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Artigo

Doppler do rim transplantado

Doppler do rim transplantado: técnica, índices de resistência, coleções peritransplante, complicações vasculares e urológicas, laudo normal e limitações.

Ágarus Serviços e Soluções em Medicina LTDACNPJ 24.740.646/0001-73Fortaleza - CE, BrasilAtualizado em 19 de junho de 2026

O que é e quando indicar

O ultrassom com Doppler do rim transplantado avalia o enxerto na fossa ilíaca: perfusão, vias urinárias e coleções peritransplante. É indicado no pós-operatório imediato, na disfunção do enxerto (elevação de creatinina, oligúria) e no seguimento.

Esta página organiza o protocolo em linguagem clara e não substitui as diretrizes originais (AIUM, ACR, CBR), o treinamento supervisionado nem a correlação clínica.

Preparo e técnica

  • Não exige preparo especial; o enxerto é superficial na fossa ilíaca
  • Transdutor convexo de baixa frequência e linear para detalhes superficiais
  • Avaliar em modo B: dimensões, ecotextura, diferenciação corticomedular e vias urinárias
  • Doppler colorido e espectral: artéria e veia principais, anastomoses e vasos intraparenquimatosos
  • Corrigir o ângulo; amostrar artérias interlobares/segmentares para os índices

Índices e o que é normal

  • Índice de resistência (IR) parenquimatoso tipicamente entre 0,60 e 0,80
  • IR muito elevado (acima de 0,80) é inespecífico: rejeição, necrose tubular aguda, compressão, obstrução
  • Fluxo diastólico ausente ou reverso indica alta resistência e é sinal de alerta
  • Artéria e veia do enxerto pérvias, sem aliasing focal sugestivo de estenose de anastomose
  • Boa perfusão cortical até a periferia ao Doppler colorido

Complicações a reconhecer

  • Coleções peritransplante: hematoma, linfocele, urinoma, abscesso — medir e localizar
  • Hidronefrose por obstrução ureteral (edema, cálculo, estenose)
  • Estenose da artéria do enxerto: aumento focal de velocidade e tardus-parvus distal
  • Trombose arterial (ausência de fluxo) ou venosa (fluxo arterial reverso na diástole) — emergências
  • Fístula arteriovenosa ou pseudoaneurisma após biópsia

Modelo de laudo normal

  • Enxerto de dimensões e ecotextura preservadas, com boa diferenciação corticomedular
  • Sem dilatação pielocalicial e sem coleções peritransplante significativas
  • Artéria e veia do enxerto pérvias, com anastomoses sem sinais de estenose
  • Índices de resistência parenquimatosos dentro da normalidade, com fluxo diastólico anterógrado
  • Perfusão cortical homogênea até a periferia

Limitações e armadilhas

  • IR isolado é inespecífico: interprete com a clínica e a evolução
  • Anastomoses profundas ou tortuosas dificultando a medida de velocidade
  • Aliasing por PRF inadequada simulando estenose
  • Coleção pequena versus alça: use planos e reavaliação
  • Registrar limitações técnicas e sugerir complementação quando indicado

Não superdiagnosticar

O Doppler não distingue por si só as causas de IR elevado; correlacione com a clínica, a evolução e, quando necessário, a biópsia. Descreva bem os achados e evite atribuir uma causa única a um índice isolado.

Fontes

Conteúdo educacional; não substitui diretrizes originais, avaliação médica nem treinamento supervisionado. Referências principais:

  • AIUM. Practice Parameter for the Performance of an Ultrasound Examination of Solid-Organ Transplants.
  • ACR-AIUM-SPR-SRU. Practice Parameter for the Performance of an Ultrasound Examination of the Abdomen and/or Retroperitoneum.
  • Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR). Normatização e diretrizes técnicas de ultrassonografia.
  • Rumack CM, Levine D. Diagnostic Ultrasound (transplante renal).
  • Radiopaedia. Renal transplant ultrasound (apoio didático, não copiado).

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