Artigo
Ultrassom de bolsa escrotal e Doppler
Ultrassom de bolsa escrotal com Doppler: técnica, testículos e epidídimos, dor aguda (torção x epididimite), varicocele, massas e hidrocele, laudo normal.
O que é e quando indicar
O ultrassom de bolsa escrotal com Doppler avalia testículos, epidídimos e o conteúdo escrotal. É o exame de escolha na dor escrotal aguda, no aumento de volume, na pesquisa de massa testicular, varicocele, infertilidade e trauma.
Esta página organiza o protocolo em linguagem clara e não substitui as diretrizes originais (AIUM, ACR, CBR), o treinamento supervisionado nem a correlação clínica.
Preparo e técnica
- Não exige preparo; transdutor linear de alta frequência (7 a 15 MHz)
- Avaliar cada testículo em dois planos, comparando lados (tamanho, ecotextura, vascularização)
- Doppler colorido e espectral com PRF baixa para captar fluxo testicular normal
- Manobra de Valsalva e ortostatismo para varicocele
- Documentar epidídimos, túnica vaginal (hidrocele) e parede escrotal
Dor escrotal aguda: torção x epididimite
A prioridade é diferenciar torção (emergência cirúrgica) de epididimite/orquite. O Doppler é decisivo.
- Torção: fluxo testicular ausente ou reduzido comparado ao lado normal; testículo aumentado e heterogêneo em fases tardias
- Epididimite/orquite: epidídimo/testículo aumentados com hiperfluxo ao Doppler
- Sempre comparar com o lado contralateral e ajustar a PRF para fluxo lento
- Torção parcial/intermitente pode ter fluxo presente — correlacione com a clínica
- Achado de emergência exige comunicação imediata ao solicitante
Varicocele, hidrocele e massas
- Varicocele: veias do plexo pampiniforme dilatadas (acima de cerca de 2 a 3 mm) com refluxo à Valsalva
- Hidrocele: coleção anecoica entre as lâminas da túnica vaginal
- Massa intratesticular sólida é suspeita de malignidade até prova em contrário — descrever e encaminhar
- Cistos de epidídimo e microlitíase testicular descritos quando presentes
- Trauma: hematoma, fratura e rotura da albugínea são achados a valorizar
Modelo de laudo normal
- Testículos tópicos, de dimensões e ecotextura homogêneas, simétricos
- Vascularização testicular simétrica e preservada ao Doppler
- Epidídimos de aspecto habitual, sem sinais inflamatórios
- Ausência de hidrocele significativa, varicocele ou massas
- Parede escrotal sem alterações
Limitações e armadilhas
- PRF alta mascarando o fluxo testicular normal e simulando torção
- Torção intermitente com fluxo presente no momento do exame
- Massa extratesticular (geralmente benigna) versus intratesticular (suspeita): defina a topografia
- Microlitíase supervalorizada fora do contexto clínico
- Registrar limitações e a urgência de comunicação quando há suspeita de torção
Não superdiagnosticar
Na dor aguda, a decisão é clínico-cirúrgica; o ultrassom apoia, mas a suspeita forte de torção não deve ser adiada por um exame duvidoso. Para massas, descreva topografia e características e encaminhe, sem afirmar histologia.
Fontes
Conteúdo educacional; não substitui diretrizes originais, avaliação médica nem treinamento supervisionado. Referências principais:
- AIUM-ACR-SPR-SRU. Practice Parameter for the Performance of Scrotal Ultrasound Examinations.
- ESUR/EAU. Recommendations on scrotal ultrasound (apoio didático).
- Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR). Normatização e diretrizes técnicas de ultrassonografia.
- Rumack CM, Levine D. Diagnostic Ultrasound (bolsa escrotal).
- Radiopaedia. Scrotal ultrasound (apoio didático, não copiado).
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