Valores de referênciaValores de referência

Carótidas — Doppler / placa — Valores de referência

Carótidas — Doppler / placa — Valores de referência: Velocidade de pico sistólico — carótida interna, Velocidade diastólica final — carótida interna.

Brasil: a referência principal adotada aqui é a atualização DIC/SBC + Colégio Brasileiro de Radiologia + Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular 2023, com graduação NASCET. EUA: o IAC 2023 recomenda elevar o corte de velocidade sistólica da carótida interna para 180 cm/s para estenose de 50%. Quando houver divergência entre padrões, a interface marca como amarelo e explicita a fonte.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Velocidade de pico sistólico — carótida interna<140 no padrão brasileiro para <50% cm/sO IAC 2023 usa <180 cm/s para normal ou <50%; 140–179 cm/s vira zona amarela se os demais parâmetros não confirmarem estenose.Verde — sem placa e baixa velocidade: <125–140 cm/sAmarelo — divergência SRU/BR/IAC: 125–179 cm/sVermelho — estenose hemodinâmica provável: ≥180 cm/s com placa/razão elevada; >230 cm/s alto grauFonte: DIC/SBC-CBR-SBACV 2023 / IAC 2023 / SRU 2003
Velocidade diastólica final — carótida interna<40 cm/sAjuda a confirmar a faixa de estenose quando a velocidade sistólica é pouco representativa.Verde: <40 cm/sVermelho — 50% ou mais: ≥40 cm/sVermelho — alto grau: >100 cm/s; >140 cm/s sugere 80–89% no padrão brasileiroFonte: DIC/SBC-CBR-SBACV 2023 / SRU 2003
Razão sistólica carótida interna / carótida comum<2,0Usar a maior velocidade sistólica da carótida interna no ponto da estenose e velocidade sistólica da carótida comum em segmento representativo, longe da placa.Verde: <2,0Vermelho — 50–69%: 2,0–4,0Vermelho — 70% ou mais: >4,0Fonte: DIC/SBC-CBR-SBACV 2023 / IAC 2023 / SRU 2003
Complexo médio-intimal≤0,9 mmCorte operacional; a recomendação brasileira prefere percentis por idade, sexo e etnia quando disponíveis e não recomenda medir rotineiramente em população geral.Verde — usual: ≤0,9 mmAmarelo — espessado: >0,9 mmVermelho — placa por espessura: >1,5 mm se focalFonte: DIC/SBC-CBR-SBACV 2023 / SBC vascular ultrasound 2019 / Mannheim
Placa carotídea — definiçãoprotrusão ≥0,5 mm ou >50% da parede adjacente ou >1,5 mmBasta um dos critérios; placa não deve ser chamada apenas de espessamento médio-intimal.Verde: sem protrusão focalAmarelo: placa lisa/calcificada sem estenose relevanteVermelho: placa ulcerada, ecolucente predominante ou com estenose ≥50%Fonte: DIC/SBC-CBR-SBACV 2023 / Mannheim / Plaque-RADS 2024
Ângulo Doppler para velocidades≤60 grausO ângulo deve ser corrigido e menor ou igual a 60 graus sempre que houver medida de velocidade.Fonte: CBR technical ultrasound guideline / ACR-AIUM-SPR-SRU cerebrovascular parameter

Classificações e calculadoras

Calculadora rápida — estenose carotídea por Doppler

CorResultadoComo interpretar
VerdeSem estenose hemodinamicamente significativaVelocidades baixas, razão interna/comum <2,0 e ausência de placa relevante.
AmareloZona limítrofe ou divergentePlaca sem estenose relevante, espessamento médio-intimal, ou velocidade 125–179 cm/s sem confirmação por razão/placa.
VermelhoEstenose anormal ou alto riscoEstenose de 50% ou mais, suboclusão, oclusão, placa ulcerada ou placa ecolucente predominante.

A calculadora cruza DIC/SBC-CBR-SBACV 2023, IAC 2023 e SRU 2003. Resultado final deve considerar técnica, ângulo Doppler, arritmia, estenoses em série, oclusão contralateral e correlação clínica.

Fonte: DIC/SBC-CBR-SBACV 2023 / IAC 2023 / SRU 2003

Plaque-RADS — classificação morfológica da placa carotídea

CategoriaCritério principalSubtipo / detalheLeitura por cor
1Sem placa aterosclerótica.Parede sem placa detectável.Verde — consenso de normalidade morfológica.
2Placa presente com espessura máxima da parede <3 mm.Sem hemorragia intraplaca, ruptura da cápsula ou trombo intraluminal.Amarelo — placa de baixo risco, mas não é parede normal.
3aEspessura máxima da parede ou placa ≥3 mm.Cápsula fibrosa espessa/intacta; sem característica complicada.Amarelo — risco intermediário.
3bEspessura máxima ≥3 mm com cápsula fibrosa fina suspeita.Ultrassom pode sugerir; ressonância avalia melhor cápsula fina.Amarelo — vulnerabilidade possível, confirmar no contexto.
3cPlaca ulcerada.Cavidade/superfície ulcerada comunicando com o lúmen.Vermelho — morfologia anormal de risco.
4aHemorragia intraplaca.Característica complicada; ultrassom pode ter limitação.Vermelho — placa complicada.
4bRuptura da cápsula fibrosa.Característica complicada.Vermelho — placa complicada.
4cTrombo intraluminal.Característica complicada.Vermelho — placa complicada.

Plaque-RADS complementa, mas não substitui, o percentual de estenose. Quando houver múltiplas placas, registrar a categoria mais alta e descrever a placa dominante.

Fonte: Saba et al., JACC Cardiovascular Imaging 2024 / QIMS 2026 ultrasound validation

Estenose da carótida interna — Brasil 2023 (NASCET)

EstenoseVelocidade sistólica internaVelocidade diastólica internaRazão sistólica interna/comumComentário
<50%<140<40<2,0Não hemodinamicamente significativa; se há placa, descrever morfologia.
50–59%140–23040–692,0–3,1Faixa em que há divergência com IAC 2023 quando a velocidade sistólica fica abaixo de 180 cm/s.
60–69%sem corte próprio70–1003,2–4,0Usar diastólica e razão como confirmação.
70–79%>230>100>4,0Estenose alta; diferenciar de suboclusão.
80–89%sem corte próprio>140sem corte próprioDiastólica muito elevada reforça alto grau.
>90%>400sem corte próprio>5,0Pode haver queda paradoxal de velocidade se suboclusão.
Suboclusãovariável — fluxo filiformevariávelvariávelDiagnóstico é morfológico/colorido; não depende de corte fixo.
Oclusãoausência de fluxoausência de fluxonão se aplicaSem lúmen pérvio detectável.

Use o método NASCET no percentual reportado. Velocidade sistólica é critério primário; diastólica e razões confirmam quando a velocidade é afetada por fatores hemodinâmicos.

Fonte: DIC/SBC + CBR + SBACV 2023

IAC 2023 — critérios modificados para carótida interna

CategoriaVelocidade sistólica internaPlaca estimadaRazão sistólica interna/comumVelocidade diastólica interna
Normal<180nenhuma<2,0<40
<50%<180<50%<2,0<40
50–69%180–230>50%2,0–4,040–100
>70% até antes de suboclusão>230>50%>4,0>100
Suboclusãoalta, baixa ou indetectávelvisívelvariávelvariável
Oclusão totalindetectávelvisível, sem lúmen detectávelnão se aplicanão se aplica

O IAC reconhece que 125–180 cm/s com razão ≥2,0, placa significativa e turbulência pós-estenótica também pode ser 50–69%.

Fonte: IAC Vascular Testing Communication 2023

SRU 2003 — critério clássico ainda encontrado em serviços

CategoriaVelocidade sistólica internaVelocidade diastólica internaRazão sistólica interna/comum
Normal<125<40<2,0
<50%<125<40<2,0
50–69%125–23040–1002,0–4,0
70% ou mais até suboclusão>230>100>4,0
Suboclusãovariávelvariávelvariável
Oclusãosem fluxosem fluxonão se aplica

Mantida para comparação histórica; quando usada, declarar o padrão adotado no serviço.

Fonte: SRU Consensus Conference 2003

Morfologia e superfície da placa

ItemAchadoLeitura por cor
Sem placaSem protrusão focal nem espessamento focal >1,5 mm.Verde se velocidades normais.
Placa ecogênica ou calcificadaTipo III–V; calcificação pode gerar sombra e limitar a medida.Amarelo se sem estenose ≥50%; vermelho se limita avaliação ou acompanha estenose.
Placa ecolucente predominanteTipo I–II; associada a maior vulnerabilidade em várias classificações.Vermelho para risco morfológico.
Superfície irregularIrregularidade de 0,4 a 2,0 mm de profundidade.Amarelo; descrever no laudo.
UlceraçãoConcavidade/extensão >2,0 mm pelo critério de Bray.Vermelho; risco morfológico alto.

Plaque-RADS 2024 reforça que morfologia/composição da placa complementa o percentual de estenose, mas ainda não substitui a graduação hemodinâmica.

Fonte: DIC/SBC-CBR-SBACV 2023 / Plaque-RADS 2024

Checklist técnico — carótidas e vertebrais

EtapaRegistrarMotivo
Modo B longitudinalComplexo médio-intimal quando indicado e placa no bulbo/bifurcação.Define placa e limitações anatômicas.
Doppler colorido ou de amplitudeBulbo, bifurcação, carótida interna e externa.Localiza turbulência, suboclusão e fluxo residual.
Doppler espectralVelocidade sistólica da carótida comum; velocidades sistólica e diastólica da carótida interna.Permite razão e graduação NASCET.
Ângulo DopplerCorrigir e manter até 60 graus.Acima disso a velocidade perde confiabilidade.
Artérias vertebraisDireção do fluxo, padrão espectral e assimetria; sem cortes numéricos universais no documento brasileiro.Avaliação é qualitativa e contextual.

Evite abreviações no texto didático: escreva carótida interna, carótida comum, velocidade sistólica, velocidade diastólica e razão interna/comum.

Fonte: CBR technical ultrasound guideline / ACR-AIUM-SPR-SRU extracranial cerebrovascular parameter

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