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Artigo

Lipedema no ultrassom: como medir e graduar

Guia técnico de ultrassom do lipedema: onde medir (6 a 8 cm acima do maléolo medial), como medir sem comprimir, cutoffs de Amato e graduação de Marshall.

Ágarus Serviços e Soluções em Medicina LTDACNPJ 24.740.646/0001-73Fortaleza - CE, BrasilAtualizado em 19 de junho de 2026

Por que medir o lipedema no ultrassom

O lipedema é um acúmulo anormal e simétrico de tecido adiposo subcutâneo, tipicamente nos membros inferiores, que costuma poupar os pés. O diagnóstico é clínico, mas o ultrassom entra como método objetivo, barato e reprodutível para medir a espessura do tecido celular subcutâneo (TCSC) e acompanhar a evolução ao longo do tratamento.

Esta página é uma ponte educacional: mostra onde encostar o transdutor, como evitar o erro mais comum (comprimir a pele), como medir de forma padronizada, quais os pontos de corte e como graduar a gravidade. O objetivo é que dois exames do mesmo paciente cheguem a números parecidos.

Onde medir: os quatro pontos padronizados

O protocolo de Amato mede quatro pontos, bilaterais, com no mínimo três medidas por ponto. Eles são reprodutíveis porque se ancoram em referências ósseas, e não em uma posição aproximada da perna.

O ponto supramaleolar medial merece atenção especial: é ele que alimenta a graduação de gravidade de Marshall. Marque 6 a 8 cm acima da ponta do maléolo medial, na face interna da perna.

  • Coxa anterior — terço médio da face anterior da coxa
  • Região pré-tibial anterior — terço proximal, junto à crista da tíbia
  • Perna lateral — terço médio da face lateral
  • Região supramaleolar medial — 6 a 8 cm acima do maléolo medial (ponto de Marshall)

A técnica: gel abundante, sem comprimir a pele

O tecido subcutâneo é compressível. Se você apoiar o transdutor com força, a espessura medida cai e a gravidade é subestimada. Use transdutor linear de alta frequência (7,5 a 13 MHz), preset de partes moles, e uma camada generosa de gel para acoplar sem pressão, mantendo o transdutor perpendicular à pele.

  • Camada espessa de gel entre o transdutor e a pele
  • Transdutor perpendicular, apoio leve, sem afundar o subcutâneo
  • Observe a pele na imagem: ela não deve estar deformada para dentro
  • Repita a medida ao menos três vezes e desconfie se os valores caem ao apertar

Como tomar a medida

Congele uma imagem transversal com a pele e a fáscia bem definidas. Posicione um caliper na superfície da derme e o outro na fáscia muscular, perpendicular às camadas. A medida do lipedema é a espessura combinada da pele (cútis) e do tecido adiposo subcutâneo, da derme até a fáscia.

  • Meça sempre perpendicular às camadas (medida oblíqua superestima)
  • Inclua da derme até a fáscia (a pele faz parte da medida no método de Marshall)
  • Evite vasos e nódulos focais ao escolher o ponto representativo
  • Compare os lados: o lipedema costuma ser simétrico

Limiares diagnósticos de Amato

Amato et al. definiram limiares de espessura do TCSC, por ponto, acima dos quais a medida sugere lipedema. O ponto pré-tibial foi o de maior acurácia diagnóstica.

  • Coxa anterior: acima de 17,9 mm
  • Região pré-tibial anterior: acima de 11,7 mm (maior acurácia)
  • Perna lateral: acima de 8,4 mm
  • Região supramaleolar medial: acima de 7,0 mm

Graduação de gravidade de Marshall e Schwahn-Schreiber

A gravidade é graduada pela espessura na região supramaleolar medial. Para referência, um indivíduo normal mede cerca de 2,1 mm nesse mesmo ponto do tornozelo.

Na conclusão do laudo, traga o grau correspondente, por exemplo: achados compatíveis com lipedema de grau moderado segundo a graduação de severidade de Marshall. As medidas ficam no corpo do laudo; a conclusão carrega a opinião e o grau.

  • 12 a 15 mm — lipedema leve (lipo-hiperplasia)
  • 15 a 20 mm — moderado
  • 20 a 30 mm — pronunciado (inequívoco)
  • acima de 30 mm — grave
  • cerca de 2,1 mm — referência normal (não lipedema)

Lipedema, linfedema e obesidade

O ultrassom ajuda a diferenciar. No lipedema puro, os pés são poupados, a pele tem espessura preservada e não há lâminas líquidas anecoicas entre os lóbulos nas fases iniciais. Podem aparecer áreas nodulares hiperecogênicas de permeio ao subcutâneo.

  • Lipedema: pés poupados, simétrico, sem espessamento dérmico, dor à compressão
  • Linfedema: acomete os pés (Stemmer positivo), espessamento dérmico e lâminas líquidas
  • Obesidade: subcutâneo espessado, mas sem a desproporção que poupa os pés

Fontes

Este conteúdo é educacional e não substitui as publicações originais nem a correlação clínica. Referências principais:

  • Amato ACO et al. Ultrasound criteria for lipedema. Phlebology, 2021.
  • Marshall M, Schwahn-Schreiber C. Prevalence of lipedema in professional women in Germany. Phlebologie, 2011.
  • Naouri M et al. High-resolution cutaneous ultrasonography to differentiate lipoedema from lymphoedema. Br J Dermatol, 2010.

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