Artigo
Ultrassom de próstata por via abdominal
Ultrassom de próstata por via abdominal: técnica com bexiga cheia, cálculo de volume, resíduo pós-miccional, achados e quando indicar a via transretal.
O que é e quando indicar
O ultrassom de próstata por via abdominal (suprapúbica) estima o volume prostático e avalia a bexiga e o esvaziamento, sendo útil em sintomas do trato urinário inferior, suspeita de hiperplasia prostática benigna, retenção e seguimento. Não substitui a via transretal para caracterização detalhada ou biópsia dirigida.
Esta página organiza o protocolo em linguagem clara e não substitui as diretrizes originais (AIUM, ACR, CBR), o treinamento supervisionado nem a correlação clínica.
Preparo e técnica
- Bexiga confortavelmente cheia serve de janela acústica para a próstata
- Transdutor convexo de 2 a 5 MHz, abordagem suprapúbica angulada caudalmente
- Medir a próstata em três diâmetros (transverso, ântero-posterior e longitudinal)
- Avaliar a bexiga (paredes, conteúdo, cálculos) e estimar o resíduo pós-miccional
- Documentar em dois planos; registrar lobo mediano protruso quando presente
Volume prostático e PSA-densidade
O volume é a principal informação da via abdominal e orienta conduta e interpretação do PSA.
- Volume estimado pela fórmula do elipsoide: 0,52 x três diâmetros (em cm), resultado em cm3/gramas
- Próstata de volume normal em geral em torno de 20 a 30 cm3, aumentando com a idade
- PSA-densidade = PSA dividido pelo volume, auxilia a interpretar valores intermediários de PSA
- Lobo mediano protruindo na bexiga sugere componente obstrutivo
- Correlacionar volume com sintomas (IPSS) e com o resíduo pós-miccional
Bexiga e repercussões
- Espessamento e trabeculação parietal sugerem obstrução crônica
- Divertículos e cálculos vesicais descritos quando presentes
- Resíduo pós-miccional significativo reforça repercussão do esvaziamento
- Dilatação do trato urinário superior deve ser pesquisada em obstrução importante
- Bexiga inadequadamente cheia limita a avaliação prostática — registre
Limites da via abdominal e quando pedir transretal
- A via abdominal estima volume e avalia a bexiga, mas não caracteriza bem a zona periférica
- Não é adequada para pesquisa detalhada de nódulos suspeitos nem para biópsia
- Suspeita de câncer (toque alterado, PSA elevado) direciona para via transretal e/ou RM multiparamétrica
- Obesidade e bexiga vazia reduzem a acurácia do volume
- Registrar as limitações e o método complementar recomendado
Modelo de laudo normal
- Próstata de dimensões e volume estimados dentro da referência para a idade
- Contornos regulares, sem lobo mediano protruso significativo
- Bexiga de paredes finas e conteúdo anecoico, com bom esvaziamento
- Resíduo pós-miccional dentro dos limites
- Trato urinário superior sem dilatação na avaliação acessível
Não superdiagnosticar
A via abdominal quantifica volume e repercussões; não deve gerar conclusões sobre malignidade. Descreva o que é visto, correlacione com PSA e toque retal, e encaminhe para via transretal/RM quando a suspeita for clinicamente relevante.
Fontes
Conteúdo educacional; não substitui diretrizes originais, avaliação médica nem treinamento supervisionado. Referências principais:
- AIUM-AUA-SRU. Practice Parameter for the Performance of an Ultrasound Examination of the Prostate.
- ACR-AIUM-SPR-SRU. Practice Parameter for the Performance of an Ultrasound Examination of the Abdomen and/or Retroperitoneum.
- Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR). Normatização e diretrizes técnicas de ultrassonografia.
- Rumack CM, Levine D. Diagnostic Ultrasound (próstata e bexiga).
- Radiopaedia. Prostate ultrasound (apoio didático, não copiado).
Precisa falar com a equipe do Sono Ai Report?
support@sonoaireport.comEsta pagina resume praticas operacionais em linguagem simples. Ela nao substitui orientacao juridica, contrato com sua instituicao ou politica interna de prontuario.