Valores de referênciaValores de referência

Abdome total / superior — Valores de referência

Abdome total / superior — Valores de referência: Fígado — comprimento crânio-caudal na linha hemiclavicular, Baço — maior eixo longitudinal adulto.

Brasil: pela normatização do CBR, abdome total inclui fígado, vias biliares, vesícula biliar, baço, pâncreas, rins, bexiga, aorta abdominal, veia cava inferior e retroperitônio em modo B; órgãos pélvicos e próstata não entram. Abdome superior concentra fígado, vesícula, vias biliares, pâncreas, baço e grandes vasos. EUA/Europa: usar limites com contexto clínico, técnica, idade e diretrizes SRU/EFSUMB/ACC-AHA.

Medidas e valores de referência

MedidaValor usualObservação
Fígado — comprimento crânio-caudal na linha hemiclavicular≤ 15 cm15–16 cm é zona técnica/biotipo; medir no maior eixo reprodutívelconsenso normal: ≤15 cmlimítrofe: >15–16 cmhepatomegalia provável: >16 cmaplicada automaticamente no laudoFonte: Clinical Ultrasound in Hepatology / Radlines
Baço — maior eixo longitudinal adulto≤ 12 cm12–13 cm varia por altura, sexo e técnica; acima de 13 cm costuma ser anormalnormal consensual: ≤12 cmlimítrofe/biotipo: >12–13 cmesplenomegalia provável: >13 cmaplicada automaticamente no laudoFonte: EFSUMB spleen / StatPearls
Colédoco com vesícula presente≤ 6–7 mmidade acima de 60 anos e opioides podem explicar dilatação leve sem obstruçãonormal estrito: ≤6 mmlimítrofe/contexto: >6–7 mm ou idoso ≤8 mmdilatado provável: >7 mm sem contexto benignoFonte: EFSUMB hepatobiliary / Cleveland Clinic J Med 2022
Colédoco após colecistectomia≤ 8–10 mmpode aumentar com o tempo após cirurgia; sintomas e bilirrubinas mudam a condutanormal pós-cirúrgico: ≤8 mmaceito por algumas fontes: >8–10 mmdilatação relevante: >10 mmFonte: EFSUMB hepatobiliary / Cleveland Clinic J Med 2022
Vias biliares intra-hepáticasnão visíveis / ≤ 1 mmalgumas referências usam >2 mm como dilatação intra-hepáticanormal: não visíveis ou ≤1 mmzona técnica: 1–2 mmdilatação: >2 mmFonte: EFSUMB hepatobiliary / Abdominal Radiology
Vesícula biliar — parede em jejum≤ 3 mmpseudoespessamento ocorre se a vesícula estiver contraída ou sem jejumnormal: ≤3 mmlimítrofe/contexto: >3–4 mmespessada: >4 mmaplicada automaticamente no laudoFonte: EFSUMB hepatobiliary / StatPearls
Pólipo vesicular incidental< 6 baixo risco; ≥10–15 alto risco mmSRU é menos intervencionista; diretrizes europeias tratam ≥10 mm com mais cautelabaixo risco: <6 mmseguimento/risco: 6–9 mm ou 10–14 mm baixo risco SRUavaliar cirurgia: ≥10 mm com risco ou ≥15 mmFonte: SRU 2022 Radiology / ESGAR-EAES-EFISDS-ESGE 2022
Veia porta — calibre em repouso6–13 mminspiração profunda pode chegar a 16 mm; interpretar com baço, colaterais e direção do fluxonormal: 6–13 mmlimítrofe/contexto: >13–16 mmdilatação sugestiva: >16 mmaplicada automaticamente no laudoFonte: Polish Ultrasound Society / StatPearls
Veia porta — velocidade média16–40 cm/sdeve ser hepatopetal; fluxo hepatofugal é anormal independentemente do númeronormal: 16–40 cm/slento limítrofe: 12–16 cm/sanormal provável: <12, >40 ou hepatofugalFonte: Polish Ultrasound Society / liver Doppler reviews
Ducto pancreático principalcabeça 3 / corpo 2 / cauda 1–1,5 mmaumenta discretamente com idade; medir no corpo próximo à cabeça quando possívelnormal no corpo: ≤2 mmalto-normal/contexto: >2–3 mmdilatação provável: >3 mmaplicada automaticamente no laudoFonte: EFSUMB pancreas / Pancreatic ultrasound update 2024
Pâncreas — espessura aproximadacabeça ~2; corpo/cauda 1–2 cmmedida isolada é pouco robusta; valorizar ducto, contorno e lesões focaisFonte: EFSUMB pancreas
Aorta abdominal — calibre máximo< 3 cm3,0 cm define aneurisma; limiar de reparo usual: ≥5,5 cm homem e ≥5,0 cm mulhercalibre usual: <2,5 cmectasia: 2,5–2,9 cmaneurisma: ≥3,0 cmaplicada automaticamente no laudoFonte: USPSTF / ACC-AHA 2022 / SVS
Veia cava inferior — calibre e colapso inspiratório< 2,1 cm + colapso >50%critérios estimam pressão atrial direita, não volemia isoladapressão baixa/normal: <2,1 cm + >50%indeterminado: achados discordantespressão elevada provável: >2,1 cm + <50%Fonte: ASE chamber quantification / POCUS Academy
Doppler abdominal — técnica mínimajejum 4–6 h quando possível; Doppler colorido e pulsado; ângulo até 60 graus; direção, velocidade e forma de onda documentadasA direção do fluxo e a patência vascular têm o mesmo peso que o número da velocidade. Ajuste ganho, escala e filtro para não simular trombose por fluxo lento.adequado: direção + espectro + ângulo documentadoslimitado: janela ruim, sem ângulo confiável ou sem jejumincompleto: suspeita vascular sem Doppler pulsado ou sem direção do fluxoFonte: ACR-AIUM-SPR-SRU abdomen parameter / StatPearls Liver Doppler
Artéria hepática — índice de resistência0,50–0,70Fora do transplante, interpretar com contexto; no transplante e no pós-operatório, valores extremos, ausência de fluxo ou padrão tardus-parvus são relevantes.usual: 0,50–0,70limítrofe/contextual: 0,70–0,80 ou 0,45–0,50alerta: >0,80, <0,45, ausência de fluxo ou tardus-parvusFonte: StatPearls Liver Doppler / AJR liver Doppler
Veias hepáticas — padrão espectraltrifásico ou fásico com ciclo cardíacoPerda de fasicidade pode ocorrer por cirrose, congestão, técnica ou respiração; ausência de fluxo, trombo ou obstrução sugere doença venosa hepática.fásico: trifásico ou bifásico fisiológicomonofásico contextual: cirrose, técnica ou congestão sem tromboobstrutivo: sem fluxo, trombo, estenose ou colaterais venosasFonte: StatPearls Liver Doppler / liver Doppler reviews
Derivação portossistêmica intra-hepática transjugular — velocidade90–190 cm/sUsar apenas quando houver derivação. Velocidade fora da faixa, gradiente focal ou turbulência sugerem disfunção conforme protocolo local.usual: 90–190 cm/szona de atenção: 50–90 ou 190–250 cm/sdisfunção provável: <50 ou >250 cm/s, oclusão ou gradiente focalFonte: StatPearls Liver Doppler / institutional TIPS protocols

Classificações e calculadoras

Calculadora — LI-RADS US (rastreamento de CHC)

CategoriaSignificadoConduta
US-1NegativoRastreamento US semestral (± alfafetoproteína).
US-2Subthreshold (nódulo <10 mm)Repetir US em 3–6 meses.
US-3Positivo (nódulo ≥10 mm ou trombo novo)TC/RM multifásica ou CEUS LI-RADS.

Score de visualização A/B/C mede a limitação do exame (esteatose, ascite, biotipo). Visualização C grave pode indicar imagem alternativa. Aplicar só em paciente de risco (cirrose, hepatite B).

Fonte: ACR LI-RADS US Surveillance v2024 / AASLD

Calculadora — colecistite aguda (Tokyo TG18)

Critério/grauDefinição
A — inflamação localMurphy ecográfico; parede >4 mm, distensão ou cálculo impactado.
B — inflamação sistêmicaFebre, PCR ou leucócitos elevados.
DiagnósticoA + B = colecistite aguda definitiva.
Gravidade I/II/IIIIII = disfunção orgânica; II = leucócitos >18k, massa, >72 h ou inflamação local marcada; I = leve.

A gravidade orienta o momento da colecistectomia e a necessidade de drenagem/suporte.

Fonte: Tokyo Guidelines TG18 (J Hepatobiliary Pancreat Sci 2018)

CEUS hepático — realce das lesões focais

PadrãoFasesSugere
Realce periférico nodular descontínuo + preenchimento centrípetoArterial→tardiaHemangioma
Realce homogêneo com cicatriz centralArterialHiperplasia nodular focal
Hiperrealce arterial + washout tardioArterial→tardiaCHC (usar CEUS LI-RADS)
Washout precoce e acentuadoPortal precoceMetástase/colangiocarcinoma

CEUS avalia realce em tempo real sem radiação; o washout precoce/tardio ajuda a diferenciar benigno de maligno. Contraste de microbolhas é intravascular puro.

Fonte: CEUS LI-RADS v2017 / EFSUMB CEUS guidelines 2020

Calculadora rápida — abdome superior

CorFaixa práticaComo usar
VerdeFígado ≤15 cm; baço ≤12 cm; colédoco ≤6 mm; parede vesicular ≤3 mm; aorta <2,5 cm; veia porta 6–13 mm e 16–40 cm/s; ducto pancreático no corpo ≤2 mm.Valores em que as referências tendem a concordar como usuais.
AmareloFígado >15–16; baço >12–13; colédoco >6–7 ou idoso; pós-colecistectomia 8–10; parede >3–4; aorta 2,5–2,9; veia porta 13–16 ou 12–16 cm/s; ducto 2–3.Zona de divergência ou dependente de idade, jejum, biotipo, inspiração e sintomas.
VermelhoColédoco >7 mm sem contexto benigno ou >10 mm pós-colecistectomia; vias intra-hepáticas >2 mm; parede vesicular >4 mm; baço >13 cm; aorta ≥3 cm; ducto pancreático >3 mm.Faixas em que as fontes convergem para anormalidade ou investigação conforme clínica.

A calculadora classifica medidas isoladas; não substitui laudo, comparação, exames laboratoriais ou sinais associados.

Fonte: CBR / EFSUMB / SRU / USPSTF / ACC-AHA / ASE

Vias biliares — colédoco e ductos intra-hepáticos

CategoriaMedidaInterpretação
Normal consensualColédoco ≤6 mm com vesícula; ductos intra-hepáticos não visíveis ou ≤1 mm.Sem outros sinais, geralmente normal.
Zona de contextoColédoco >6–7 mm; até 8 mm em idoso; 8–10 mm após colecistectomia; ductos intra-hepáticos 1–2 mm.Correlacionar com idade, opioides, cirurgia, dor, febre e bilirrubinas.
Dilatação provávelColédoco >7 mm com vesícula e sem causa benigna; >10 mm pós-colecistectomia; ductos intra-hepáticos >2 mm.Procurar obstrução, cálculo distal, massa ou estenose conforme quadro.

Medir parede interna a parede interna e seguir o ducto até a cabeça pancreática quando possível.

Fonte: EFSUMB hepatobiliary chapter / Cleveland Clinic J Med 2022

Vesícula biliar — parede e pólipos

AchadoFaixaConduta de referência
Parede em jejum≤3 mmNormal quando a vesícula está bem distendida.
Parede em jejum>3–4 mmLimítrofe; checar jejum, contração, ascite, hepatopatia e dor.
Parede em jejum>4 mmEspessamento relevante, sobretudo com cálculo, líquido perivesicular ou Murphy ultrassonográfico.
Pólipo baixo risco<6 mmBaixo risco na maioria das diretrizes.
Pólipo intermediário6–9 mm ou 10–14 mm baixo risco SRUDivergência SRU versus Europa; considerar morfologia, crescimento e fatores de risco.
Pólipo alto risco≥10 mm com fatores de risco ou ≥15 mmAvaliar cirurgia/encaminhamento conforme diretriz e contexto clínico.

SRU 2022 usa categorias morfológicas e tende a reduzir seguimento; diretrizes europeias são mais cautelosas em ≥10 mm.

Fonte: SRU Radiology 2022 / ESGAR-EAES-EFISDS-ESGE 2022

Aorta abdominal — rastreio de aneurisma

FaixaClassificaçãoObservação
<2,5 cmCalibre usualAbaixo de ectasia.
2,5–2,9 cmEctasiaNão atinge critério clássico de aneurisma, mas merece registro.
≥3,0 cmAneurisma de aorta abdominalCritério usado em programas de rastreio por ultrassom.
≥5,0 cm mulher / ≥5,5 cm homemLimiar usual de reparoDepende de sintomas, crescimento, anatomia e risco cirúrgico.

Fonte: USPSTF / ACC-AHA 2022 / Society for Vascular Surgery

Veia porta — calibre, velocidade e direção

CorCritérioLeitura
Verde6–13 mm, velocidade 16–40 cm/s, fluxo hepatopetalFaixa usual.
Amarelo13–16 mm em inspiração profunda ou pós-prandial; velocidade 12–16 cm/sCorrelacionar com baço, ascite, colaterais e superfície hepática.
Vermelho>16 mm, velocidade <12 cm/s, fluxo hepatofugal ou tromboseSugere hipertensão portal ou doença vascular conforme contexto.

Fonte: Polish Ultrasound Society portal system standards / StatPearls

Pâncreas e veia cava inferior — limites úteis

EstruturaNormalAlerta
Ducto pancreático principal no corpo≤2 mmFaixa usual no corpo pancreático.
Ducto pancreático principal>2–3 mmAlto-normal/limítrofe, especialmente em idosos ou na cabeça.
Ducto pancreático principal>3 mmDilatação provável; considerar imagem seccional conforme sintomas e achados.
Veia cava inferior<2,1 cm + colapso >50%Compatível com pressão atrial direita baixa/normal.
Veia cava inferiorachados discordantesIndeterminado; usar índices secundários e contexto.
Veia cava inferior>2,1 cm + colapso <50%Sugere pressão atrial direita elevada.

Fonte: EFSUMB pancreas / Pancreatic ultrasound update 2024 / ASE chamber quantification

Assistente rápido — abdome com Doppler

SaídaCorInterpretação
Doppler preservadoVerdeVeia porta pérvia com fluxo em direção ao fígado, velocidade usual, artéria hepática com índice de resistência usual e veias hepáticas fásicas.
Achado contextual ou limitadoAmareloFluxo portal lento, artéria hepática limítrofe, veia hepática monofásica sem trombo, ascite/esplenomegalia isoladas ou limitação técnica.
Achado vascular anormalVermelhoFluxo portal hepatofugal, ausência de fluxo, trombose, cavernomatose, colaterais portossistêmicas, obstrução de veia hepática/cava ou disfunção de derivação.

Não use a velocidade isolada como conclusão. Combine direção, patência, forma de onda, calibre, baço, ascite, colaterais, técnica e indicação clínica.

Fonte: StatPearls Liver Doppler / Radiographics liver Doppler / portal hypertension reviews

Protocolo técnico — Doppler hepatoportal

ItemRegistrarPor que importa
Veia porta principal e ramosPatência, direção em direção ao fígado ou para longe do fígado, velocidade e calibre.Base para hipertensão portal, trombose e fluxo colateral.
Artéria hepáticaÍndice de resistência, velocidade sistólica e ascensão sistólica quando indicado.Ajuda em transplante, trombose portal, estenose e compensação arterial.
Veias hepáticas e veia cava inferiorFasicidade, patência, trombo, compressão ou dilatação.Avalia congestão, Budd-Chiari, doença cardíaca direita e obstrução venosa.
Veia esplênica e confluência portalPatência, direção, trombo e colaterais.Importante em trombose portal/esplênica e hipertensão portal segmentar.
TécnicaJejum, janela acústica, ângulo até 60 graus, escala/filtro e limitações.Evita falso diagnóstico de trombose por fluxo lento.

Fonte: ACR-AIUM-SPR-SRU abdomen parameter / StatPearls Liver Doppler

Hipertensão portal e trombose — sinais no Doppler

CorSinalComentário
VerdeVeia porta pérvia, fluxo em direção ao fígado, 16–40 cm/s, sem colaterais.Compatível com hemodinâmica usual quando o modo B concorda.
AmareloVelocidade 12–16 cm/s, calibre 13–16 mm, baço aumentado ou ascite isolada.Zona de contexto; procurar combinação de sinais.
VermelhoFluxo para longe do fígado, ausência de fluxo, trombo, cavernomatose, veia umbilical recanalizada ou colaterais.Achados fortes para hipertensão portal avançada ou trombose.

Fonte: StatPearls Liver Doppler / Doppler flow patterns in cirrhosis reviews

Artéria hepática, veias hepáticas e veia cava — leitura prática

EstruturaVerdeAmareloVermelho
Artéria hepáticaÍndice de resistência 0,50–0,70 e diástole presente.0,70–0,80 ou 0,45–0,50 sem outro alerta.>0,80, <0,45, ausência de fluxo ou tardus-parvus.
Veias hepáticasTrifásicas/fásicas.Monofásicas com cirrose, técnica ou congestão provável.Trombo, ausência de fluxo, estenose ou colaterais venosas.
Veia cava inferiorPérvia, compressível/fásica conforme respiração e coração.Dilatada com colapso reduzido em congestão.Trombo, compressão tumoral ou extensão de trombo.
Derivação portossistêmica intra-hepática transjugular90–190 cm/s sem gradiente focal.50–90 ou 190–250 cm/s.<50, >250 cm/s, oclusão ou turbulência/gradiente focal.

Esses limites são mais úteis no contexto certo. Transplante e derivação têm protocolos próprios e comparação seriada é essencial.

Fonte: StatPearls Liver Doppler / institutional TIPS protocols / AJR liver Doppler

Todos os exames