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Artigo

Ultrassom do aparelho urinário: rins e bexiga

Ultrassom do aparelho urinário: rins, bexiga e vias excretoras — técnica, medidas, hidronefrose, cálculos, resíduo pós-miccional, laudo normal e limitações.

Ágarus Serviços e Soluções em Medicina LTDACNPJ 24.740.646/0001-73Fortaleza - CE, BrasilAtualizado em 19 de junho de 2026

O que é e quando indicar

O ultrassom do aparelho urinário avalia os rins, a bexiga e, quando dilatadas, as vias excretoras. É indicado para dor lombar e cólica renal, hematúria, infecção urinária de repetição, alteração de função renal, retenção urinária e seguimento de cálculos e cistos conhecidos.

Esta página organiza o protocolo em linguagem clara e não substitui as diretrizes originais (ACR-AIUM-SPR-SRU, AIUM, CBR), o treinamento supervisionado nem a correlação clínica.

Preparo e técnica

  • Bexiga cheia melhora a avaliação vesical e das junções ureterovesicais
  • Transdutor convexo de 2 a 5 MHz; preset abdominal com harmônica
  • Rins avaliados em decúbito dorsal e laterais, usando o fígado e o baço como janela e a inspiração profunda
  • Cada rim documentado em longitudinal e transversal, com medida e espessura do parênquima
  • Bexiga em dois planos; resíduo pós-miccional quando houver queixa de esvaziamento

Rins: o que medir e avaliar

  • Comprimento renal geralmente entre 9 e 12 cm, com simetria entre os lados
  • Espessura e ecogenicidade do parênquima, com boa diferenciação corticomedular
  • Seio renal ecogênico, sem dilatação pielocalicial
  • Cistos simples: anecoicos, paredes finas, reforço acústico posterior (Bosniak I)
  • Cálculos: focos ecogênicos com sombra acústica; avaliar com Doppler o artefato cintilante

Hidronefrose e obstrução

A dilatação pielocalicial é graduada e deve ser correlacionada com a clínica e com o possível fator obstrutivo.

  • Leve: dilatação da pelve e cálices, com parênquima preservado
  • Moderada: cálices arredondados e pelve mais dilatada
  • Acentuada: dilatação importante com afilamento do parênquima
  • Procurar o nível e a causa (cálculo, compressão, bexiga repleta) e registrar quando não identificado
  • Ureter só é visto habitualmente quando dilatado

Bexiga e resíduo pós-miccional

  • Paredes finas e regulares, conteúdo anecoico quando repleta
  • Espessamento parietal, trabeculação, cálculos e lesões vegetantes descritos quando presentes
  • Resíduo pós-miccional estimado pelo volume (aproximadamente 0,52 x três diâmetros)
  • Jatos ureterais ao Doppler ajudam a confirmar a perviedade das junções
  • Bexiga vazia limita a avaliação — registre no laudo

Modelo de laudo normal

  • Rins tópicos, de dimensões e espessura do parênquima preservados, com boa diferenciação corticomedular
  • Ausência de dilatação pielocalicial e de cálculos com sombra acústica
  • Bexiga de paredes finas e conteúdo anecoico, com bom esvaziamento
  • Ausência de resíduo pós-miccional significativo
  • Sem coleções ou linfonodomegalias na avaliação acessível

Limitações e armadilhas

  • Bexiga vazia dificultando a avaliação vesical e ureteral distal
  • Bexiga muito cheia simulando dilatação leve bilateral (reavaliar após esvaziar)
  • Cisto parapiélico confundido com hidronefrose leve: use planos e Doppler
  • Cálculo pequeno sem sombra: procure o artefato cintilante ao Doppler
  • Biotipo/gás limitando a avaliação — registre com honestidade

Não superdiagnosticar

Descreva bem o que é visto, classifique cistos por critérios objetivos, evite rótulos definitivos em imagens duvidosas e recomende complementação (novo exame com bexiga adequada, TC sem contraste para litíase) quando clinicamente relevante.

Fontes

Conteúdo educacional; não substitui diretrizes originais, avaliação médica nem treinamento supervisionado. Referências principais:

  • ACR-AIUM-SPR-SRU. Practice Parameter for the Performance of an Ultrasound Examination of the Abdomen and/or Retroperitoneum.
  • AIUM. Practice Parameter for the Performance of an Ultrasound Examination of the Kidneys and Urinary Bladder.
  • Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR). Normatização e diretrizes técnicas de ultrassonografia.
  • Rumack CM, Levine D. Diagnostic Ultrasound (rim e bexiga).
  • Radiopaedia. Renal and bladder ultrasound (apoio didático, não copiado).

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