Região cervical — Valores de referência: Linfonodo cervical — eixo curto, Relação eixo curto / eixo longo, Linfonodo suspeito em contexto de câncer de tireoide.
Brasil: pela normatização do Colégio Brasileiro de Radiologia, região cervical inclui linfonodos cervicais centrais e laterais, leito tireoidiano somente após tireoidectomia total, lojas paratireoidianas e principais grupos musculares. Tireoide, glândulas salivares e vasos cervicais têm exames próprios quando solicitados.
Medidas e valores de referência
Medida
Valor usual
Observação
Linfonodo cervical — eixo curto
≤8–10 com morfologia benigna mm
Tamanho isolado é fraco: use em conjunto com forma, hilo gorduroso, córtex, necrose, calcificações, vascularização e contexto clínico.Verde — consenso prático de benignidade: ≤8 mm, oval, hilo preservado, sem sinais suspeitosAmarelo — limítrofe ou divergente: 8–10 mm ou >10 mm com morfologia reacionalVermelho — anormal/suspeito: >15 mm ou qualquer tamanho com necrose, calcificações, hilo ausente associado, vascularização periférica ou crescimentoFonte: Ahuja & Ying AJR 2005 / ATA 2015 / AIUM head and neck
Relação eixo curto / eixo longo
<0,5
Linfonodo oval favorece benignidade; arredondamento aumenta suspeita, especialmente se somado à perda do hilo ou vascularização periférica.Verde: <0,5 e hilo preservadoAmarelo: ≈0,5 isoladoVermelho: >0,5 com sinais suspeitosFonte: Ahuja & Ying AJR 2005 / thyroid cancer neck ultrasound reviews
Linfonodo suspeito em contexto de câncer de tireoide
≥8–10 mm no menor eixo
A Associação Americana de Tireoide recomenda punção aspirativa de linfonodo suspeito a partir de 8–10 mm no menor eixo quando o resultado muda a conduta.Amarelo — menor que 8 mm: pode ser acompanhamento se não muda condutaVermelho — suspeito ≥8–10 mm: considerar punção aspirativa se clinicamente relevanteFonte: ATA 2015 Recommendation 32
Paratireoide normal
geralmente não visível
Quando uma glândula paratireoide aumentada é vista, documentar localização, três medidas, relação com a tireoide e Doppler se solicitado.Verde: não individualizada e sem lesão focalAmarelo: lesão hipoecoica compatível, mas sem contexto laboratorialVermelho: lesão compatível em hiperparatireoidismo ou crescimento documentadoFonte: AIUM head and neck practice parameter
Massa cervical focal
medir em três eixos
Descrever compartimento, lado, relação com pele, musculatura, tireoide, glândulas salivares e vasos; Doppler só quando indicado/solicitado.Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU head and neck / ACR Appropriateness Criteria
Classificações e calculadoras
Calculadora rápida — linfonodo cervical
Cor
Interpretação
Critérios práticos
Verde
Morfologia benigna
Eixo curto ≤8 mm, oval, hilo gorduroso preservado, córtex fino e vascularização hilar ou ausente.
Amarelo
Zona cinzenta
Eixo curto 8–10 mm, arredondamento isolado, hilo pouco visível, aumento reacional ou divergência entre tamanho e morfologia.
Vermelho
Suspeito/anormal
Necrose/cisto intranodal, calcificações, vascularização periférica ou caótica, hilo ausente associado, margens irregulares, conglomerado ou crescimento.
A calculadora é assistiva. Linfonodo doloroso/inflamatório, idade, câncer conhecido, tireoidectomia prévia e lateralidade mudam o peso dos achados.
Fonte: Ahuja & Ying AJR 2005 / ATA 2015 / AIUM head and neck
Região cervical — escopo do exame no Brasil
Estrutura
Como tratar no laudo
Cor prática
Linfonodos cervicais centrais e laterais
Incluídos; descrever localização, tamanho e morfologia se visualizados ou alterados.
Verde se morfologia benigna
Leito tireoidiano pós-tireoidectomia total
Incluído somente nesse contexto; pesquisar tecido residual, recidiva local e linfonodos suspeitos.
Verde se sem lesão focal
Lojas paratireoidianas
Avaliar; relatar glândula paratireoide ou grupo muscular principalmente quando houver patologia detectável.
Amarelo se achado depende de exames laboratoriais
Tireoide e glândulas salivares
No padrão brasileiro, têm códigos/exames próprios; citar se avaliadas por pedido específico ou achado relevante.
Amarelo por escopo
Doppler e vasos cervicais
Doppler não é parte automática da região cervical; carótidas e jugulares exigem pedido/código próprio.
Amarelo por escopo
Esta tabela evita misturar região cervical com tireoide, glândulas salivares ou Doppler vascular quando o pedido não inclui esses itens.
Fonte: Colégio Brasileiro de Radiologia — Normatização de ultrassonografia
Massa ou cisto cervical — sinais de prioridade
Cor
Achado
Conduta de comunicação
Verde
Achado superficial típico benigno, pequeno, sem componente sólido vascular e sem crescimento documentado.
Descrever e correlacionar com exame físico.
Amarelo
Cisto congênito provável, processo inflamatório ou massa indeterminada sem sinais agressivos.
Sugerir correlação clínica e imagem seccional/seguimento conforme persistência.
Vermelho
Massa persistente em adulto, massa cística em adulto, componente sólido vascular, invasão de planos, abscesso ou massa pulsátil.
Comunicar como achado suspeito/urgente conforme contexto; considerar tomografia, ressonância ou avaliação especializada.
A ultrassonografia é útil, mas massas cervicais adultas persistentes frequentemente exigem avaliação clínica especializada e/ou imagem seccional.