Internacional: as diretrizes de pleura concordam que o ultrassom é essencial para localizar líquido, guiar procedimentos e reconhecer sinais de complexidade, mas não há uma fórmula única universal para volume. Use a calculadora como estimativa, e documente posição do paciente e técnica de medida.
Medidas e valores de referência
Medida
Valor usual
Observação
Derrame pleural — separação interpleural máxima
medir mm
Maior distância entre pleura parietal e visceral no maior bolsão livre; base da fórmula de Balik em supino.sem líquido mensurável: <10 mmestimável, depende do contexto: 10–30 mmgrande ou sintomático: >30 mm + clínicaFonte: Balik 2006 / EFSUMB / ERS
Derrame pleural — altura craniocaudal
medir cm
No paciente sentado ou ortostático, medir a extensão vertical do líquido na parede torácica lateral/dorsolateral.não mensurável: 0 cmpequeno a moderado: <10 cmgrande, correlacionar sintomas: ≥10 cmFonte: Goecke / Ibitoye / Hassan
Distância base pulmonar–diafragma
medir cm
Distância subpulmonar usada nas fórmulas de Goecke 2 e Hassan; melhora a estimativa quando somada à altura lateral.Fonte: Goecke / Hassan / Ibitoye
Linhas B
≥ 3 por espaço ou campo
Bilateral e difuso favorece edema intersticial; focal ou assimétrico favorece pneumonia, contusão, atelectasia ou fibrose.poucas/isoladas: 0–2síndrome intersticial: ≥3padrão difuso com desconforto: urgência clínicaFonte: BLUE / ERS statement
Espessamento pleural ou diafragmático nodular
> 10 mm
Quando associado a nódulos pleurais/diafragmáticos ou derrame complexo, é sinal suspeito para malignidade; líquido deve ser analisado quando indicado.sem espessamento/nódulo: ausenteespessamento liso/contextual: <10 mmsuspeito: >10 mm ou nodularFonte: EFSUMB chest ultrasound / pleural malignancy reviews
Classificações e calculadoras
Calculadora interativa — derrame pleural
Método
Como medir
Fórmula / uso
Balik — supino
Separação pleural máxima em milímetros, no maior bolsão livre.
Volume estimado = 20 × separação em milímetros. Útil à beira-leito; erro médio relevante, não substitui drenagem medida.
Eibenberger — supino
Separação entre pulmão e parede posterior em milímetros.
Volume estimado = 47,6 × separação − 837. Pode ficar negativo em volumes pequenos; use como comparação.
Goecke 1 — sentado
Altura craniocaudal do derrame em centímetros.
Volume estimado = altura × 90. Simples, mas menos completo que somar a distância subpulmonar.
Goecke 2 / Hassan — sentado
Altura lateral + distância entre base pulmonar e diafragma, em centímetros.
Volume estimado = (altura + distância) × 70. Boa correlação em estudos de drenagem, ainda assim é estimativa.
Não usar só a fórmula
Septações, ecos internos, nódulos pleurais, trauma, febre ou dispneia importante.
A cor deve ser guiada pela complexidade e pela clínica; volume grande não define etiologia.
Documente lado, posição do paciente, janela usada, medida que alimentou a fórmula e se o líquido é livre ou loculado.
Fonte: Balik 2006 / Ibitoye 2018 / Hassan 2017 / EFSUMB / ERS
Derrame pleural — aspecto ecográfico e significado
Aspecto
Interpretação prática
Cor
Sem líquido pleural mensurável
Normal para a pergunta “há derrame?”; ainda avaliar deslizamento pleural, linhas e consolidações conforme sintomas.
Verde: consenso de normalidade para derrame.
Anecoico, livre, móvel
Pode ser transudato ou exsudato; ultrassom não fecha etiologia sem contexto clínico/laboratorial.
Amarelo: anormal, mas não necessariamente complicado.
Complexo sem septações
Ecos/debris podem ocorrer em exsudato, hemotórax antigo, inflamação ou malignidade; correlacionar.
Amarelo: zona contextual.
Septado, loculado ou com debris espesso
Sugere derrame complicado, empiema organizado ou hemotórax; drenagem pode ser difícil e a punção diagnóstica costuma ser relevante.
Vermelho quando há infecção, trauma, loculação importante ou piora clínica.
Nódulos pleurais/diafragmáticos ou espessamento nodular >10 mm
Achado suspeito para malignidade, especialmente com derrame recorrente ou unilateral.