Valores de referênciaValores de referência

Pélvico / transvaginal — Valores de referência

Pélvico / transvaginal — Valores de referência: Útero pré-puberal — comprimento e espessura, Útero puberal — configuração, Ovário — volume no acompanhamento puberal.

Pelve feminina reúne protocolo adulto, transvaginal, avaliação de dispositivo intrauterino, miomas e acompanhamento puberal. Em adulta, documente via usada, bexiga cheia ou vazia, limitações, consentimento local, endométrio, miométrio, colo, ovários, anexos e fundo de saco. Quando houver dispositivo intrauterino ou mioma, descreva a relação com fundo uterino, cavidade endometrial, miométrio e serosa.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Útero pré-puberal — comprimento e espessura<4,0–4,5 cmespessura geralmente <1 cm; comprimento ≤3,2 cm reduz a probabilidade de puberdade precoce em meninas encaminhadaspré-puberal robusto: ≤3,2 cm e espessura ≤1 cmzona cinzenta: >3,2–4,5 cm ou espessura 1–1,5 cmanormal no contexto: >4,5 cm ou espessura >1,5 cm em menor de 8 anosFonte: StatPearls 2025 / Radiologia Brasileira / Frontiers Endocrinol 2021
Útero puberal — configuração5–8 cmfundo uterino passa a predominar sobre a cérvix; a relação fundo/cérvix isolada tem sobreposiçãotubular: fundo/cérvix ≤1transição: 1–1,45puberal precoce se <8 anos: >1,45 ou 2:1–3:1Fonte: StatPearls 2025 / Radiologia Brasileira / Pediatric Radiology 2024
Ovário — volume no acompanhamento puberal<1–3,5 pré-puberal; >3,5–4 sugere estímulo cm³há sobreposição relevante; interpretar com útero, simetria e estágio clínicobaixo: ≤1 cm³divergente: >1–3,5 cm³puberal se <8 anos: >3,5–4 cm³investigar massa/cisto: >20 cm³Fonte: StatPearls 2025 / Radiologia Brasileira / Pediatric Radiology 2024
Folículos e cistos ovarianos<4 microcistos; 4–9 folículos; >9 macrocístico mmfolículos pequenos podem ser fisiológicos; cisto dominante unilateral muda a leiturausual infância: <4 mmtransição puberal: 4–9 mmmacrocístico contextual: >9–20 mmdominante/patológico: >20 mmFonte: Pediatric Radiology 2024 / StatPearls 2025
Endométrio e Doppler das artérias uterinaspré-puberal: endométrio não visível e sem diástoleDoppler é complementar e tem cortes de índice de pulsatilidade muito variáveispré-puberal: sem endométrio e sem fluxo diastólicotransição: linha fina ou diástole intermitenteestrogenização se <8 anos: endométrio cíclico ou diástole contínuaFonte: Radiologia Brasileira / Pediatric Radiology 2024
Pelve adulta — preparo e via de exameabdome com bexiga cheia se necessário; transvaginal com bexiga preferencialmente vaziamais de uma via pode ser necessária; via transretal ou transperineal é alternativa quando a transvaginal não é apropriadadocumentação completa: via, bexiga, útero, endométrio, ovários, anexos e fundo de sacolimitação técnica: endométrio ou ovário não visto adequadamenteachado que muda conduta: massa sólida, torção, infecção, sangramento pós-menopausa ou dispositivo extrauterinoFonte: AIUM / ACR-ACOG-AIUM-SPR-SRU female pelvis parameter
Útero adulto — medidas orientativascomprimento 6–10; espessura 3–5; largura 4–6 cmvaria com idade, paridade, ciclo, miomas, adenomiose e técnica; descreva forma, orientação e volume quando útilhabitual em adulta: sem massa ou distorção cavitáriaaumentado/contextual: paridade, miomas ou adenomiose podem explicaralerta: crescimento pós-menopausa, massa atípica ou necroseFonte: AIUM / StatPearls / gynecologic ultrasound reviews
Endométrio — menacmemenstrual fino; proliferativo 4–8; secretor 7–14(16) mmnão usar um único corte sem fase do ciclo, hormônios e padrão focal; medir a maior espessura, excluindo líquido intracavitárioconcordante com fase: espessura e ecotextura esperadaslimítrofe: fase desconhecida, terapia hormonal, heterogeneidade discretaanormal focal: pólipo/massa, vascularização focal, sangramento persistenteFonte: AIUM / StatPearls
Endométrio — pós-menopausa≤4 se sangramento único, baixo risco e eco totalmente visto; sangramento recorrente ou risco alto exige avaliação mmACOG 2026 recomenda ultrassom transvaginal associado a amostragem endometrial na maioria dos sangramentos pós-menopausa; espessura incidental sem sangramento não tem o mesmo pesobaixo risco selecionado: ≤4 mm, eco bem visto, episódio únicozona cinzenta: incidental sem sangramento, terapia hormonal, tamoxifeno ou eco incompletoinvestigar: >4 mm com sangramento, sangramento recorrente ou fatores de riscoFonte: ACOG 2018/2026 / AIUM
Ovários adultos — medidas e folículosmedir em 3 diâmetros; folículos até 25 mm podem ser fisiológicos na menacmeapós a menopausa os ovários podem não ser identificados; massa sólida, papilas, septos espessos, ascite ou vascularização suspeita mudam a leiturafisiológico: folículo simples compatível com cicloseguimento/contexto: cisto simples maior ou ovário não visto no contexto corretosuspeito: componente sólido, papilas, ascite, torção ou pós-menopausa com massaFonte: AIUM / StatPearls / SRU adnexal guidance
Dispositivo intrauterino — posição idealhaste central, braços abertos, topo junto ao fundo/cavidade; 3D ajuda a ver braços e orientaçãonão há definição universal para baixo; alguns estudos usam >3–4 mm, >5 mm ou >20 mm do fundo, por isso a cor depende de localização, sintomas e tipo de dispositivoadequado: fundal, central, braços abertosbaixo supracervical: acima do orifício interno, especialmente sem sintomasmalposicionado: cervical/parcialmente expulso, embutido, perfurado, extrauterino, braço não abertoFonte: AIUM / Connolly-Fox JUM 2021 / JSIM 2024 / Exxcellence 2025
Miomas — documentação mínimanúmero, topografia, relação com cavidade, maior lesão em ≥2 dimensões e FIGO 0–8 quando possível3D, sonohisterografia ou ressonância podem ajudar a diferenciar FIGO 2 de FIGO 3 e mapear miomas híbridossem mioma: miométrio sem nódulo focalintramural/subseroso: FIGO 3–8 conforme sintomas e tamanhocavidade ou suspeita: FIGO 0–2, distorção cavitária, crescimento pós-menopausa ou morfologia atípicaFonte: AIUM / FIGO 2018 / MUSA / Merck PALM-COEIN

Classificações e calculadoras

Calculadora — O-RADS US v2022 (massa anexial)

CategoriaRisco de malignidadeConduta usual
O-RADS 1n/a (ovário normal)Sem seguimento.
O-RADS 2<1%Quase certamente benigno; seguimento só conforme tipo/tamanho.
O-RADS 31–<10%Baixo risco; US especializado ou seguimento.
O-RADS 410–<50%Intermediário; RM ou avaliação oncoginecológica.
O-RADS 5≥50%Alto risco; encaminhamento oncoginecológico.

Requer exame padronizado (via transvaginal, momento do ciclo). Lesões benignas clássicas (hemorrágico, endometrioma, dermoide) têm regras próprias. O color score (fluxo 1–4) sobe a categoria em lesões multiloculadas e sólidas.

Fonte: ACR O-RADS US v2022 (Radiology 2022)

Calculadora — IOTA Simple Rules

RegraInterpretação
Só características BBenigno.
Só características MMaligno.
B e M, ou nenhumaInconclusivo (~20%): usar examinador experiente ou modelo ADNEX.

B: uniloculado; sólido <7 mm; sombra acústica; multiloculado liso <10 cm; sem fluxo. M: sólido irregular; ascite; ≥4 papilas; multiloculado-sólido irregular ≥10 cm; fluxo intenso.

Fonte: IOTA Simple Rules — Timmerman, Ultrasound Obstet Gynecol 2008/2016

Calculadora interativa — miomas FIGO 0–8

EntradaComo usarLimitação
Sem mioma focalUse quando o miométrio não tem nódulo leiomiomatoso definido.Não exclui adenomiose difusa ou alteração miometrial sutil.
FIGO 0–2Submucoso ou intracavitário: maior impacto sobre sangramento, fertilidade e planejamento histeroscópico.Diferenciar FIGO 2 de FIGO 3 pode exigir 3D, sonohisterografia ou histeroscopia.
FIGO 3–8Mapeia contato com endométrio, miométrio e serosa; cor depende de sintomas, tamanho, crescimento e morfologia.A classificação é anatômica: não substitui descrição de tamanho, número e vascularização.

A tabela interativa abaixo é didática e assistiva. A categoria final deve ser conferida pelo médico, principalmente em miomas múltiplos, híbridos, distorção cavitária ou suspeita de adenomiose.

Fonte: FIGO 2018 PALM-COEIN / Merck Manual / AIUM / MUSA

Pelve feminina adulta e transvaginal — protocolo mínimo

EtapaO que documentarCor
Via e preparoTransabdominal com bexiga cheia quando ajuda a janela acústica; transvaginal com bexiga preferencialmente vazia.Verde se documentado
Útero e coloTamanho, forma, orientação, miométrio, colo, endométrio e massas em pelo menos duas dimensões quando relevantes.Verde se completo
Endométrio incompletoSe não estiver totalmente visto ou estiver mal definido, registrar limitação e evitar medida falsamente precisa.Amarelo
Ovários e anexosTentar identificar ovários primeiro, medir em três dimensões quando necessário e descrever massas por composição, septos, papilas, vascularização e relação com útero/ovário.Verde se completo
Achado críticoTorção, massa sólida suspeita, abscesso, dispositivo perfurado/extrauterino ou sangramento pós-menopausa de risco.Vermelho

Fonte: AIUM female pelvis parameter / ACR-ACOG-AIUM-SPR-SRU 2024

Dispositivo intrauterino — localização ao ultrassom

AchadoInterpretaçãoConduta descritiva
Fundal e centralHaste no eixo da cavidade, braços abertos e topo junto ao fundo/cavidade.Descrever tipo se conhecido e se 3D confirmou os braços.
Baixo, mas acima do coloZona divergente: não há distância universal; alguns estudos usam 3–4 mm, 5 mm ou 20 mm.Informar distância ao fundo, sintomas, tipo de dispositivo e relação com miomas/cavidade.
Cervical ou parcialmente expulsoMaior risco de expulsão completa e falha contraceptiva.Descrever componente no canal cervical e sugerir avaliação ginecológica.
Embutido, perfurado ou extrauterinoBraço ou haste no miométrio, atravessando serosa ou fora da cavidade.3D, radiografia/tomografia ou histeroscopia podem ser necessários conforme o caso.

Fonte: AIUM / Connolly-Fox JUM 2021 / JSIM 2024 / Exxcellence 2025

Endométrio adulto — leitura por contexto

ContextoVerdeAmareloVermelho
MenacmeEspessura e ecotextura compatíveis com a fase do ciclo.Fase desconhecida, terapia hormonal ou endométrio heterogêneo sem massa definida.Lesão focal, vascularização focal ou sangramento persistente.
Pós-menopausa sem sangramentoEndométrio fino, regular e bem visto.Espessura incidental maior que 4 mm não equivale automaticamente a sangramento pós-menopausa.Massa focal, fluido suspeito ou fatores de risco importantes.
Sangramento pós-menopausa≤4 mm somente em paciente selecionada, baixo risco, episódio único e eco totalmente visto.Eco incompleto, terapia hormonal, tamoxifeno ou barreira a seguimento rápido.>4 mm, sangramento recorrente ou alto risco; ACOG 2026 favorece amostragem na maioria.

Fonte: AIUM / ACOG Committee Opinion 2018 / ACOG Clinical Practice Update 2026

Miomas — classificação FIGO 0–8

TipoRelação anatômicaLeitura prática
Sem miomaMiométrio sem nódulo leiomiomatoso definido.Verde: consenso de normalidade para mioma focal.
FIGO 0Pediculado intracavitário.Vermelho: submucoso, geralmente relevante para sangramento e histeroscopia.
FIGO 1Submucoso com menos de 50% intramural.Vermelho: distorce cavidade; medir base e componente intramural.
FIGO 2Submucoso com 50% ou mais intramural.Vermelho: planejamento depende da extensão miometrial.
FIGO 3100% intramural, em contato com o endométrio.Amarelo: diferenciar de FIGO 2 pode exigir 3D ou sonohisterografia.
FIGO 4Intramural puro.Amarelo: impacto depende de tamanho, sintomas e distorção.
FIGO 5Subseroso com 50% ou mais intramural.Amarelo: mapear serosa, parede e efeito de massa.
FIGO 6Subseroso com menos de 50% intramural.Amarelo: confirmar origem uterina.
FIGO 7Subseroso pediculado.Amarelo: Doppler do pedículo ajuda a diferenciar de massa anexial.
FIGO 8Outro: cervical, parasitário, ligamentar ou localização especial.Amarelo: especificar a localização.
HíbridoDois números separados por hífen; primeiro endométrio, segundo serosa.Exemplo 2-5: submucoso e subseroso com componentes mensuráveis.

FIGO é anatômica e não inclui sozinha tamanho, número, degeneração, vascularização ou suspeita de sarcoma. Esses elementos devem aparecer no laudo quando relevantes.

Fonte: FIGO PALM-COEIN 2018 / Merck Manual / AIUM / MUSA

Calculadora — maturação puberal pela pelve feminina

EntradaComo o app interpretaLimitação
Medidas uterinasComprimento, espessura, largura e relação fundo/cérvix estimam estrogenização.Não definem puberdade precoce sozinhas.
Volumes ovarianosAjudam quando combinados com útero, folículos e simetria.Há sobreposição entre pré-puberal e início puberal.
Endométrio e DopplerEndométrio visível e fluxo diastólico contínuo sugerem estrogenização.São marcadores complementares, não critérios únicos.

Use como apoio didático. A conclusão deve integrar estágio de Tanner, curva de crescimento, idade óssea, hormônios e avaliação endocrinológica.

Fonte: Frontiers Endocrinol 2021 / Pediatric Radiology 2024 / ACR-AIUM-SPR-SRU female pelvis parameter

Maturação puberal — sinais ultrassonográficos

MarcadorVerdeAmareloVermelho
Comprimento uterino≤3,2 cm>3,2–4,5 cm>4,5 cm em menor de 8 anos
Configuração uterinatubular; fundo/cérvix ≤1fundo/cérvix 1–1,45fundo dominante, 2:1–3:1 em contexto precoce
Volume ovariano≤1 cm³>1–3,5 cm³>3,5–4 cm³ em menor de 8 anos; >20 cm³ investigar
Folículos/cistos<4 mm4–20 mm>20 mm ou lesão unilateral dominante
Endométrionão visívellinha finacíclico/espessado em menor de 8 anos
Doppler uterinosem diástolediástole intermitentediástole contínua em menor de 8 anos

Fonte: StatPearls 2025 / Radiologia Brasileira / Pediatric Radiology 2024

Puberdade precoce versus telarca ou pubarca precoce — leitura prática

SituaçãoLeituraPróximo passo
Sinais puberais antes de 8 anosAmarelo: contexto clínico de alerta.Correlacionar com Tanner, velocidade de crescimento, idade óssea e hormônios.
Útero >3,2 cmAumenta a probabilidade em meninas encaminhadas, mas não fecha diagnóstico.Comparar com volume/configuração uterina e laboratório.
Útero >4,5 cm ou formato puberal em menor de 8 anosVermelho: forte evidência de estrogenização precoce.Encaminhar/alinhar com endocrinologia pediátrica.
Ovários aumentados bilateralmente com folículosAmarelo/vermelho conforme idade e útero.Pensar em estímulo gonadotrófico se útero também estiver puberal.
Cisto unilateral dominante ou massa adrenal/ovarianaVermelho: pode sugerir causa periférica ou patologia.Avaliar anexos/adrenais e indicar investigação dirigida.
Útero pequeno e ovários pequenos com telarca isoladaVerde/amarelo: pode apoiar telarca precoce isolada.Seguimento clínico se a evolução for lenta e exames concordarem.

Fonte: Frontiers Endocrinol 2021 / Radiologia Brasileira / Pediatric Radiology 2024

Protocolo técnico — pelve feminina pediátrica e puberal

EtapaO que documentar
Via de exameTransabdominal com bexiga cheia como padrão; via endocavitária só quando clinicamente apropriada, consentida e compatível com idade/contexto local.
Contexto clínicoIdade, menarca, desenvolvimento mamário, pelos pubianos, sangramento e velocidade de crescimento quando informados.
ÚteroComprimento, espessura, largura, volume, relação fundo/cérvix, formato e endométrio.
OváriosTrês diâmetros ou volume de cada ovário, maior folículo/cisto, simetria e lesões focais.
DopplerFluxo uterino diastólico se avaliado; não usar como critério isolado.

Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU practice parameter / StatPearls 2025

Padrões internacionais e regionais — por que usar faixas coloridas

Fonte/regiãoMensagem prática
ACR, AIUM, SPR e SRUPadronizam documentação da pelve feminina, anexos e técnica, mas não impõem um único corte puberal universal.
Radiologia pediátrica internacionalCortes publicados para comprimento/volume uterino e volume ovariano variam bastante.
Radiologia BrasileiraSugere limites práticos pré-puberais: útero <4,5 cm, espessura <1 cm e ovário <3 cm³.
EndocrinologiaUltrassom é complemento; diagnóstico final depende de clínica, idade óssea e exames hormonais.

Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU / Radiologia Brasileira / Frontiers Endocrinol 2021 / Pediatric Radiology 2024

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