Artigo
Doppler do rim transplantado
Doppler do rim transplantado: técnica, índices de resistência, coleções peritransplante, complicações vasculares e urológicas, laudo normal e limitações.
O que é e quando indicar
O ultrassom com Doppler do rim transplantado avalia o enxerto na fossa ilíaca: perfusão, vias urinárias e coleções peritransplante. É indicado no pós-operatório imediato, na disfunção do enxerto (elevação de creatinina, oligúria) e no seguimento.
Esta página organiza o protocolo em linguagem clara e não substitui as diretrizes originais (AIUM, ACR, CBR), o treinamento supervisionado nem a correlação clínica.
Preparo e técnica
- Não exige preparo especial; o enxerto é superficial na fossa ilíaca
- Transdutor convexo de baixa frequência e linear para detalhes superficiais
- Avaliar em modo B: dimensões, ecotextura, diferenciação corticomedular e vias urinárias
- Doppler colorido e espectral: artéria e veia principais, anastomoses e vasos intraparenquimatosos
- Corrigir o ângulo; amostrar artérias interlobares/segmentares para os índices
Índices e o que é normal
- Índice de resistência (IR) parenquimatoso tipicamente entre 0,60 e 0,80
- IR muito elevado (acima de 0,80) é inespecífico: rejeição, necrose tubular aguda, compressão, obstrução
- Fluxo diastólico ausente ou reverso indica alta resistência e é sinal de alerta
- Artéria e veia do enxerto pérvias, sem aliasing focal sugestivo de estenose de anastomose
- Boa perfusão cortical até a periferia ao Doppler colorido
Complicações a reconhecer
- Coleções peritransplante: hematoma, linfocele, urinoma, abscesso — medir e localizar
- Hidronefrose por obstrução ureteral (edema, cálculo, estenose)
- Estenose da artéria do enxerto: aumento focal de velocidade e tardus-parvus distal
- Trombose arterial (ausência de fluxo) ou venosa (fluxo arterial reverso na diástole) — emergências
- Fístula arteriovenosa ou pseudoaneurisma após biópsia
Modelo de laudo normal
- Enxerto de dimensões e ecotextura preservadas, com boa diferenciação corticomedular
- Sem dilatação pielocalicial e sem coleções peritransplante significativas
- Artéria e veia do enxerto pérvias, com anastomoses sem sinais de estenose
- Índices de resistência parenquimatosos dentro da normalidade, com fluxo diastólico anterógrado
- Perfusão cortical homogênea até a periferia
Limitações e armadilhas
- IR isolado é inespecífico: interprete com a clínica e a evolução
- Anastomoses profundas ou tortuosas dificultando a medida de velocidade
- Aliasing por PRF inadequada simulando estenose
- Coleção pequena versus alça: use planos e reavaliação
- Registrar limitações técnicas e sugerir complementação quando indicado
Não superdiagnosticar
O Doppler não distingue por si só as causas de IR elevado; correlacione com a clínica, a evolução e, quando necessário, a biópsia. Descreva bem os achados e evite atribuir uma causa única a um índice isolado.
Fontes
Conteúdo educacional; não substitui diretrizes originais, avaliação médica nem treinamento supervisionado. Referências principais:
- AIUM. Practice Parameter for the Performance of an Ultrasound Examination of Solid-Organ Transplants.
- ACR-AIUM-SPR-SRU. Practice Parameter for the Performance of an Ultrasound Examination of the Abdomen and/or Retroperitoneum.
- Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR). Normatização e diretrizes técnicas de ultrassonografia.
- Rumack CM, Levine D. Diagnostic Ultrasound (transplante renal).
- Radiopaedia. Renal transplant ultrasound (apoio didático, não copiado).
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