Valores de referênciaValores de referência

Doppler hepático / transplante hepático

Doppler hepático / transplante hepático — Valores de referência: Artéria hepática do transplante — índice de resistência.

Aplicável a fígado nativo, pós-operatório e transplante hepático. Os critérios arteriais, portais e venosos são usados internacionalmente, mas o peso final depende do tempo pós-operatório, técnica cirúrgica, comparação seriada e protocolo institucional. No Brasil, manter descrição anatômica clara e comunicar achados críticos; em EUA/Europa, alinhar com prática ACR-AIUM, RSNA/Radiographics e protocolos de transplante locais.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Artéria hepática do transplante — índice de resistência0,55–0,80Valores altos podem ser transitórios nas primeiras 48–72 h; baixo índice com tardus-parvus favorece estenose.usual: 0,55–0,80limítrofe ou transitório: 0,50–0,55 ou >0,80 nas primeiras 72 h sem outro alertaalto risco: <0,50 com tardus-parvus, ausência de fluxo ou piora clínicaFonte: Radiographics/RSNA liver transplant Doppler / Clinical Imaging review / institutional transplant protocols
Artéria hepática — tempo de aceleração sistólica< 80 msAcima de 80 ms é usado com baixo índice de resistência e onda tardus-parvus para suspeitar estenose.ascensão rápida: <80 mszona técnica: 80–100 ms sem baixo índice de resistênciasuspeita de estenose: >80 ms + índice baixo/tardus-parvusFonte: Radiographics/RSNA / AJR liver transplant Doppler
Artéria hepática — velocidade sistólica de pico focal< 200 cm/sVelocidade ≥200 cm/s no jato/anastomose, especialmente com aliasing e alteração distal, favorece estenose.sem elevação focal: <150 cm/satenção: 150–199 cm/ssuspeita forte: ≥200 cm/s com gradiente/turbulênciaFonte: Radiographics/RSNA / liver transplant Doppler reviews
Artéria hepática — ausência de fluxoanormal crítico se confirmadoConfirmar com ganho baixo/alto, escala lenta, Doppler de amplitude e busca intra/extra-hepática.comunicar: trombose arterial até prova em contrário no transplanteFonte: Radiographics/RSNA / Clinical Imaging review
Veia porta — direção do fluxoem direção ao fígadoFluxo para longe do fígado ou sem fluxo é anormal no enxerto, salvo derivação planejada.esperado: em direção ao fígadolimítrofe: muito lento ou vai-e-vemanormal: para longe do fígado, trombo ou sem fluxoFonte: StatPearls Liver Doppler / transplant Doppler protocols
Veia porta transplantada — velocidade anastomótica< 125 cm/sAlguns protocolos aceitam velocidades altas no pós-operatório imediato; razão e turbulência aumentam especificidade.usual: <100 cm/s sem turbulênciaobservar: 100–124 cm/s ou edema precocesuspeita de estenose: ≥125 cm/s com aliasing ou razão elevadaFonte: Radiographics/RSNA / liver transplant Doppler reviews
Veia porta — razão anastomose/referência< 3:1Razão ≥3:1 é critério forte quando há estreitamento focal, turbulência ou mudança seriada.sem gradiente: <2:1limítrofe: 2–2,9:1significativo: ≥3:1Fonte: Radiographics/RSNA / transplant Doppler protocols
Veias hepáticas e veia cava — forma de ondafásica/trifásicaMonofásica isolada pode ser inespecífica; sem fluxo, jato focal e razão elevada sugerem obstrução de saída.tranquilizador: fásica ou trifásicacontextual: monofásica sem jato/sem congestãoobstrução provável: sem fluxo, trombo, jato focal ou razão ≥3:1Fonte: Radiographics/RSNA / UW Liver Transplant Doppler protocol
Derivação portossistêmica intra-hepática transjugular — velocidade90–190 cm/sIncluída para diferenciação; não confundir derivação com anastomose portal do transplante.usual: 90–190 cm/szona de atenção: 50–90 ou 190–250 cm/sdisfunção provável: <50, >250, oclusão ou gradiente focalFonte: StatPearls Liver Doppler / TIPS institutional protocols

Classificações e calculadoras

Assistente interativo — Doppler hepático e transplante

SaídaCorInterpretação
Padrão preservadoVerdeArtéria hepática pérvia, índice de resistência usual, ascensão rápida, veia porta em direção ao fígado e veias hepáticas fásicas.
Zona limítrofe/contextualAmareloÍndice alto no pós-operatório imediato, velocidade intermediária, monofasicidade isolada ou limitação técnica.
Alerta vascularVermelhoAusência de fluxo arterial, tardus-parvus com índice baixo, velocidade arterial ≥200 cm/s, trombo portal, razão portal/venosa ≥3:1 ou obstrução venosa.

O assistente calcula razões e classifica por cor. Em transplante, comparação com o Doppler basal pode ser mais importante que um número isolado.

Fonte: Radiographics/RSNA / Clinical Imaging / AJR / UW and UT Southwestern transplant Doppler protocols

Protocolo técnico mínimo — fígado nativo e transplante

Vaso/etapaRegistrarPor que importa
Artéria hepática principal e ramos intra-hepáticosPatência, índice de resistência, velocidade sistólica, ascensão sistólica e local da amostra.Principal rastreio de trombose ou estenose arterial pós-transplante.
Veia porta principal, anastomose e ramosDireção, velocidade no jato e velocidade de referência antes/depois.Diferencia hiperfluxo transitório de estenose anastomótica.
Veias hepáticas e veia cava inferiorFasicidade, jato focal, velocidade na anastomose, razão e fluxo residual.Pesquisa obstrução de saída e congestão do enxerto.
Contexto cirúrgicoData do transplante, tipo de enxerto, técnica caval, stent, angioplastia e exame basal.Muda limiares e evita falso positivo no pós-operatório imediato.
Técnica DopplerÂngulo até 60 graus, escala baixa para fluxo lento, ganho ajustado, Doppler de amplitude quando necessário.Evita simular trombose por fluxo lento ou janela ruim.

Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU abdomen parameter / UW Liver TX Doppler / UTSW transplant protocol

Artéria hepática pós-transplante — leitura por cor

CorCritérioLeitura prática
VerdeFluxo presente, índice 0,55–0,80, tempo de aceleração <80 ms, sem jato focal.Compatível com perviedade arterial quando o traçado é confiável.
AmareloÍndice >0,80 nas primeiras 72 h, velocidade 150–199 cm/s ou traçado tecnicamente limitado.Repetir/seguir, comparar com basal e correlacionar com laboratório.
VermelhoSem fluxo, índice <0,50 com tardus-parvus, tempo >80 ms com baixo índice, velocidade focal ≥200 cm/s.Comunicação prioritária; considerar método complementar ou intervenção conforme protocolo.

Índice alto isolado no pós-operatório imediato é uma armadilha conhecida; o mesmo achado tardio ou com disfunção do enxerto pesa mais.

Fonte: Radiographics/RSNA liver transplant Doppler / Clinical Imaging 2014

Veia porta transplantada — estenose, trombose e hiperfluxo

CorAchadoInterpretação
VerdeFluxo em direção ao fígado, sem trombo, velocidade <100 cm/s e razão <2:1.Padrão usual quando não há aliasing focal.
AmareloVelocidade 100–124 cm/s, razão 2–2,9:1 ou velocidade alta no pós-operatório imediato sem estreitamento.Zona dependente de edema, calibre e comparação.
VermelhoVelocidade ≥125 cm/s com aliasing, razão ≥3:1, trombo ou ausência de fluxo.Sugere estenose portal, trombose ou fluxo crítico.

Fonte: Radiographics/RSNA / Doppler ultrasound in liver transplant complications

Drenagem venosa do enxerto — veias hepáticas e veia cava

CorAchadoLeitura
VerdeVeias hepáticas fásicas/trifásicas e veia cava pérvia.Contra obstrução de saída importante quando o restante concorda.
AmareloMonofásica isolada, leve redução da fasicidade ou exame respiratório/técnico ruim.Inespecífico; repetir e correlacionar com ascite, derrame pleural e congestão.
VermelhoSem fluxo, trombo, jato focal, aliasing importante ou razão ≥3:1.Sugere estenose/oclusão da drenagem venosa.

Fonte: UW Liver TX Doppler / RSNA transplant imaging reviews

Fígado nativo — Doppler hepático fora do transplante

EstruturaNormal consensualAlerta
Veia portaFluxo em direção ao fígado, calibre 6–13 mm, velocidade média 16–40 cm/s.Fluxo para longe do fígado, trombo, cavernomatose, colaterais ou fluxo muito lento.
Artéria hepáticaÍndice de resistência 0,50–0,70 fora do transplante, com diástole presente.Ausência de fluxo, índice extremo ou tardus-parvus no contexto certo.
Veias hepáticasTraçado fásico/trifásico.Sem fluxo, trombo, compressão ou padrão obstrutivo.

No fígado nativo, números isolados raramente fecham diagnóstico; direção do fluxo, trombo, colaterais e clínica dominam.

Fonte: StatPearls Liver Doppler / Radiographics liver Doppler

Armadilhas e quando escalar

SituaçãoRisco de erroComo reduzir
Primeiras 72 horasÍndice arterial alto pode ser edema, espasmo ou aumento de resistência transitória.Comparar em série e pesar função do enxerto.
Fluxo lentoEscala alta ou filtro alto podem simular trombose.Baixar escala, ajustar ganho e usar Doppler de amplitude.
Sem fluxo arterial no transplantePode representar trombose arterial, evento tempo-sensível.Confirmar tecnicamente e comunicar imediatamente conforme rotina local.
Estenose arterial tardiaPode causar isquemia biliar, abscessos ou disfunção progressiva.Integrar Doppler com vias biliares, coleções e laboratório.

Fonte: Radiographics/RSNA / Clinical Imaging review / transplant protocols

Checklist de laudo — Doppler hepático/transplante

BlocoTexto que não deve faltarCor se ausente
IdentificaçãoTempo pós-transplante, tipo de enxerto/anastomose se conhecido, comparação anterior.Amarelo
Artéria hepáticaPatência, índice de resistência, velocidade, tempo de aceleração e presença/ausência de tardus-parvus.Vermelho se transplante
Veia portaDireção, velocidade anastomótica, razão se suspeita, trombo e ramos.Vermelho se suspeita vascular
Drenagem venosaVeias hepáticas, veia cava, fasicidade, jato focal e razão quando houver estenose suspeita.Amarelo/vermelho conforme achado
Achados associadosVias biliares, coleções, ascite, derrame pleural e limitação técnica.Amarelo

Fonte: CBR reporting principles / ACR-AIUM practice parameter / transplant Doppler literature

Todos os exames