Valores de referênciaValores de referência

Pênis / Doppler peniano — Valores de referência

Pênis / Doppler peniano — Valores de referência: Protocolo anatômico mínimo, Anatomia normal em modo B, Fratura peniana, Doença de Peyronie — placa, Priapismo isquêmico.

O ultrassom de pênis não tem um único sistema universal como TI-RADS ou BI-RADS. A segurança vem de separar a pergunta clínica: trauma, placa/fibrose, priapismo, trombose venosa superficial, massa/infecção ou disfunção erétil vascular. No Doppler dinâmico, os cortes variam: a diretriz europeia aceita velocidade sistólica de pico maior que 30 cm/s como normal, enquanto revisões radiológicas usam maior que 35 cm/s para excluir estenose significativa. Por isso, 30–35 cm/s fica amarelo, não verde absoluto.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Protocolo anatômico mínimotransdutor linear de alta frequência; planos transversal e longitudinalAvaliar corpos cavernosos, corpo esponjoso, glande, uretra peniana quando relevante, túnica albugínea, fáscia profunda, artérias cavernosas, artérias dorsais e veia dorsal superficial/profunda conforme a hipótese.Fonte: RadioGraphics 2024 / University of Washington penile ultrasound protocol / Radiologia Brasileira
Anatomia normal em modo Bdois corpos cavernosos dorsolaterais + corpo esponjoso ventralA túnica albugínea aparece como linha ecogênica fina ao redor dos corpos eréteis; a artéria cavernosa costuma ser vista no centro de cada corpo cavernoso.Fonte: Translational Andrology and Urology / RadioGraphics
Fratura penianadescontinuidade da túnica albugínea + hematomaEstalo, dor súbita, perda de ereção e equimose tornam o diagnóstico clínico provável; o ultrassom localiza a rotura e mede hematoma. Hematúria, retenção urinária ou ar nos corpos eréteis sugerem lesão uretral e mudam a urgência.túnica contínua: sem hematoma profundohematoma com túnica íntegra: diferencial de falso trauma/fraturafratura provável: defeito da túnicaFonte: Radiologia Brasileira 2019 / Translational Andrology and Urology 2017
Doença de Peyronie — placaespessamento focal da túnica, fibrose ou calcificaçãoDescrever local, lado, comprimento, espessura, calcificação/sombra acústica, relação com septo e feixe neurovascular, curvatura durante ereção induzida quando realizada e fluxo Doppler ao redor da placa se houver suspeita de fase ativa.placa não calcificada: pode ser fase ativacalcificação: impacta planejamento terapêuticomassa ou erosão atípica: não assumir PeyronieFonte: AUA Peyronie guideline / RadioGraphics 2024 / Frontiers Pharmacol 2019
Priapismo isquêmicofluxo cavernoso muito reduzido ou ausenteÉ emergência urológica, especialmente se ereção dolorosa persistente por mais de 4 horas. O Doppler deve ser feito antes da aspiração quando possível, pois a intervenção pode gerar hiperemia reativa e confundir a leitura.emergência: dor + rigidez + pouco/nenhum fluxoindeterminado: correlacionar com gasometria cavernosaFonte: EAU Priapism guideline / AUA-SMSNA Priapism guideline / Radiologia Brasileira
Priapismo não isquêmico / alto fluxofluxo alto/turbulento, fístula ou pseudoaneurismaCostuma ocorrer após trauma perineal/peniano e é menos doloroso. Não é a mesma urgência do priapismo isquêmico, mas é anormal e o Doppler localiza a fístula para compressão guiada, seguimento ou embolização.Fonte: EAU Priapism guideline / Radiologia Brasileira
Trombose da veia dorsal superficialveia não compressível + trombo ecogênico + ausência de fluxoTambém chamada doença de Mondor peniana. É geralmente benigna/autolimitada, mas o Doppler ajuda a diferenciar de Peyronie, linfangite esclerosante, massa e hematoma.anormal geralmente autolimitado: confirmar compressibilidade e fluxosinais sistêmicos ou massa: procurar outra causaFonte: Radiologia Brasileira / Korean J Radiol / case literature
Doppler dinâmico — técnicamedir artérias cavernosas na base, a cada 5 min até 20–30 minRegistrar fármaco e dose, lado da injeção, tempo, grau de rigidez, velocidade sistólica de pico, velocidade diastólica final, índice de resistência e diferença entre os lados. O ângulo Doppler deve ficar abaixo de 60 graus.Fonte: EAU Erectile Dysfunction guideline / RadioGraphics 2024 / EPOS ECR 2024
Velocidade sistólica de pico após estímuloverde forte >35; divergente 30–35; anormal <25 cm/sA diretriz europeia considera maior que 30 cm/s geralmente normal; revisões radiológicas usam maior que 35 cm/s para excluir estenose significativa. Entre 25 e 35 cm/s, interpretar como zona cinzenta com rigidez, dose, ansiedade e tempo.normalidade forte: >35 cm/snormal por algumas fontes: 30–35 cm/sindeterminado: 25–29 cm/sinsuficiência arterial provável: <25 cm/sFonte: EAU / Scientific Reports 2022 / RadioGraphics 2024
Velocidade diastólica final<3 pela diretriz europeia; >5 sugere escape venoso se entrada arterial for adequada cm/sA leitura veno-oclusiva só é confiável quando houve resposta arterial suficiente e rigidez adequada; ansiedade e dose baixa podem simular escape venoso.normal estrito: <3 cm/szona cinzenta: 3–5 cm/sescape venoso provável: >5 cm/s com boa resposta arterialFonte: EAU / RadioGraphics / EPOS ECR 2024
Índice de resistência>0,8 geralmente normalMenor que 0,8 junto de velocidade diastólica final elevada sugere falha veno-oclusiva; usar com cautela se a resposta arterial foi ruim.normal: >0,8limítrofe: 0,75–0,80suspeito: <0,75 ou <0,8 com diástole elevadaFonte: EAU / RadioGraphics / EPOS ECR 2024

Classificações e calculadoras

Assistente interativo — pênis e Doppler peniano

VerdeVelocidade sistólica de pico maior que 35 cm/s nos dois lados, diástole final baixa, índice de resistência maior que 0,8, rigidez adequada e sem achados anatômicos críticos.
AmareloVelocidade sistólica de pico 25–35 cm/s, diástole 3–5 cm/s, rigidez incompleta, técnica sem injeção vasoativa, placa/calcificação, trombose dorsal superficial ou priapismo não isquêmico.
VermelhoVelocidade sistólica de pico menor que 25 cm/s, diástole maior que 5 cm/s com boa entrada arterial, índice de resistência baixo, priapismo isquêmico, fístula de alto fluxo, fratura, massa suspeita, abscesso, gás ou sinal uretral.

A ferramenta é didática: não substitui avaliação urológica, gasometria cavernosa no priapismo, nem decisão terapêutica. Em priapismo doloroso prolongado ou fratura peniana, a comunicação deve ser imediata.

Fonte: EAU / AUA-SMSNA / RadioGraphics / Radiologia Brasileira

Doppler dinâmico — leitura hemodinâmica

ParâmetroVerdeAmareloVermelho
Velocidade sistólica de pico>35 cm/s25–35 cm/s<25 cm/s
Diferença entre artérias cavernosas<10 cm/s>10 cm/s com velocidades preservadas>10 cm/s com lado menor <25 cm/s
Velocidade diastólica final<3 cm/s3–5 cm/s>5 cm/s persistente se entrada arterial adequada
Índice de resistência>0,80,75–0,8<0,75 ou <0,8 com diástole elevada
Rigidezrigidez completa ou suficientetumescência ou rigidez parcialsem resposta apesar de técnica adequada

Fonte: EAU Erectile Dysfunction / RadioGraphics 2024 / EPOS ECR 2024

Emergências e diferenciais

QuadroAchados no ultrassomMensagem prática
Fratura penianaDefeito focal da túnica albugínea, hematoma adjacente, às vezes uretra/corpo esponjoso envolvidos.Emergência cirúrgica na maioria dos casos; localizar rotura.
Priapismo isquêmicoFluxo cavernoso ausente ou de alta resistência, corpos cavernosos rígidos e dolorosos.Emergência; não atrasar tratamento.
Priapismo não isquêmico de alto fluxoFístula arteriocavernosa, pseudoaneurisma, turbulência e fluxo de baixa resistência.Não costuma ser isquêmico, mas é anormal e pode precisar embolização.
Doença de Mondor penianaVeia dorsal superficial não compressível com trombo e sem fluxo.Geralmente autolimitada; diferenciar de placa, massa e linfangite.
Doença de PeyroniePlaca da túnica albugínea, espessamento, fibrose, calcificação ou sombra acústica.Medir e mapear; Doppler ajuda se também há disfunção erétil.
Infecção profunda ou abscessoColeção, hiperemia, gás, espessamento cutâneo/fascial ou extensão perineal.Pode ser emergência, especialmente se houver gás ou suspeita de Fournier.
Massa suspeitaLesão sólida irregular, glande/prepúcio, invasão local, vascularização ou linfonodos suspeitos.Não rotular como placa; encaminhar investigação.

Fonte: Radiologia Brasileira / RadioGraphics / AUA / EAU

Checklist de laudo estruturado

BlocoO que registrarPor que importa
TécnicaTransdutor, planos, via ventral/dorsal, Doppler colorido/espectral e ângulo Doppler.Evita medidas erradas por ângulo ou amostragem.
Doppler dinâmicoFármaco, dose, lado da injeção, tempo das medidas e grau de rigidez.Sem isso, velocidade e escape venoso podem ser falsos.
Placas/fibroseLocalização por face/terço, tamanho, calcificação, sombra e relação com septo.Ajuda urologia a planejar tratamento.
TraumaIntegridade da túnica, hematoma, corpo esponjoso, uretra e vascularidade cavernosal.Define urgência e mapa cirúrgico.
PriapismoIsquêmico versus não isquêmico, fluxo cavernoso, fístula/pseudoaneurisma e se foi antes de aspiração.Muda completamente a conduta.

Fonte: EAU / AUA-SMSNA / RadioGraphics

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