Artigo
Ultrassom de tórax e avaliação pleural
Ultrassom de tórax: derrame pleural, deslizamento pleural, linhas A e B, consolidação e pneumotórax — técnica, sinais ecográficos e limitações.
O que é e quando indicar
O ultrassom de tórax avalia a pleura e o pulmão superficial, sendo muito útil na dispneia, na suspeita de derrame pleural, na dor torácica e como guia de toracocentese. É rápido, à beira do leito e sem radiação.
Esta página organiza os sinais em linguagem clara e não substitui as diretrizes originais (protocolos de ultrassom pulmonar, AIUM, CBR), o treinamento supervisionado nem a correlação clínica.
Técnica
- Transdutor convexo ou linear; setorial para janelas intercostais
- Avaliar de forma sistemática os campos anteriores, laterais e posteriores, comparando os lados
- Identificar a linha pleural entre duas costelas (sinal do morcego)
- Observar o deslizamento pleural, as linhas A e as linhas B
- Paciente sentado facilita a avaliação de derrame nas bases
Sinais normais e artefatos
- Deslizamento pleural presente: movimento da pleura visceral sobre a parietal
- Linhas A: reverberações horizontais, padrão de pulmão aerado normal
- Sinal da praia (seashore) no modo M com deslizamento presente
- Poucas linhas B isoladas podem ser normais nas bases
- Pulso pulmonar e movimento respiratório da linha pleural
Achados patológicos
- Derrame pleural: espaço anecoico entre pleuras, com pulmão atelectasiado flutuante; estimar volume e guiar punção
- Síndrome intersticial: múltiplas linhas B (três ou mais por campo), difusas em congestão
- Consolidação: pulmão hepatizado com broncogramas aéreos dinâmicos
- Pneumotórax: ausência de deslizamento pleural, ausência de linhas B, ponto pulmonar; sinal da estratosfera no modo M
- Espessamento pleural, nódulos e septações no derrame complexo
Pneumotórax: a lógica dos sinais
Nenhum sinal isolado fecha o diagnóstico; combine-os e correlacione com a clínica.
- Deslizamento pleural presente praticamente exclui pneumotórax naquele ponto
- Ausência de deslizamento é sugestiva, mas inespecífica (bloqueio pleural, apneia, intubação seletiva)
- Ausência de linhas B reforça a suspeita
- Ponto pulmonar é específico de pneumotórax quando encontrado
- Correlação com a clínica e, quando necessário, radiografia/TC
Modelo de laudo normal
- Deslizamento pleural presente e simétrico nos campos avaliados
- Padrão de linhas A, sem linhas B patológicas
- Ausência de derrame pleural ou de consolidação
- Ausência de sinais de pneumotórax nos pontos examinados
- Linha pleural regular, sem espessamento ou nódulos
Limitações e armadilhas
- Avaliação limitada a pleura e pulmão superficial; lesões centrais aeradas não são vistas
- Enfisema subcutâneo impedindo a avaliação
- Confundir linhas B fisiológicas nas bases com síndrome intersticial
- Ausência de deslizamento por causas não relacionadas a pneumotórax
- Registrar as limitações e a natureza focal do exame
Não superdiagnosticar
Combine sinais (deslizamento, linhas A/B, derrame, ponto pulmonar) e correlacione com a clínica. O ultrassom pulmonar é poderoso à beira do leito, mas casos duvidosos vão para radiografia/TC. A conclusão deve ser proporcional aos achados.
Fontes
Conteúdo educacional; não substitui diretrizes originais, avaliação médica nem treinamento supervisionado. Referências principais:
- International evidence-based recommendations for point-of-care lung ultrasound (apoio didático).
- AIUM. Practice Parameter for the Performance of Thoracic/Lung Ultrasound (quando aplicável).
- Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR). Normatização e diretrizes técnicas de ultrassonografia.
- Rumack CM, Levine D. Diagnostic Ultrasound (tórax e pleura).
- Radiopaedia. Lung and pleural ultrasound (apoio didático, não copiado).
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