Valores de referênciaValores de referência

Ombro / manguito rotador — Valores de referência

Ombro / manguito rotador — Valores de referência: Protocolo mínimo do ombro, Técnica e posicionamento, Bursa subacromial-subdeltoidea — espessura/líquido.

Ultrassonografia do ombro deve ser lida por estruturas, não apenas por uma medida isolada. O exame é forte para manguito rotador, cabeça longa do bíceps, bursa subacromial-subdeltoidea, articulação acromioclavicular superficial, recesso posterior e avaliação dinâmica; é limitado para labrum profundo, cartilagem, medula óssea e instabilidade complexa. As cores abaixo separam consenso de normalidade, zona limítrofe ou dependente de contexto e achados consensualmente anormais.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Protocolo mínimo do ombrobíceps, subescapular, supraespinhal, infraespinhal, redondo menor, bursa, articulação acromioclavicular, recesso posterior e manobras dinâmicas quando indicadasExaminar sentado quando possível, adaptar à dor e amplitude de movimento, documentar em eixo curto e eixo longo e medir anormalidades em dois planos ortogonais.Fonte: AIUM-ACR-SPR-SRU MSK ultrasound parameter / ESSR shoulder guideline
Técnica e posicionamentotransdutor linear de alta frequência; antebraço em supinação para o bíceps; rotação externa para subescapular; mão no bolso posterior para supraespinhal; varredura posterior para infraespinhal e redondo menorEvitar anisotropia e lembrar que rotação interna forçada pode superestimar tamanho de rotura do supraespinhal.Fonte: ESSR shoulder technical guideline
Bursa subacromial-subdeltoidea — espessura/líquido<2 mmLíquido normal raramente passa de 2 mm e tende a ser posterior; acima de 3 mm, líquido medial à articulação acromioclavicular ou anterior ao úmero é anormal.Verde: até 2 mm, posterior, sem hiperemia e sem dor focalAmarelo: >2 até 3 mm ou pequeno líquido dependente de contextoVermelho: >3 mm, líquido anterior/medial, conteúdo complexo ou hiperemia com suspeita inflamatória/infecciosaFonte: White et al., J Comput Assist Tomogr 2006 / PubMed PMID 16628056
Rotura parcial do manguito — profundidade Ellman<3 / 3–6 / >6 mmClassificar também a face articular, bursal ou intrassubstancial; medir profundidade e extensão. Acima de 6 mm costuma representar mais de metade da espessura tendínea.Verde: sem defeito focal e fibras contínuasAmarelo: Ellman I <3 mm ou Ellman II 3–6 mmVermelho: Ellman III >6 mm ou mais de 50% da espessuraFonte: Ellman 1990 / Shoulderdoc classification summary
Rotura transfixante/completa — medidas essenciaislargura no eixo curto + retração no eixo longoDescrever tendões envolvidos, comunicação com a bursa, retração, largura, trofismo muscular e infiltração gordurosa quando visível; comparar com o lado oposto quando útil.Verde: sem descontinuidade tendíneaVermelho: defeito transfixante, retração ou rotura extensa/maciçaFonte: AIUM-ACR-SPR-SRU MSK ultrasound parameter
Cabeça longa do bícepscentrada no sulco, fibrilar, sem distensão relevante da bainhaAvaliar em eixo curto e eixo longo. Líquido, sinovite ou hiperemia sugerem tenossinovite; subluxação/luxação deve levantar suspeita de lesão do subescapular ou do intervalo rotador.Verde: centrado, fibrilar, sem hiperemiaAmarelo: tenossinovite, tendinopatia ou líquido discretoVermelho: subluxação, luxação ou roturaFonte: AIUM-ACR-SPR-SRU MSK ultrasound parameter / ESSR
Doppler no ombrobursa, bainha do bíceps, sinóvia articular e tendão dolorosoDoppler colorido ou de amplitude ajuda a detectar hiperemia em bursite, tenossinovite, sinovite, crise calcária, reparo pós-operatório ou infecção.Verde: sem hiperemia no contexto certoAmarelo: hiperemia discreta ou moderada sem sinais sistêmicosVermelho: hiperemia intensa com febre, ferida, pós-operatório, bursa complexa ou coleçãoFonte: AIUM-ACR-SPR-SRU MSK ultrasound parameter
Limitações importanteslabrum profundo, cartilagem, medula óssea, instabilidade complexa e fratura ocultaQuando a pergunta clínica é profunda ou óssea, ultrassom deve orientar, mas não substituir radiografia, ressonância ou tomografia conforme contexto.Fonte: AIUM-ACR-SPR-SRU / ESSR

Classificações e calculadoras

Assistente interativo — ultrassonografia do ombro

CorComo interpretar
VerdeBursa fina, tendões contínuos, bíceps centrado, sem derrame, sem hiperemia e sem limitação crítica nos campos preenchidos.
AmareloZona cinzenta: tendinopatia, rotura parcial superficial/intermediária, pequena bursa, hiperemia sem sinais sistêmicos, impacto dinâmico ou dúvida labral profunda.
VermelhoAchado anormal consensual ou de alto impacto: bursa acima de 3 mm, rotura transfixante, Ellman III, luxação do bíceps, atrofia muscular, pseudoparalisia, febre/infecção, fratura/luxação suspeita.

Preencha medidas e estruturas no painel para gerar cor, pontos críticos e próximo passo. O assistente não substitui julgamento médico nem integração com radiografia/ressonância.

Fonte: AIUM-ACR-SPR-SRU / ESSR / PubMed / Ellman

Roteiro anatômico por estrutura

EstruturaComo examinarO que não esquecer
Cabeça longa do bícepsAntebraço em supinação; eixo curto no sulco bicipital e eixo longo até a junção miotendínea.Confirmar posição no sulco, líquido na bainha, hiperemia, subluxação, luxação ou rotura.
SubescapularCotovelo junto ao corpo, rotação externa; varrer da junção miotendínea até a inserção no tubérculo menor.Manobra dinâmica ajuda a ver instabilidade do bíceps e impacto subcoracoide.
SupraespinhalMão no bolso posterior ou posição modificada conforme dor; avaliar eixo longo e eixo curto mantendo o feixe perpendicular.Comprimir o tendão para revelar rotura não retraída; medir profundidade, extensão e retração quando houver defeito.
Infraespinhal e redondo menorVarredura posterior abaixo da espinha da escápula, com rotação interna e externa quando útil.Procurar atrofia, infiltração gordurosa, rotura posterior e cisto paralabral no entalhe espinoglenoide.
Bursa e impacto dinâmicoAvaliar bursa em repouso e durante abdução em rotação interna se a clínica sugerir impacto.Dor com pinçamento bursal/tendíneo é contextual; bursa acima de 3 mm é anormal.
Articulação acromioclavicular e recesso posteriorTransdutor no ápice do ombro para a articulação acromioclavicular; plano posterior transversal no espaço glenoumeral.Descrever artrose, sinovite, trauma, derrame posterior, cisto paralabral e sinais indiretos de labrum.

Fonte: AIUM-ACR-SPR-SRU / ESSR shoulder guideline

Manguito rotador — leitura por cores

AchadoVerdeAmareloVermelho
Tendão e ecotexturafibras contínuas, espessura/eco compatíveis, sem dor focaltendinopatia, calcificação, hipoecogenicidade ou dor à compressãodescontinuidade completa, retração ou defeito extenso
Rotura parcialsem defeito focalEllman I <3 mm ou Ellman II 3–6 mm; indicar face articular, bursal ou intrassubstancialEllman III >6 mm ou mais de 50% da espessura
Rotura transfixante/completanão presentesuspeita limitada por dor, anisotropia ou janela incompletadefeito atravessando toda a espessura, comunicação com bursa, retração ou rotura maciça
Músculos do manguitovolume preservado e simétricoatrofia discreta ou comparação difícilatrofia/infiltração gordurosa evidente, principalmente com rotura

Fonte: AIUM-ACR-SPR-SRU / Ellman

Bursa, bíceps e Doppler — interpretação prática

EstruturaVerdeAmareloVermelho
Bursa subacromial-subdeltoideaaté 2 mm, posterior, sem hiperemia>2–3 mm ou pequeno líquido dependente de contexto>3 mm, líquido anterior/medial, conteúdo complexo ou hiperemia importante
Cabeça longa do bícepscentrada, fibrilar, sem líquido relevantetenossinovite, tendinopatia ou líquido discretosubluxação, luxação ou rotura
Dopplersem hiperemia no contexto certohiperemia discreta/moderada sem sinais sistêmicoshiperemia intensa com febre, ferida, pós-operatório, bursa complexa ou coleção
Articulação acromioclavicularsem dor focal nem distensãoartrose, osteófitos ou capsulite/sinoviteseparação/luxação ou infecção suspeita

Fonte: PubMed PMID 16628056 / AIUM-ACR-SPR-SRU

Diagnósticos diferenciais úteis no ombro

ApresentaçãoPensar emPapel do ultrassom
Dor lateral e arco dolorosotendinopatia do supraespinhal, bursite, impacto subacromial, tendinopatia calcáriaavaliar manguito, bursa e manobra dinâmica; Doppler ajuda em fase ativa
Dor anteriorbíceps, subescapular, intervalo rotador, articulação acromioclavicularconfirmar bíceps no sulco, líquido, hiperemia, subluxação e tendão subescapular
Rigidez globalcapsulite adesiva, artropatia, dor limitada, pós-operatórioultrassom pode mostrar sinovite/bursa, mas diagnóstico é clínico e pode exigir ressonância
Trauma agudo ou perda súbita de forçarotura completa, avulsão, fratura oculta, luxação, lesão do bícepsmedir rotura e retração; radiografia/ressonância conforme suspeita óssea ou cirúrgica
Fraqueza neurológica ou atrofiacompressão do nervo supraescapular, cisto paralabral, neuropatia, rotura crônicaprocurar cisto no entalhe supraescapular/espinoglenoide e comparar músculos
Febre, ferida ou pós-operatório dolorosoinfecção, abscesso, bursa séptica, coleção, re-roturaDoppler, conteúdo complexo e punção guiada podem mudar conduta

Fonte: AIUM-ACR-SPR-SRU / ESSR / MSK ultrasound reviews

Checklist didático do laudo de ombro

ItemPergunta de segurança
Protocolo por estruturasBíceps, subescapular, supraespinhal, infraespinhal/redondo menor, bursa, articulação acromioclavicular e recesso posterior foram documentados?
MedidasRotura parcial tem profundidade e face? Rotura completa tem largura e retração?
Doppler e dinâmicaHiperemia foi documentada quando havia dor, bursa, líquido, pós-operatório ou suspeita inflamatória? Impacto foi testado quando indicado?
Achados que mudam prioridadeRotura transfixante, Ellman III, bursa acima de 3 mm, luxação do bíceps, febre, coleção, pseudoparalisia ou fratura/luxação suspeita foram destacados?
LimitaçõesFoi declarado quando labrum, cartilagem, osso profundo, dor ou mobilidade limitaram o exame?

Fonte: AIUM-ACR-SPR-SRU / ESSR

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