Valores de referênciaValores de referência

Quadril infantil — Valores de referência

Quadril infantil — Valores de referência: Idade ideal e escolha do método, Indicações principais, Plano padrão coronal, Ângulo alfa — teto ósseo.

A ultrassonografia do quadril infantil depende muito da idade, da técnica e do programa local de rastreamento. Nos Estados Unidos predomina rastreamento seletivo por risco ou exame físico alterado; em alguns países europeus há rastreamento universal. Para segurança internacional, a leitura usa cores: verde para quadril maduro e estável, amarelo para imaturidade fisiológica ou divergência entre cortes, e vermelho para displasia, descentração, luxação, instabilidade persistente ou exame tecnicamente inadequado para concluir.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Idade ideal e escolha do método6 semanas a 4 meses costuma ser a janela mais útilAntes de 6 semanas há frouxidão fisiológica e maior risco de falso positivo, salvo exame físico alterado. Quando a cabeça femoral ossifica e a relação com a cartilagem trirradiada não é bem vista, a radiografia da pelve passa a ser preferida.Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU Practice Parameter 2023 / ACR Appropriateness Criteria
Indicações principaisExame físico anormal ou duvidoso, apresentação pélvica, história familiar, condição neuromuscular ou seguimento em tratamentoOligodrâmnio, restrição postural intrauterina, assimetria de pregas e diferença de comprimento dos membros são indicações relativas.Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU Practice Parameter 2023 / AAOS
Plano padrão coronalLinha ilíaca reta + labrum + transição ílio/cartilagem trirradiadaO plano só é confiável quando mostra o ílio reto, a ponta do labrum e a transição do osso ilíaco para a cartilagem trirradiada; o acetábulo deve ser visto no seu ponto mais profundo.Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU Practice Parameter 2023
Ângulo alfa — teto ósseoNormal: ≥ 60°É o ângulo entre a linha de base do ílio e a linha do teto ósseo acetabular. Mede a profundidade/ossificação do teto ósseo e é o principal ângulo para a classificação de Graf.maduro: ≥60°imaturo/idade-dependente: 50–59° antes de 13 semanasdisplásico: <50° ou 50–59° após 13 semanasFonte: Graf method / ACR-AIUM-SPR-SRU / International Hip Dysplasia Institute
Ângulo beta — teto cartilaginoso/labrumAjuda a separar Ia/Ib e IIc/DÉ o ângulo entre a linha de base do ílio e a linha do teto cartilaginoso, traçada do rebordo ósseo acetabular até o labrum. Beta maior que 77° com alfa entre 43° e 49° sugere quadril em descentração tipo D.Ia quando alfa normal: <55°Ib se alfa normal: ≥55°tipo D se alfa 43–49°: >77°Fonte: Graf method / Radiology Assistant
Cobertura da cabeça femoralConsenso prático: ≥ 50% bem cobertaAlguns critérios de manejo consideram normal a partir de 45%; por isso 45–49% fica amarelo. Menos de 35% é displásico em critérios de uso apropriado.normal consensual: ≥50%normal por algumas fontes / limítrofe: 35–49%displásico: <35%Fonte: International Hip Dysplasia Institute / AAOS Appropriate Use Criteria / ACR references
Estabilidade dinâmicaCabeça femoral centrada em repouso e com estresse suaveNo plano transverso com quadril flexionado, avaliar Barlow/Ortolani ultrassonográficos. Mais de 50% da cabeça deve permanecer coberta; abaixo de 45% sugere instabilidade.Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU Practice Parameter / International Hip Dysplasia Institute

Classificações e calculadoras

Calculadora didática — quadril infantil

VerdeAlfa ≥60°, cabeça centrada, cobertura ≥50%, estável e plano padrão adequado.
AmareloAlfa 50–59° antes de 13 semanas, cobertura 35–49%, beta limítrofe, instabilidade neonatal transitória ou técnica incompleta.
VermelhoAlfa <50°, alfa 50–59° após 13 semanas, cobertura <35%, descentração/luxação, instabilidade persistente ou plano inadequado para concluir.

Fonte: Graf method / ACR-AIUM-SPR-SRU / AAOS AUC / IHDI

Classificação de Graf — leitura completa

TipoCritérioLeitura prática
IAlfa ≥60°. Ia se beta <55°; Ib se beta ≥55°.Quadril maduro; sem seguimento por imagem se exame clínico e contexto estiverem concordantes.
IIaAlfa 50–59° antes de 13 semanas.Imaturidade fisiológica. Seguir protocolo local; IIa− ou piora exige atenção.
IIbAlfa 50–59° com 13 semanas ou mais.Displasia por atraso de maturação; alinhar com ortopedia pediátrica conforme protocolo.
IIcAlfa 43–49° e beta ≤77°, cabeça ainda centrada.Displasia crítica mesmo se centrada; não tratar como imaturidade simples.
DAlfa 43–49° e beta >77° ou sinais de descentração.Quadril em descentração; alerta para tratamento/encaminhamento.
III–IVAlfa <43° com cabeça excêntrica ou luxada; labrum deslocado ou interposto.Luxação/subluxação grave. Comunicação prioritária.

Fonte: Graf / Radiology Assistant / ACR Appropriateness Criteria

Como desenhar os ângulos

ElementoComo traçarErro comum
Linha de base do ílioReta tangenciando a cortical lateral do ílio no plano coronal padrão.Usar imagem oblíqua ou ílio curvo; isso distorce alfa e beta.
Linha do teto ósseoLinha do rebordo ósseo acetabular ao ponto inferior do teto ósseo, formando o ângulo alfa com a linha ilíaca.Escolher rebordo arredondado errado ou medir fora do acetábulo mais profundo.
Linha do teto cartilaginosoLinha do rebordo ósseo acetabular ao centro/ponta funcional do labrum, formando o ângulo beta.Traçar a partir do teto ósseo em vez do rebordo ósseo; beta fica artificial.
Plano inadequadoSe labrum, ílio reto ou cartilagem trirradiada não aparecem, a classificação deve ser suspensa.Classificar mesmo sem plano padrão; isso gera falso normal ou falso displásico.

Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU Practice Parameter / Graf method

Cobertura e estabilidade dinâmica

AchadoCorInterpretação
Cobertura ≥50%VerdeBem coberto pela regra prática internacional.
Cobertura 45–49%AmareloNormal em alguns critérios de manejo, mas abaixo do corte clássico de 50%.
Cobertura 35–44%AmareloFaixa borderline em critérios de uso apropriado; integrar com alfa e estabilidade.
Cobertura <35%VermelhoDisplásico nos critérios AAOS de uso apropriado.
Subluxável, luxável ou luxadoVermelhoEstabilidade pesa tanto quanto a morfologia; comunicar e correlacionar com exame físico.

Fonte: IHDI / AAOS AUC / ACR-AIUM-SPR-SRU

Protocolo técnico mínimo

EtapaO que registrarCor se ausente
Ambos os quadrisDireito e esquerdo, mesmo quando a queixa é unilateral.Vermelho se só um lado foi avaliado sem justificativa.
Coronal padrão em neutroMorfologia, posição da cabeça femoral e ângulo alfa.Vermelho: não classificar Graf.
Transverso com quadril flexionadoCabeça femoral sobre o ísquio, posição em repouso e com estresse suave.Amarelo/vermelho conforme suspeita clínica.
Manobra dinâmicaBarlow ultrassonográfico; Ortolani se cabeça subluxada/luxada para avaliar redutibilidade.Amarelo se omitida; aceitável omitir em Pavlik/splint.
DocumentaçãoLado, orientação, idade, estresse aplicado ou não, alfa, beta/cobertura quando usados, estabilidade e limitações.Amarelo se incompleta.

Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU Practice Parameter 2023

Armadilhas didáticas

SituaçãoRiscoConduta prática
Menos de 6 semanasFrouxidão fisiológica pode simular instabilidade.Se exame físico for normal, seguir política local de rastreamento; se alterado, examinar e descrever contexto.
Graf IIa estávelMuitos amadurecem espontaneamente, mas alguns são IIa− ou têm cobertura baixa.Não chamar de normal pleno; recomendar seguimento conforme idade/protocolo.
Alfa normal com instabilidadeMorfologia madura não exclui subluxabilidade dinâmica.Relatar instabilidade e correlacionar com ortopedia/exame físico.
Plano não padrãoPode mudar vários graus do alfa e do beta.Repetir aquisição; se persistir limitada, laudar como limitado.
Em uso de Pavlik ou splintEstresse não deve ser aplicado rotineiramente.Documentar posição da cabeça femoral no dispositivo e omitir estresse.

Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU / Radiology Assistant / Children’s Colorado

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