, ainda assim é estimativa. |
| Não usar só a fórmula | Septações, ecos internos, nódulos pleurais, trauma, febre ou dispneia importante. | A cor deve ser guiada pela complexidade e pela clínica; volume grande não define etiologia. |
Documente lado, posição do paciente, janela usada, medida que alimentou a fórmula e se o líquido é livre ou loculado.
Fonte: Balik 2006 / Ibitoye 2018 / Hassan 2017 / EFSUMB / ERS
Derrame pleural — aspecto ecográfico e significado
| Aspecto | Interpretação prática | Cor |
|---|---|---|
| Sem líquido pleural mensurável | Normal para a pergunta “há derrame?”; ainda avaliar deslizamento pleural, linhas e consolidações conforme sintomas. | Verde: consenso de normalidade para derrame. |
| Anecoico, livre, móvel | Pode ser transudato ou exsudato; ultrassom não fecha etiologia sem contexto clínico/laboratorial. | Amarelo: anormal, mas não necessariamente complicado. |
| Complexo sem septações | Ecos/debris podem ocorrer em exsudato, hemotórax antigo, inflamação ou malignidade; correlacionar. | Amarelo: zona contextual. |
| Septado, loculado ou com debris espesso | Sugere derrame complicado, empiema organizado ou hemotórax; drenagem pode ser difícil e a punção diagnóstica costuma ser relevante. | Vermelho quando há infecção, trauma, loculação importante ou piora clínica. |
| Nódulos pleurais/diafragmáticos ou espessamento nodular >10 mm | Achado suspeito para malignidade, especialmente com derrame recorrente ou unilateral. | Vermelho: consenso de anormalidade suspeita. |
Fonte: EFSUMB chest ultrasound / ERS statement / BTS pleural disease
Sinais pulmonares — interpretação didática
| Sinal | Como reconhecer | Interpretação |
|---|---|---|
| Deslizamento pleural presente | Linha pleural cintila/move com a respiração. | Exclui pneumotórax naquele ponto examinado. |
| Linhas A com deslizamento | Artefatos horizontais repetidos abaixo da linha pleural. | Pulmão aerado naquele ponto; pode ser normal ou obstrutivo conforme clínica. |
| Três ou mais linhas B | Artefatos verticais que nascem da pleura, apagam linhas A e vão até o fundo da tela. | Síndrome intersticial: edema se bilateral/difusa; pneumonia, contusão ou fibrose se focal/assimétrica. |
| Ausência de deslizamento + ponto pulmonar | Transição entre área sem deslizamento e área com deslizamento. | Muito específico para pneumotórax no contexto correto. |
| Consolidação subpleural com broncograma aéreo dinâmico | Área semelhante a tecido com pontos/linhas hiperecogênicas móveis. | Favorece pneumonia; diferenciar de atelectasia pelo movimento do ar e contexto. |
Fonte: BLUE protocol / ERS thoracic ultrasound / EFSUMB
Técnica e checklist do laudo de tórax
| Item | O que registrar |
|---|---|
| Janelas examinadas | Anterior, lateral e posterior quando possível; no leito, descrever limitações de decúbito. |
| Derrame pleural | Lado, volume estimado, fórmula usada, posição do paciente, livre ou loculado, aspecto anecoico/complexo. |
| Interstício | Distribuição das linhas B: focal, multifocal ou difusa; simetria e relação com linha pleural. |
| Alertas imediatos | Pneumotórax provável, derrame complexo infectado, hemotórax suspeito, grande derrame com desconforto ou sinais suspeitos de malignidade. |
Fonte: BTS pleural procedures 2023 / ERS / EFSUMB
Sinais pulmonares — interpretação (BLUE)
| Sinal | Interpretação |
|---|---|
| Deslizamento pleural presente | Descarta pneumotórax naquele ponto |
| Linhas A (horizontais) | Pulmão aerado normal (ou pneumotórax se sem deslizamento) |
| ≥ 3 linhas B por campo | Síndrome intersticial (edema, pneumonia, fibrose) |
| Sem deslizamento + ponto pulmonar | Pneumotórax (ponto pulmonar é específico) |
| Coleção anecoica acima do diafragma | Derrame pleural (sinais cortina/quad/sinusoide) |
Fonte: Lichtenstein BLUE / Radiopaedia
Ovário policístico (SOP)
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Folículos por ovário (FNPO) | ≥ 20 folículos 2–9 mm | critério ecográfico de SOP (atualização 2018; antes ≥ 12) |
| Volume ovariano | ≥ 10 mL | critério alternativo (sem cisto/corpo lúteo) |
Classificações e calculadoras
Rotterdam — diagnóstico de SOP (2 de 3)
| Critério | Definição |
|---|---|
| Oligo/anovulação | clínico |
| Hiperandrogenismo | clínico ou laboratorial |
| Ovários policísticos ao US | FNPO ≥ 20 OU volume ≥ 10 mL |
Precisa de 2 dos 3 + exclusão de outras causas. Não usar o critério ecográfico em < 8 anos pós-menarca.
Fonte: Intl Evidence-based Guideline (ESHRE/ASRM)
Artérias renais (Doppler nativo)
Os pontos de corte para estenose da artéria renal variam entre serviços e diretrizes. Para manter segurança internacional: valores claramente normais ficam em verde; velocidades de pico entre 180 e 199 cm/s, razão renal/aorta próxima de 3,5 ou achados isolados ficam em amarelo; combinação de velocidade elevada, razão renal/aorta igual ou maior que 3,5, turbulência pós-estenótica ou onda tardus-parvus fica em vermelho. O Doppler deve ser interpretado junto ao contexto clínico, função renal, assimetria renal e qualidade da janela.
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Quando o exame costuma ser indicado | Hipertensão arterial resistente ou de início abrupto; piora progressiva ou inesperada da função renal; queda da função renal após inibidor da enzima conversora ou bloqueador do receptor da angiotensina; sopro abdominal; diferença de tamanho renal maior que 2 cm; seguimento de estenose conhecida, angioplastia ou stent; suspeita de infarto renal, dissecção aórtica, aneurisma, pseudoaneurisma, fístula arteriovenosa ou doença venosa renal. | Em suspeita de hipertensão renovascular, o Doppler é uma opção inicial amplamente aceita quando há janela adequada. |
| Protocolo técnico mínimo | Medir o maior comprimento de cada rim; avaliar a aorta no nível das artérias renais; mapear artérias renais principais desde a origem até o hilo, incluindo segmentos proximal, médio e distal; procurar artérias acessórias quando possível; registrar ondas intrarrenais em polos superior, médio e inferior; corrigir o ângulo Doppler e manter até 60 graus. | Se um segmento não for visto, o laudo deve dizer isso claramente, em vez de assumir normalidade. |
| Velocidade sistólica de pico na artéria renal principal | < 180 cm/s | Geralmente normal quando isolado e com forma de onda preservada. Entre 180 e 199 cm/s é zona limítrofe em muitos protocolos; 200 cm/s ou mais aumenta a suspeita de estenose hemodinamicamente relevante, sobretudo com razão renal/aorta elevada. |
| Razão renal/aorta | < 3,5 | Usa a maior velocidade sistólica na artéria renal dividida pela velocidade sistólica da aorta no nível das artérias renais. Razão igual ou maior que 3,5 é critério forte para estenose significativa quando a velocidade aórtica é confiável. |
| Tempo de aceleração intrarrenal | ≤ 70 ms | Tempo maior que 70 ms, principalmente com onda tardus-parvus, sugere estenose proximal. Isoladamente pode ser limítrofe e deve ser comparado com critérios diretos. |
| Índice de aceleração intrarrenal | ≥ 300 cm/s² | Valores menores que 300 cm/s² reforçam padrão tardus-parvus, mas são mais úteis quando combinados com tempo de aceleração prolongado e critérios diretos. |
| Índice de resistividade intrarrenal | Habitualmente < 0,70 | Entre 0,70 e 0,79 sugere aumento de resistência parenquimatosa ou contexto clínico relevante. Igual ou maior que 0,80 é anormal e costuma refletir doença parenquimatosa crônica ou pior prognóstico, mas não confirma estenose isoladamente. |
| Comprimento renal e assimetria | Adulto usual: 9 a 12 cm; diferença > 2 cm é relevante | Rim pequeno, assimetria maior que 2 cm ou perda cortical aumentam a suspeita de doença crônica, isquemia renal ou sequela de estenose de longa duração. |
Classificações e calculadoras
Calculadora didática — Doppler das artérias renais
Critérios diretos para estenose da artéria renal
Critérios indiretos intrarrenais
Índice de resistividade e parênquima renal
Armadilhas e diagnósticos diferenciais
Após angioplastia ou stent renal
Checklist de laudo
Transplante renal (Doppler)
Os protocolos internacionais convergem no exame técnico completo, mas não há corte único universal para estenose da artéria do enxerto. A leitura deve combinar fase pós-transplante, velocidade focal, razão artéria do enxerto/artéria ilíaca, aliasing, onda intrarrenal tardus-parvus, índice de resistividade, função renal e comparação com exames anteriores.
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Protocolo técnico mínimo | Escala de cinza + Doppler colorido + Doppler espectral | Documentar tamanho do enxerto, parênquima, sistema coletor, bexiga/ureter quando aplicável, espaço perienxerto, artéria e veia do enxerto, anastomoses, artéria/veia ilíacas adjacentes e ondas intrarrenais em polos superior, médio e inferior. |
| Velocidade sistólica de pico na artéria do enxerto | <200 / 200-249 / 250-299 / >=300 cm/s | Valor isolado tem falso positivo, principalmente no pós-operatório imediato ou em artéria tortuosa. O risco sobe quando há aceleração focal com aliasing, razão com a ilíaca >=2,0 e onda intrarrenal tardus-parvus.habitualmente normal: <200 cm/slimítrofe ou dependente do contexto: 200-249 cm/ssuspeito se isolado: 250-299 cm/sforte quando combinado a critérios diretos/indiretos: >=300 cm/s ou >=250 cm/s + aliasing/razão alta/tardus-parvus |
| Razão artéria do enxerto / artéria ilíaca | <1,8 / 1,8-1,99 / >=2,0 | Ajuda a reduzir falso positivo por débito alto ou velocidades sistêmicas elevadas. Medir a artéria ilíaca adjacente à anastomose e usar sempre a mesma técnica nos seguimentos.sem critério proporcional: <1,8zona cinzenta: 1,8-1,99anormal quando há aceleração focal: >=2,0 |
| Onda intrarrenal tardus-parvus | Tempo de aceleração >70 ms ou índice de aceleração <300 cm/s² | É critério indireto; ganha peso quando aparece distal a uma aceleração focal. Também pode ocorrer por estenose ilíaca proximal, hipotensão ou técnica subótima.onda preservada: subida sistólica rápidaisolado ou técnico: tempo >70 ms ou índice <300 sem jato focalcritério indireto forte: tardus-parvus + velocidade/razão alta |
| Índice de resistividade intrarrenal | 0,60-0,70 / 0,70-0,80 / >0,80 | Não separa sozinho rejeição, necrose tubular, toxicidade medicamentosa, obstrução, compressão venosa ou congestão sistêmica. Tendência e contexto clínico valem mais que uma medida isolada.frequente em enxerto estável: 0,60-0,70limítrofe ou inespecífico: 0,70-0,80elevado, correlacionar: >0,80preocupante se persistente ou com disfunção: >=0,90, fluxo diastólico ausente/reverso |
| Veia renal do enxerto | Fluxo venoso presente, sem trombo e sem aceleração focal marcada | Ausência de fluxo venoso, trombo, aumento importante do enxerto e fluxo diastólico arterial reverso são achados críticos e devem ser comunicados.normal: veia pérviaavaliar compressão ou técnica: aceleração focal sem trombocrítico: sem fluxo, trombo ou fluxo diastólico arterial reverso |
| Sistema coletor e coleções perienxerto | Descrever grau, tamanho, localização e efeito compressivo | Dilatação leve pode ser transitória; dilatação moderada/importante, coleção complexa ou coleção compressiva muda a conduta, especialmente com dor, febre, queda de diurese ou creatinina em ascensão.sem achado relevante: sem dilatação e sem coleção compressivaacompanhar/correlacionar: dilatação leve ou coleção simples pequenaanormal relevante: dilatação importante, coleção complexa ou compressiva |
Classificações e calculadoras
Calculador interativo — Doppler do transplante renal
Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU 2024 / Clinical Radiology 2003 / AJR 2017 / UT Southwestern 2020
Checklist de aquisição
| Etapa | O que registrar |
|---|---|
| Escala de cinza | Localização do enxerto, comprimento, espessura/eco cortical, diferenciação corticomedular, seio renal, sistema coletor, ureter/stent quando visível, bexiga e resíduo se indicado. |
| Espaço perienxerto | Pesquisar hematoma, seroma, linfoceles, urinoma ou abscesso; medir, localizar e descrever complexidade e efeito compressivo. |
| Doppler arterial | Medir artéria ilíaca adjacente, anastomose, artéria do enxerto proximal, média e hilar; procurar múltiplas artérias, kinking, aliasing e turbulência. |
| Doppler intrarrenal | Registrar ondas nos polos superior, médio e inferior, com índice de resistividade, tempo de aceleração e índice de aceleração quando a pergunta for estenose. |
| Doppler venoso | Confirmar veia renal e veia ilíaca pérvias, sem trombo; em hematuria ou biópsia recente, pesquisar fístula arteriovenosa e pseudoaneurisma. |
Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU 2024 / UT Southwestern 2020
Estenose da artéria do enxerto — leitura por cores
| Cor | Critérios práticos | Como escrever |
|---|---|---|
| Verde | Sem aceleração focal relevante; velocidade <200 cm/s; razão com ilíaca <1,8; sem tardus-parvus distal. | Sem critérios ultrassonográficos para estenose hemodinamicamente significativa no estudo atual. |
| Amarelo | Velocidade 200-249 cm/s, ou 250-299 cm/s isolada no pós-operatório/surveillance, ou razão limítrofe, especialmente com tortuosidade ou ângulo difícil. | Achado limítrofe/contextual; correlacionar com função renal, pressão arterial e Doppler prévio. |
| Vermelho | Velocidade >=300 cm/s, ou >=250 cm/s associada a aliasing/turbulência, razão >=2,0 e onda intrarrenal tardus-parvus. | Conjunto de achados suspeito para estenose hemodinamicamente significativa; comunicar e considerar confirmação conforme protocolo local. |
Fonte: Clinical Radiology 2003 / AJR 2017 / UT Southwestern 2020
Índice de resistividade — interpretação cautelosa
| Faixa | Cor | Comentário |
|---|---|---|
| 0,60-0,70 | Verde | Faixa comum em enxertos estáveis, mas sempre comparar com basal e quadro clínico. |
| 0,70-0,80 | Amarelo | Zona intermediária; pode ser normal em alguns pacientes e alterada em outros. |
| >0,80 | Amarelo | Elevado e inespecífico: rejeição, necrose tubular, toxicidade, obstrução, compressão venosa, congestão sistêmica e fatores cardiovasculares podem se sobrepor. |
| >=0,90 ou diástole ausente/reversa | Vermelho | Achado preocupante quando persistente ou associado a disfunção; fluxo diastólico reverso exige comunicação rápida. |
Fonte: UT Southwestern 2020 / Radiopaedia / review literature
Complicações que exigem comunicação
| Achado | Por que importa | Cor |
|---|---|---|
| Sem fluxo arterial no enxerto | Pode representar trombose arterial, complicação técnica ou hipoperfusão grave. | Vermelho |
| Sem fluxo venoso ou trombo na veia renal | Pode causar congestão aguda do enxerto e perda funcional rápida. | Vermelho |
| Fluxo diastólico arterial reverso | Pode ocorrer em trombose venosa, rejeição grave, edema/pressão elevada ou compressão significativa. | Vermelho |
| Coleção complexa, infectada ou compressiva | Pode indicar hematoma, abscesso, urinoma ou linfoceles com efeito sobre ureter/vasos. | Vermelho |
| Fístula arteriovenosa ou pseudoaneurisma pós-biópsia | Pode causar hematuria, roubo vascular, crescimento ou necessidade de embolização. | Amarelo/Vermelho |
Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU 2024 / UT Southwestern 2020 / vascular complication reviews
Modelo didático de conclusão
Fonte: SonoAI synthesis from cited sources
Intestino / DII (Crohn)
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| Espessura da parede intestinal | ≤ 3 mm | > 3 mm sugere inflamação (sens. 89% / espec. 96%) |
Classificações e calculadoras
Calculadora — apendicite (US + Alvarado)
| Achado | Leitura |
|---|---|
| Apêndice <6 mm, compressível | Geralmente normal. |
| 6–7 mm ou não visualizado | Limítrofe: valorizar sinais secundários; não visualizado não exclui. |
| ≥7 mm não compressível + sinais | Apendicite provável (gordura inflamada, hiperemia, apendicolito). |
| Coleção/líquido periapendicular | Suspeita de perfuração/abscesso. |
Alvarado: dor migratória (1), anorexia (1), náusea (1), dor FID (2), descompressão (1), febre (1), leucocitose (2), desvio à esquerda (1). ≥7 = alta probabilidade; 5–6 = observar; ≤4 = baixa.
Fonte: ACR appropriateness / Alvarado 1986 / SPR pediatric US
Sinais de atividade (Crohn ao US)
| Sinal | Achado |
|---|---|
| Parede | Espessura > 3 mm |
| Vascularização | Hipervascularização (Limberg ≥ 2) |
| Gordura mesentérica | Proliferação/inflamação (creeping fat) |
| Complicações | Linfonodos, estenose, fístula, abscesso, ascite |
Fonte: Intestinal US in IBD (PMC)
Elastografia hepática / esteatose
Classificações e calculadoras
Calculadora — rigidez hepática (kPa) + Baveno VII
| Faixa (kPa) | Baveno VII / leitura |
|---|---|
| < 10 | Hepatopatia crônica avançada compensada improvável. |
| 10–15 | Zona cinzenta — sugere doença avançada, confirmar. |
| ≥ 15 | Hepatopatia crônica avançada compensada provável. |
| ≥ 25 | Hipertensão portal clinicamente significativa provável (CSPH). |
Cortes de fibrose variam por etiologia e por técnica (TE/pSWE/2D-SWE). A calculadora ajusta por etiologia; controle de qualidade (IQR/mediana ≤0,30) é obrigatório.
Fonte: Baveno VII 2022 / EFSUMB-WFUMB elastography guidelines
Fibrose hepática — SWE (orientativo)
| Estágio | Rigidez (kPa) |
|---|---|
| F0–F1 | < ~7 |
| ≥ F2 (significativa) | ~ 7–8,5 |
| ≥ F3 (avançada) | ~ 9,5–10,4 |
| F4 (cirrose) | ≥ ~11,3–13 |
Os cortes variam por equipamento, sonda e etiologia — use a tabela do seu aparelho. Valores de exemplo (2D-SWE).
Fonte: Egypt J Radiol / Radiology Key (2D-SWE)
Esteatose — CAP (FibroScan)
| Grau | CAP (dB/m) |
|---|---|
| S1 (> S0) | ≥ ~248 |
| S2 (> S1) | ≥ ~268 |
| S3 (> S2) | ≥ ~280 |
Ajustar por NAFLD/diabetes (+10) e IMC. Cortes variam por estudo (222–294 dB/m).
Fonte: J Med Ultrason (CAP meta-análise)
Obstétrico — cálculo & tabelas
Medidas e valores de referência
| Medida | Valor usual | Observação |
|---|---|---|
| CCN → IG (Robinson-Fleming) | IG(dias) = 8,052·√(CCN·1,037) + 23,73 | CCN em mm (5–84 mm) |
| CCN → IG (INTERGROWTH-21st) | IG(dias) = 59,3615 + 0,4614·CCN | válido 11+0–13+6 sem |
| Peso fetal estimado (Hadlock IV) | log10(PFE)=1,3596+0,0064·CC+0,0424·CA+0,174·CF+0,00061·DBP·CA−0,00386·CA·CF | medidas em cm; PFE em g |
| PFE — INTERGROWTH-21st (CA+CC) | log(PFE)=5,084820−54,06633·(CA/100)³−95,80076·(CA/100)³·ln(CA/100)+3,136370·(CC/100) | log natural; CA/CC em cm; 2ª referência mundial |
Classificações e calculadoras
PFE por idade gestacional — Hadlock (g)
| Sem | p10 | p50 | p90 |
|---|---|---|---|
| 20 | 286 | 330 | 380 |
| 21 | 345 | 398 | 458 |
| 22 | 412 | 476 | 548 |
| 23 | 489 | 565 | 650 |
| 24 | 576 | 665 | 765 |
| 25 | 673 | 778 | 894 |
| 26 | 780 | 902 | 1038 |
| 27 | 898 | 1039 | 1196 |
| 28 | 1026 | 1189 | 1368 |
| 29 | 1165 | 1350 | 1554 |
| 30 | 1313 | 1523 | 1753 |
| 31 | 1470 | 1707 | 1964 |
| 32 | 1635 | 1901 | 2187 |
| 33 | 1807 | 2103 | 2419 |
| 34 | 1985 | 2312 | 2659 |
| 35 | 2167 | 2527 | 2904 |
| 36 | 2352 | 2745 | 3153 |
| 37 | 2537 | 2966 | 3403 |
| 38 | 2723 | 3186 | 3652 |
| 39 | 2905 | 3403 | 3897 |
| 40 | 3084 | 3617 | 4135 |
PIG < p10 · AIG p10–p90 · GIG > p90. Use a calculadora acima p/ classificar automaticamente. Segunda referência mundial: INTERGROWTH-21st (tabela oficial Stirnemann 2017).
Fonte: Hadlock 1991 (percentis)